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2 Parte II
Notas iniciais
SE POSSÍVEL, ESCUTE A MÚSICA O CAPÍTULO INTEIRO, CASO NÃO CONSIGA, ESCUTE PRINCIPALMENTE NAS CENAS FINAIS, COLOQUE DO MEIO PARA O FIM PARA TOCAR.
O LINK SE ENCONTRA LÁ EMBAIXO PARA OS INTERESSADOS!
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Música Tema Love Story(Where do I Begin) (Francis Lai e Andy Williams)
Música do Capítulo Empty Spaces (SR-71)
Parte II
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Na mesma hora seus olhos encheram-se de lágrimas que passaram a escorrer, delicadas por seu rosto perfeito.
E naquele momento eu soube, que os meses ao seu lado passariam voando, e que mesmo assim ainda sentiria saudades de nossas pequenas conversas. A minha frente ela parecia tão fraca, desprotegida.
"Desculpe-me... Desculpe-me..." – Era o que ela continuava a repetir sem que eu a entendesse.
"Por que pede desculpas?" – Ainda não conseguia entendê-la.
"Por não te contar a verdade..." – Ela pára um pouco, para voltar a soluçar em seguida – "E achei que se te revelasse, você poderia não querer mais repartir o quarto comigo..."
"E por que eu faria tal coisa?" – Não conseguia deixar de achar estranha sua reação. Ela parou de chorar bruscamente, levantando os olhos em minha direção, muito embora não pudesse me enxergar, fato que fez minha espinha se arrepiar.
"Então quer dizer que não se importa?" – Um sorriso infantil surgiu em seus lábios, sem que eu entendesse o por quê.
Ela assemelhava-se a um anjo. O olhar, mesmo que impossibilitado, era inocente e puro. Sua pele cor de mármore, pálida, se completava com seus cabelos longos e dourados, seus lábios, de um carmesim profundo.
Confesso que a princípio, me assustei com a influência forte, que ela provocava em mim. Nunca antes alguém tinha conseguido me influenciar daquela forma. Sentia por ela algo suave, um sentimento quente, cálido, que não conseguia identificar.
Sempre fui um garoto egoísta e inconseqüente, e olhando agora, tenho toda a consciência disso. Mas confesso que aquilo era avassalador, fugia daquela sensação de controle que ela tinha sobre mim.
Pois não é como se não a tivesse achado atraente ou bonita, pois a achei, confesso, mas tais desejos foram reprimidos em mim na mesma velocidade com que apareceram, afinal, não se pode pensar tais coisas de alguém em uma situação como a dela, certo?
Então, como dizia, a influência dela sobre mim foram em outras questões, questões pessoais, de fatos que não tinha coragem nem de comentar comigo mesmo, muito menos com amigos ou familiares...
Sobre o período de aproveitamento da vida e sobre o que fazer com ele, e pela primeira vez percebi a gravidade do que tinha acontecido comigo, há essa hora eu poderia estar morto! Morto, nunca havia estado tão perto da morte antes, e não havia parado para pensar no assunto.
"Você já fingiu ser feliz?" – Ela me perguntou certa vez, pergunta que, confesso, estranhei e não entendi, mas enquanto ela me encarava com seus olhos vazios, tentei processar o máximo que pude do que ela me dizia.
"Desculpe... O que quer dizer?" – Não consegui esconder dela que não entendera. De uns tempos para cá, essa era a nossa relação, confissões escondidas e pensamentos nunca antes compartilhados.
"Você sabe, para esconder..." – Ela parou, sua voz angelical sumiu, como se ela não conseguisse terminar, então eu segurei sua mão e a pressionei, transmitindo-lhe confiança. – "Para esconder sua tristeza? Eu sei que parece idiota... Mas para mim, é como um jogo. Eu finjo durante um tempo, para nem que por alguns segundos, acreditar em minha própria mentira e esquecer a verdade..." – E quando me fazia tais confissões, ela sempre chorava, e eu nunca sabia o que fazer.
