Notas iniciais
Oizinho Sim, eu disse que só teria cap novo amanhã, mas eu resolvi postar hoje mesmo pq sou dessas uahsuashuash Um agradecimento especial a: sazevedoeaton, AustenGirl, Katerina e Rangel pelos comentários divos, foi por causa deles que atualizei antes do tempo *---* Nesse cap vamos conhecer o pai da Natalie (é ele no banner) Espero que se apaixonem por ele tanto quanto eu já sou apaixonada. Pq ele é muitooo amorzinho. Espero que gostem. Boa leitura.


• NATALIE COOPER •

Que coisa velha! Foi meu primeiro pensamento, assim que vi Merle Dixon entrar na caminhonete azul-desbotado.

Notei a ferrugem em alguns pontos pelo lado de fora e os pneus carecas. Nunca tinha andado em um veículo tão velho em toda minha vida. Acabei sorrindo com a ideia, adorava coisas que eu nunca tinha feito antes. Tentei abrir a porta, mas Merle teve que fazê-lo por dentro.

— A Darlyna está precisando arrumar essa lata velha. — Ouvi o homem resmungar.

Não pensei duas vezes para aceitar a carona do estranho que disse conhecer seu pai. Isso porque eu não era alguém muito ajuizada, tampouco precavida. Já tinha me dado mal por isso, mas não era como se realmente me importasse com o perigo. Eu era uma adolescente um tanto inconsequente e nunca neguei isso.

Me acomodei no banco, notando o estofado com marcas de cigarro em vários pontos, o cheiro de tabaco se misturando ao da gasolina. Merle deu a partida e o ronco do motor me pegou de surpresa.

— Nunca ouviu um carro que faz barulho, Bonequinha? — Ele quase teve que gritar pra ser ouvido.

Não respondi, apenas lancei um sorrisinho falso e sem humor. Assim que a caminhonete pegou velocidade o ronco diminuiu consideravelmente, ou talvez eu estivesse me acostumando ao barulho.

— Como conhece o Peter? — Perguntei, abrindo os vidros imundos de barro.

— Éramos parceiros nos negócios. — Respondeu o homem, em um tom que denunciava algo mais.

— Que tipo de negócios?

— O tipo de negócios que o papai não gostaria que a garotinha dele soubesse. — Retrucou, enigmático.

Revirei os olhos e voltei minha atenção para as ruas, aos poucos as casas iam ficando mais espaçadas. Reparei que as moradias não seguiam padrão algum, eram todas simples, mas cada uma de um modo. Aquilo em nada tinha a ver com meu bairro. Por lá, sempre que acordava, eu me sentia em algum tipo de cidade cenográfica. Tudo era entediantemente parecido.

— Então, Bonequinha, que ventos te trouxeram pra ver o papai aqui em "tão tão distante"? — Merle perguntou, alternando o olhar entre mim e a estrada.

— Não é uma visita. — Declarei somente.

— Uh, olha só! Filhota rebelde foge da Mamacita. O sangue Cooper não segue mesmo as regras. Mas já pensou que o Papito pode não querer companhia?

Eu não sabia bem se queria rir do jeito debochado, ou se queria socar a fuça dele. Provavelmente os dois. Mas as palavras trouxeram uma dúvida real à tona. Sim, eu tinha pensado naquilo, tinha pensado durante toda a viagem...

Estralei os dedos. Era uma das coisas que fazia quando ficava nervosa ou ansiosa. Depois apenas respirei fundo e segurei uma mecha do meu cabelo, enrolando-a no indicador.

— Parece nervosa. — Merle constatou, tirando algo do bolso da camisa. — Essa é da boa, pra acalmar.

Abriu a mão e me estendeu um cigarro enrolado rusticamente. Encarei aquilo por meio segundo e ergui a sobrancelha, eu sabia exatamente o que era e não acreditei que o cara, que se dizia amigo do meu pai, estava mesmo me oferecendo um cigarro de maconha.

— Relaxa, o que acontece na caminhonete da Darlyna, fica na caminhonete da Darlyna. O papa Cooper não tem que saber de nada. — Riu meio de canto.

Tive certeza que era algum tipo de teste. Dei um meio sorriso cínico e peguei o baseado. Se fosse um teste eu tinha falhado. Foda-se. Eu era do tipo que garota que odiava testes mesmo.

Cacei o isqueiro na mochila e traguei fundo assim que a chama acendeu o cigarro. Dawsonville podia ser o fim do mundo, com bares de quinta e caminhonetes-sucata, mas certamente a maconha do lugar era de qualidade, ri pra mim mesma percebendo a ironia daquilo.

Encostei a cabeça no banco e soltei a fumaça lentamente.

— Olha só, a bonequinha da cidade sabe se divertir...

— Meu nome é Natalie, não me chame de Bonequinha, é macabro e nojento. — Retruquei neutra, tragando novamente. — Então, quem é Darlyna? Sua namorada?

A primeira reação de Merle foi uma careta de nojo, como se eu tivesse acabado de falar o maior sacrilégio do mundo. Depois ele desatou a rir sem parar.

— É o meu irmão. — Respondeu, ainda divertido.

— Irmã, você quer dizer.

— Não é irmão mesmo, ele é homem, ou deveria ser pelo menos, existem controvérsias. — Riu ainda mais.

A conversa não teve tempo de prosseguir, Merle apontou a rua que viraríamos. Aquele era o meu destino.

Rapidamente atirei o cigarro de maconha pela janela e peguei um chiclete na mochila.

— Natalie Cooper, você definitivamente é das minhas! — Merle exclamou, parando a caminhonete em frente a uma casa simples.

