Liga da Justiça - The Kids
18 Capítulo 18
Claire esperava que eles não tivessem mais surpresas naquele dia, quer dizer, um shopping desabando em cima de você já é emoção suficiente para um dia. Mas ela normalmente não acertava em suas previsões.
Então, quando eles chegaram na Torre da Liga para serem cuidados pelos médicos de lá, seu coração quase parou quando viu a mulher conversando com o marciano Jon. Ela tão percebeu o quanto havia sentido falta dela, o quanto ela achava que aquela era a mulher mais bonita do mundo, o quanto ela queria que ela estivesse ali o tempo todo.
E Claire não sabia que não era a versão do passado dela pelos cabelos ruivos curtos, no pescoço, ou pelos pequenos fios metálicos em sua asa, causada por pequenas lesões que ela havia sofrido no decorrer dos anos de heroína, mas pelo seu porte, pelo olhar que ela lhe deu quando finalmente percebeu a presença deles ali, olhos verdes esmeralda brilhantes com o maior amor do mundo. E quando ela sorriu, Claire se sentiu uma criança de novo.
– Mãe. – Foi tudo o que ela foi capaz de dizer. Ela ouviu Rex repetir em um eco, igualmente atônito.
Então Shayera Stewart abriu os braços para a filha e Claire correu para ela.
Shayera deu um risada e abraçou a filha fortemente, quase esmagando seus ossos no processo, mas nenhuma das duas ligou para isso. Claire afastou-se após um abraço longo e olhou longamente para a mãe, seus olhos idênticos fitando-se. Shayera passou os dedos pela lateral do rosto da adolescente para logo depois dar um beijo em suas bochechas.
– Senti sua falta, mãe. – Disse Claire.
Shayera balançou a cabeça.
– Foram só dois dias para nós. Mas também senti sua falta.
Os olhos de Shayera fixaram-se em um ponto atrás de Claire e ela soltou a filha para ir abraçar seu primogênito. O abraço foi igualmente cheio de saudade e apertado, mas Rex era muito maior que a mãe.
Rex sorriu quando eles se afastaram.
– Oi, mãe.
Shayera beijou uma de suas bochechas.
– Oi, amorzinho.
Os outros jovens também se aproximaram e abraçaram-na, perguntando pelos seus pais, o que tinha acontecido, quanto havia passado para eles, se eles iriam voltar logo.
Shayera mandou que todos ficassem quietos quando eles começaram a perguntar as coisas ao mesmo tempo e, para a surpresa dos heróis do passado, eles calaram e seguiram-na para um lugar onde eles pudessem conversar sem que metade da Liga da Justiça estivesse presente. O lugar escolhido foi a sala de reuniões, os heróis do passado ficaram de fora, isso era apenas entre eles.
Quando todos os jovens já estavam sentados e olhando fixamente para a Mulher Gavião, esperando por respostas, a ruiva massageou as têmporas e disse para si mesma:
– Maldito graveto menor.
Os heróis da Liga da Justiça haviam achado que usar os gravetos para decidir quem iria buscar os jovens era um método bastante justo, infelizmente, o menor ficou nas mãos de Shayera.
– Okay, — Disse Helena, limpando o sangue de seu corte na cabeça com os dedos. Depois ela iria para a enfermaria, quando tudo fosse esclarecido. – Acho que todos nós gostaríamos de saber o que aconteceu. Como e por que nós estamos aqui?
Shayera sorriu para a mulher suja a sua frente, grata por ela fazer uma pergunta, era melhor do que começar do nada.
– Bem. – Ela começou. – A verdade é que nós armamos a viajem no tempo.
– Eu disse! – Claire parecia feliz por ter acertado em algo importante. Shayera deu um olhar ferino em sua direção e ela encolheu os ombros. – Desculpe. Mas por que? Quero dizer, não faz sentido vocês mandarem os próprios filhos em uma viajem temporal.
– Nós sabíamos que a viajem iria acontecer. – Continuou Shayera. – Nós lembrávamos de tudo o que vocês acabaram de viver, tinha que acontecer. Nós mandamos todos os nossos filhos para a casa de campo porque seria muito estranho mandar apenas alguns, mas sabíamos que no fim vocês iriam se excluir do resto dos meninos e Hall estava programado para agir nesse momento. – Vendo a cara de espanto deles, Shayera disse: — Não fiquem tão espantados, Hall está em todos os lugares hoje em dia.
Rex remexeu-se em seu lugar e pergutou:
– Mas qual era o objetivo disso? Eu não consigo entender.
Shayera sorriu maternalmente.
– Vejam bem. – Ela continuou. – Nós lembrávamos de como vimos vocês aqui. Vocês eram esquisitos no início, mas assumimos que havia sido por conta da viajem temporal; depois, vocês se tornaram sérios, como mini heróis, responsáveis por seus próprios narizes e ao mesmo tempo unidos como irmãos. – Ela fez uma pausa, procurando completar a história. – Quando vocês eram crianças, achamos que se tornariam daquela maneira sozinhos, da maneira que nós nos lembrávamos, mas, a cada ano, vocês ficavam diferentes. Nenhum de vocês mostrou interesse pela Liga, vocês eram dependentes, mimados. Nos últimos meses, começamos a perceber que aquelas pessoas que vimos no início de suas estadias nesse tempo eram quem vocês eram conosco e, aquilo que vocês se tornaram, era por causa de suas experiências aqui. – Ela olhou para cada um deles atentamente e sorriu. – Nós precisávamos que vocês viessem para cá, para que vocês pudessem crescer e ver todos as ótimas coisas que vocês podem fazer.
