Ligações Perigosas

Capítulo 3

Depois de passar quase uma semana com Lauren em Nova York, tudo o que Jeffrey queria era chegar logo em casa e ter um pouco de paz. Já era noite quando chegaram ao aeroporto e Morgan preferiu chamar um motorista da empresa, ao invés de Jared. Quando Lauren estranhou, Jeffrey mentiu, dizendo que era noite de folga do seu motorista. Preferia enfrentar a fera mais tarde, e não diante dos olhos de sua namorada.

Pensar em Jared fez com que sorrisse, mesmo se sentindo cansado e estressado pela viagem. Como sentira falta daquele moreno teimoso e cheio de energia. Por mais que tivesse vontade de socá-lo algumas vezes, por causa de suas atitudes, Jeffrey tinha que admitir que Jared era uma espécie de luz do sol em sua vida, já não conseguia mais se imaginar sem ele.

Depois de deixar Lauren em seu apartamento, Jeffrey seguiu até a sua mansão e estranhou ao não encontrar Jared pela casa.

– Hey Judith! – Jeffrey cumprimentou a única empregada que ainda estava por ali.

– Boa noite senhor Morgan. Como foi de viagem?

– Foi tranquilo. Você sabe se o Jared está em casa? Preciso que ele leve minhas malas até o quarto – Jeffrey arranjou uma desculpa, mas seus empregados sabiam que Jared não era apenas um simples motorista, e também sabiam que aquilo era confidencial.

– Ele foi dormir cedo, senhor. Mas eu posso levar as malas, se o senhor quiser.

– Não. Pode deixar. Você pode ir dormir agora, Judith. Tenha uma boa noite – Jeffrey sorriu, simpático, e esperou até que a empregada se retirasse.

Foi diretamente até o quarto de Jared, o único empregado que tinha o quarto dentro da mansão – por motivos óbvios – e entrou, sem nem mesmo bater. Sorriu ao ver o moreno coberto até o pescoço e virado de costas para a porta. Jared não era de dormir cedo, devia estar fazendo aquilo para provocá-lo.

Jeffrey tirou apenas os sapatos e o terno e se deitou na cama, se enfiando embaixo do cobertor e abraçando o moreno pela cintura.

– Por que não me esperou acordado? – Beijou o pescoço de Jared e cheirou seus cabelos. Sentira falta daquilo.

Como não obteve resposta, Jeffrey enfiou sua mão por dentro da cueca do moreno, que tentou se desvencilhar do toque, em vão.

Morgan fez com que ele se virasse e se deitou por cima do seu corpo, segurando os braços do outro acima da sua cabeça. Jared urrou de raiva e o encarava com um olhar ferino.

– Shhh... – Jeffrey sorriu e beijou primeiro o seu rosto, seu queixo, e então sua boca.

Jared ainda tentou resistir, mas acabou cedendo. Jeffrey sempre conseguia o que queria e isso o deixava muito puto.

– Mais calmo agora? – O empresário pressionou seu quadril, sentindo que Jared já estava ficando duro, assim como ele.

– Por que não me chamou pra buscar vocês no aeroporto? – Jared não conseguiu esconder a mágoa em sua voz.

Jeffrey gargalhou – Porque você pode ser uma cadela ciumenta quando se sente ameaçado. E colocar você diante da Lauren numa hora dessas? Não mesmo.

– Você é muito pretensioso – Jared falou com raiva. – Achou mesmo que eu iria me importar por você passar uma semana com ela? – Deu risadas. – Eu finalmente tive uma semana inteira de folga. Foi maravilhoso.

– Foi? – Jeffrey esfregava seu quadril, provocando. – Então por que essa raiva toda? Hã? Por que só não relaxa e me deixa matar as saudades desse seu corpo delicioso? – Sussurrou com a voz rouca.

– Você está pagando, faça o que quiser – Jared falou com indiferença, soltando suas mãos e afrouxando o nó da gravata do outro.

