Eles não haviam sido mortos esmagados por um pedaço gigante de concreto, graças a Deus, mas essa era única certeza que os jovens tinham.

Jason segurava o concreto com as duas mãos, mostrando certo esforço já que era forte, mas não tanto quanto seu pai. Claire olhou-o assustada, quase havia se esquecido da força que o amigo possuía. Ele conseguiu colocar a pedra em outro lugar que não fosse em cima de ninguém e os viajantes temporais puderam respirar mais aliviados. Estava um completo breu, mas eles conversaram e viram que todos os seu estavam vivos.

Mas havia pessoas ao redor deles, pessoas gemendo e chorando, pedindo por ajuda. Uma luz surgiu entre eles e Claire olhou estupefata para a mão direta de Jack, que ardia em chamas como se fosse um isqueiro, mas não queimava a pele do amigo. Eles deram uma olhada ao redor e entre eles e nada precisou ser dito, cada um deles correu para uma direção, indo ajudar quem eles podiam, um sangue de herói correndo vividamente em suas veias como em nenhum outro momento de suas vidas, menos Jack, que apenas aumentou o fogo em suas mãos para que seus amigos pudessem visualizar melhor o local.

Claire ajudou uma mulher que estava com seus dois filhos de doze e dez anos. Seu rosto havia sido atingindo por uma pequena rocha e estava inchado e sangrando, mas os meninos pareciam estar intactos. Jason ajudou um homem cujas pernas haviam sido praticamente esmagadas por uma parede. Helena e Sam ajudaram um casal da terceira idade que estavam machucados e assustados e Rex ajudou um adolescente com um braço quebrado.

O resto das pessoas pareciam estar bem na medida do possível. Eles se reuniram ao redor do que um dia havia sido o chafariz e todos esperaram que alguém se sobressaísse e tomasse a liderança.

Sentindo-se na obrigação, já que seu pai era o líder da Liga da Justiça, Jason tomou um lugar no meio de seus companheiros. Eles o observaram, esperando que ele fosse como seu heroico pai.

– Bem. – Ele começou incerto. – Talvez a melhor coisa a fazer seja abrir caminho pelas laterais e tentar tirar todo mundo a salvo.

Sua voz não havia passado autoridade, ele era um organizador de festas, não um herói. O silêncio reinou novamente, mas logo foi substituído por um burburinho de vozes.

– Não.

Aquela voz era firme e decidida, calou os demais e fez com que Jason recuasse, abrindo espaço para o dono da voz. Naquele momento eles sabiam que haviam achado um líder.

Helena tomou o lugar que momentos antes pertencera a Jason. Ela olhou ao seu redor e disse, firme:

– O teto caiu com o terremoto, as laterais estão instáveis. O melhor caminho para sair é por cima.

– E como vamos chegar lá?

Alguém em meio ao povo machucado e sanguinolento gritou. Helena não viu quem era, mas respondeu para toda sua pequena multidão.

– Alguns tem poderes, podemos leva-los para lá sem problemas. – E depois mais baixo, para os companheiros. – Jason, você pode retirar os escombros do caminho e abrir uma passagem? Nada grande, mas seguro. – Ele assentiu rapidamente. – Depois será preciso que você e Rex leve os demais para cima. Jack você ilumina e acalma as pessoa, ok? – Ele assentiu também e seu fogo tornou-se mais brilhante. – Claire, Sam, vocês vão passar primeiro e ficarão do outro lado, ajudando as pessoas a desceram em segurança.

Claire e Sam assentiram sem um segundo pensamento, seguindo sua nova líder com confiança.

Jason levitou no ar, não com toda a graciosidade que desejaria, mas eficientemente até uma parte do teto que agora estava baixo. Eles estavam em uma área que ligava todas as partes do shopping e todas as entradas e saídas estavam lacradas por paredes de concreto, formando uma espécie de cúpula. Helena guiou- até onde ela julgava ser seguro mexer e Jason abriu uma passagem disforme, quase que retangular de mais ou menos um metro na parte mais larga. Aquele era um excelente tamanho e mexer mais poderia colocar suas vidas e a dos civis em risco.

