Ligando os mundos
19 Capítulo 19 - O fim de trevas
Notas iniciais
Todos voam pra longe e caem no chão com força, só Kari que continua no mesmo lugar olhando Trevas.
– Porque você não se junta a mim? Vai ser interessante...
– Luz e trevas juntas? – Ri sarcástica.
– Como isso é possível garota? – Pergunta histérica. Até agora não acreditava que Kari estava na sua frente.
– Você pode ser as trevas e ter todo poder que quiser, mas esse corpo é meu é da luz.
– Tá certo... Talvez eu possa mudar então não é? – Diz olhando T.K. Kari disfarça seu nervosismo. – Ou não posso também? – Pergunta sínica.
– Se você mudar não vai ser tão forte como agora... – Trevas olha pra cima derrotada.
– Pois bem! Que seja! – Segue em direção a Kari e a pega pelos cabelos.
– Solta ela! – Tai grita nervoso e Trevas ri.
– Eu não vou machucá-la. Você acha que quero sentir dor? – Diz rindo.
Os escolhidos se juntam e cochicham.
– Como vamos destruí-la se a Kari também se machuca? – Davis pergunta confuso.
– A gente não pode fazer isso! – Tai diz olhando Kari, ela implorava com o olhar pra ele não mudar de ideia.
– Mas Tai ela disse lá no hospital que Trevas vai dominar o mundo e fazer os humanos de escravos... – Matt o lembra. Todos olham Tai, ele engole em seco.
– É uma decisão difícil, mas temos que fazer alguma coisa... – Diz Sora.
– A Kari já não fez a escolha dela? – Yolei pergunta e todos a encaram pensativos.
– O que vocês tanto conversam? – Trevas se mete no meio deles que se afastam depressa. – Que foi não posso saber?
Todos ficam em silencio.
– O que vocês estão olhando? – Eles olhavam fixo pra frente, Trevas vira também e franze a testa.
Kari brilhava de olhos fechados.
– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – Se aproxima depressa, Kari abre os olhos. Todos os digivices brilham ao mesmo tempo quando ela faz isso. Os escolhidos seguram seus digivices confusos.
T.K é o primeiro a erguer ele na direção de Trevas, uma luz dourada sai do aparelho e segue até Trevas segurando seu braço.
– O que...?
Os outros entendem o recado e fazem o mesmo, logo varias luzes douradas amarravam Trevas, pelos braços, pernas, barriga e pescoço. Ela tenta se mexer e não consegue. Começa a ficar desesperada e tenta em vão usar seus poderes, mas o poder sagrado dos digivices não permitia. Kari se aproxima dela e para a sua frente. Ela estava erguida do chão, mas não muito alto.
– Ophanimon... – Ela se aproxima de Kari. – Você sabe o que fazer...
Todos trocam olhares assustados e Ophanimon olha Kari com medo.
– E-eu não posso Kari...
– Você deve Ophanimon. Eu estou pedindo... É minha parceira não é? Você tem que me proteger. – Ophanimon olha Trevas receosa e volta a olhar Kari. – Por favor...
Ophanimon se coloca em frente a Trevas, ela estava de olhos arregalados olhando a anja e tentava a todo custo se mexer.
– Acho melhor não... – Tai diz mudando de ideia e começa a soltar o digivice.
– Agora Ophanimon! – Diz Kari quando percebe que eles estão mudando de ideia. Ophanimon levanta sua espada e a finca no coração de Trevas.
Nesse momento tudo pareceu acontecer em câmera lenta. Os escolhidos vendo a espada atravessada no corpo de Kari, o sangue escorrendo pelo chão e Ophanimon de olhos fechados a segurando com as mãos tremulas.
Todos voltam o olhar a Kari, ela estava com a mão no peito no mesmo lugar onde Ophanimon fincou a espada em Trevas, ela tira a mão e a olha, estava suja de sangue, mas como não era exatamente o corpo dela não era um sangue tão forte como o que saia de seu corpo de verdade. Ela olha os amigos com lagrima nos olhos.
