Light Up The Stars
2 O Dragão e a Guilda
Notas iniciais
"São muitos os que escolhem a solidão, mas ninguém é capaz de suportá-la."
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~ Lucy
A única coisa que eu conseguia fazer era fitar seus olhos negros, negros feito ônix. Até mesmo seus olhos pareciam sorrir. Em todo o tempo que passei observando a terra, eu nunca havia visto um sorriso parecido com o dele.
- Ei, você está bem? – tornou a perguntar, mas eu estava surpresa demais para responder.
Ele deu um passo para a frente, se aproximando mais e me fazendo recuar instintivamente. Seus olhos se estreitaram, parecendo confusos.
- Eu não vou te machucar.. Meu nome é Natsu! Natsu Dragneel! – exclamou, animado – Venha, me deixe te ajudar! Como você se chama?
O examinei, desde o cabelo rosado até a estranha marca avermelhada em seu ombro direito.
Apenas o encarei, receosa. Stellaire me ensinou a ter medo dos humanos, mas ainda assim, esse parece ser tão.. gentil.
- Lucy. – respondi baixinho, mas ele pareceu ouvir, pois sorriu ainda mais.
- Você tem um cheiro estranho Lucy.. Nunca senti nada parecido!
Abaixei a cabeça, decepcionada. Ele acabou de falar mal do meu cheiro?
- E-ei! Eu não quis.. – gaguejou, e deu mais alguns passos, ficando parado bem na minha frente, e então se ajoelhou no chão, deixando nossos rostos no mesmo nível – É um cheiro bom. – disse, sorrindo gentilmente.
Meu coração falhou uma batida. Se todos os humanos fossem como ele..
- Obrigada? – agradeci, meio confusa. Ele riu. O som de sua risada é incrível, apesar da mesma ser exagerada, também é contagiante, e acabou me arrancando um sorriso tímido. Eu nunca havia escutado uma risada de verdade.
- Olha só! – exclamou, arregalando os olhos – Finalmente você deu um sorriso Luce!
O que ele queria dizer com isso? E “Luce”? Me forcei a parar de sorrir imediatamente, e ele fez uma cara de desapontado, cruzando os braços.
- Prefiro quando você está sorrindo!
Apesar de gentil, esse garoto também é.. barulhento e irritante.
Acabei fitando a marca vermelha em seu ombro, distraída, pensando em como seria uma guilda. Seriam todos bondosos como ele?
- Você está perdida? – perguntou, seguindo meu olhar.
Balancei negativamente a cabeça, e fitei a marca em seu ombro por mais alguns segundos antes de desviar o olhar. – A qual guilda você pertence?
Ele me examinava intensamente com seus olhos negros, me deixando desconfortável.
- Nenhuma.
- Você está sozinha?
Confirmei com a cabeça.
- Por que?
Essa pergunta me pegou desprevenida. Por que? Bom, porque os humanos podem ser cruéis, e segundo Stellaire, fariam coisas horríveis comigo se descobrissem o que sou.
- Eu não sei.. – respondi, abaixando a cabeça.
Ele se levantou de repente. Olhei para cima, e ele sorria, estendendo a mão em minha direção.
- Venha comigo para a Fairy Tail!
O olhei, sem entender. Fairy Tail? Ir com ele? Ele riu de minha confusão e me puxou do chão, me assustando completamente. Apesar da força e da rapidez, ele não me machucou. Será que posso confiar nele afinal?
- Por onde você andou Luce? Em uma caverna? – quase isso, escondida nas partes mais escuras das florestas serve? – É a melhor e mais forte guilda que existe! Não há nenhum lugar no mundo como a Fairy Tail!
Ele gesticulava e falava, animado, entre sorrisos. E parece ter um grande carinho por essa guilda.. Como são as guildas? Se esse tal de Natsu, que é tão gentil, parece ter um carinho tão grande pela sua.. Não pode ser um lugar ruim.
Acabei sorrindo, perdida em meus pensamentos.
- Isso é um sim? – perguntou ele, me segurando pelo pulso. Arregalei os olhos e o encarei assustada. O que ele está fazendo? – Eu não vou te machucar Lucy! Você pode confiar em mim.
Ele ainda apertava meu pulso sem muita força. Sua pele é incrivelmente quente. Um calor acolhedor.
E algo em meu coração dizia a mesma coisa que ele.
Eu posso confiar em Natsu.
Deixei que ele me puxasse pela floresta, e não impedi o pequeno e discreto sorriso que teimava em parecer em meu rosto.
Já estávamos andando há alguns minutos, a floresta se abrindo cada vez mais, o número de arvores diminuindo e a mata ficando mais escassa. Ele não calou a boca por um minuto se quer.
- Da onde você veio Lucee?
Do céu.