– Certo. Eu vou fazer de conta que você não está doidinho pra me sentir dentro de você... pra sentir a minha boca no seu corpo... – Jeffrey sussurrava enquanto beijava e lambia o seu pescoço, lhe causando arrepios.

Seus corpos eram puro fogo... Jared empurrou o cobertor para o chão e as roupas de Jeffrey foram arrancadas às pressas assim como a cueca do mais novo.

Jared apanhou camisinha e lubrificante na gaveta do criado mudo e ajudou Jeffrey a colocar o preservativo. Tinham pressa, as preliminares podiam ficar para depois.

Morgan espalhou lubrificante em seu membro e dobrou os joelhos do mais novo, facilitando o acesso. Penetrou-o devagar e ainda assim Jared sentiu dor, devido à falta de preparo, mas nada daquilo importava; precisava senti-lo dentro de si e tinha que ser agora. Mordeu o lábio inferior, esperando seu corpo se acostumar com a invasão. Jeffrey beijou sua boca daquele jeito que o fazia esquecer que havia um mundo lá fora e Jared agarrou suas nádegas, o puxando bem fundo para dentro de si.

As estocadas eram firmes e profundas, os gemidos de prazer eram abafados entre os beijos e não demorou para que ambos gozassem, gemendo o nome um do outro.

– Eu senti sua falta – Jeffrey falou enquanto ainda estava sobre o corpo do outro.

– Eu percebi – Jared sorriu e beijou o mais velho, então se limparam e ficaram lado a lado na cama, conversando.

– O que você fez enquanto eu estive fora? – Jeffrey apoiou a cabeça no cotovelo, para poder olhá-lo.

– O de sempre. Levei os carros pra revisão, revisei os contratos que você me pediu, e...

– E...?

– Só fiquei por aí... basicamente isso.

– Desembucha, Jared. O que está te incomodando? – Jeffrey sabia que tinha algo de errado. Jared era transparente demais.

– Seu irmão, Steve, me chamou lá na empresa.

– Te chamou... por quê? — Jeffrey franziu o cenho, estranhando.

– Pra saber sobre você, se tem feito negócios fora da empresa, com quem você tem saído, essas coisas.

– E o que ele te ofereceu em troca dessas informações?

– Disse que está para surgir uma vaga no departamento jurídico da empresa e que pensou em mim.

– Que cretino! Se eu quisesse você no departamento jurídico da empresa eu mesmo teria colocado você lá – Jeffrey bufou.

– Eu sei.

– E o que você disse a ele?

– Nada. Eu neguei tudo, inventei algumas coisas, só isso.

– Obrigado. Obrigado pela sua lealdade – Jeffrey beijou os lábios do moreno, com carinho.

– Não vai demorar pra eles juntarem dois mais dois, Jeff. Eu estou o tempo todo com você, eu praticamente moro na sua casa, não sei como ele ainda não desconfiou. Ou fez de conta que não.

– E daí? – Jeffrey deu risadas. — Jared, entenda de uma vez por todas que os meus irmãos não tem nada a ver com o que eu faço da minha vida.

Jared consentiu com a cabeça, mas ainda estava preocupado.

– Pra receber a herança do meu pai eu preciso ter uma esposa. Eu terei uma esposa. Mais do que isso eles não podem exigir de mim.

– Eu sei disso, eu só...

– Vem cá – Jeffrey o puxou para perto e o beijou. – Eu não imaginei que eles pudessem te pressionar. Me desculpe por isso.

– Tudo bem.

– Agora vamos lá pro meu quarto. Sua cama é pequena demais e eu sequer comecei a matar as saudades – Jeffrey sorriu de um jeito safado e começou a se vestir. A noite seria longa…

Vestiram-se apenas para evitar maiores constrangimentos ao atravessar a casa para chegar ao quarto de Jeffrey, mas não como se a camisa aberta do mais velho e a calça de moletom de Jared já não fossem constrangedoras o suficiente se fossem flagrados, no entanto, nada daquilo importava.