– NÃO... – Tai grita apavorado e corre até Kari. Ela cai de joelhos no chão. T.K também corre até ela. – Porque Kari? – Pergunta chorando e a abraça.
Ophanimon tira sua espada do corpo de Kari e olha sua parceira sendo abraçada por Tai. Trevas cai deitada no chão sem forças.
Um brilho forte faz todos fecharem os olhos.
Gennai aparece com seus ajudantes, eles param perto de Trevas e formam um circulo em volta dela. Dão as mãos e começam a falar coisas que ninguém entendia. Logo um buraco escuro se abre em cima da cabeça deles. Trevas estava caída no chão de barriga pra cima e fecha os olhos quando eles abrem o portal.
Uma sombra muito negra sai do corpo de Kari e entra nesse buraco que eles fizeram, eles falam mais coisas estranhas e o buraco se fecha.
– Por favor, Gennai... – T.K pede chorando enquanto segura a mão de Kari. Ela estava deitada nas pernas de Tai ainda fora de seu corpo.
– Sinto muito... – Os dois choram mais. Kari começa a fechar os olhos devagar. Os outros ajoelham no chão em volta dela.
– Eu vou ficar naquele campo florido? – Kari pergunta quase sem voz.
– Melhor criança... – Responde Gennai. Tai lhe lança um olhar de raiva.
Kari começa a ficar transparente. Todos olhavam com tristeza o que estava acontecendo e nem percebem Ophanimon perto do corpo dela.
Ophanimon respira fundo e junta as mãos na frente do corpo, começa a falar coisas estranhas, todos a olham. Ela forma uma esfera de luz nas mãos.
– O que você está fazendo? – Seraphimon pergunta já imaginando.
– Ela é minha parceira... – Afasta as mãos e a esfera de luz segue pro coração de Kari. O corpo dela começa a ganhar cor de novo e o machucado a fechar.
– O que ela está fazendo? – Tai pergunta.
– Salvando a Kari. – Responde Seraphimon. Todos se entreolham esperançosos.
– Como isso funciona? – T.K pergunta.
– Ela vai... Dar a vida pela Kari.
Todos ficam olhando extasiado o que acontecia ali, Kari que antes estava fora do corpo e deitada nas pernas de Tai some totalmente e o corpo dela fica cada vez mais corado, em pouco tempo já respirava normalmente.
Kari abre os olhos devagar, todos sorriem. Ela olha pra frente e vê Ophanimon começando a se desfazer e todos os dados dela vinham em sua direção.
– O que você está fazendo Ophanimon? – Pergunta assustada.
– Não se preocupa você vai ficar bem.
– Por favor, para com isso... – Pede chorando. O corpo de Ophanimon já tinha se desfeito até seus ombros. Ela sorri pra Kari e todos os seus dados entram no coração da menina. Ninguém se mexia depois disso, todos olhavam Kari paralisados. Ela senta no chão e abraça as pernas. T.K e Tai se aproximam dela que chorava baixinho.
– Kari... – Tai coloca a mão no ombro dela. – Está tudo bem com você?
Kari levanta a cabeça olhando Gennai e seus ajudantes.
– A gente podia ir naquele lugar que vocês me mostraram...
– Do jeito que ela fez não tem como criança. – Kari chora mais e aperta T.K, ele a abraça dando conforto.
– Isso não e justo! – Gennai se aproxima e ajoelha na frente de Kari.
– Eu juro que vou tentar, mas não vou garantir nada... Sua parceira foi fiel a você em todos os momentos digiescolhida. Todos os seus amigos fraquejaram na hora de matá-la, mas ela não fez isso. Ela sabia que pra te libertar tinha que te machucar.
– Mas ela não precisava morrer...
– Ela fez a escolha dela criança se não fosse ela ia ser você... – Kari aperta o braço de T.K.
– E como ficam os mundos agora? Ela tinha ligado o mundo das trevas na terra... – Izzy questiona.
– Assim que ela entrou em seu mundo tudo voltou ao normal.
– Por favor, me deixa ir com vocês ver se podemos trazê-la de volta... – Kari pede desesperada. Gennai olha os ajudantes e depois volta a olhar Kari.
– Como eu disse pode ser que não dê...