- Uma cidade próxima daqui..
- Com sua família?
- Não..
- Você não conheceu sua família? – perguntou, dessa vez se virando para me olhar nos olhos. Seus orbes negros transmitiam preocupação e compaixão.
- Não.. – estrelas não tinham família. Stellaire foi a única família que tive.
- E o que você estava fazendo sozinha naquela floresta?
Intrometido, não?
- Eu havia escutado um barulho.. – comecei, mas ele logo me interrompeu, aflito.
- UM RUGIDO? – tampei os ouvidos ao ouvi-lo gritar, mas que humano barulhento!
- Sim! – confirmei, irritada por ter sido interrompida – E fui procurar a origem do som, até que..
- AH! BATEMOS A CABEÇA UM NO OUTRO! EU TAMBÉM OUVI AQUELE RUGIDO LUCEE! – me interrompeu novamente, gritando. Senti uma veia saltar em minha testa. Quando ele mudou de gentil para irritante?
- E por que você foi atrás do rugido? – perguntei, tentando controlar a raiva. Eu fui em busca de Stellaire, e ele..?
- Oras, fui procurar o Igneel!
E quem é esse Igneel? Por que ele teria algo a ver com um rugido? Ah não ser.. Não, não é possível.
- E o Igneel é....?
- Um dragão! O que mais ele seria, rugindo daquele jeito? Você é estranha Luce.
Parei de andar, meu corpo parecia de pedra. Um dragão? Esse garoto conhece um dragão?
- Qual o problema? – perguntou ele, vindo em minha direção assim que notou que eu havia parado – O Igneel é bonzinho Lucy, não precisa ter medo!
Fitei seu sorriso, mas não me senti reconfortada, porque não era medo o que eu estava sentindo.
- Como você conhece um dragão?
- Ele é o meu pai. Igneel, o Dragão de Fogo. – respondeu calmamente, dando de ombros.
O pai dele. Igneel. Stellaire. E se ele soubesse de algo?
- E onde ele está agora? – perguntei, desesperada.
- Eu não sei. – seu sorriso sumiu, e ele encarou o céu, pensativo. – Eu ouvi aquele rugido, e pensei que poderia ser ele.. mas estava enganado.
Sua voz foi fraquejando, a dor nela era visível. Senti um aperto no coração. Eu entendo sua dor, o que ele está sentindo.. Eu sei como é perder sua família.
- Hmm.. – murmurou, ainda pensativo – Mas e você Lucy? Por que foi atrás daquele rugido?
Eu já havia decidido confiar nele, e agora, tinha um motivo a mais para faze-lo.
- Eu também fui criada por um dragão. – assim que terminei a frase, ele cortou em um segundo a distancia entre nós, me segurando pelos ombros, os olhos negros arregalados. Suas mãos estavam ainda mais quentes do que antes.
- O QUE? – gritou – E ONDE ELE ESTÁ?
- Eu também gostaria de saber.. – sorri amarelo e encarei o chão. O aperto no peito ficou mais forte. Eu sentia uma tremenda saudade de Stellaire. – Fui criada por Stellaire, o Dragão das Estrelas.
- INCRÍVEL! – gritou novamente, me fazendo levantar o rosto para olha-lo. Ele já havia soltado meus ombros e agora me encarava perplexo. De onde ele tira tanta energia? Suspirei, cansada. Lembrar de Stellaire dói. Notando minha expressão desanimada, ele se acalmou, e sorriu. Um lindo sorriso, reconfortante e encorajador. – Não se preocupe. Nós vamos acha-los, eu prometo.
E mais uma vez, uma vozinha dentro da minha cabeça me disse para confiar nele. Eu acredito em você, Natsu Dragneel!
Sorri, confirmando com a cabeça. Sua determinação e confiança são encorajadoras, assim como seu caloroso sorriso.
Meu estomago roncou. Ele começou a gargalhar, me fazendo sentir uma estranha ardência no rosto. Meu rosto nunca havia ficado tão quente!
- Acho que estou com fome.. – murmurei, envergonhada.
- Ahh, eu to morto de fome Luce! Anda, vamos logo! Já estamos próximos da cidade, consigo sentir o cheiro.
- Vamos! – concordei, animada, o pegando de surpresa. Eu me sentia a vontade com ele, talvez porque ambos perdemos nossos “papais dragões”, e eu sinto que ele me entende. Sorrimos um para o outro e seguimos em frente.
Seguimos nosso caminho entre surpresas e risadas. Perguntei a ele coisas sobre a guilda, sobre as pessoas de lá, sobre magia, sobre, bom, basicamente tudo. Conversamos sobre nossos dragões, o que foi algo bom e triste ao mesmo tempo. Bom, porque agora eu sinto que tenho alguém que me entende, entende minha dor, minha saudade. Triste, pois lembrar de Stellaire sempre é triste. Ele me disse que há mais dois Dragon Slayers na Fairy Tail, e que os dragões de ambos sumiram exatamente no mesmo dia em que os nossos! Wendy e Gajeel.