Um jogo de ilusões, pensei certa vez, quando me lembrava sobre aquela conversa distante, passada naquele frívolo hospital.
A cada dia eu ficava mais próximo de Relena, próximo de uma maneira que eu jamais imaginei ficar próximo de alguém. Começava a desenvolver por ela também um sentimento único, algo que nunca havia sentido por mais ninguém, embora não conseguisse definir exatamente o que era.
Ainda me lembro também, o dia em que o médico me deu alta, dizendo que poderia voltar para casa no dia seguinte. Aquela seria minha última noite naquele lugar horrendamente macabro. Eu fiquei radiante, fui ao jardim e sem demora joguei a notícia para cima de Relena, que se dedicava a acariciar uma flor em seu colo.
Ela me sorriu, nervosa, sem virar o rosto em minha direção e voltou a sua atividade anterior, ignorando-me.
Fiquei furioso, é claro. Como, minha única amiga dentro daquela droga de hospital não ficava feliz com a minha melhora? Hoje percebo que foi extremamente egoísta da minha parte, e que não deveria ter feito o que fiz.
Simplesmente me levantei e fui embora e, durante aquele dia inteiro não nos conversamos mais.
A verdade é que um hospital é m lugar horrível para se estar, todas as noites você ouve os mais sinistros dos gritos, como uivos, clamando por vida, tentando escapar da morte eminente, que vinha para capturá-los, sem a menor piedade, deixando que a vida que todas aquelas pessoas sonharam e nunca tiveram, lhes escapasse pelos dedos, escorregadia.
Nunca antes havia questionado o que queria na vida, mas agora, incrivelmente, me via fazendo aquilo com tanta freqüência, que chegava a me assustar. Questionava com cada célula do meu ser, cada escolha que tinha feito até chegar onde estava hoje...
E descobri que incrivelmente, havia poucas coisas que de fato mudaria. Talvez um pouco mais de responsabilidade para começo de conversa.
Está bem tarde da noite, quando não há som algum para ser ouvido, e lá estava eu, deitado sozinho, em uma cama desconfortável, sentindo aquele horrível cheiro de formol, doença e morte que são tão característicos aos hospitais, quando me perguntei como Relena agüentava aquilo, porque eu quero dizer, se eu fosse ela, já teria enlouquecido...
Naquele instante fiz uma promessa a mim mesmo, de que, quando saísse dali, não só voltaria para visitá-la, como também a levaria para passear, creio que ela ia gostar disso...
No meio de meus devaneios, que tanto impediam o meu sono, sua voz doce, frágil e melódica chega a meus ouvidos.
"Heero? Você está acordado?" — A voz veio baixo, em um sussurro entrecortado. Considerei alguns segundos a hipótese de não responder, mas de fato, já não estava bravo com ela, afinal de contas, como poderia?
"Estou sim, por que?" — Suspirei sem perceber, não sabendo ao certo o motivo de fazê-lo.
"Você me promete que, quando sair daqui, não vai me esquecer?" — As palavras ditas me pareceram tão estranhas e mórbidas naquela noite fria naquele lugar cheirando a produtos de limpeza, mas não pude comenta, não queria magoá-la, aliás, aquilo era a última coisa que eu desejaria...
"Você deve me achar uma egoísta não? Dizendo coisas como essa para você... Como se a única coisa que eu me importasse fosse comigo mesma, mas a verdade é que eu tenho medo, tenho medo de ficar sozinha de novo, esquecida como um objeto em uma vitrine em uma estante..." – Ela chorava baixinho, e eu fingi não perceber, respeitando sua privacidade, apenas ouvindo seus soluços baixos.
Agora quando paro para pensar naquele dia, ele me parece distante e irreal, como se tivesse visto aquilo tudo em um filme, há muito tempo atrás.