Bastou fechar a porta para que iniciassem uma nova sessão de beijos intensos, com seus corpos apoiados na parede, alternando-se de tempos em tempos.

Jeffrey ajudou Jared a se livrar da camiseta branca e da calça de moletom que não escondia em nada sua ereção, uma vez que não tinha se dado ao trabalho de colocar uma cueca. No instante seguinte, o moreno de cabelos longos ajudou seu chefe a fazer o mesmo.

Depois de uma semana, Jared queria realmente descontar todo o atraso, por mais que não fosse admitir quando aquilo saísse da boca do outro. Assumiu o controle da situação ao movimentar-se pela última vez e encostar Jeffrey contra a parede, envolvendo o pescoço do outro com sua mão grande e mantendo-o ali enquanto beijava toda a extensão do ombro, clavícula, mordia a lateral do pescoço e retornava para a boca.

O mais velho arfava e gemia com as mordiscadas, abria a boca em busca de mais ar e esfregava seu quadril ao de Jared, demonstrando o que realmente queria.

Jared notou logo o pedido implícito naqueles movimentos, ainda que nada do que Jeffrey fazia soava como um pedido e sim como uma ordem. Ajoelhou-se sem constrangimento, espalhou beijos por toda a linha do quadril enquanto manipulava o membro de Jeffrey com intensidade.

– Jared – Jeffrey chamou com a voz rouca e uma expiração pesada logo a seguir, demonstrando sua insatisfação com a demora.

Então, atendendo a necessidade de seu chefe, Jared abocanhou o membro dele, colocando-o quase todo na boca.

Não demorou muito para que Jeffrey retomasse o controle da situação. Enfiou a mão entre os cabelos da nuca do mais novo e passou a controlar a intensidade dos movimentos.

Jared ainda tentou retirar a mão de Jeffrey, que o impediu com a outra, segurando-o pelo pulso. O motorista só podia sentir o membro de Jeffrey entrando forte e fundo em sua garganta. Não era do tipo de se submeter, mas o outro tinha aquele poder de enlouquecê-lo, tirar-lhe a razão.

Jeffrey só parou quando sentiu que estava em seu limite, mas não queria terminar assim. A noite estava só começando e pretendia esgotar suas energias até o amanhecer.

Só então Jared pode respirar como se deve, mas não por muito tempo, pois Jeffrey o puxou para outro beijo, lambendo toda a lateral de sua boca e quase fazendo-o sentir uma vertigem, tanto que mal percebeu quando avançaram até a cama.

– Já está perdendo o rumo, Jared? — Morgan brincou ao ver o moreno balançar a cabeça e respirar profundamente. — Eu mal comecei.

– E você está alucinando de saudade.

Jeffrey sorriu pela pirraça do outro, no entanto, não era hora de jogo de palavras ou desse tipo de provocação. A única coisa que desejava provocar agora eram as reações do corpo daquele moreno ainda ofegante a sua frente. Não ficaria impune, com certeza não.

Como se nada daquilo fosse uma disputa, ainda que braços se alternassem acima e abaixo, esbarrando-se frequentemente, pernas entrelaçando-se e posicionando-se em busca do melhor lugar, eles beijavam-se como que em um cessar fogo. Nem paz e nem guerra, apenas dois homens querendo desfrutar do prazer do momento.

Mesmo assim, não podia se negar que havia ali uma necessidade de se sobrepor ao outro. Testosterona demais em espaço de menos. Acrescente uma semana de desejo reprimido e obtenha uma receita um tanto explosiva.

Jared segurava o patrão pela nuca, apertado, enquanto a outra mão deslizava pelos músculos das costas, apertava os lugares certos e o trazia mais para perto quando necessário. Ondulava o quadril devagar e ritmado. Não podia deixar de notar como Jeffrey estava beijando-o intensamente e marcando seu corpo em locais estrategicamente escolhidos, onde apenas ele poderia ver e se lembrar. Demarcando o território, pensava ele. Resmungou ao sentir uma chupada mais forte perto de sua clavícula.