– Mas eu quero tentar. – Gennai respira fundo.
– Então vamos.
– Vão aonde? – Tai pergunta.
– No mundo onde estão todos os digimons sagrados.
– Onde eu conversei com vocês? – Matt pergunta.
– Lá é onde ficam os digimons mais poderosos e é onde se mantém o equilibrio entre luz e trevas.
– A gente pode ir? – Izzy pergunta.
– Infelizmente não é qualquer um que entra lá. Ainda mais com seus corpos.
– Como assim? – Yolei pergunta perdida.
– O exemplo do escolhido da amizade... Quando ele foi lá, foi só em espírito não foi com seu corpo. – Todos ficam pensativos.
– E como você quer levar minha irmã agora? Não vai tirar ela do corpo de novo não né?! Porque ai eu não deixo! – Gennai da uma risadinha.
– Os únicos que podem entrar lá com a matéria são luz e esperança. – T.K e Kari trocam olhares.
– Por quê? – Cody pergunta.
– Porque são os mais fortes e importantes no digimundo.
– Por isso aquela coisa disse que teria que matar o T.K? – É a vez de Mimi questionar.
– Só assim ela ia conseguir tudo que queria. Ia entrar nesse mundo e acabar de vez com o equilibrio, se ela o destruísse, nunca mais poderíamos trazer a paz pra nenhum outro mundo que existe. – Todos trocam olhares. – Para entrar ela teria que destruir os guardiões da luz e da esperança.
– Não tem como isso acontecer de novo não né? – Davis pergunta cansado.
– Não. Depois de tudo que aconteceu, fizemos ela voltar pro lugar que sempre foi dela, o mundo das trevas. Todos os guardiões deram um pouco de seu poder pra prendê-la de vez em seu mundo, não tem como fugir mais. Se ela tentar vai ser extinta.
– E porque já não mataram ela de vez?
– Como eu disse existe um equilibrio, ela também precisa existir, mas no mundo dela e controlada. – Todos ficam em silencio depois da explicação.
– Vamos? – Kari pergunta ansiosa.
– Vamos.
– Mas e a gente? – Tai pergunta nervoso.
– Podem voltar pro mundo de vocês, logo ela estará lá também.
– Já que eu posso entrar... Posso ir? – T.K pergunta olhando Gennai.
– Se quiser...
– Quer que eu vá? – Pergunta olhando Kari.
– Quero.
Gennai tira uma pequena esfera de luz de dentro de suas vestes e a solta no ar. A esfera fica flutuando um tempinho, os escolhidos olhavam aquilo extasiados e curiosos com o que iria acontecer.
Logo a esfera solta uma pequena luz e se desfaz formando um portal, que aos poucos foi ficando cada vez mais nítido mostrando as flores do outro mundo.
– Incrivel... – Izzy diz ipnotizado.
– É tão bonito! – Yolei estava encantada.
– Pena que não posso ir... – Mimi faz biquinho. Os outros olhavam encantados o lugar, cheios de vontade de entrar lá também. Era tão bonito e mágico que desejavam mais do que nunca ir.
– Não se preocupem quem sabe um dia não vão lá também... Em sonhos... – Todos trocam olhares com o comentário de Gennai. – Vamos crianças? – T.K e Kari acenam.
Quando eles passam pelo portal, ele se fecha.
– O que será que eles vão fazer afinal de contas? – Cody pergunta curioso.
– Não faço ideia! – Davis comenta.
– Algo pra trazer Tailmon de volta... – Izzy responde.
– Ela não vai renascer na cidade do principio? – Mimi pergunta confusa.
– Acho que não...
Os oito seguem para a TV mais próxima e voltam pra casa. Quando chegam a Terra, percebem que tudo está no lugar que era, porém algumas coisas estavam destruídas.
– Lá vamos nós entrar em obra na cidade de novo. – Davis diz cansado.
– Pelo menos está tudo bem agora. – Ken diz olhando os destroços.
– Assim eu espero...
Cada um segue pra sua casa, estavam exaustos por causa da luta.
– Você sentiu o terremoto? — A primeira coisa que Tai escuta ao entrar em casa.
