Life's too hard when you're alone
3 Antes parte 2
Notas iniciais
Assim que tocou para a entrada fui buscar os meus livros de Espanhol ao cacifo e dirigi-me à sala. Nesta aula a minha companheira de mesa chamava-se Lisa, ela é uma rapariga muito meiga e inteligente, gosto bastante dela até.
A aula até não foi muito aborrecida, o que não é normal nas aulas do professor Smith. Mas ainda bem que foi suportável, o tempo até passou mais depressa. Depois de Espanhol tenho Geometria. Isso já é um problema, eu não sou a pessoa mais apaixonada por Geometria, mas também não me posso queixar muito, eu até tenho boa nota nesta disciplina.
Logo que o professor disse a anedota do dia começou a escrever a matéria no quadro. Todos estavam em silêncio, esta era a única aula que eu tinha que toda a gente ficava calada, não sei bem porquê mas ficavam. Devia de ser porque o professor McAdams era simpático e estava sempre bem disposto, tinha sempre uma anedota diária no inicio da aula e explicava sempre a matéria muito bem mesmo que tivesse de me explicar, pelo menos, umas duas vezes de novo os exercícios mas sempre muito pacientemente. Aquele homem deve de ser o deus da paciência (tenho de perguntar ao pai se existe um deus para isso).
Quando saí de Espanhol a Lisa acompanhou-me até ao meu cacifo e foi ter com o seu irmão ao fundo do corredor- o Carl. Eles são gémeos falsos, eles são muito parecidos mas ao mesmo tempo não. Será que faz sentido? Eu acho que não. Mas continuando, ambos têm olhos castanhos escuros quase pretos e cabelos loiros, sardas debaixo dos olhos e são ambos muito simpáticos e atléticos. O Carl é jogador de basket e a Lisa está na equipa de atletismo como a Isabella.
Por falar em Isabella, onde será que ela anda? Enquanto andava nos meus devaneios sobre os gémeos ela apareceu assim do nada ao lado do meu cacifo e eu saltei de susto.
– Devia de ter tossido ou assim?- perguntou ela a tentar esconder uma gargalhada.
– Devias! Não me faças isso novamente Isabella Maria Clarkson!- exclamei eu zangada.
– Hey! Não há razão de anunciar ao mundo o meu segundo nome okay? Pára.
– Da próxima já sabes.
– É pois, sim claro. Sinais de fumo e tudo Alma, não te preocupes.- disse ela a rir e colocou a sua mão na minha cintura enquanto caminhávamos.
Andámos até ao pátio da escola. Era um sítio relaxante e belo. Relva verde, vários canteiros das mais diversas e coloridas flores, bancos azuis espalhados pelo pátio, no centro tinha um pinheiro gigante que oferecia uma boa sombra para aqueles que se sentavam à sua volta na relva. Eu gostava desse ambiente de harmonia, fazia-me abstrair do meu verdadeiro mundo.
Uma vez vi uma empousa a caminhar entre os alunos da escola, provavelmente estava à procura da sua próxima refeição. No fim das aulas eu segui-a e quando ela passou por um beco eu empurrei-a para lá. Não foi uma luta bonita de se ver, saí de lá com vários cortes nos braços, pernas e cara mas ao menos consegui matá-la antes que ela conseguisse levar-me desta para melhor primeiro.
Quando cheguei a casa a minha mãe estava na varanda a ler, ao ver o meu mau estado ela quase que teve de me carregar até à cozinha, eu estava quase a desmaiar quando ela deu-me um bocado de ambrósia. Lá consegui me recompor e contar-lhe o sucedido.
Voltando ao pátio da escola, eu estava com a Isabella e reparei que ela estava a falar sobre qualquer coisa e eu não tinha ouvido nadinha.
– Han?- perguntei.
– Tchim. -respondeu ela.
– Santinha!- gozou o James que tinha acabado de chegar.
– Já que eu tenho estado a falar com uma parede este tempo todo vou recapitular. Hoje consegui alcançar um novo recorde! Cem metros em 4.03 segundos, eu sei, eu sei, eu sou um máximo e isso tudo mas mesmo assim não é o melhor recorde. Eu tenho de fazer pelo menos 3.56 para ultrapassar a Melinda.
Pequena explicação: a Melinda é a inimiga de atletismo da Isabella. Desde de sempre que aquelas duas andam a competir a ver quem é a mais rápida, chega a ser doentio às vezes.
– Vais te sair melhor da próxima vez Isabella. Tu és a rapariga mais rápida que eu conheço.- disse o James.
– Pois isso é porque não és como os outros rapazes que só se babam a olhar para ela.
– Só tenho olhos para ti minha querida. -respondeu o James lançando um beijo no ar.
– Ew. Isso foi deveras a pior saída que já tiveste James. E olha que tu és bastante péssimo a engatar raparigas.- trocei eu.
– Hey! Olha que isso ofende! Mas na realidade, admite lá que não és loucamente apaixonada por mim.
– Okay, eu não sou loucamente apaixonada por ti.- e com isto eu e a Isabella desatámos a rir.
Depois de o James refilar lá se riu connosco. O toque soou e eu e o James fomos para História. Uma aula que o James odeia profundamente, esta e Geografia.
Acabando o período da manhã cada um seguiu para a sua casa. Desta vez foi o meu pai a vir me buscar, o que eu gostei até. Nada contra a mãe, ela é a minha melhor confidente e eu amo-a muito com o pai é tudo muito mais silencioso.
– Oi pai.
– Então, a mesma seca de sempre ou nem por isso?
– Por onde queres que eu comece?
Ele riu. Adoro ver o meu pai a rir, os olhos dele brilham e ele tem covinhas de riso, o que é muito fofo, sem falar na sua cicatriz no lábio. Poderia ser considerada uma imperfeição ou até uma deformação no rosto de qualquer outra pessoa, mas no meu pai era como se estivesse a completar a sua perfeição. No caminho para casa perguntei-lhe sobre a existencia de um deus da paciência e ele disse que era pouco provável que exista, também lhe perguntei se ele sabia o qure era o almoço e ele respondeu que nem desconfiava.
Com os cozinhados da mãe nunca se sabe o que está por vir.
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