“O que aconteceu com você mãe? Espero que esteja bem..” pensei, distraída. Mas uma de suas perguntas me pegou de surpresa. Tudo em Natsu me pega de surpresa, começando pelo fato dele ser um humano!
- Ei, Luce.. O que você come? – perguntou, coçando o queixo, parecendo pensar em algo – Estrelas? Não, aí você nunca teria o que comer.. A não ser que você possa pular muito alto até o céu.. Não, não pode ser isso..
E AÍ SERIA CANIBALISMO! QUE HORROR!
- Claro que não! – respondi, revirando os olhos – Você sabe do que as estrelas são feitas Natsu?
Ele pareceu pensar por um segundo, mas logo abriu um sorriso enorme.
- Não!
E isso lá é motivo pra sorrir? Suspirei. Eu não posso falar que só o fato de eu ser uma estrela já me permite uma capacidade de cura extremamente rápida. Nem mesmo Stellaire acreditava.“Uma estrela, que é a Dragon Slayer das estrelas! Algo único em toda a existência desse planeta! Você é especial Lucy, e não apenas nesse sentido”. Me lembrei de suas palavras carinhosas, mas sem a típica tristeza. Ela me amava tanto quanto eu a amo.
- As estrelas são feitas, principalmente, de hidrogênio. E o melhor lugar para encontrar hidrogênio é....?
- Ah Luce, para de fazer perguntar difíceis! – resmungou, fazendo bico e cruzando as mãos por trás da cabeça.
Revirei os olhos, sorrindo.
- Na água Natsu, na água. Mas o ferro, um dos componentes das estrelas, também pode dar uma ajudinha.
- Água não tem gosto de nada.. – continuou fazendo bico.
- Fogo também não deve ser lá essa maravilha! Estou feliz sem morrer queimada!
Nós rimos juntos, mas parei assim que notei que a floresta chegava ao fim.
A cidade. Magnólia, como ele havia me falado. São tantos humanos juntos, e nem todos são bons como Natsu.. Fiquei paralisa onde estava. Não consigo dar mais nem um passo. Minhas mãos começaram a tremer e minha respiração falhou.
- Lucy? – perguntou o rosado, preocupado – Seu coração está acelerado.. Você esta bem?
Balancei a cabeça negativamente, ainda em choque.
Senti um aperto quente e firme em uma de minhas mãos, fazendo a tremedeira parar.
- Você não precisa ter medo. Eu estou com você.
Respirei fundo, e assenti.
- Vamos. — falei, corajosa.
Mas minha coragem logo foi falhando. Eu só conseguia dar passos curtos, lentos e trêmulos. Ouvi ele bufar, impaciente, e então tudo aconteceu rápido demais, e de repente, ele havia me tirado do chão e me jogado sobre seu ombro, feito uma simples bagagem. Gritei, assustada, e senti meu rosto esquentar novamente. O que está acontecendo comigo? Esse calor todo em meu rosto é por ele ser um Dragon Slayer do fogo? Enquanto eu tentava me acalmar, fitei o rosto dele, e estava vermelho. Sem pensar, toquei sua bochecha com a ponta dos dedos. Estava quente também.
- O-o que você e-está fazendo Lu-luce sua estranha? — perguntou, tropeçando nas palavras e me fazendo voltar a realidade.
- Nada.
Virei a cara e fiquei em silencio o resto do caminho, sendo carregada por ele, que avançava rapidamente.
Quando chegamos a cidade, meu coração acelerou e de repente ficou difícil de respirar. Era enorme. Repleta de prédios, pessoas, árvores.. Enorme, lotada, colorida e agitada. Assustadora e encantadora ao mesmo tempo.
Enquanto Natsu caminhava pelas ruas, atraía alguns olhares curiosos e outros admirados. Não deveria ser normal carregar as pessoas assim, nos ombros, afinal. Mas algumas pessoas pareciam estar realmente admiradas, encantadas, e até mesmo agradecidas, ao olhar para o rosado. Que estranho.
Após a vergonhosa caminhada, sem aviso, ele me colocou em pé sobre o chão.
- Chegamos! Bem vinda a Fairy Tail, Lucy! — exclamou, com um de seus sorrisos calorosos, que me enchiam de coragem.
Respirei fundo e fitei a enorme construção. Estou pronta para isso?
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"Olhares tristes e vazios
Desapareceram quando eu vi seu rosto
Tudo o que eu posso dizer é que foi encantador conhecer você"
Notas finais
Até o próximo e não se esqueçam de deixar sua opinião *-*
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