– Jeffrey... – Jared resmungou.

O mais velho deu de ombros e virou-se, deixando que o corpo caísse para a lateral da cama e dirigindo-se à gaveta próxima para pegar um tubo de lubrificante e camisinha. Puxou Jared para perto, fazendo-o deitar-se de lado e abraçando-o por trás. Distribuiu diversos beijos nas costas do seu motorista para então colocar o preservativo, aplicar o lubrificante sobre ele e deixar uma generosa quantia em seus dedos.

Por sobre o ombro, Jared assistiu pelo canto do olho aquela preparação, apreciando o carinho que o outro fazia em sua nuca, deslizando os dedos pelos cabelos entre um movimento e outro.

Abraçando-o por trás, Jeffrey colou seus corpos. Mordia devagar a linha que ia do pescoço até o ombro e esfregava provocativamente o seu membro já preparado na entrada do mais novo.

Jared gemia devagar ao sentir aquilo e sabia exatamente o que seu chefe queria. Queria vê-lo pedir, suplicar um pouco, para só então ter o que queria. Dessa vez não iria entrar naquele jogo, pois sabia que o outro estava tão necessitado daquilo quanto ele.

Jeffrey começou a prepara-lo com a mesma lentidão, colocando um dedo de cada vez. Impaciente com a demora de resposta do motorista, ele não se conteve:

– Você não quer? – Perguntou já impaciente.

– E você, não quer?

– Estou esperando você pedir.

Como resposta, Jared apenas empurrou o quadril mais para trás, sem dizer nada.

– Não é assim que eu quero que você peça – Jeffrey rosnou roucamente na orelha do motorista.

– Eu sei exatamente o jeito que você quer que eu peça, mas eu não vou.

– Tudo bem, nós temos a noite inteira.

Com os mesmos movimentos, Jeffrey insistiu naquela provação. Estava testando os próprios limites, inclusive, pois naquele momento, sua vontade era de empurrar Jared contra aquela cama, puxar seu quadril para cima e meter fundo até que o outro perdesse aquela petulância.

Não era muito diferente com Jared, mas não ia ceder daquela forma. Então, virou-se abruptamente, levantou-se sobre os próprios joelhos e empurrou Jeffrey sobre cama. Num movimento rápido, passou uma perna de cada lado do corpo do outro. Não houve tempo para resmungos, porque Jared segurou o membro de Jeffrey, forçando-o sobre sua própria entrada e deixou o peso do corpo cair. Rápido, forte, intenso.

Jeffrey não esperava por aquilo, tanto que soltou todo o ar de seus pulmões de uma vez, em um gemido longo quando sentiu aquele movimento bruto, mas nem por isso ruim.

E não parou por aí. Jared manteve o mesmo ritmo, observando as feições do outro de cima, com o corpo ereto. Apoiava uma das mãos na coxa do mais velho, para ter mais estabilidade, subindo e descendo o máximo que podia.

Jeffrey riu ao mesmo tempo em que mordia o lábio inferior. Jared era simplesmente incrível, fosse gemendo e pedindo por ele, ou tomando a as rédeas da situação, como naquele momento. Ajudou-o segurando o mais novo pela cintura e masturbando-o com a mesma intensidade. Quando sentiu que estavam próximos do fim, deu um impulso para frente com o corpo, sentando-se e abraçando Jared. Gemeram em um aperto mútuo, enquanto ambos gozavam.

Ficaram ainda naquela posição por alguns segundos, acalmando as respirações, com os corpos colados, o rosto de Jeffrey no peito do moreno, apreciando o sobe e desce da sua respiração reduzindo aos poucos.

