Lifetime

15 Capítulo Quinze


Cinco dias antes...

Quando Sherlock ouviu a comissária anunciar que eles pousariam em alguns minutos, isso o fez fechar seu livro sobre bactérias.

Ao chegar no saguão de saída do aeroporto, avistou Adam esperando-o enquanto falava no celular. Assim que este o viu, desligou rapidamente e veio em sua direção de maneira animada.

– Sherlock...como foi de viagem?

– Poderia ter sido pior. Poderia ter sido melhor. Alguma novidade sobre o acusado de roubo? – respondeu enquanto caminhavam agora em direção do estacionamento.

– Acusado? Oh, claro...ele ainda está preso. Conseguimos mantê-lo por mais um dia...

– Isso é excelente.

– Sim, mas precisaremos visita-lo o quanto antes. Ainda hoje. Consegui uma visita agora à tarde.

– O quanto antes, melhor. Mas antes, a bateria do meu celular acabou. Preciso carregá-lo com urgência. Preciso ir até o hotel agora mesmo, preciso ligar para o John.

– Vamos primeiro comer algo? O Hotel que conseguimos fica só uns 30 minutos e eu conheço um restaurante de comido típica ótimo bem aqui perto. Assim eu já consigo te passar tudo que tenho do suspeito e sobre o Devil’s Hand.

– Não vejo problema. Você alugou um carro? Estamos indo em direção oposta da avenida principal. – o moreno observou.

– Oh. Sim. Eu achei mais viável alugar, sabe...mais barato. Por aqui, por favor.

Assim que chegaram ao lado de fora, Holmes percebeu que havia algo de muito errado.

O local estava estranhamente vazio, com apenas três homens que aparentemente eram seguranças particulares.

Ao se aproximaram de um veículo cor prata, Adam segurou o seu braço e disse:

– Sinto muito por isso. Mas acho que no final das contas eu e você finalmente conseguiremos nos divertir um pouco.

Neste instante Sherlock viu os três se aproximarem. Antes que pudesse agir um deles o acertou violentamente no estômago, enquanto outro segurou seus braços e o terceiro cobriu seu rosto com um pano molhado com Clorofórmio, que logo o fez perder completamente seus sentidos.

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Assim que despertou, se viu no chão de uma sala escura. Não havia iluminação no local, mas devido à luz que entrava pela fresta da porta localizada na sua frente ele pode perceber que tal cômodo era de uma residência e que provavelmente era utilizado antes como quarto.

Sem pintura ou qualquer outro detalhe que pudesse dar pistas, este cômodo não possuía janelas e a porta em questão, cuja madeira e acabamento eram do século XVIII, estava trancada.

Sherlock sentia seu abdômen doer e sua visão ainda estava embaçada. Ao tentar se levantar, se apoiou na parede e pode perceber que esta tinha proteção acústica.

Olhou para os lados. Só havia ele. Nada mais. Nenhum detalhe ou objeto. Suas malas e seu celular haviam sumido e ele não conseguia ouvir nada do lado de fora.

Não tentaria bater na porta ou gritar. Tal comportamento só pioraria as coisas. Era muito evidente que havia caído numa cilada e que Adam trabalhava para algum de seus inúmeros inimigos conquistados no longo dos meses que trabalhou como investigador solucionando crimes que aparentemente não possuíam solução.

Tal pessoa falaria com ele, mas a dúvida agora era quando? Isso poderia levar horas, dias...semanas talvez. Mas ele não precisou esperar muito mais para que alguém se manifestasse.

Após quase quarenta minutos depois em pleno vazio e silêncio a porta se abriu abruptamente e uma luz muito amarela invadiu o ambiente quase cegando-o.

– Por aqui, Sherlock. – ele ouviu a voz de Adam e isso o fez se levantar rapidamente, deixando-o tonto.

Sentiu uma mão segurar com força seu pulso. Era um homem que acompanhava Adam, um dos seguranças disfarçados. Os três seguiram por um corredor largo, estampado com um papel de parede de cor creme.

Quando sua visão se estabeleceu ele avistou uma porta de madeira enorme à sua frente. Definitivamente era uma residência de luxo, do centro de Amsterdã, devido sua arquitetura.

Tentou se recordar de alguém que pudesse estar relacionado àquelas informações, mas não conseguiu e ao entrarem, foi empurrado com força pelo homem que fechou a porta atrás dele e de Adam.

Holmes viu então à sua frente um escritório de tamanho mediano. Com prateleiras de livros em suas duas paredes laterais e uma enorme lareira na parede de frente da porta, havia no meio uma mesa com diversos tipos de garrafas ao lado e uma grande poltrona virada de costas para ele.