– Er... É eu estava na casa do Matt na hora...
– Cadê a Kari Tai?
– Er... Está na casa da Yolei.
– Engraçado... – Cruza os braços. – Acabei de ligar pra lá e me falaram que não... – Tai desvia o olhar. – O que está acontecendo Taichi? — “Vixi chamou pelo nome é porque está braba” pensa nervoso.
– Ok... Não ia contar agora, mas... Ela está com o T.K.
– Fazendo o que?
– Ah... Eles estão namorando mãe. – Silencio.
– Namorando... Own que coisa mais fofa! Sempre achei que isso ia acontecer... – Tai ficou ouvindo sua mãe falando mil maravilhas do casal um bom tempo sem poder reclamar. “Com certeza vou te cobrar isso Kari!” pensa enquanto sorri pra mãe.
Sora e Mimi chegam ao apartamento.
– Preciso tomar um banho! – Mimi diz cansada.
– O que aconteceu com vocês? – Elas trocam olhares.
– Longa historia... – Responde Sora. A mãe dela olha o relogio de pulso.
– Estou com tempo...
Sora suspira e senta no sofa ao lado da mãe. Não gostava mais de esconder as coisas dela e conta o que aconteceu. Não com tantos detalhes para não imprecioná-la.
– Será que nunca vão parar de atacar?
– Acho que agora vai ficar tudo bem.
– O papo está ótimo... – Mimi diz levantando. – Mas eu TENHO que tomar um banho! – Segue pro banheiro. As duas riem.
Davis entra em casa e da de cara com sua irmã.
– Onde você estava garoto?
– Isso importa?
– Teve um terremoto há pouco tempo e você adora ficar nos lugares improváveis!
– Ainda bem que dessa vez não foi assim... – Entra no quarto e fecha a porta quando a irmã ia falar mais.
Assim foi com todos os escolhidos, todos foram interrogados quando chegaram em casa por causa do suposto terremoto. Mal sabiam os familiares que isso aconteceu porque os mundos se “desligaram” e a terra voltou ao normal.
(...)
T.K estava impressionado com o lugar, tudo nele era diferente e bonito. Os dois seguem Gennai que anda um pouco à frente calado.
– De que você falou Kari? O que tem aqui que pode ajudar?
– Gennai me mostrou um lago dos desejos... – T.K franze a testa.
– Tipo uma fonte dos desejos?
– É... Só que funciona de verdade.
– Como você sabe?
– Só consegui te ajudar por causa dele... – T.K fica mais confuso ainda e resolve ficar quieto.
Os três chegam em um grande lago de cor clara, a grama em volta parecia ser cortada sob medida. Era o oposto do lugar onde T.K foi torturado.
Gennai para em cima de uma grande pedra olhando a água.
– Venha até aqui... – Chama T.K. Ele para ao lado de Gennai e Kari continua afastada os olhando. – O que você vê?
T.K se aproxima mais e olha a água.
– Meu reflexo...
– Olhe direito.
T.K suspira e observa melhor, ao lado do reflexo dele começa a formar outro reflexo, T.K olha pro lado e vê que Gennai não está tão perto pra aparecer ali. Ele observa mais.
A forma fica cada vez mais clara. T.K vira o rosto pro lado pra ver se Patamon estava ali, mas não estava.
– Estou vendo Patamon...
– Certo. Venha escolhida, sua vez.
– Espera! Porque estou vendo ele? Nem está aqui!
– O lago mostra que você e o Patamom têm os mesmos dados.
– Mas isso eu sabia...
– Sim eu sei. Olhe seu reflexo escolhida.
Kari se aproxima e olha pra água.
– Então?
Ela fica um bom tempo em silencio olhando o lago.
– Só vejo o meu...
– O que isso significa? – T.K pergunta.
– Significa que só ela tem esses dados.
– E?
– Que não tem mais parceira... – T.K olha sua namorada espantado, ela estava de cabeça baixa olhando a água.
– Não tem jeito então? – Pergunta quase sem voz.
– Não... Sinto muito.