Jared puxou o rosto de Jeffrey para cima, segurando-o com firmeza e colou suas testas. Encararam-se daquela forma por um tempo, até que por fim beijaram-se calmamente. Os corpos protestaram pela posição e pelo cansaço. Deitaram lado a lado, olhando para o teto. Era inexplicável o que acontecia com eles, e por isso mesmo nasciam muitas perguntas em suas mentes.

– Espero que você não esteja dormindo – Jared foi o primeiro a quebrar aquele silêncio incômodo.

– Eu mal comecei, garoto.

– x -

Na sexta-feira seguinte, Jared chegou na casa de Jeffrey no final da tarde e estranhou ao ver Judith carregando uma das malas do seu patrão até o carro.

– O que é isso? O Jeff... o senhor Morgan vai viajar?

– O senhor Morgan teve um princípio de infarto, eu preciso que você leve esta mala até o hospital.

– O quê? – Jared sentiu seu coração falhar. – Você está brincando, não está?

– E você acha que eu brincaria com uma coisa séria como essa? A senhorita Lauren ligou pedindo que alguém levasse algumas roupas, já que ele terá que ficar internado. Eu separei o que eu acho que ele pode precisar, se você não puder levar, irei eu mesma – Judith falava sem parar e Jared ainda não tinha conseguido sequer processar a primeira parte.

– O Jeffrey... teve... um infarto?

– É o que eu estava falando até agora, menino! Onde você está com a cabeça?

– Mas... não pode ser. Ele estava bem hoje de manhã. O que aconteceu? Como ele está? Ele...

– Ele está fora de perigo, só vai ter que fazer alguns exames e ficar em observação por um ou dois dias – Judith falava como se aquilo não fosse nada.

– Há que horas isso aconteceu?

– Hoje pela manhã, pelas dez horas. Ele estava na empresa.

– E por que não me chamaram?

– Porque nessas horas, uma ambulância é o mais apropriado, você não acha? – Judith parecia impaciente.

– Eu... – Jared percebeu que suas mãos tremiam, estava se segurando para controlar seu nervosismo. – Eu irei até o hospital.

– Não esqueça de entregar a mala.

– O quê? – Jared não conseguia se concentrar.

– A mala que eu acabei de colocar no carro – Judith bufou.

– Ah, ok – Jared entrou no carro e dirigiu o mais rápido que pode até o hospital. Precisava ver Jeffrey para ter certeza que ele estava bem.

Morgan estava bem quando o deixara na empresa pela manhã. Como aquilo tinha acontecido e por que ninguém tinha lhe avisado antes? Estava com raiva e com medo, mas não podia se esquecer que era apenas o motorista de Jeffrey. Por que alguém se preocuparia em lhe avisar?

Ao chegar ao hospital, tirou a mala do carro e pediu informações na recepção. A recepcionista ligou para o quarto, falou com alguém que Jared deduziu ser a Lauren e Jared foi autorizado a subir.

Ao sair do elevador e avistar a porta no fim do corredor, o moreno pensou que não conseguiria dar nem mais um passo. Parou por um momento e respirou fundo, tentando se recompor antes de entrar.

Jeffrey dormia, ou pelo menos mantinha os olhos fechados quando Jared entrou no quarto.

– Obrigada – Lauren pegou a mala e colocou os pertences de Jeffrey no armário.

– Como ele está? – Jared perguntou, tentando disfarçar a sua preocupação excessiva.

– Ele é forte como um touro. Parece que foi só um susto – Lauren olhou para Morgan com carinho. – Eu vou passar a noite aqui, amanhã ele terá que refazer alguns exames, e se tudo estiver bem ele terá alta.

– Se você quiser ir pra casa descansar um pouco, ou fazer qualquer coisa, eu posso ficar até você voltar – Jared se ofereceu, não só por querer ficar sozinho com Jeffrey, mas porque podia perceber o quanto Lauren parecia cansada, devia estar ali o dia inteiro.

– Tem certeza? – Ela pareceu ficar na dúvida.

