Liga da Justiça - The Kids
2 Capítulo 1
Segunda-Feira (Na casa de campo)
Como todos na mansão Wayne acordavam cedo, Helena e Molly foram as primeiras a chegar. Helena saiu do carro com Molly no colo.
– Essa casa é legal, Ellie. – Disse Molly. Helena apenas sorriu e assentiu com a cabeça.
O motorista dos Wayne, Harper, pegou as duas malas, uma de Helena e outra de Molly, mas quando ia entrar na casa foi impedido por Helena.
– Pode deixar, Harper, eu mesma levo depois.
– Sim, Stra. Wayne.
Helena revirou os olhos, nunca gostou que a chamassem de Stra. Wayne. Gostava que a chamassem pelo nome, não é pra isso que eles servem, então?
Selina abaixou o vidro escuro da janela do carro e pediu que Helena se aproximasse. E ela o fez. Assim que ficou perto o suficiente, Selina puxou-a para baixo e encheu Helena e Molly de beijos. Molly começou a rir e Helena a seguiu. Depois disse tentando fazer a mãe parar e equilibrando a irmã:
– Mãe, para, vai ficar tudo bem. Você não confia em mim?
Selina parou os beijos e olhou para ela séria.
– Claro que eu confio. Você é a minha menininha de ouro, Helena. – Seus olhos começam a ficar marejados e logo Selina não conseguiu mais segurar o choro. – Eu vou sentir tanta saudade. Por favor, Helena, cuide direitinho de Molly, ela é tão pequena. Não se esqueça de dar banho, de trocá-la. E principalmente: Não se esqueça de dar comida...
Helena riu, parece até que a Molly é um bichinho de estimação e ela me deixou cuidando dele enquanto viaja, pensou. Selina continuava falando muitas coisas, mas Helena sabia que se ela desse bola, ficariam assim o dia inteiro. Ela olhou para o pai que estava quieto no canto e lhe deu um aceno tímido. Bruce era sempre tão reservado que Helena nunca sabia o que fazer em relação ao pai. Mas Bruce correspondeu ao aceno, e ainda deu um lindo sorriso. Molly, diferentemente da irmã, deu um aceno empolgado e lhe mandou beijinhos. Molly disse:
– Tchau papai, tchau mamãe. Eu amo vocês.
– Eu também amo vocês. – Disse Helena. – Não se preocupem, vai ficar tudo bem.
– Amo vocês queridas. – Disse Bruce.
Selina disse coisas indescritíveis entre os soluços e deu tchau com a mão. Bruce se debruçou sobre ela e fechou a janela sorrindo para as filhas. Ele voltou ao seu lugar e Selina ainda estava inconsolável. Bruce lhe deu um pacotinho de lencinhos que ele havia trazido, sabia que algo assim iria acontecer, ao qual ela agradeceu com um obrigada baixinho.
– Foi pra isso que você arrumou aquela confusão toda com a Diana? – Ele perguntou pra mulher.
– O que você quer eu faça, Bruce? Que jogue elas lá e vá pra casa sem nem um pesar no coração? São minhas filhas.
Bruce agarrou os ombros de Selina e a puxou para um abraço.
– Me desculpe. Eu entendo, querida.
Selina revirou os olhos e lhe deu uma cotovelada, já não era mais a Mulher-Gato, mas, como ela mesma dizia, não precisava se livrar dos seus instintos de caçadora. Ela se afastou de Bruce e disse:
– Não entende nada. Você não sabe de nada, Bruce Wayne, você é um...
Ela foi interrompida por um beijo apaixonado do marido.
– Olha pelo lado bom. – Ele começou. – Nós temos uma semana inteira sem filhas.
Selina o fitou por um instante e depois sorriu maliciosa. Um sorriso de felino.
– Miau.
Os Stewart foram os segundos a chegar. Rex olhava tudo muito animado, ele sempre foi assim, desde criança. Claire olhava tudo muito entediada, ela detestava acordar cedo. Ela deu um bocejo e se inclinou para frente, ficando entre os pais.
– Por que a gente teve de vir tão cedo, hein?
Ninguém respondeu, pois, afinal, por que haviam vindo mesmo?
John estacionou em frente à casa.
– Muito bem, crianças, chegamos. – John disse.
Rex saiu do carro e inspirou uma lufada de ar puro. Depois esticou bem as asas e voou. Claire olhou ao redor muito entediada, tirou os óculos escuros e olhou para a casa. Ela levantou as sobrancelhas e disse:
– É, acho que dá.
