Lifetime
21 Capítulo Final
Notas iniciais
Alguns anos mais tarde...
Em frente à sua penteadeira, Amélie ajeitou cuidadosamente o laço verde em sua cabeça e avistou o violino perto de sua cama. Não poderia tocar ainda, afinal eram 06hs da manhã de domingo.
Saindo de seu quarto, seguiu pelo corredor onde encontrou Gladstone, seu bulldog inglês de corpo roliço e Vicky, sua bulldog francesa e segundo ela própria, esposa de Gladstone.
Os dois comemoraram a chegada da ruivinha que os abraçou, beijando-os com carinho.
Eles haviam sido adotados anos antes de um abrigo de animais que haviam perdido seus donos em um desastre natural, e eram considerados velhinhos demais para terem sorte de encontrar um novo lar. Por conta disso, seus pais haviam escolhido os dois para serem presentes no seu aniversário de cinco anos, o que não poderia ter sido mais perfeito.
Isso havia sido antes da chegada de seu irmãozinho, Hamish, que agora tinha quase dois anos.
– Hoje é dia de festa Sr. e Sra. Gladstone. Preciso que estejam impecáveis nesta data, meus amados amigos. Preciso que sejam maravilhosos como sei que são com todos os convidados.
Os dois cãezinhos então comemoraram ainda mais, fazendo a menina sorrir.
Indo até a cozinha sendo acompanhada pelos dois, subiu na bancada e já ia pegando o pote de cookies quando ouviu um barulho vindo do corredor.
Descendo cuidadosamente, ajeitou seu pijama e aguardou ao lado de Vicky e Gladstone até que seu pai Sherlock aparecesse com Hamm em seus braços.
– Amélie...por que tão cedo?
– Papai! Não consegui mais dormir e tive que levantar...estou ansiosa!
– Também estou. Pelo jeito todos estamos, só John ainda está dormindo como uma pedra.
– Devíamos acordá-lo com uma música!
– Não, Amy. Eu já tentei fazer isso e o resultado final não é agradável.
– O Hamish vai dormir de novo?
– Não. Ele já queria a mamadeira matinal de leite. Mas e a senhorita? Deseja algo? Chá? Talvez...cookies proibidos do armário?
– Oh, papai....não brigue comigo...eu ia pegar só um! Eu sei que o papai John não gosta que eu coma doce de manhã, mas é que...
– Só um não lhe fará mal. Eu deixo só um, ok? E depois doces só na festa, estamos combinados? Mas nada de pegar doces escondidos, você podia cair da bancada e se machucar. Depois vá escovar seus dentes e levar seu rosto. Você me ajudará no café da manhã.
– Eba! – Am comemorou abraçando a cintura do seu pai com força.
Sherlock então ajeitou o loirinho sonolento em seus braços e abriu o armário pegando o pote de cookies, lhe entregando um com confetes coloridos, de longe o favorito da garota.
– Muito obrigada. – a menina segurou o doce fazendo uma reverência que fez Sherlock sorrir.
– Quer saber? Acho que podemos ir acordar seu pai sim. Será divertido, e ele ao contrário e mim, adora esse tipo de bagunça. Não é todo domingo de manhã que temos a Srta. Amélie e o Sr. Hamish despertos e animados...e ainda temos a adorável companhia do Sr. e Sra. Gladstone.
– Vamos, vamos sim! E depois disso podíamos preparar uma bandeja de pedido de desculpas por termos acordado ele tão cedo! – a menina vibrou fazendo Hamish soltar um gritinho de alegria.
– Perfeito. Vamos sem fazer barulho. Glad...Vicky...vamos. – Holmes disse.
Os cinco seguiram silenciosamente pelo corredor, e assim que chegaram, olharam entre si, antes de Holmes sorrir e abrir a porta, fazendo Amélie dar um grito pulando com tudo na cama em cima de John.
Vicky e Gladstone precisaram do auxílio de Sherlock para subir na cama e logo foram seguidos por Hamish, que engatinhando subiu em cima do médico também.
– Oh meu Deus. Um ataque...salvem a Inglaterra! – este sorriu cobrindo seu rosto com um travesseiro enquanto Am pulava na cama.
– Bom dia... – Sherlock disse rindo, sentando-se ao lado, enquanto os quatro atacavam Watson.