– Eu não tenho nada melhor pra fazer – Jared deu de ombros. – Se ele precisar de alguma coisa, basta eu apertar a campainha, certo?

– É – Lauren ainda parecia indecisa. – Então eu vou pra casa pegar algumas coisas e voltarei em breve, ok?

Jared esperou que a mulher saísse e só então se aproximou da cama. Jeffrey tinha apenas um monitor cardíaco ligado a ele, mas ainda assim parecia tão frágil. Jared nunca pensou que sentiria tanto medo de perdê-lo.

– Hey – O homem mais velho acordou. – Espero que você não tenha jogado a Lauren pela janela, nós estamos no oitavo andar.

– Eu não fui tão criativo – Jared sorriu e passou os dedos pelos cabelos curtos de Jeffrey, num leve carinho. – Como está se sentindo?

– Pronto pra outra – Morgan brincou e segurou a mão se Jared, que estava sobre o seu peito.

– Desculpe por eu não ter vindo antes, acho que ninguém se lembrou de avisar o motorista – Jared sentiu seus olhos marejarem e pigarreou, tentando disfarçar.

– Eu estou bem, Jared. Foi só um susto – Jeffrey percebeu o quanto a mão do outro tremia.

– Não, você não está bem — Jared estava a ponto de surtar. — Você vive estressado e trabalha quase 24 horas por dia. Não tira férias, não descansa, não dorme direito e não cuida da própria saúde.

– Eu estive viajando por uma semana. Não é o suficiente? – Jeffrey tentou argumentar. Jared podia ser pior do que uma esposa, quando queria.

– Você foi pra Nova York à trabalho, Jeff. Você pode até conseguir enganar a Lauren, mas a mim não.

– Eu estou bem, Jared. Pare de se preocupar.

– Se estivesse bem, não estaria em um hospital – Jared estava realmente bravo. Tinha sido um dia difícil.

– Você está sendo dramático.

– Vá se foder, Jeffrey!

– Se você quiser trancar aquela porta e subir aqui, eu topo – Morgan brincou, mas ficou sério ao ver o olhar assassino de Jared.

– Eu vou embora – Jared caminhou até a porta, então voltou, puto. – Agora eu ainda tenho que esperar a Lauren! – Bufou.

Jeffrey riu. — Você não veio até aqui pra brigar comigo, veio?

– Não. Eu vim trazer a sua mala – Jared respondeu, emburrado.

– Está bem. Então pelo menos me dê um beijo. A noite será longa, eu quero ter com o que sonhar. Já que não posso ter outra coisa.

– A Lauren pode voltar a qualquer momento – Jared não queria dar o braço a torcer.

– E desde quando você se importa com isso? – Jeffrey sorriu. – Vem cá.

O moreno se aproximou e Jeffrey o abraçou apertado. O segurou por algum tempo, apenas sentindo a respiração do mais novo contra a curva do seu pescoço, para só então beijá-lo.

– Vá pra casa e tente dormir um pouco. Você está péssimo – Jeffrey falou quando se separaram.

– Você está pior – Jared riu.

– x -

Morgan teve alta no dia seguinte, realmente tinha sido somente um susto. Recebeu algumas recomendações médicas, como mais exercício físico e menos trabalho. Jared só esperava que o empresário realmente levasse aquilo a sério.

Pelo menos nos primeiros dias, ele não foi para a empresa e permaneceu em casa, descansando. A parte ruim era que Jared mal pôde se aproximar do seu patrão, já que Lauren passava praticamente o dia inteiro tomando conta dele e dormiu na casa nas três primeiras noites. Tudo bem, podia lidar com isso. Só não tinha certeza se poderia lidar com o moreno lindo que Jeffrey apresentara na manhã seguinte.

– Hey Jared, este é Tom Welling, meu personal trainer. Ele irá frequentar a casa três vezes por semana. Tom, este é o Jared, meu motorista particular.