"Não eu não acho" – Tenho certeza que seus olhos repousaram em mim naquele momento, embora soubesse que ela não me via, e a escuridão, mesmo que a cortina de minha cama estivesse aberta, dificultasse minha própria visão – "Todos têm medo de ficar sozinhos, mas não se preocupe, estarei com você para sempre, mesmo que isso me custe tudo que tenho a oferecer."
Depois daquilo nos silenciamos, talvez por medo, talvez por omissão, não saberia dizer, mas o que sei é que pouco depois daquilo, meu corpo foi tomado por uma entorpecência forte, e minha visão foi ficando turva até que tudo a minha frente desapareceu em escuridão.
Acho que vale dizer que naquela noite eu sonhei com ela, com Relena. E ela dançava iluminada no meio da escuridão, seu vestido era branco e seus olhos brilhavam em um azul intenso e penetrante.
E cada vez que eu tentava alcançá-la, ela se afastava, ganhando cada vez mais distância de mim, até que no fim, ela desaparecia com a neblina, como se nunca tivesse existido, ou não passasse de uma ilusão.
Acordei sem saber ao certo o significado daquele sonho, confuso e ainda cansado. A irritação passou pelo meu corpo como um choque elétrico, suspirei baixo.
Os dias que se seguiram, depois de minha partida, passaram com relativa tranqüilidade, algo de monótono e até cansativo pairava no ar, claro como o oxigênio que eu respirava a todo o tempo.
Olhava para o teto do meu quarto, isso mesmo, do meu quarto, tinha recebido alta há alguns dias atrás, e desde então todos os meus amigos tinham me ligado, querendo combinar de fazermos mil e uma coisas, mas tinha rejeitado todas.
Na minha cabeça, ela não me deixava em paz nem um instante, estava começando a pensar que estava doente, incapaz.
Não que tivesse perdido a vontade de viver, nem nada disso, nem que não quisesse sair com meus amigos, sentia saudade deles, era algo mais profundo do que isso, pelo menos era o que eu parecia sentir.
O que eu faria de agora em diante?
Nunca antes tinha tido um plano, sempre vivi um momento, nunca nem ao menos parara para pensar se eu era feliz. Antes a falta de um plano nunca me incomodara, não de verdade, mas agora aquilo era quase uma obsessão, o que eu queria fazer da minha vida? Quem gostaria de ser no futuro? E por fim, quem eu gostaria que me acompanhasse nessa jornada?
Volta a respirar profundamente, puxando o máximo de ar possível.
Precisava ver Relena, não sabia por quê, mas a necessidade simplesmente crescia dentro dele a ponto de tornar-se sufocante. Olhei no relógio, eram nove horas da noite, não deveria ir lá agora, mas meu corpo não trabalhava em conjunto com a minha mente.
Sentia como se minha presença estivesse atada a dela, como se, se não estivesse com ela, não estaria completo. Afinal, só ela fora capaz de me mudar, me transformar para uma pessoa melhor.
Voltei a deitar na cama, impaciente, talvez se eu dormisse rápido o dia seguinte chegasse com mais velocidade e aí então eu poderia voltar a vê-la.
Assim como nos dias anteriores, nem nos sonhos ela me deixou em paz, sonhei com uma presença branca e luminosa, que me conduzia pela mão, no sonho, eu ainda era menino.
Levantei impaciente, o relógio marcava três horas da manhã.
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Olhava para a janela alta do quarto de hospital, meu coração batia hesitante, estava com medo de cruzar uma linha e não mais conseguir voltar atrás, mesmo sabendo ser inevitável, pois se não cruzasse aquela linha, nunca mais me sentiria completo.
Fiquei no carro, olhando a janela de luz apagada, pensativo.
Velava por seu sono, por ela e por qualquer coisa que pudesse vir a ocorrer com ela. Vendo a sua janela escura, meu coração irrequieto sentia-se mais tranqüilo, como se soubesse que estava tudo bem, tudo estava em ordem.