– Está aqui. Como queria. – Adam disse empurrando-o ainda mais.

– Certo. Saia agora e só volte quando eu te chamar. Obrigado, Adam. – a voz atrás da poltrona disse e isso fez logo o loiro sair da sala, trancando-a por fora.

Aquela voz. Era conhecida, mas não poderia ser, poderia? O moreno se espantou ao ver a poltrona se virar em sua direção e um homem com sua idade e estatura encará-lo com um sorriso.

– Bem, bem...e não é que é ele mesmo? Sherlock Holmes...o esquisitão. – esse disse, fazendo Holmes lembra-lo imediatamente.

James Moriarty. Jim, filho do dono da faculdade. Anos antes ele e John havia entregado-o após o mesmo ter envenenado o briguento Teddy e Mycroft Holmes, além de estar envolvido com o comércio ilegal de drogas dentro do Campus.

Após a expulsão, Jim havia sido mandado para um colégio interno na Holanda e nunca ninguém mais havia falado sobre ele. Agora mais velho e mais bem vestido, este o encarava de cima abaixo.

– Jim Moriarty. Tudo isso...para isso? O que devo o desprazer? – Holmes deu um meio sorriso de desprezo.

– Oh. Você sabe...faço o tipo saudosista. E após um tempo de formado eu pensei...tantas emoções fortes eu vivi naquela velha Londres. E eu me lembrei você e do seu cachorro em forma de namorado. Resolvi procura-los! E você não sabe o quanto eu achei divertido descobrir que você e o Watson estavam juntos...o casal bizarro realmente se ama.

– Me poupe da parte em que o vilão de quadrinhos revela seu plano diabólico e me diga de uma vez o que você quer comigo!

– Tsc, tsc...oh, Holmes. Não. Não é assim. Você não pode imaginar o trabalho que me deu tudo isso. Você acha que é assim? Que eu vou te revelar tudo? Não, o que eu posso te adiantar é que no final das contas você perderá. – Moriarty sorriu enquanto se levantava, tomando um gole de seu whisky, ajeitando seu caro paletó.

– Hm. Deixe-me pensar. Você vai me matar. Pulemos logo para essa parte então, você não é bom com monólogos. Não consegue prender a plateia, sabe.

Jim então sorriu ainda mais, encarando Sherlock de perto. Após alguns instantes disse:

– Você continua o mesmo. Arrogante. Presunçoso. Dono da verdade. Pedante. Oh, como eu senti sua falta. Só você me entende...pois bem: já que pediu eu te contarei, mas sem maiores spoilers, ok? Se não perde a graça!

– Eu não vejo a hora. – o detetive respondeu ironicamente.

– Pois bem. Sherlock Holmes...você fará exatamente o que eu quero. Você trabalhará para mim. O que acha?! – este respondeu fingindo uma animação de uma típica garotinha.

– Como? Os métodos são importantes.

– Bem, digamos que eu sei bem fica seu calcanhar de Aquiles, sabe. E confesso que fiquei até decepcionado, mas enfim...

Holmes então deu mais um sorriso de lado e respondeu:

– Mesmo depois destes anos você continua um garoto mimado, não Jim? Ainda não superou o fato de ter sido desmascarado na frente de toda a sua família, de todos os alunos da renomada faculdade que era herdeiro e por que não de todo o país?

– Oh, não não não! Pelo contrário! Confesso que aí foram uns bons anos de terapia, mas agora eu estou brilhando, Sherlock. E eu tinha direito de ter a minha réplica! Sabe, eu concordo com você quando diz que os métodos importam. Porque no final deste nosso jogo você perderá muito menos, que é a sua vida banal e eu não precisarei apelar para gravadores escondidos no meu bolso!

– Oh, o detalhe do gravador. Foi excelente mesmo...já havia até me esquecido. – Sherlock riu apenas para provocar e isso fez Jim se aproximar de maneira ameaçadora.

– Isso. Sorria agora. Porque eu farei você sofrer a partir do momento que começarmos. Não haverá voltas, ou redenção. Apenas sua queda definitiva. Eu vou destruir você e tudo o que você construiu.

– É claro que vai. O que vai fazer comigo? Me trancar em um colégio cheio de garotinhos mimados como você? Eu até posso enlouquecer, mas isso não me destruirá, Jim. – Sherlock respondeu com pouco caso.