Eles mergulharam no silêncio. Os jovens absorvendo as novas informações, Shayera esperando para responder mais perguntas e ir embora para casa. Por fim, Helena levantou a mão educadamente e perguntou:
– Desculpe, tia. – Ela disse. – Mas eu sou a vice-presidente das Indústrias Wayne, tenho a própria fonte de renda e ganho suficientemente bem para não depender dos meus pais. Sim, claro, eu moro com eles, mas a mansão Wayne é tão grande que as vezes passamos o dia inteiro sem nos ver. Eu não sou mimada e muito menos inútil. Não vejo uma razão lógica para estar aqui.
Shayera sorriu como se fosse a pessoa mais incrivelmente inteligente da Terra, como se ela soubesse tudo e Helena nada. Helena ficou extremamente irritada com aquele ato, mas não disse nada.
– Você está certa, Helena. Querida, seu propósito aqui é muito mais...- Ela estalou os dedos. – Peculiar. Acho que teve que você teve o gostinho mais cedo.
Claire e Jack, que estavam sentados cada um de um lado de Helena, olharam para ela. Helena apenas abaixou a cabeça, recordando o sentimento que havia sentido quando entregou a pequena Bessie para sua mãe.
Sam levantou sua mão, como se estivesse na sala de aula e esperou que Shayera lhe desse permissão para falar. Shayera apontou para ela e disse:
– Samantha, qual a pergunta?
Sam recostou-se ainda mais na cadeira e disse:
– Podemos ir para casa agora?
Shayera sorriu abertamente, como se estivesse esperando o tempo todo por alguém perguntar aquilo.
– Se ninguém tiver mais perguntas, ficarei feliz em leva-los para casa.
Ela observou os outros jovens, mas nenhum deles fez sequer menção de perguntar alguma coisa.
– Muito bem. – Ela juntou as duas mãos em frente ao corpo. – Por favor, saiam por essa porta e sigam juntos para a sala principal da Torre. – Os jovens começaram a se levantar e a se retirar. – De preferência em fila indiana, mas acho que isso já é pedir demais.
Claire foi a última a se retirar, ela parou junto a sua mãe e disse:
– Mãe, será que nós não poderíamos ficar só mais um pouquinho.
Shayera inclinou a cabeça.
– Por que? Claire, qual o problema?
Claire mordeu o lábio inferior e trocou o peso das pernas.
– Eu preciso muito me despedir de alguém. Ou pelo menos dizer “até daqui alguns anos”.
Shayera trocou sua cara de mãe feliz por ter reencontrado seus filhos após dois longos dias por uma de mãe que pegou a filha mais nova fazendo coisa errada.
– Não me diga que você arrumou um namoradinho, Clarence.
Claire revirou os olhos ao escutar seu nome.
– Não. – Ela disse e Shayera suspirou. – Bem, não houve pedidos oficiais. Nós trocamos uns beijos, mas só isso.
Shayera respirou pesadamente e levou uma mão a testa.
– Claire... Por que você tem que complicar tudo sempre?
– Mãe. Não é o fim do mundo.
– Pode ser. – Shayera rebateu rapidamente. – E se ele quiser ir com você? E nem pense que vou deixar você ficar aqui. Uma viajem temporal não é a mesma coisa do que uma mudança temporal, pode mexer em coisas que nós nem temos conhecimento.
Claire pareceu triste.
– Eu não vou fazer isso. – Ela olhou para ela com um olhar suplicante. – Mãe, por favor, eu só quero me despedir dele. Por favor.
Shayera lembrou-se da menininha que pedia a ela com as mãos juntas e grandes olhou verdes marejados para que ela pudesse voar. Até hoje, a retirada das asas de Claire era uma ferida exposta em Shayera, mas a filha que havia pedido e as asas eram relativamente inúteis.
Shayera suspirou e olhou-a.
– Tudo bem. Você tem até amanhã para se despedir desse rapaz. De manhã vamos voltar para casa.
Claire sorriu e assentiu com a cabeça rapidamente. Shayera sorriu também. Ela passou o braço pela cintura da filha e começou a guia-la para fora do aposento. Claire devolveu o meio abraço.
– Então. – Disse a mãe, arrumando seus cabelos vermelhos curtos. – Me conte tudo o que aconteceu com você nesses dois dias.
Claire riu.
– Bem, para começar, foram dois meses. – Shayera riu e Claire e acompanhou. – Enfim, eu descobri que você era muito estranha.
– Claire.
– É a verdade. E eu quebrei o nariz da Mari. – Shayera ergueu uma sobrancelha. – E teve o Todd. Ele é uma graça. Eu o conheci em uma loja de CDs.
Shayera e Claire começaram a caminhar em direção aos outros jovens do futuro, a ruiva sorriu, imaginando que aquela conversa iria demorar para acabar.
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