Enquanto começava a ficar calmo a ponto de começar a cochilar, pensei que me tornava um obsessivo. Nunca antes amara alguém e agora ficava a vigiar janelas só para me sentir melhor, eu devia estar enlouquecendo, tal sentimento não podia ser real.
E chegava a ser cômico pensar que, até alguns dias atrás, não pensava em ninguém além de mim mesmo, em como tal sentimento me invadiu sem permissão, só porque estava preso a uma cama como um inválido.
Será que se estivesse no meu 'eu' normal, antes do acidente, sequer repararia em sua presença suave?
Sabia a resposta embora recusasse a acreditar, queria pensar que sim, que tudo seria igual, mas minha mente, maldita, teimava em me contrariar.
Queria protege-la, protege-la de pessoas como a que eu era, protege-la do mundo e de todas as dificuldades e durezas que pudesse vir a assolar o seu caminho. Senti-me estático, quase perdendo o sono ao assimilar que queria estar a seu lado.
Ela tinha dado sentido a meu mundo vazio, uma razão e uma luz pela qual trilhar, ela tinha ajudado a ver quem eu era, de verdade, sem precisar fingir ou me impor. Ela era o ser mais importante de minha existência...
Meu coração falha uma batida.
Eu a amava.
-/-
Senti o sol batendo em meu rosto, suave, tirando-me dos meus sonhos fantasiosos. Abro os olhos, preguiçoso, e encaro o dia lá fora, claro e suave.
As cores pareciam ter ganhado mais forma e nuance do que antes, embora o medo em meu interior crescesse velozmente.
Eu a amava.
O que faria? Como agiria perto dela? Contaria a ela o que sentia? Contaria a ela o sentimento que me assolou de tal forma?
Um gosto amargo era sentido em meus lábios.
Nunca antes sentira medo, nunca, nem diante das situações mais difíceis, sempre tivera todas as respostas em mãos, sem dúvidas ou divagações, a certeza era sempre minha. Agora parecia que nada mais fazia sentido, a certeza dissolvera-se, dando lugar a uma nuvem que eu nunca antes tinha experimentado.
Liguei o carro, não tinha vontade de encara-la agora.
Por um momento, a odiei, a odiei mais do que tudo. Ela destruíra meu mundo, minha visão, minha descontração, minhas confianças...
Arrependia-me, ela me trouxera felicidade, razão e embora a fé não mais existisse, se estivesse ao seu lado, teria forças para fazer qualquer coisa, poderia alcançar os céus e o mar, a dúvida sendo um prato delicioso a se pagar por aquilo.
Afaste-me do hospital rapidamente. A consciência de tais sentimentos me assustava. Não queria passar por isso, queria voltar a ser a pessoa inconseqüente e tola que era antes.
Cheguei em casa, abrindo a porta em um estrondo. Meu pai já saíra para trabalhar e meu irmãozinho estava na escola. Sento-me em uma das cadeiras na cozinha, encarando minha mãe trabalhar.
"Você não devia estar fazendo alguma de suas coisas imprudentes agora?" – Ela diz, sincera, porém um pouco amargurada. Eu a encaro, calado, sabendo que merecera o que ela me atirava.
O silêncio que reinava no local era tranqüilo. Eu olho em volta, hesitante se deveria ou não conversar com ela. Não conhecia mais ninguém com que eu pudesse falar sobre aquilo. A hesitação toma forma enquanto olho para a cesta de frutas em cima da mesa, a decoração simples e bela da toalha rendada.
Minha mãe me encara, embora não percebesse, largando o pano com que tirava o pó, sentando-se a minha frente. Eu então levanto o rosto e a encaro, não notando o quanto ela percebia meus olhos azuis e como eles nunca antes pareceram a ela, tão profundos e fáceis de se perder.