– Sabe, eu achei interessante quando o John perdeu a memória! – este declarou fazendo o detetive se calar e seu sorriso sumir – O plano inicial era atropelar você...mas daí o John apareceu do nada e sozinho...e eu pensei, por que não? Tá, ele não morreu, o fato dele ter perdido a memória foi um acidente genial no final das contas. Mas o Adam bem que poderia ter acelerado o carro! Você conhece aquele ditado “se quer que algo saia bem feito, faça você mesmo?”. Bem, eu tinha perdido a oportunidade de atropelar seu marido idiota, mas pensei: “Isso, Jim. É isso. Você não precisa matar! É só separar os dois!” E vocês me ajudaram tanto...porque depois veio a órfã e eu não poderia achar mais adequado. Logo logo teremos menos uma família bizarra no mundo! – James vibrou.

– O-o que tem a Amy? – Sherlock por fim perguntou enquanto o outro o rodeava com um sorriso.

– Spoilers Sherlock. Mas quer saber, vou te contar! Não vou me aguentar de ansiedade mesmo! Eu adorei o muquifo onde vocês moram! Só acho que aquele papel de parede da sala da Sra. Hudson está muito ultrapassado...- este confessou.

– Os homens que estavam arrumando o apartamento dela no último final de semana...trabalhavam para você.

– Sim, isso mesmo! Ah, como você é rápido! Tinha me esquecido disso! Sim, isso mesmo...a sra. Cassandra, ou seja eu, ia alugar o único apartamento disponível que a Sra. Hudson tinha e daí ela logo os contratou os homens que a Sra. Cassandra indicou para dar uma reforma. Genial, não é? No final das contas a Sra. Cassandra desistiu, mas eu finalmente consegui o que queria.

– O que eles foram fazer lá?! Diga-me! – o moreno questionou.

– Instalar bombas por todo o prédio, o que mais você acha?! Foi um tanto trabalhoso, mas vai funcionar se você não fizer exatamente o que eu mandar você fazer.

Sherlock então sorriu com desprezo. Aquilo era impossível de ser verdade e ele teria percebido, além do que era tal serviço jamais poderia ser realizado em uma simples manhã de domingo.

– E você acha que eu vou acreditar e aceitar suas ameaças assim? Você está mentindo e eu não farei absolutamente nada do que você disser, seu psicopata.

Tal declaração fez Moriarty se surpreender e gargalhar alto:

– Oh, Sherlock. Esta vendo? É disso que eu estou falando! É claro que eu estou mentindo...eu adoro jogar com você! Pois bem, não há bombas, isso seria muito apelativo e um tanto quanto clichê. Oh. Não. Bom, permita-me mostrar algo melhor que isso. Venha, Sherlock...não tenha medo, pelos velhos tempos. Venha ver!

Holmes se aproximou da mesa onde Jim estava sentando em frente ao seu laptop. Seu coração disparou ao ver que na tela havia a imagem de quatro câmeras: quarto da Amy, Sala, Cozinha e Corredor da casa onde vivia.

– Genial, não é? Sua casa! Ou pelo menos o lugar onde você insiste chamar de lar...oh, veja...o John com a órfã na sala! Parecem se divertir! Oh, isso vai ser tão legal...Sherlock! Tão legal! Eu fiz eles tirarem uma cópia da chave das portas do apartamento na Rua Baker e eles instalaram essas mini câmeras, quase imperceptíveis enquanto todos trabalhavam. Acalme-se, não tem no seu quarto...e ah, eu fiz questão de instalar essas câmeras nas casas do Lestrade e da Sra. Hudson também!

Sherlock viu a cena de John ninando a pequena na poltrona. A imagem era ruim, mas era possível ver que já era de noite em Londres. Perdendo o controle ele puxou Jim pelo colarinho e disse:

– Por que?! Por que isto? Por que nós?! Você é doente!

– Finalmente perguntas inteligentes! – Moriarty comemorou – Por que vocês me destruíram uma vez, mas não sabem o que causaram com isso. Este é o meu troco, Sherlock. E você vai fazer exatamente o que eu mandar ou os quatro grandalhões que a Sra. Cassandra indicou terão que voltar a serem o que eram: assassinos. Se você não fizer exatamente o que eu disser ou quiser bancar o espertinho comigo, eles exterminarão com todos aqueles que você ama e eu farei questão que você assista a tudo. Agora, vamos, Sherlock...você tem que confessar que é genial, não é? Isso será épico de uma maneira ou de outra! E eu ainda nem comecei...

Holmes então o empurrou com tudo e se aproximou do monitor. John ainda ninava a ruivinha de maneira paciente e ele sentiu pela primeira vez na vida o desespero tomá-lo por inteiro.

Notas finais
Volto muito em breve com novidades! Espero que tenham curtido *_* Um beijo e até o próximo!:)