Jack apagou o fogo uma vez que não era mais necessário sua iluminação; ele não poderia ajudar a levar as pessoas para cima, já que só conseguia voar com o impulso do fogo e isso poderia machucar ainda mais as vítimas, mas ficou por perto, ajudando no que era preciso e dizendo palavras de conforto.

Rex começou a desabotoar a camisa, revelando uma espécie de colete que deixava suas asas dobradas e junto ao corpo, para ajudar a se passar por um humano comum. Ele retirou o colete e abriu as asas ao seu máximo, quase dois metros de uma ponta a outra. Ele soltou um suspiro de alívio. Rex pegou a irmã pela cintura e levantou-a junta a si, ajudando-a a passar pela passagem que Jason havia providenciado, à uns quatro metros do chão. Logo depois passou Sam.

E assim eles começaram a transportar as pessoas feridas pela passagem. Rex ou Jason levavam uma pessoa de cada vez até o buraco e Sam e Claire ajudavam-na lá em cima, e ajudavam a descer também, se a pessoa estivesse muito ferida.

Helena viu o casal de senhores passar, um tanto mais amedrontados do que deveriam, e a mulher que Claire ajudou, juntamente com seus filhos.

Eles foram passando um por um de um total de quase cinquenta pessoas. Em determinado momento, Helena começou a ouvir as sirenes dos bombeiros, da polícia, as vozes de outras pessoas e até mesmo super heróis.

E foi no meio daquela confusão de sons e pessoas que ela ouviu o inconfundível choro de bebê, baixo e triste. Ela estava escutando bastante o choro de criança, por conviver com sua eu recém nascida por tanto tempo. E, aliás, era sim bastante estranha essa convivência.

Ela seguiu o som até uma parede, procurou um meio de passar e achou uma passagem estreita rente ao chão. Ela olhou para trás, Jason e Rex ajudava o cara que havia esmagado as pernas a passar pelo buraco, não dariam atenção a ela. Mas ela sentiu os olhares de Jack em sua direção e fitou-o. Ele parecia dizer o que você está fazendo silenciosamente. Ela sorriu e disse:

– Continue seu trabalho, Jack. Eu já volto.

E virou-se para a parede novamente. Aquele era o corredor por onde ela havia caminhado naquele mesmo dia mais cedo, onde ficava a livraria.

A abertura era estreita, mas não o suficiente para impedir de Helena Wayne, filha de Bruce e Selina Wayne, de passar. Ela teve que se espremer o máximo que pode contra o chão e demorou mais do que ela havia imaginado, mas conseguiu passar por fim. Do outro lado, ela estava cheia de terra e tinha um belo corte na testa, por bater a cabeça contra uma pequena pedrinha traiçoeira que estava no chão.

Ela teve que caminhar um pouco mais, mas finalmente encontrou a dona do choro. Uma menininha de cabelos castanhos cacheados e belos olhos avelã, de aproximadamente dez meses de idade estava sentada em meio aos escombros, olhando fixamente para a rocha em sua frente. Ela olhou para Helena e voltou a fitar a parede caída ali. Helena puxou na memória e lembrou-se daquela menina, ela estava na cafeteria da livraria, sentada no colo de um homem grande e moreno.

Ela caminhou em direção ao bebê, pronto para pegá-la no colo e, quando chegou perto o suficiente da parede caída sobre os pés da criança, pode ver uma mão projetando-se para fora do escombro.

–--*---*---

Claire estava suando como um porco, mas ela não sairia dali, nem que essa fosse a última coisa que ela fizesse na vida. Alguns super-heróis da liga haviam chegado e tentaram afastá-la, mas negou. Sam já estava sentada na calçada do outro lado da rua.

Ela ajudou um homem de pernas ensanguentadas a sair do buraco juntamente com outro super-herói que ela não recordava o nome. O homem a sua frente, o que a estava ajudando, pegou o homem no colo com estrema facilidade e voou com ele em direção aos bombeiros e paramédicos que esperavam.