Shayera lhe deu um beijo na bochecha e a abraçou.
– Tchau, querida. Comporte-se.
– Eu sempre me comporto, mãe.
– Até parece. – Ela olhou pra cima e gritou. – Rex!
Ele desceu num instante para se despedir da mãe.
John deu um abraço de urso em Claire. Quando ele a colocou no chão, ela estava meio tonta.
– Olha, Claire, você se comporta. Não fica usando esses seus mini-shorts por aí. E cuidado com o Jason, ele te olha de um jeito estranho.
– Pai!
– Mas é verdade. Fica de olho aberto. Tem muito gavião aqui, não posso deixar que eles tirem a inocência da minha filhinha.
Claire revirou os olhos.
– Ô pai, se por acaso o senhor não tenha percebido, eu não sou mais “inocente” a muito tempo.
– Claire Stewart! Não faça eu me arrepender de ter concordado com isso aqui. – Ele suavizou o seu tom de voz. – Que história é essa da sua inocência, o que você quis dizer com isso?
– Nada não pai. Vai tranquilo, ta? – Ela guiou John, que estava muito confuso, de volta ao carro.
Ele deu um aceno para Rex e o filho retribuiu. Logo eles sumiram na estrada. Rex pegou as três malas que estavam no chão, uma sua e duas da Claire. Ele falou:
– Nossa, você até que trouxe pouca coisa.
Ela cruzou os braços e olhou pra ele.
– O resto da minha bagagem vem com a Sammy.
– Ah ta, isso explica muita coisa.
– O pé na estrada eu vou botar que já ta na hora de ir sobre o horizonte sigo o céu azul o que mais eu poderia pedir? E se a chuva cair, não vou parar, qualquer tempestade tem fim, e o vento no meu rosto a soprar me faz pensar o que eu quero é caminhar assim! – Juno, Christine e Matt cantavam animadamente a música do filme Irmão Urso que eles haviam assistido mais cedo.
Alex tampava os ouvidos com as mãos. Ele mal podia esperar para chegar a casa de campo.
– Parem com isso. – Alex disse. – Me ajude, oh senhor.
E, enfim, chegaram. Alex saltou do carro o mais rápido que pode.
Claire estava sentada em um balanço em frente a casa. Ela sorriu e acenou para Alex.
– Oi, Lexinho.
Alex olhou para ela de cima à baixo e sorriu.
– E aí, Claire?
– Cadê a Sammy?
– Ela tá vindo com a mamãe.
Christine, Juno e Matt se aproximaram dos dois.
– Oi, meninas. Tio Matty. – Disse Claire.
– Olá, Claire. – Disse Matt.
Juno se sentou no balanço junto com Claire e disse ao pai:
– Pode ir agora, papai.
Matt sorriu e beijou o topo da cabeça de Juno e de Christine.
– Então, tchau. — Apertou a mão de Alex. – Cuida bem delas, campeão.
– Pode deixar, pai.
Matt entrou no carro e foi embora. Logo Sam e Diana estavam lá. Sam andou em direção a amiga e lhe deu um forte abraço. Claire e Sam nasceram no mesmo dia. Eram inseparáveis desde pequenas. Mas eram completamente diferentes. Claire era a líder de torcida, Sam era a roqueira esquisita e impopular. Claire se vestia com poucas roupas, Sam estava sempre com calças e blusas compridas. Claire era instável, Sam estava do mesmo jeito. Claire tinha muitos namorados, Sam tinha uma apaixonite por Oliver Slade.
– Você trouxe o meu violão? – Claire perguntou para Sam.
– Confere.
– O violino?
– Confere.
– A guitarra?
– Confere.
– E o teclado?
– Confere. Aliás, deu muito trabalho convencer a minha mãe a trazer tudo isso. Você me deve uma.
– E eu vou pagar. Obrigada. – Claire olhou para Diana. – Oi tia Di.
Ela sorriu para Claire.
– Olá, querida. Tchau, queridos. Se comportem. Se eu ouvir uma reclamação de alguém no fim de semana, vocês vão ver.
Alex engoliu em seco e tentou sorrir para a mãe.
– Tchau, mamãe. – Disse Juno.
Christine, Alex e Sam se despediram a mãe e Diana foi embora.
Os Kent chegaram por volta das 8:30m. Diferentemente dos outros, não houve
choro, ou ameaças. Eles se abraçaram, se despediram e acabou. Claro que entre isso muitas coisas melosas foram ditas. Claire e Sam olharam toda a cena sem falar nada. Julia foi cumprimentá-las.