– Bom dia! – este se sentou, abraçando Hamish e segurando a mão de Amélie.
– Dormiu bem? – o moreno perguntou.
– Melhor impossível, meu amor. – John sorriu enquanto os dois trocavam um olhar significativo.
– Papai...papai..papai...vocês vão amar a música que preparei!!
– Ah é mesmo? Não podemos nem saber qual música que é? – o loiro perguntou, enquanto Hamish se ajeitava em seu colo.
– Não, porque essa será a melhor parte! – Amélie disse pulando no pescoço de Sherlock, abraçando-o.
– Bom, então...vamos ao café? Estou faminto! A Vicky e o Gladstone estão convidadíssimos. – John disse enquanto se despreguiçava.
– Sim, vamos. O dia será cheio! – Sherlock concordou levantando-se e pegando Hamish de novo.
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Algumas horas mais tarde...
Apesar do vento gelado, fazia uma bela tarde.
Todos os convidados haviam chegado e agora Amélie sentia-se um pouco nervosa. Era a primeira vez que tocaria em um público tão grande, de aproximadamente trinta pessoas!
Olhando entre as mesas de tom branco, ela podia ver a bela Igrejinha logo à frente.
Viu a sra. Hudson conversando com seus avós maternos e paternos de maneira animada.
Avistou mais a frente viu sua tia Harriet e sua namorada com Hamish no colo. Viu também Anderson e Sally, colegas de trabalho de seus pais, rindo com o tio Mycroft perto da mesa de petiscos.
Seus pais passaram neste exato momento por ela cochichando e rindo de mãos dadas e isso a deixou inexplicavelmente feliz.
Não sabia dizer se era aquele lugar que parecia mágico, mas tudo parecia tão lindo. Parecia que iria durar para sempre. Exatamente como naquela história que o papai John havia contado para ela e Vicky semanas antes.
Talvez fosse por causa da luz do sol que refletia, deixando tudo tão bonito e vivo.
Sabia que era porque o Sr. e a Sra. Gladstone estavam felizes, andando pela grama e recebendo os convidados de maneira perfeita.
Sabia que era por causa do aniversário de casamento de dez anos de seus pais.
– Am! – ela ouviu uma voz chama-la e isso a despertou. Era Louis, acompanhados pelo tio Greg e tia Molly.
– Ei! – ela sorriu correndo na direção deles.
– Você está linda, Amélie! Fiquei sabendo que se apresentará hoje. – Greg disse.
– Obrigada, tio Greg. Sim, me apresentarei logo mais. – ela fez uma reverência e isso fez Molly sorrir e comentar:
– É a versão do Sherlock feminina mesmo! Eu amei o seu vestido e o seu laço verde. Onde está seu irmãozinho?
– Com minha tia Harriet. Lá...viu? Conversando com o meu pai John?
– Oh, vi sim! Vamos até elas, amor? – Hooper pediu.
– Sim...até mais então, Am. E boa apresentação! – o casal desejou enquanto se afastava.
– Louis, que bom que chegou! Depois de minha apresentação, podemos ir desvendar alguns crimes...o que acha? – a menina propôs animada.
– Sim! Eu topo! Igual seus pais...eu quero ser policial quando crescer, igual meu pai.
– Sim, seremos igual a meus pais. A diferença é que eles são casados e nós não poderemos, pois eu só me casarei depois dos quarenta anos. – ela respondeu convicta.
– Ah, tudo bem então...- Louis disse ajeitando seus óculos enquanto sua face ficava corada.
Sherlock se aproximou dos dois e se ajoelhando então disse:
– Amy...está na hora. Você está pronta?
– Sim, papai. Ainda que nervosa, sinto que será espetacular.
– E será. Você é maravilhosa. Vamos? Louis, nos acompanhe também...
Os três então seguiram pelo corredor entre as mesas, indo até um pequeno altar improvisado no lado de fora da Igreja, enquanto os convidados se ajeitavam em suas cadeiras.
John, que já estava lá com Hamish no colo sorriu ao ver a ruivinha subir com o violino, Louis se juntando com Molly e Greg agora.
– Está pronta, minha princesa? – o loiro perguntou.
– Sim, papai. Mas não é para chorar, tudo bem?
