Eu falei no capítulo anterior sobre como que sei a palavra Death, eu disse que era porque muito de meus amigos haviam morrido. Eu nunca tive amigos. Eu apenas escrevi aquilo para que você, leitor, não ache que sou mais um mero leigo na vida, mas sou, e tenho vergonha disso.

Escutei passos mais uma vez, estou realmente cansado de ficar prestando atenção em passos, porém não há nada melhor do que eu faça. Olho para trás e vejo... Falco. Fiquei pasmo e muito desconfiado. Como Falco havia sobrevivido? Quando o Death Companion vem, nenhuma alma sobrevive. Nem sequer da mosco que estava dentro da sala, que eu achei melhor não citá-la, ainda mais porque ela não me atrapalhou em nada. Mas enfim, como?

Falco vinha novamente com o meio sorriso no rosto. Nesse momento não tive mais dúvidas de que Falco não era uma flor que se cheire, em outras palavras, Falco é Falso. Comecei a encará-lo, ele não me assusta. Falco saca uma arma com mira a lazer e mira em meu peito. Ele aperta o gatilho, mas a arma que pegara estava sem munição. Senti um alívio e depois quase molhei as calças, o facão. O facão estava do lado de Falco, que vinha correndo em minha direção, aposto que ele não hesitou em pegar a arma, do mesmo jeito que não hesitei em ficar parado.

Saí correndo, óbvio, cheguei até a porta da saída e escutei um tiro. Olhei para trás e vi uma criança segurando uma arma e Falco caído, morto, no chão. A criança era morena, porém tinha olhos azuis. Ficamos um olhando para o outro durante um tempo, apenas até o menino sair correndo. Resolvi não seguí-lo, ele poderia me matar.

Fiquei um tempo sentado ao lado da porta pensando no que deveria eu fazer, ir embora e tentar esquecer ou vasculhar em busca de respostas. A segunda opção parecia me mais convincente. Entrei com medo de encontrar o menino e não o encontrei. A sala principal, de comunicações, eu acho, tem muitos computadores, tem uma tela enorme que pega duas paredes, e essa tela é um pouco curva também. Alguns computadores estavam quebrados, acho que algumas cabeças bateram com muita força e acabaram danificando algumas maquinas.

Liguei um computador e ele pediu uma senha, fiquei um tempo parado pensando em uma senha de acordo com a situação, uma senha complexa. Quando fui digitar a senha, apertei a tecla “enter” sem querer e destravou o computador.

– Tem alguma coisa errada, quem colocaria a senha do computador tão simples assim?

A tela inicial do computador abriu e vi umas pastas, todas codificadas. Não tenho conhecimento nenhum de criptografia, achei melhor deixar de tentar resolver minhas dúvidas.

Peguei meu celular, quinze por cento de bateria restante, não tenho ninguém para ligar ou mandar uma mensagem, além do mais, não tenho ninguém na vida. Espera, agora que eu percebi, o horário do meu celular está uma hora adiantada do que o horário do computador, estou em um simulador. Eles estão me testando, não tenho para onde fugir, eles podem parar a simulação a qualquer momento e me matarem.

Agora eu realmente não tenho o que fazer, por algum motivo, não, eu lembrei agora, comecei a escutar ao rádio para comprovar se estava em outro país ou em uma simulação, não estava tocando musica, ou falando alguma coisa. Estava mudo. Realmente estou sendo usado como uma marionete. Não há nada que eu possa fazer. Nunca há nada que eu possa fazer. Sou muito desprezível. Por que eu existo? Por que?.....

Começo a chorar novamente e eu ainda intensifico o choro, pois é justamente isso que eu faço, eu choro. Não sei fazer mais nada além de chorar e me desprezar totalmente. Mas realmente, eu não presto.

Peço licença agora, pois vou voltar ao meu passado em busca de um consolo. Eu vivia em um mundo diferente, em um mundo mágico. Eu era casado, eu ia ter um filho, ele estava preste a nascer, mas eu saí de casa... meu irmão estava com problemas e ele havia pedido minha ajuda. Sim, nesse mundo mágico não havia discriminação e havia híbridos como eu! Bom, fui eu ajudar meu irmão, mas montaram uma cilada para mim e eu caí. Caí e vim parar nesse mundo, sem pé nem cabeça. Espero um dia voltar para minha família, minha família...

Tive que interromper meu Passado, pois o Presente chama. O Presente me lança tiros, todos mal calculados. Começaram a atirar em mim, não sei quem, mas todos os tiros foram errados. A única coisa que vi foram os ternos pretos, sim, de novo. Porém acho que eles não são da Death Companion, ainda mais por que, vendo as vestimentas de que quem está aqui e as vestimentas dessas pessoas que me atiram são diferentes. As pessoas que estão mortas, aqui, não usavam terno, nem mesmo Falco usava. Ele usava uma camisa branca com uns detalhes em preto na borda e nas mangas.

– Levante devagar e largue a arma! – Gritou um dos homens.

Armas? Eu não tenho nenhuma arma, ainda assim levantei. Eu estava com muito medo e estive perto de fugir daqui de tanto medo que eu estava a ponto de sair correndo de tanto medo, até tinha chegado perto de entrar em pânico. Enfim, levantei.

– Você trabalha para a Death Conpanion? – Perguntou um outro

– Não, senhor.

– Ele é um pouco diferente.... – Disse uma moça que estava sempre sorridente, porém seu sorriso não era falso como o de Falco – Posso examiná-lo?

– Tome cuidado, não sabemos o que é e o que pode fazer.

Veio a moça e o outro cara, o armado, me “examinar”. Tinha três caras, um que não anda armado e os outros dois sim, porém um é muito mais novo do que o outro, o mais novo acompanhou a moça. Ela pediu licença e tirou uma amostra de meu pelo e tirou um pouco de sangue. Depois disso me levaram para um avião, dessa vez o avião não tinha assentos, é praticamente uma casa, acho que só não é porque ainda não encontrei nenhum banheiro...

Me trancaram em outro quarto, em uma outra sala. Dessa vez a sala era preta, cinza, um cinza bem escuro, confortável. A sala tinha uma mesa e uma cadeira, a outra, a toda branca, tinha uma cama. Prefiro essa, porque não queimo meus olhos e eu consigo ver a porta também. Ah, e tinha uma câmera também, muito bem colocada no canto de encontro de duas paredes, o campo de visão da câmera é bem amplo, pega a sala inteira.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.