– Olá, meninas.
– Oi, gente. – Jason fez o mesmo, sem tirar os olhos de Claire.
Claire e Sam se entreolharam e depois olharam para os irmãos Kent.
– Vocês me dão vontade de vomitar. – Disse Samantha.
– Em mim também. – Disse Claire.
– Por que? – Perguntaram Julia e Jason juntos.
– Por causa disso. – Sam apontou para eles.
– É. Isso de família perfeita de comercial não ta com nada. – Concluiu Claire.
Jason e Julia se entreolharam e riram. Jay pegou a mala de Julia e entrou na casa.
– Você vai ficar no nosso quarto. – Disse Claire empolgada. – Isso aqui é muito legal, né?
Julia assentiu sorrindo e Sam bufou.
– Legal uma ova. É um saco.
Nesse momento, os West chegaram. Assim que o carro parou, as malas e os filhos foram jogados para fora do carro enquanto Beatriz beijava fervorosamente Wally.
– Tchau, mãe, pai. – Disse Jack
Beatriz deu um aceno para os filhos sem interromper o beijo e depois eles foram embora. Jack , Dave, Sam, Claire e Julia observaram o carro desordenado sumir entre as montanhas.
– Puxa. – Começou Jack. – Eles poderiam pelo menos fingir que vão sentir saudades.
– Como é que somos só nós dois? – Perguntou Dave. – Eles parecem coelhos.
– JAAAACK! – Gritou Claire pulando de alegria.
Jack virou-se para ela e riu, depois ele lhe deu um abraço de urso e a rodopiou no ar.
– Claire Stewart. Você também vai ficar aqui?
– Todo mundo vai ficar aqui. – Disse Sam, com a sua costumeira voz entediada.
Jack colocou Claire no chão e ela disse:
– Seus pais não te contaram?
Jack e Dave se entreolharam e o filho mais velho de Flash respondeu:
– Não. Eles só ficaram dando risinhos e fazendo planos para os dois.
– Puxa vida. – Claire deu uns tapinhas no ombro do amigo como consolação.
Não que Wally e Beatriz fossem pais ruins, eles só não eram bons pais. Por esse motivo, Jack e Dave ficavam muito na casa de Shayera e John. Jack e Claire haviam desenvolvido uma relação de irmãos, melhor do que eles tinham com seus irmãos de verdade.
Depois que os West chegaram, os quartos foram definitivamente divididos. Helena ficou com Julia, Samantha com Christine, o que gerou muitos gritos e brigas entre as irmãs, Molly e Juno estavam ao lado do quarto delas, mas como o barulho era muito grande, foram para outro quarto; Rex estava com Jack, Dave com Alex e Claire com Jason, o que deixou a ambos radiantes.
Jason se dizia apaixonado por Claire, enquanto esta, dizia que estava a fim dele.
Claire se jogou ao lado de Jason, que estava deitado em sua cama, e passou a mão pelo seu peito.
– Jay? – Ela perguntou, manhosa.
– Sim, Claire?
– Vamos fazer uma festa?
Jason a olhou.
– Uma festa?
– É, uma festa. – Claire sorriu maliciosamente. – É claro que quando os menores de idade forem dormir, a festa vai melhorar.
Jason a abraçou e assentiu.
24 anos antes
O refeitório da Torre da Liga estava lotado. Os sete integrantes principais estavam todos sentados em uma mesa. Shayera tentava não olhar, mas era impossível não reparar em Vixen praticamente se jogando em cima de John.
Wally colocou os braços em volta de seu ombro, tirando a atenção dela de John e Mari.
– Shay, adivinha.
Shayera revirou os olhos.
– Eu não sou vidente, Flash. Diga logo o que quer.
Wally fez uma cara de ofendido, mas logo depois riu.
– Eu vou ter um encontro com a Fogo.
– Meus parabéns, Wally. Era só isso?
– Era sim, na verdade.
Em um momento de despreocupação, um portal se abriu no meio do refeitório e dele saíram seis jovens.
Uma menina de cabelos castanhos — avermelhados e olhos verdes levantou-se e sorriu ao ver John.
– Papai? – Ela disse visivelmente bêbada. – Pai, minha vida depende de um Jimmy Choo novinho agora. – E depois riu escandalosamente.
Todos os olhos na sala se voltaram para John, principalmente os de Shayera e de Vixen.
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