– Ok. Darei o meu melhor. – Watson riu.
Amélie então se ajeitou na frente ao ver que todos agora observavam atentamente. Olhando para seus pais antes, ela respirou fundo antes de dizer:
– Boa tarde. Estou aqui para tocar a música dos meus pais, por que eu sei que ela é importante para eles. Neste dia tão lindo, só deveria tocar músicas como esta em todo o mundo. Pois bem...esta música é sobre eles e o que eles viveram para chegar até aqui...mas sobre mim também e sobre o Hamish. E sobre o Sr. e a Sra. Gladstone, naturalmente. Nós amamos vocês. – ela disse olhando para Sherlock e John e fazendo todos sorrirem.
Ajeitando o violino cuidadosamente então ela começou a tocar e logo todos ficaram maravilhados.
Sherlock sorriu segurando forte a mão de John que tentava segurar as lágrimas em seus olhos. Hamish observava silenciosamente a irmã arriscando os primeiros acordes, quando John começou a cantar baixinho:
“For all those times you stood by me
For all the truth that you made me see
For all the joy you brought to my life
For all the wrong that you made right
For every dream you made come true
For all the love I found in you, I'll be forever thankful, baby
You're the one who held me up
Never let me fall
You're the one who saw me through, through it all
You were my strength when I was weak
You were my voice when I couldn't speak
You were my eyes when I couldn't see
You saw the best there was in me
Lifted me up when I couldn't reach
You gave me faith, 'coz you believed
I'm everything I'm, because you loved me
You gave me wings and made me fly
You touched my hand I could touch the sky
I lost my faith, you gave it back to me
You said no star was out of reach
You stood by me and I stood tall
I had your love I had it all
I'm grateful for each day you gave me
Maybe I don't know that much, but I know this much is true
I was blessed, because I was loved by you
You were my strength when I was weak
You were my voice when I couldn't speak
You were my eyes when I couldn't see
You saw the best there was in me
Lifted me up when I couldn´t reach
You gave me faith, 'coz you believed
I'm everything I am, because you loved me
You were always there for me
The tender wind that carried me
A light in the dark shining your love into my life
You've been my inspiration
Through the lies, you were the truth
My world is a better place because of you
I'm everything I am, because you loved me
I'm everything I am, because you loved me”
Todos se levantaram em aplausos o que deixou Amélie muito sorridente, cumprimentando a todos com uma reverência teatral.
Sherlock e John trocaram um sorriso e o médico não resistiu e se inclinou, beijando seus lábios de maneira delicada.
– Gostaram? “Because you loved me” da Celine Dion, a senhora Hudson que me ajudou a escolher... – a ruivinha se aproximou abraçando os dois pela cintura.
– Ficou perfeito, minha amada criaturazinha. – Holmes respondeu de maneira emocionada enquanto se ajoelhava, abraçando a muito forte.
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O sol começava a se pôr e os convidados iam embora.
Após a renovação de votos do casamento, houve os comes e bebes e um pouco de dança, do qual Sherlock e John conseguiram aproveitar e muito na pista.
Agora, ambos estavam sentados em uma mesa afastada, com Hamish adormecido no colo do médico.
Louise e Amélie corriam de um lado para outro e os amigos mais próximos conversavam entre si em outra mesa.
– Dez anos já, uh? – Watson comentou com um sorriso – E desta vez, a ideia da renovação dos votos nem foi minha...
– Você sabe, eu sei ser clichê também. Já que você gosta tanto dessas coisas, não vi nenhum mal nisso. – Sherlock sorriu.
– Você sabe que a nossa festa mesmo ainda nem começou, não sabe? – o loiro comentou de repente.
– É por ela que eu tenho aguardado o dia todo. – este sorriu, olhando ao seu redor e certificando-se que ninguém os olhava, antes de beijá-lo demoradamente.
– Dez anos e você ainda me deixa louco, Holmes. Mesmo com esses primeiros fios brancos aparecendo...
– Fios brancos? Eu não tenho fios brancos.
– Tem sim. E eu acho bem sexy, se quer saber. — John sorriu ao ver o moreno agora estava sério. – Eu te amo demais, Sherlock.
Sherlock então o encarou por alguns instantes e após dar um meio sorriso, respondeu:
– Tudo isso é muito óbvio, John.
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