Foi nesse momento que seus pais chegaram e os pais de seus amigos também, todos eles preocupados e com semblantes sérios. Seu pai pegou-a no colo, exatamente como ele costumava fazer quando ela era criança e dormia no sofá da sala e levou-a para junto dos outros heróis.

Diana estava ao lado de Sam, segurando sua mão e afagando seu cabelo colorido, parecia que elas haviam feito as pazes então. Nada como uma experiência de quase morte para melhorar o relacionamento das pessoas.

Sua mãe tocou seu braço, isso era tudo que a versão do passado de Shayera Stewart poderia dar e Clairw sentiu falta dos braços quentes de sua verdadeira mãe.

– Tudo bem? – Ela perguntou, assim que John a colocou no chão.

– Tudo. – Claire respondeu, sorrindo. – Eu não me machuquei nem nada, só estou cansada.

Ela olhou para os outros super-heróis que pareciam estar esperando notícias de seus filhos.

– Estamos todos bem. – Ela disse. – Rex e Jason estão ajudando a levar as pessoas lá de dentro até o buraco e Rex e Helena estão cuidando dos feridos até então. – Ela olhou profundamente para Bruce. – O senhor deveria se orgulhar muito da sua filha. Ela é uma líder e tanto.

Ela pensou ter visto um sorriso passar por seus lábios, mas antes que pudesse tirar qualquer conclusão definitiva, uma mulher apareceu ao lado dela e segurou seus braços, obrigando-a a olhar para ela.

– Por favor. – A mulher disse. – Eu preciso saber se meu marido e minha filha estão bem. Aaron é um homem grande, ele tem quase dois metros. – Ela começou com as descrições, mas, apesar de não ter visto todos que estavam na cúpula, Claire não lembrava de ter visto alguém assim. – E Bessie tem nove meses.

Claire negou com a cabeça.

– Sinto muito senhora, mas onde eu estava não havia crianças.

Os olhos avelã da mulher se encheram de lágrimas e ela deixou um soluço desesperado escapar por entre seus lábios. Superman tomou a liderança e disse:

– Não se preocupe, senhora, o lugar onde Claire estava, estava isolado do resto do shopping. Seu marido e sua filha devem podem estar em qualquer outro lugar. Não se preocupe, nós iremos encontrá-los.

Isso pareceu despertar os outros heróis, eles rapidamente se dispersaram, alguns voando, outros correndo em direção ao prédio para ajudar. Claire tomou a mão da mulher nas suas e lhe deu um apertão, sorrindo.

– Claire!

Ela virou seus olhos na direção da voz e viu Todd correndo em sua direção pela rua, o cabelo cacheados preto estava todo bagunçado. Ela correu até e ele e pulou em seu pescoço, suas pernas envolvendo sua cintura, uma vez que ela sabia que ele daria conta de seu peso.

Eles se olharam por um momento e Claire inclinou sua cabeça para dar a ele um beijo profundo e apaixonado.

– Como você sabia que eu estava aqui? – Ela perguntou quando eles se separaram e Todd a colocou no chão.

– A cidade toda tremeu, Claire, vim te procurar e te achei aqui, em meio aos destroços do shopping.

Ele olhou pesadamente para o monte de concreto. Bem, nem tudo estava perdido, infelizmente para eles, a maior parte do estrago havia acontecido onde eles estavam. Então houve uma explosão de chamas na abertura que Jason havia feito e Jack pousou do lado de fora, sério, o que era estranho. R ex espremeu-se para sair, já que suas asas atrapalhavam um pouco ele passar por locais apertados. Quando ele estava livre, abriu suas asas ao máximo novamente e Claire disse orgulhosa ao lado de Todd:

– Aquele é meu irmão mais velho, Rex Stewart.

Todd deixou a boca cair aberta e disse um o que quase sussurrado.

– Oh. – Claire lembrou-se. – Eu esqueci de contar esse detalhe, eu não sou só do futuro, meus pais são a Mulher-Gavião e o Lanterna Verde.

Todd havia imaginado algo do tipo desde que Claire havia levado ele para a Torre da Liga, mas ela nunca tocava no assunto e ele não falaria sobre isso primeiro. Ele olhou para ela ainda com a boca aberta e disse:

– Maneiro.