Kari fica de joelhos na pedra ainda olhando a água com esperança de que o reflexo de Tailmon aparecesse ali. T.K abaixa e a abraça. Ele sabia o que ela estava sentindo nesse momento.
– Eu nunca mais vou ver ela T.K... – Aperta o braço dele.
– Você não disse que esse lago era dos desejos? Peça pra ela voltar...
– Não funciona assim escolhido... – T.K olha pra Gennai.
– Como funciona então?
– Só uma pessoa de coração puro pode pedir.
– E a Kari não tem?
– A intenção também conta... Dependendo da intenção dela não funciona.
T.K suspira olhando a água. Não compreendeu as coisas que Gennai acabou de dizer, só queria ver a Kari feliz.
– Porque você fez isso? Já estava tudo certo, não tinha nada que me salvar... – Kari diz entre lagrimas.
– Kari... – Faz carinho no rosto dela. Kari aperta os olhos com força e as lagrimas caem, uma delas desliza pela mão de T.K e cai na água.
– Não se sinta culpada escolhida. Ela fez isso com a melhor das intenções.
– Eu quero ir pra casa... – Esconde o rosto entre o pescoço de T.K.
T.K não fala nada, só da um beijo demorado na cabeça dela e a abraça apertado. Kari sabia muito bem que somente com isso, ele dizia que estaria ali pra tudo que ela precisasse.
Os dois levatam depois de Kari se acalmar um pouco. Apesar de tudo que Gennai disse Kari ainda olhava o lago num ultimo fio de esperança de que sua parceira pudesse voltar. T.K limpa as lagrimas dela e segura seu rosto fazendo com que ela olhasse em seus olhos.
– Você nunca vai ficar sozinha Kari. Eu estou aqui e sempre estarei...
Kari da um leve sorriso e faz carinho no rosto dele, T.K se aproxima lentamente e toca os lábios dela. Kari leva as mãos aos cabelos de T.K e o beija.
T.K pensava somente em vê-la feliz e alegre como sempre foi e faria tudo pra que isso acontecesse. E Kari pensava em Tailmon, em como ela a fez feliz no tempo que estiveram juntas.
– É um... – Gennai diz surpreso ao ver uma luz forte saindo do lago. T.K e Kari se separam e sorriem um para o outro, nem tinham notado a luz ao seu lado. – Milagre...
Ao ouvir Gennai eles olham pro lago, no centro dele uma bola de luz bem forte saia da água. Os três olham aquilo intrigados. Logo a bola de luz flutua pra perto de Kari e T.K. Os dois trocam olhares quando ela para entre eles.
– O que é? — Assim que Kari pergunta, a luz começa a ficar mais fraca e eles conseguem ver a forma de ovo a sua frente. Kari sorri largamente assim como T.K.
Kari segura o digitama nas mãos.
– Ela vai voltar T.K! – Diz radiante, T.K da um beijo na testa dela.
– Estou impressionado! Nunca tinha visto algo assim antes... – Os dois olham Gennai em duvida.
– Está falando de que? – T.K pergunta.
– Venham comigo vou explicar algumas coisas...
Os dois vão atrás de Gennai que segue em direção a um grande gramado que mais parecia um tapete sem fim. Ele para perto de umas arvores e pede aos dois que se sentem na grama.
– O que você não tinha visto antes? – T.K pergunta.
– Isso que aconteceu foi sem duvida um milagre. Quando no reflexo do lago não aparece o parceiro do humano. É porque ele não existe. Mas agora ela está de volta. – Diz olhando o digitama nas mãos de Kari.
– Isso é bom então não é? – Kari pergunta.
– É ótimo! Prova que juntos vocês são imbativeis.
– Como assim?
– Isso só aconteceu porque os dois têm coração puro e os dois desejaram juntos em frente ao lago.
– Mas eu não pedi nada... – Kari começa a refletir.
– Não precisa pedir com palavras escolhida, o coração já diz o que você sente. – T.K e Kari se olham.
– Você pediu pra ela voltar? – Kari pergunta a T.K.
– Não, mas pensei que ia fazer de tudo pra te ver feliz mesmo com tudo que aconteceu... – Kari sorri.
