Notas iniciais
hmm...nenhuma divirtam-se

Mesmo que a luz entrasse pelas frestas da janela, o sol não atrapalhava a visão da garota. Não pelo fato de gostar da luminosidade da manhã, mas sim por não poder vê-la. Seus olhos entreabertos já não mais enxergavam, tudo isso por causa daquele fatídico acidente. Agora nada mais importava, nem nenhuma desgraça lhe parecia tão ruim, depois que se tornara cega. Já não poderia mais ver as lindas pétalas de cerejeiras caindo levemente ao chão, nem os rostos alegres das crianças brincando no Rei Pingüim...Ou o brilho de um novo dia...

A vontade de morrer diante de tanta angústia acabou com qualquer força que pudesse ter para sair de sua cama. Jogou os braços para trás, tateando em busca de um certo objeto que continha uma foto. Fechou a mão ao achar o que procurava, e o pôs diante do rosto passando os dedos velo vidro. Mesmo que não visse nada, sabia que ali estava uma imagem, uma foto e uma lembrança.

-Sakura.

A menina não se virara, porém mexeu com a cabeça como forma de mostrar que estava escutando.

-Como se sente ?- Disse o jovem alto fechando a porta atrás de si e caminhando em direção da cama onde a garota estava deitada — Ah...isso, Sakura, ele está bem, está feliz que você tenha sobrevivido, mas duvido que gostaria de vê-la com um semblante tão triste.

-Touya...

O jovem tomou o porta retratos da mão de Sakura e admirou a foto por uns instantes, identificando algumas semelhanças com as suas num semblante calmo e alegre.

-Foi minha culpa... o papai não está mais aqui, e tudo foi minha culpa.

-Cale a boca ! Nada disso foi sua culpa, e nunca ninguém a culpará de nada, apenas você mesma.

Sakura abaixou a cabeça e afundou-se ainda mais no travesseiro fazendo com que seu cabelo caísse no seu rosto, sentindo o odor de podridão que emanava dele.

-Sakura, você tem certeza que não quer sair desta casa? Podemos nos mudar... entenda, seria muito melhor. Você teria mais segurança e evitaria um possível acidente.

A jovem apenas balançou a cabeça lentamente em forma de negação, e fechou os olhos bufando baixo. Touya suspirou longamente, e encarou a irmã que estava estirada na cama. A garota não saía de lá há uma semana, fosse para comer ou tomar banho. Ele temia que a irmã adquirisse algum problema grave na pele. Olhou para o canto onde a cadeira de rodas estava parada e refletindo o sol.

— Aqui tem o cheiro do papai- Touya virou-se ao ouvir a voz de Sakura- Não quero abandoná-lo.

Passos abafados pela porta puderam ser notados por Touya, porém a garota ou os ignorava ou estava demasiadamente absorta em seus pensamentos para ouvi-los. Houve um barulho quando a porta foi aberta e em seguida um alto rapaz de cabelos prateados surgiu na brecha.

-Ahm, olá Touya.

-Yukito! Que bom que chegou...Muito obrigado novamente, estou indo trabalhar então... Sakura, se cuide viu ! E não seja uma monstrenga mal-agradecida !

— Touya !! Não fale assim! E quanto a ficar aqui, não se preocupe, saiba que pode contar comigo pra tudo, entendeu ? Até porque eu estou me divertindo com a Sakura.

-Sei ¬¬...

O jovem de cabelos castanhos bateu a porta ao sair do cômodo. Sakura estava neste momento encarando o teto em silêncio, emburrada com o irmão que só sabia criticá-la. O som dos passos já havia se perdido pelo corredor, e Yukito se viroua com um sorriso para uma distraída Sakura.

-Olhe Sakura...talvez eu não seja tão bom protetor quanto o Yue, mas estou me esforçando muito e saiba que farei o possível para ajudá-la e substitui-lo dando o meu máximo !