– Muito prazer – Tom apertou a mão de Jared, que não gostou nada do que estava vendo. Ou melhor, gostou demais e por isso é que sentia-se incomodado.

Jeffrey levou Tom até a mini academia que tinha em sua casa e Jared os seguiu, observando de longe. O jeito que Welling olhava para Morgan e vice versa, não lhe agradava nem um pouco. Sem contar que o personal trainer tinha mãos demais pro gosto de Jared, pois tocava em Jeffrey o tempo todo enquanto o ajudava com os exercícios. Tinha mesmo necessidade daquilo? – Jared bufou e saiu dali, antes que fizesse alguma bobagem.

A semana se passou e Jeffrey voltou à sua antiga rotina. Como não tinha mais tempo livre para se exercitar durante o dia e não gostava de acordar muito cedo, Tom Welling vinha à noite. Jared não admitiria, mas sentia-se ameaçado pela presença dele. Ainda mais que, depois que Jeffrey voltara do hospital, não havia solicitado mais a sua presença no quarto dele, e isso o deixava ainda mais intrigado.

Na quarta-feira, depois de deixar Morgan em casa no final da tarde, Jared saiu para jogar sinuca com Chad e alguns amigos dele. Sabia que Jeffrey estaria se exercitando com Welling e por isso só voltou para a mansão um pouco mais tarde.

Seu patrão, infelizmente, não parecia ter ficado feliz com aquilo.

– Onde você esteve? Não me lembro de ter te dado a noite de folga – Jeffrey parecia mal humorado.

– Pensei que você não fosse precisar de mim, já que estaria ocupado com o seu personal trainer – Jared ironizou.

– Você não é pago para pensar e sim para estar por perto quando eu precisar – Seu tom de voz era seco.

– E o senhor precisava de mim para quê, senhor Morgan? – Jared detestava quando Jeffrey usava aquele tom.

– Precisava que levasse o senhor Welling para casa, já que ele teve que vir de táxi. Mas pra que serve um motorista se ele não está por perto quando se precisa?

– E ele não podia voltar pra casa do mesmo jeito que veio? De táxi? Ou você está tão preocupado assim em impressioná-lo? – Jared estava puto e enciumado, e quando ficava assim, não media suas palavras.

– Impressioná-lo? – Jeffrey riu. – E você acha que eu preciso mesmo de um motorista para impressioná-lo? Eu só espero que você não se esqueça que eu estou pagando um bom dinheiro pra você me servir e não pra cuidar da minha vida – Jeffrey se aproximou e falou a última frase baixinho, bem próximo ao ouvido de Jared.

– E como eu esqueceria? – Jared virou o rosto para poder olhar em seus olhos, mas não diminuiu a distância. – Afinal, é só pelo seu dinheiro que eu estou aqui. E como você está pagando, pode ter o que quiser, a hora que quiser – Jared tinha um sorriso cínico no rosto.

– É, você tem razão – Jeffrey se afastou um pouco. – Mas pensando bem, pagar pra ter sempre a mesma coisa, às vezes pode perder a graça. É sempre bom conquistar algo novo, de vez em quando. Faz eu me lembrar que nem sempre eu preciso pagar pra ter o que eu quero. Obrigado por me lembrar disso – Jeffrey retribuiu o sorriso cínico e deu um beijo breve nos lábios de Jared, antes de sair. – Ah, você pode pegar o resto da noite de folga, se quiser. Não irei precisar dos seus serviços.

Continua...

Notas finais
N/A: Meu agradecimento especial à minha beta linda, TaXXTi, que escreveu o lemon detalhado do capítulo. Ela é fera, né gente! Sou muito fã! *aperta* Eu sei que tem bastante gente lendo a fanfic, apesar do ship não agradar a muitos. Só não se esqueçam que os reviews ajudam muito na inspiração. Será que só eu me divirto com esse Jeffrey FDP? Hahaha. O próximo capítulo promete...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.