– Obrigada. – Da um beijo na bochecha dele que sorri de volta.
– Como foi que você conseguiu me ajudar e fez aquelas coisas todas? – T.K pergunta curioso.
– Eu posso explicar... – Gennai senta de frente pra eles. – Daqui desse mundo podiamos ver o que acontecia no Digimundo. Olhando pelo lago... Mas quando Trevas entrava na caverna dela, não podiamos ver e nem fazer nada naquele terreno. Pois era dela. Mas quando você estava no mundo dos pesadelos fez um pedido com todo seu coração. E como é o guardião da esperança mesmo estando naquele lugar, seu pedido foi atendido e com isso Kari conseguiu entrar na caverna de Trevas.
– Se fosse outro não iria adiantar?
– Só se tivessem uma ligação forte como vocês dois tem.
– Hm... E como a Kari fez aquele monte de coisas? Como correr em tamanha velocidade e fazer Tailmon digivolver sem mesmo estar com o digivice?
– Kari estava representando a luz naquele momento. E a luz dá a vida, a luz cura. Os guardiões deram um pouco de seu poder a ela pra que parasse de vez com o que Trevas estava fazendo. Ela podia fazer o que quisesse.
– Então porque ela fez aquilo? Pediu Ophanimon pra matá-la? – Pergunta olhando Kari.
– Só assim Trevas sairia do corpo dela. Não tinha outra opção. Ela podia fazer o que quisesse em relação a ajudar vocês escolhidos. Tanto que curou a todos e deu forças pra continuar.
Silencio.
– Agora ela está finalmente presa em seu mundo? – É a vez de Kari perguntar.
– Agora sim. – Responde sorrindo.
Depois da conversa com Gennai, os dois voltaram pra suas casas. Assim que chegaram, foram abordados pelas mães que fizeram a mesma pergunta. “Quando ia me contar que está namorando?”
Kari na hora lança um olhar de morte a Tai que nem da bola e sai de casa deixando as duas sozinhas pra conversarem melhor.
– Eu ia te contar, mas vejo que os fofoqueiros de plantão chegaram primero! – Fala irônica enquanto Tai saia de casa, ele coloca a cabeça pra dentro e da língua pra ela. As duas riem do jeito infantil dele.
– Quem te contou isso mãe? – T.K estava surpreso com a pergunta.
– A mãe da Kari me ligou perguntando de vocês... E quando disse que não estavam aqui, me contou a novidade.
– Hm... – “Só pode ter sido o Tai...” pensa. – Mas é isso mesmo. – Ela sorri radiante e aperta o filho em um abraço de urso.
Depois de toda a confusão, duas semanas se passaram. Os escolhidos tinham marcado de ir ao digimundo fazer um piquinique, agora os digimons vinham pelo menos uma vez por semana vizitar seus parceiros e os escolhidos os vizitavam de vez enquando também.
Em cima de uma grande toalha, varias comidas, sucos e frutas estavam espalhados. Nela também tinha um dinossauro de cor amarela que comia com muita vontade tudo que via pela frente, logo ao lado, um garoto de cabelos castanhos fazia a mesma coisa.
Em frente aos dois uma garota de cabelos medianos os olhava com cara de nojo, enquanto sua parceira que mais parece uma flor devorava um pedaço de torta.
O mais velho do grupo ria da expressão no rosto da namorada enquanto comia uma maçã. Ao seu lado um ser branco estava deitado de barriga pra cima e brincava com uma laranja, a rodando no ar com suas patas.
Um pouco mais distante, um garoto ruivo estava sentado no chão e tinha um laptop apoiado nas pernas, onde ele colocava toda a sua atenção. Seu parceiro estava ao seu lado tentando entender o que ele fazia naquela pequena tela.
Perto do moreno estava também uma ruiva, que estava sentada com as pernas esticadas, enquanto um menino loiro apoiava sua cabeça nelas deitado de barriga pra cima. Seus respectivos parceiros ao lado comendo salgadinhos.