— Yukito, você já fez muito por mim, e não sabe quanto me deixa feliz você estar aqui. Depois do acidente, meu irmão tem feito tudo por mim, e recusou a ajuda de enfermeiras. Isso me entristece, pois deste jeito ele não vive a própria vida. Então, você o substitue para que ele ao menos trabalhe em paz. Mas, sinceramente...- Houve um breve suspiro- Sinceramente, eu preferia ficar aqui sozinha e não mais dar trabalho para vocês dois.

Yukito arrastou a cadeira de rodas que ficava embaixo da escrivaninha até a beirada da cama, na altura da cabeça de Sakura. Encarou-a por um instante e afastou uma mecha de cabelo da testa da jovem.

-Entenda Sakura, seu irmão a ama muito... você é a única pessoa que resta a ele. Touya sempre foi muito mimado, é dificil para ele viver sem o pai e o amor que ele o proporcionava.

-Mas você o ama muito...e sinto que ele sente o mesmo...

O jovem inclinou a cabeça em direção da de Sakura, beijou levemente o canto de seus lábios e voltou nomavente à sua posição inicial. Sakura arregalou os olhos totalmente confusa.

-Sim, eu o amo e a amo, assim ele me ama e a ama. O que ambos sentimos por você, Sakura, é o mesmo sentimento fraternal, apenas carinho, e penso eu que é este sentimento que ele tem por mim. Este beijo pode ter muitos significados, neste caso, que lhe quero bem, mas quero o seu irmão para sempre. Lembra de quando disse que você acharia alguém para si mesma ? Seu irmão ainda está muito confuso quanto a isso.

Sakura apenas permaneceu em silêncio, refletindo sobre as palavras do amigo, e se lembrando do seu alguém especial, de quem nunca mais teve notícia alguma. Mesmo mandando cartas semanalmente, após ao menos vinte cartas sem resposta sua esperança se perdera.

— Ah ! Você deve estar faminta ! Me desculpe, heh, bom, eu estou morrendo de fome, e trouxe aqui comigo uma marmita, assim eu não abuso demais de vocês pedindo para cozinhar aqui.

O som da sacola sendo aberta chegou rapidamente aos ouvidos de Sakura, logo seguido pelo cheiro de cozido entrando por suas narinas. Sentiu as mãos do amigo segurando-a para que pudesse levantar-se, facilitando sua alimentação. Yukito a ajudava dando comida na boca, pois Sakura não tinha forças nos braços e poderia derrubar a comida facilmente.

Tendo terminado, Yukito deixou o quarto, fechando a porta ao passar. Desceu as escadas e foi para a cozinha jogar fora o resto da comida de Sakura e começar a comer a sua. Pensou no sofrimento daquela família, que a cada dia se tornava ainda menor, e em tudo que eles tiveram de enfrentar até aquele ponto.

A jovem se recusava a aceitar qualquer visita que fosse lá, tinha vergonha de que os amigos a vissem naquela situação deplorável... mas, na opinião de Yukito, era mais vergonhoso ainda pensar que só por isso ela não precisava mais se limpar. Quase que diariamente a amiga da garota, Tomoyo, ia à casa levando chocolate, bolos e remédios anti-depressivos que fez questão de bancar. O remédio era colocado escondido na comida de Sakura, porém os doces acabavam ficando para os garotos.

Enquanto isso, no quarto de Sakura, a menina estava de olhos fechados, pensando que tanto abertos quanto daquele jeito via apenas a escuridão. Subitamente um medo subiu à sua cabeça, uma sensação de frio e aflição. Ela, angustiada, apertou o lençol contra o peito como se aquilo pudesse protegê-la de qual quer que fosse o motivo de tanta preocupação.

-Sakura ? Você está bem ?! O que houve ?

Yukito, que entrara sem ser percebido pela garota, ao encontrá-la naquele estado correu para a cama e ficou lá tentando acalmá-la, sem ter bons resultados.