"Tudo bem?" – A voz era incerta e insegura, quase me fazendo sorrir, levemente divertido. Pela primeira vez em minha vida a quietude me fez bem, o sol suave batendo nas janelas me fazia sentir-me calmo ao invés de entediado.
Apenas faço um gesto positivo para minha mãe. Ela responde com um estalar de lábios, incerto, antes de se levantar, as sobrancelhas juntas no rosto, em sinal de preocupação.
Ela volta-se para o pano na pia, de frente para a janela grande, dando para o quintal, logo diante de si.
"Mãe?" – Chamo, suave. Ela se vira e volta a me encarar, paciente, imóvel. Eu demoro algum tempo antes de dizer alguma coisa, nós dois apenas esperando que eu retomasse – "Como você sabia..." – Hesito novamente, mas respiro fundo para continuar – "Como você sabia que você amava meu pai?"
Ela parece sorrir, aliviada, caminhando lenta e levemente, sentando-se ao meu lado e pegando a minha mão. Seus olhos tinham um brilho doce e feliz, parecendo conter toda a compreensão e conhecimento do mundo.
"Isso é uma coisa que só quem ama pode responder" – Ela me disse, sorrindo, franca. Entendi o que ela queria dizer, calado, consentindo. Ela voltou ao seu trabalho e eu me levantei, saindo da cozinha.
Queria fazer algo especial para Relena, algo que ela nunca tivesse visto ou feito antes. Algo inesquecível!
Fui para o meu quarto, andando em círculos, perdendo noção do tempo, enquanto girava e girava, desgastando-me. Algo me ocorreu subitamente.
Desci as escadas correndo, esquecendo-me do cuidado ou cautela com que tinha de agir no meu período de recuperação.
Quando dei por mim, já estava na recepção do hospital, apenas esperando ser anunciado para poder fazer a visita. Uma enfermeira me guiou até o jardim, como se eu não conhecesse aquele lugar, como se não tivesse saído dali a apenas alguns dias atrás.
Sentei-me a seu lado, os olhos dela perdidos em algum ponto que eu nunca descobriria.
"Pensei que não o veria mais..." – A voz era hesitante, quase com uma pontada de tristeza, mas emotiva e feliz.
"Eu prometi que viria não?" – Respondi para ela, sem me preocupar com mais nada além de encara-la. Sentia-me fascinado por ela de uma maneira que nunca antes me sentira por ninguém. O mínimo movimento de seus cabelos ao vento era um espetáculo.
A desejava, a queria só para mim, queria esconde-la do mundo para que ninguém mais pudesse admirá-la ou fazê-la sofrer.
"Eu tenho uma proposta a fazer" – Disse subitamente, quebrando o feitiço suave que se instalara entre nós, o nosso mundo.
"Diga" – Ela disse com um sorriso sincero no rosto perfeito e suave, delicado – "Estarei ouvindo"
"Gostaria de saber se você estaria disposta a sair comigo hoje?"
"Sair?" – A voz dela saía amedrontada, temerosa. – "Mas eu não consigo enxergar, não seria um fardo para você ter de cuidar de mim o tempo inteiro?" – Os olhos dela se voltaram para mim, embora soubesse que ela não me encontrava. As sobrancelhas juntas em um sinal de preocupação não muito diferente da minha mãe há algum tempo atrás.
Irritei-me de leve com a possibilidade que ela levantava, respondendo-lhe com suavidade, porém firmeza.
"Você nunca será um fardo Relena, você é uma dádiva, espero que se lembre disso" – Embora não quisesse, o tom ficou levemente autoritário, como se estivesse lhe aplicando uma bronca. Ela apenas afirmou com a cabeça, mordendo de leve o lábio inferior, fazendo com que me arrependesse – "Mas então... Você quer ir?" – Tentei soar o mais convincente que pude, o som saindo tolo a meus próprios ouvidos.
"Sim, eu gostaria muito" – Ela respondeu, o sorriso honesto deixando-a ainda mais bela do que era o costume.