Claire assentiu feliz e esperou para ver Jason saindo com Helena, mas isso não aconteceu. Rex bateu suas asas e voou até ficar ao lado da irmã e do garoto esquisito ao lado dela.

– Oi. – Disse o garoto a ele.

– Oi. – Ele disse, rapidamente voltando sua atenção para a irmã, que parecia querer dizer algo, mas ela sempre parecia assim, então ele disse antes dela: — Helena não está mais na cúpula.

– O que? – Claire perguntou, incrédula.

– Jack disse que ela passou uma abertura no chão, indo atrás de um bebê, pelo o que ele disse ter ouvido. Ela não consegue passar de volta com o bebê e Jason tem medo de tocar em algo e tudo desabar em cima delas.

Claire olhou por sobre o ombro do irmão enquanto Sam chegava ao lado deles e Rex contava a novidade para ela.

Ficaria tudo bem, Claire sabia disso. Helena saberia o que fazer, ela sempre tinha um plano.

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Helena deveria ter feito um plano antes de se esgueirar por um buraco de minhoca. Claro, ela tinha que salvar o bebê. Mas ela também tinha que ter feito um plano, agora as duas podiam morrer.

– Helena. – Disse Jason do outro lado da parede. – Acho que achei o ponto, vou tentar tirar a parede. Proteja-se.

– Tudo bem.

Ela aninhou ainda mais o bebê em seu colo, que agora não chorava, mas ainda tinha o rosto molhado pelas lágrimas. Ela beijou os cabelinhos macios e cacheados da menina e disse que tudo ficaria bem.

Houve um som estalado e a parede começou a se mover, pouco a pouco, até que ela pudesse ver o lugar de onde ela viera, Jason colocou a pedra em outro lugar e uma passagem larga o suficiente para Helena passar inclinada apareceu. Ela sorriu para ele, que não estava em seu melhor estado.

Jason logo caminhou até ficar em baixo do buraco e estendeu a mão para Helena. Ela levantou-se do chão onde estivera sentada e deu dois passos em sua direção. As paredes a sua volta tremeram e ela soube que elas iriam cair a qualquer segundo. Não havia tempo de alcançar Jason, mas se ela fosse um pouco para direita, talvez aquelas paredes pudessem protegê-las. Ela olhou para o rapaz com quem ela havia brincado durante sua infância, o perigo estava onde ele estava. Se o teto caísse sobre Jason, seria demais, ele não era indestrutível como o Superman.

Ela agradeceu imensamente mais tarde por ter a mente que trabalha mais rápido do mundo.

Ela jogou-se para o lado, onde ela calculara que deveria ficar protegida e gritou para Jason:

– Jason, sai!

Ela esperou imensamente que ele a obedecesse, ela era responsável por ele e ninguém iria morrer sob o comando dela.

Jason deu um passo em sua direção, lento demais, atônito demais, pensando que talvez ele tivesse feito aquilo. Então ele percebeu que seria o teto sobre a sua cabeça que iria cair. Olhou uma última vez para Helena e o teto começou a desabar.

–--*---*---

Clair soltou um grito quando viu a cúpula cair com Jason e Helena ainda lá dentro.

– Eu vi um vulto. – Disse Sam, quase para si mesma, a voz embargada.

– Eu também. – Disse Rex, na mesma situação.

A poeira estava em todo lugar, mas conseguiram ver Jason voltando de um voo alto. Quando ele aterrissou, Claire, Todd, Sam, Rex e seus pais correram para perto dele.

Jason sentou-se quase que imediatamente após ter pousado em suas pernas bambas. Ele levou uma das mãos ao rosto e chorou, lembrando-se de Helena com a menina nos braços.

Batman ajoelhou-se em frente a ele, suas mãos no ombro do rapaz.

– Onde ela está? – Ele perguntou aflito.

Jason retirou a mão do rosto e fitou seus olhos azuis vermelhos do choro nos de Bruce.

– Sinto muito. – Ele disse, a voz quebrando. – Eu não consegui salvá-la.