Algum tempo depois, o nervosismo já havia cessado. O sol já havia se posto quase que por completo, e nenhuma palavra ousou ser dita por nenhum dos dois seres naquele quarto. O barulho da maçaneta foi o ruído necessário para quebrar o gelo que havia se instalado no cômodo. Toyua entrou já resmungando sobre o quanto estava cansado.

-Ah, Touya! Você chegou...não tinha te ouvido.

-Procurei não fazer barulho...e ela ?- Apontou para Sakura — Está bem ?

-Hm...me parece que sim. Ainda esta falando muito baixo e rouco, mas pelo menos conversou alguma coisa.

-Isso é verdade.

O barulho do vento da noite já soprava no quarto. Yukito caminhou até a janela fechando o vidro e a venesiana.

-Precisam de mais alguma coisa por hoje ?

-Alguma coisa ? Claro que não, vai embora logo e para de pagar de bonzinho.

Yukito foi empurrado porta à fora e deu de cara com esta pela força que o amigo usara ao fechá-la. Touya foi até a irmã e sentou-se ao lado dela, pôs as costas da mão em sua testa e levantou novamente.

-Escuta aqui, vou tomar banho. Você está bem, trarei seu jantar depois e quero vê-la comendo tudo !

Não houve resposta alguma, Sakura estava encarando o teto em silêncio como se visse algo bem interessante a ser descoberto por lá. Depois que o irmão saiu do quarto ficou pensando em como não estava com a mínima vontade de comer, afinal permanecer deitada o dia inteiro não é algo que realmente gasta todas as energias.

Porém, mesmo com todas as rezas possíveis, Touya voltou cerca de meia hora mais tarde trazendo um prato de sopa requentada.

— Trouxe do trabalho...é melhor você comer. E não seja idiota, você tem quase 18 anos e não 7, sabe que é necessário.

A refeição foi comida com extremo desgosto pela garota que já na quinta colherada cerrou os dentes como protesto mostrando que aquilo seria o máximo que comeria naquela noite. Touya suspirou derrotado, cobriu a irmã e checou se estava tudo bem no quarto. Desejou-lhe boa noite e Sakura ouviu seus passos até algum lugar cuja direção ela não conseguia distinguir.

Não demorou para que a garota adormecesse, afinal, dormir sempre foi sua especialidade, mas num horário indefinido da noite o barulho do vidro da janela contra a parede e a ventania externa tiraram Sakura do único momento em que podia esquecer, nem que por um momento, a vida. Ela tentou se proteger encolhendo as pernas até seus joelhos tocarem as pontas dos dedos. Uma respiração pesada se aproximou dela e logo depois sentiu-se sendo retirada de seu berço, sua garganta obstruída por uma mão de dedos grossos e firmes. O ar começou a faltar-lhe e, mesmo que tentasse, não conseguiria gritar.

Sua cabeça sentiu a dor do golpe contra a parede e se esparramou pelo chão em seguida. Tentou falar, chamar alguém, escapar dali, mas o terror e o vento frio a deixaram completamente estática. O que quer que fosse aquela coisa, estava logo ali e a qualquer momento ela mesma estaria morta. Contraiu suas unhas contra a palma das mãos esperando pelo pior quando que sentiu um calor, algo que já sentira antes, algo familiar. Ouviu um grito robótico e um líquido quente espirrando em sua face.

— Essa presença....

Notas finais
ook ook, to sabendo ke está minuscula e td, mas tipow...dá um desconto vaai, 1ª fic postada em anooos.
Bom, eu sempre perco a vontade d escrever, então se eu parar do além sintam-se à vontade para me ameaçar de tortura ou me colocarem no Death Note, isso pode me dar estímulo x__X (isso ce alguem ler)

kero agradecer à arisu-no-kimi *__* (amiga te amo), por me betar assim tão na ultima hora e ainda aguentar apressando... À Akane por...por nda na verdade pq ela que ia digitar e acabou eskecendo ¬¬...Mas dediquei a ela a parte de touXyuki xD