Os sete membros fundadores estavam reunidos na sala de reuniões tentando entender quem eram aqueles jovens e de onde vieram. Superman estava de pé.

– Não sabíamos nada sobre esses jovens, exceto que todos eles estão com um alto teor de álcool no sangue. Menos a de cabelo preto e curto, ela tem menos. Foi justamente essa jovem que acordou e nos deu algumas pistas.

Superman mostrou o vídeo aos demais colegas. Nele a jovem de cabelos negros e curtos estava consciente, olhando o enfermeiro que lhe aplicava algo no braço.

– Você pode me dizer onde estou? Você sabe quem eu sou? – A moça perguntava. – Meu nome é Helena Wayne, das Indústrias Wayne. Olha, eu conheço ótimos advogados, que podem até tirar o seu coro legalmente, então, me responda: Onde estou? Quem é você?

O vídeo foi desligado. Murmúrios encheram a sala e Superman pediu silêncio.

– Ela deixou bem claro que é parente sua, Batman. – Disse Mulher Maravilha.

– Mas não tenho parentes. E não conheço essa menina, nem pelo nome. – Batman respondeu.

– Eu achava que ela era sua irmã, pela semelhança... – Começou Superman.

– Eu ainda acho. – Disse Flash.

– Até que ouvi isso.

Um novo vídeo foi mostrado. Nesse, uma jovem de cabelos longos e avermelhados acabava de acordar com um enfermeiro lhe injetando algo na veia. Ela fitava seus olhos verdes nele.

– Quem é você? – O enfermeiro não respondeu. – Ô, meu companheiro, eu tô falando contigo. Não vai responder não, é? Ok, eu vou chamar minha mãe, ela é a Mulher-Gavião e vai te dar uma surra como ela nunca me deu. Meu pai também, o Lanterna Verde mais gato que já existiu, ele também não vai gostar nada, nada disso. – A jovem olhou ao redor e depois voltou a fitar o enfermeiro. – Espera aí. Nós estamos na Torre. Mas que ala é essa? Hal? – Ela falou para o nada. – Hal, ache os meus pais, ou melhor, chame os sete membros fundadores. Hal? Hal, seu computador imbecil! Cadê você? Eu disse para desligarem esse computador idiota, não serve para nada.

O vídeo foi encerrado. Não houve murmúrios dessa vez, apenas uma tensão no ar. Shayera estava em choque, a menina disse que era filha dela e do John, mas John decidiu ficar com a Mari, então, o que estava acontecendo?

– Claramente, eles fizeram uma viajem temporal, mas acho que ainda não perceberam isso. – Disse Batman, tentando não chamar atenção para o que a menina disse. Mas era tarde demais, ninguém sabia o que dizer, ou que fazer.

– Definitivamente alguma coisa muito estranha está acontecendo.

Claire assentiu ao comentário de Samantha.

– Pois é. Nós estamos na Torre, mas não parece muito com a Torre. Onde estão os nossos pais e por que aquele pessoal não fala com a gente?

– Vai ver eles fizeram voto de silêncio perante Deus. – Disse Jack.

Todos na mesa olharam para ele.

– Claro. – Disse Sam, irônica.

Quando todos eles acordaram, foram encaminhados para a sala de reuniões. Tirando Claire e Helena, todos estavam um caco, apesar de não se lembrarem muito da festa, com certeza havia sido uma grande festa.

– Acho que fizemos uma viajem temporal. – Helena se pronunciou pela primeira vez.

Jason ergueu a cabeça, que até então estava sob a mesa, e assentiu.

– Isso. Acho que foi isso que aconteceu.

– Tá, mas o que aconteceu antes? – Indagou Helena. – Eu não me lembro de muita coisa.

Claire bateu as mãos na mesa fazendo com que todos levassem as mãos à cabeça.

– Ai. – Exclamaram.