"Virei te pegar as oito, mas não se preocupe, porque antes disso mandarei alguém aqui para lhe entregar uma roupa com que você possa ir ao local que eu planejo..." – Com isso, levantei-me, sentindo seus olhos em minhas costas.
O restante do dia demorou a passar, embora eu soubesse que ele passava de maneira normal. O relógio parecia demorar a transcorrer o período de uma hora para outra.
Logo me via de novo em frente a sua porta, apenas esperando que ela saísse, o que não demorou a acontecer, deixando-me sem ar ante a sua figura.
O vestido lilás que minha mãe escolhera para ela combinava perfeitamente com sua pele clara e com seu cabelo mel, solto sobre os ombros desnudos pelas mangas caídas. O vestido, leve, ia um pouco acima do joelho e tinha uma fita, marcando-lhe a cintura fina e bem delineada.
Também haviam colocado um pouco de maquiagem em seu rosto, apenas ressaltando seus olhos com um pouco de turquesa e um gloss. Ela estava absolutamente estonteante.
Parecia-me um pouco nervosa enquanto juntava as mãos e encarava o chão, parecendo olhar a sandália de salto, trançada, embora soubesse que não o fazia.
"Como estou?" – Ela finalmente se pronuncia, fazendo-me sorrir.
"Divina" – Foi a única coisa que consegui responder, me aproximando com impulsos de toma-la em meus braços e beija-la, embora, com medo de assusta-la, apenas a conduzi pela mão, com cuidado, guiando-a para o carro.
A viagem parecia ser feita com suavidade, a música suave instalando-se pelo pequeno espaço.
"Heero?" – A voz dela sempre parecia música aos meus ouvidos, suave, macia. – "Por que você acha que meu irmão não me visita?" – A voz era dolorida, porém determinada, forte.
"Não saberia dizer, talvez porque é doloroso demais vê-la assim, e ele tema que possa quebrar vendo-a de tal forma" – Apresso-me em responder, calmo.
"Mas você não acha que nada dói mais do que o abandono? Do que saber que tem alguém que entulha um hospital de dinheiro apenas para não ficar perto de você?!" – A voz era embargada, embora procurasse conter a emoção que sentia.
Não consegui responder. Nunca poderia entender, nunca. Alguém que não conseguia ficar perto de Relena, para mim, era um otário.
A encarei durante um instante, a fragilidade transparente me desmoronava, precisava segura-la com força para que não caísse, mas não com muita, porque poderia quebrá-la se assim fosse.
"Chegamos" – Anunciei assim que o carro parou.
A ajudei a sair do carro com o mesmo cuidado com que a ajudei a entrar.
Entramos em um salão arredondado, decorado para um baile, dourado e elegante, porém gracioso e leve, a música suave tocando ao fundo, sorri de leve ao pensar no quão tolo estava sendo.
"Onde estamos?" – Ela pergunta, tentando adivinhar o ambiente em volta de si, atenciosa.
"Em um baile" – Respondi suavemente, ela se segurou ao meu braço com mais força, a expressão em seu rosto mudando de leve, para um medo incabido.
"Um baile? O que viemos fazer aqui?" – Parecia nervosa, o rosto tenso enquanto olhava para mim sem me enxergar.
"Dançar" – Respondi simplesmente, voltando a conduzi-la pelo braço com delicadeza, mas dessa vez segurando sua cintura junto a mim, sentindo a suavidade de seu corpo pequeno contra o meu.
A maior parte dos casais que lá se encontravam, eram idosos, e sorriam quando passávamos por eles, a esperança viva em seus olhos amaciados pelo tempo.
Paramos no meio da pista de dança, quando segurei a sua cintura corretamente, colocando nossos braços nas posições corretas, tentando deslizar, mas percebendo-a insegura.