Separado, mas não muito um dinossauro azul estava com as mãos juntas apertando fortemente em seu peito, ele olhava a grande toalha em duvida do que iria comer. Quase babava nas guloseimas. Já seu parceiro atacava cada uma delas dizendo que queria “apreciar um pouco de cada”.
Ao lado dos dois um menino de cabelos azuis estava sentado de pernas cruzadas, seu olhar era doce e calmo, não se importava com a “ignorância” do seu amigo ao mastigar de boca aberta. Ao contrario de sua namorada que quase esganava o moreno pedindo pra parar com aquilo. Seu parceiro balançava a cabeça em negação enquanto cobria o rosto com uma de suas asas. Já a pequena larva verde dava risadinhas da briga dos amigos.
Em frente a eles um garoto de olhos verdes tentava apartar a briga, mas de nada adiantava seus pedidos. Seu amigo amarelo não dava a mínima para aquilo, julgava “acontecer sempre”.
Um garoto loiro estava também sentado na toalha e olhava divertido pros amigos. Entre as pernas dele, sua namorada estava sentada, o loiro tinha os braços em volta da sua cintura. Ao lado dos dois, uma pequena criatura de cor laranja esfregava as pequenas patinhas e passava a língua ligeiramente em seus lábios, os olhos cheios de duvida, procurava algo para devorar. Nas mãos da garota uma bolinha pequena pulava feliz ao receber uvas em sua boca, ela era verde e tinha uma calda com marcas roxas.
– Vocês podiam falar mais baixo sabia? Estão atrapalhando meu lanche! – Tai reclama com os dois.
– Você também podia aprender a comer igual gente sabia? – A ruiva provoca.
– Qual é? Vão ficar me criticando agora? – Pergunta irritado.
– Você que fica exigindo coisas e não vê o que está fazendo... – Matt entra na pilha.
– Ih qual foi? Vai ficar concordando com tudo que a Sora fala agora? – Os dois caem na gargalhada enquanto Tai reclama sozinho.
–Yolei... Porque em vez de ficar tentando esganar o Davis... Você não come? – Pergunta a morena.
– Olha esse porco comendo Kari! – Diz indgnada.
– É só ignorar meu amor. – Ken faz carinho no braço dela. Yolei suspira.
– Isso está muito bom! – Davis fala de boca cheia outra vez e faz Yolei perder o controle de novo.
– Não adianta isso nunca vai mudar. – O loiro ri dos amigos.
– Mas assim que é bom! – Vira o rosto pra trás pra olhar seu namorado. – Se mudar estraga.
– Tem razão. – Da um beijo na testa dela que sorri.
A partir dali, os escolhidos levavam finalmente uma vida normal, cada um com seus trabalhos e tarefas. Nada mais atrapalhou o equilíbrio, e agora os digimons viviam em paz.
Mas nem tudo mudou, eles continuavam se encontrando no digimundo quando podiam. E as brigas e brincadeiras continuavam, mas não tão igual a quando eram crianças.
Os digimons ficaram bem famosos na terra e ninguém os achava estranhos e nem atrocidades como antes. Porém como cada um tem seu mundo, eles só vinham visitar seus parceiros e depois voltavam ‘para casa’.
Anos depois, os escolhidos tiveram seus filhos e sempre os levavam ao digimundo, onde as crianças julgavam ser “sempre uma aventura”.
“Porque eles não passaram o que a gente passou!” Davis dizia toda vez que ouvia isso.
Olhando pra trás e lembrando-se de todos os perigos, se sentiam orgulhosos em terem salvado o mundo. Não como alguém que se gaba por ganhar alguma coisa importante, e sim por fazer não só a vida dos digimons feliz, mas a de seus familiares também. Pois sabiam que estavam seguros de ataques daquele tipo.
O perigo sempre vai existir, mas com equilíbrio.
Tudo na vida tem um equilíbrio, por mais que às vezes não seja compreensivo de nossa parte. Nada acontece por acaso. Se sofremos com acontecimentos inesperados ou com as próprias escolhas erradas, é apenas um aprendizado a mais. Ninguém amadurece só na felicidade, a dor ajuda, é o maior reforço para o crescimento.
Autor Takeru Takaishi.
Fale com o autor