Claire riu e disse:

– Como vocês são fracos. Bem, eu tenho uma idéia, cada um diz o que lembra, assim, quem sabe, a gente acaba se lembrando de como viemos parar aqui. Eu primeiro. Ahn, nós fizemos uma festa com as crianças – que não foi legal -, aí elas foram dormir – E a festa ficou demais -. Depois eu e o Jason estávamos conversando e eu disse: “Tá a fim de dar uns pegas ali atrás?”. E ele falou: “Claro”, daquele jeito mais certinho que dá até vontade de bater nele. Quando terminamos, eu cantei e, eu bebi, cantei de novo e depois eu bebi, bebi, bebi... É só isso que eu lembro. Sua vez Sammy.

Samantha olhou para o teto, fazendo um esforço tremendo para lembrar.

– Eu me lembro de ter uma festa com as crianças, depois uma festa só com a gente. O Jack me deu uma bebida e eu fiquei vendo a Claire cantar e conversando com vocês. Depois o Jack me deu outra bebida e eu bebi, e bebi, e bebi... Eu também só lembro disso. Helena?

Helena soltou um suspiro.

– Eu lembro disso que vocês falaram e lembro de todo mundo trêbado. E os meninos queriam que eu bebesse, mas eu disse que não, então a Claire disse: “Rex e Jason segurem os braços e as pernas e Jack coloque bebida na boca dela”. Depois disso eu bebi, e bebi, bebi...

– Ah! Isso não vai dar futuro. – Rex, que até agora estava calado, observando os outros e com uma baita de dor de cabeça, disse. — Todo mundo bebeu demais e agora estamos com amnésia alcoólica. Ótimo. E para completar estamos no passado. Perfeito, simplesmente perfeito. – Um soluço escapou dos lábios de Rex e ele abaixou a cabeça chorando. – Eu quero a minha mãe.

Claire levantou-se e abraçou o irmão pelas costas, afagando seus braços.

– Não fica assim, Rexie. E é melhor você não querer a mamãe, porque ela vai matar a gente. Você sabe, né?

– Sei.

– Ótimo. Agora pare de chorar como uma menininha. Seja homem, meu irmão! – Nessa ultima parte, Claire desferiu um tapa nas costas do irmão que quase o fez vomitar.

Helena balançou seus cabelos negros e curtos e deu um longo suspiro de cansaço.

– Precisamos sair daqui. As crianças ficaram sozinhas.

– Julia está lá, ela dá conta. – Disse Jason.

– Se Hal estivesse aqui tudo seria mais fácil. – Disse Jack.

Claire voltou a seu lugar.

– É, eu sinto falta daquele monte de parafusos.

Helena a olhou indignada.

– Hal não é um monte de parafusos, ele é único. Sua inteligência é incomparável.

Claire bufou e revirou os olhos.

– Você fala isso, Ellie, porque foi o seu pai que construiu.

– Não foi só ele. Várias pessoas trabalharam pata construir o robô perfeito.

– Blá, blá, blá. – Disse Samantha abrindo e fechando a mão.

– Blá, blá, blá nada. Vocês nunca me escutam. Se tivessem me escutado, não estaríamos aqui agora. – Helena elevou um pouco a voz. Havia aprendido isso com o pai, na empresa, sempre que alguém o desobedecia, bastava ele levantar a voz.

– Ellie todos nós somos culpados até que se prove o contrário. – Rex segurou a mão da amiga e sorriu, tentando tranqüilizá-la.

Eu sou inocente até que alguém prove o contrário. – Claire falou.

A porta se abriu, mas nenhum deles prestou atenção, estavam ocupados demais discutindo quem era inocente e quem era culpado. Flash bateu na porta para chamar a atenção deles e todos levaram as mãos à cabeça.

– Ai.

Superman sorriu e se aproximou deles.

– Desculpem. Bom, agora que todos parecem estar bem, acho que podemos conversar.

Os seis jovens olharam para ele, e depois se viraram para trás, para olhar as outras pessoas, Diana, Bruce, Shayera, John, Jonn e Wally. Claire tremeu um pouco e disse:

– Pais do passado.

Samantha assentiu falando:

– Sinistro, cara, sinistro.