"Eu não sei dançar" – Ela diz, seca, colocando as mãos sobre o meu peito. Eu sorri diante da afirmação.
"Eu também não, mas o quão difícil pode ser?" – A surpreendi com a afirmação, beijando-a em seguida, sem me conter, completo por tê-la a meu lado.
Os lábios dela se entreabriram sem resistência, permitindo minha passagem, o momento mágico perdurando-se pelo tempo.
Minhas mãos acariciavam suas costas durante o beijo.
Explorava os cantos de sua boca com vontade voraz, embora tentasse ser gentil, nossas línguas dançando no ritmo dos amantes, despretensiosas e sem vergonha. Nos separamos e a encarei por um instante, segurando-a com mais força entre meus braços, não querendo deixa-la escapar.
"Mas eu não sei se consigo" – Sua voz era insegura, assim como seus olhos expressivos. Voltei a sorrir, encantado.
"Estarei sempre aqui para te ajudar..." – Respondi, segurando sua mão por todo o percurso, a conduzindo na pista, segurando sua cintura firmemente e a ouvindo respirar calmamente perto de meu ouvido.
Era a melhor coisa que poderia se sentir ao abraçá-la, senti-la entre seus braços, protegê-la de tudo o que pudesse fazer mal a ela. Gostaria que ficássemos assim para sempre. Apenas dando voltas delicadas em um decorado salão de festas. Ao seu lado a eternidade parecia um curto período a ser passado.
E foi naquele momento que percebi que eu aceitava, de verdade qualquer preço que precisasse pagar para permanecer a seu lado, que eu a amava, e faria de tudo para ficar com ela, a amava mais do que tudo e com mais força do que todas as adversidades que poderiam nos separar, e então, naquele momento eu fiz uma promessa, prometi a mim mesmo que, se ela me aceitasse a seu lado, jamais sairia de lá, por mais difícil e complicada que fosse a situação, nada mais importava, ficaria ali...
Para sempre...
Notas finais
http : // www. youtube. com / watch? v=ZxEazBfPVFg (É só tirar os espaços gente :D)
Segundo, o disclaimer:
Gundam não me pertence, e embora isso seja muito óbvio e todos já saibam, eu tenho de pô-lo aqui...É sim um fato traumatizante, mas creio que irei sobreviver.
Também não ganho nadinha para escrever esse fic, apenas o puro prazer de clicar as teclinhas do teclado...
Terceiro, os agradecimentos:
Gostaria de agradecer a Scath, a Ryokinha, a Akari, a silvia-winry e a Co-Star (desculpe, mas sem tragédias nesse aqui XD)
E também gostaria de agradecer a todos que leram, obrigada por apreciarem meu esforço xD
Agora sim, finalmente os comentários...
Bem gente, é isso aí, agora só falta o capítulo de encerramento, que é bem curtinho. Originalmente achava essa história um tanto o quanto sem graça, mas hoje em dia, a adoro! É suave e tenra, o primeiro amor, inocente e forte, resistente a todas as adversidades.
Adoro a suavidade do amor deles, apesar de sua força devastadora.
Não sei dizer em que tempo a história se passa, se é nos dias de hoje, ou por volta dos anos setenta, oitenta, por isso imaginem o que quiserem ^^
Gosto como a história ficou com um toque de magia, de conto de fadas, dando um toque diferencial, quase como em um conto de época mesmo...
Originalmente, escrevi a história com a música versão instrumental, mas, para esse capítulo, deve-se ouvir a versão cantada, para que tudo seja posto em seu devido lugar.
A fic não foi revisada, então, novamente peço para se for encontrado algum erro dantesco, para que eu seja avisada, pois consertarei.
Não sei se é bom ou ruim para vocês saber disso, mas minha próxima história desse casal já vem aí e eu espero que vocês a acompanhem ^^
Espero que tenham gostado tanto dessa inocente história de amor quanto eu.
Beijos e até a próxima.
18.02.2010
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