O quintal da frente era um grande espaço cheio de mato seco, as paredes estavam encardidas e percebi três vidros quebrados nas janelas da fachada.

— Ótimo, uma casa abandonada. — Suspirei, saindo do carro.

— Mande lembranças ao Papa Cooper. E caso ele te mande caçar coquinhos, tem um lugar vazio no meu colchão. — Merle deixou a proposta no ar.

— Bom, mesmo se ele me mandar "caçar coquinhos" eu vou continuar não gostando de velhos. — Abri meu melhor sorriso cínico.

— Nunca ouviu dizer que panela velha é que faz comida boa?

— Usar essa cantada só prova que você é mais velho do que eu imaginava. — Debochei, fazendo uma bola com o chiclete e estourando-a em seguida. — Obrigada pela carona, Dixon.

Merle ainda teve a cara de pau de me mandar um beijo, antes de seguir adiante.

Olhei a casa novamente e respirei fundo, ajeitando a mochila nas costas. Era hora da verdade.... Alcancei o meu diário no bolso de fora:

"Fugir da realidade passa a parecer uma ideia ruim, quandoa realidade que encontramos na vida utópicaé pior que a realidade que deixamos para trás...Mas a esperança é a última que morre.Eu não vim até aqui para desistir.Eu não desisto."

Não fazia sentido, mas raramente o que eu escrevia fazia sentido para qualquer pessoa além de mim...

Segui pelo gramado descuidado com meu coração aos saltos. Parei em frente a porta de madeira escura e mantive a mão erguida antes de bater. Eu ainda podia voltar atrás. Assim que tal pensamento passou pela minha mente agitada ele foi descartado. Voltar estava fora de cogitação.

Respirando fundo dei três batidas, mesmo que não soubesse o que diria quando a porta fosse aberta. Esperava que meu pai me reconhecesse, afinal eu tinha enviado algumas fotos há quase um ano, não estava tão diferente. Ou estava?

— Se for algum vendedor já aviso que não estou interessado. — A voz masculina veio de dentro da casa.

Fui tomada por algo totalmente novo, algum tipo de nostalgia desmedida, a voz me pareceu tão familiar e acolhedora, mesmo que não me lembrasse de já tê-la ouvido antes.

A porta foi aberta e o homem a minha frente passou de uma expressão comum a uma surpresa muito rápido. Medi cada detalhe dele, como quem admira uma pintura. Peter estava mais velho que na fotografia, a barba cheia com muitos fios brancos, rugas na testa e olheiras visíveis, o cabelo mais curto, mas ainda comprido o suficiente pra que eu percebesse que os fios castanhos, com alguns grisalhos, não eram cortados há algum tempo. E mesmo com aquelas mudanças, alguns traços eram exatamente iguais; as sobrancelhas expressivas, os olhos firmes e o nariz comprido.

— Natalie? — A pergunta saiu em um misto de surpresa, dúvida e alegria. Os olhos de Peter se encheram de água eu senti seu coração se alagar em alívio. Meu pai.

— Oi. — Respondi meio constrangida, colocando um mecha do cabelo atrás da orelha.

Então Peter Cooper simplesmente me abraçou e eu me deixei envolver, me deixei encaixar naquele abraço e pela primeira vez em muito, muito tempo me senti verdadeiramente em casa. Era um tipo de emoção que eu nunca havia experimentado, eu tinha me preparado pra tanta coisa ruim, mas obviamente não estava preparada para as boas.

— Ah desculpa, desculpa. — Ele se afastou sem jeito, mas continuou com as mãos nos meus ombros. — Minha nossa, como você cresceu! Você é linda!

Sorri de canto, me preparando para as milhares de perguntas, porém elas não vieram.

— Vem, entra. Nossa que falta de educação a minha! — Peter abriu a porta e me incentivou. — Se soubesse que você vinha tinha dado um jeito nessa bagunça. Não repara, 'tá bom?

Entrei lentamente, olhando ao redor. A casa era pequena, mal iluminada por causa das cortinas grossas. Um andar apenas. Achei o ambiente triste, talvez fossem as coisas jogadas por toda a parte, ou as garrafas de cerveja vazias sobre a mesa de centro.

Meu pai era um homem solitário, soube disso com uma certeza quase absurda e senti meu coração afundar um pouco.

Peter desligou a TV antiga, que passava um jogo de futebol americano, tirou uma pilha de jornais velhos de cima de uma poltrona marrom ao lado do sofá e tentou espantar o pó com uma almofada ainda mais empoeirada.

— Senta aqui. Deixa eu pegar isso pra você. — Estendeu a mão para a mochila que eu carregava. — Minha nossa, nem acredito que você está aqui!

A casa era um caos, tudo ali era velho ou quebrado, o cheiro de álcool se misturava ao de mofo, mas de alguma forma naquele momento, mesmo que eu estivesse totalmente nervosa pela conversa que viria, me senti bem ali. Me sentiu bem-vinda...

Era novo e estranho, porque eu nunca tinha me sentido realmente bem-vinda em lugar algum.

— Quer beber alguma coisa? Eu tenho água e... — Peter juntou as mãos em um movimento instintivo. — bom, na verdade acho que só tem água mesmo. Mas posso fazer café se você quiser...

— Estou bem, obrigada. Não precisa se incomodar. — Sorri um tanto sem-graça, uma reação muito difícil de conseguir de mim.

Peter Cooper se sentou no sofá puído e ficou me admirando, os olhos enchendo de lágrimas involuntárias, eu podia ver um tipo de adoração e amor que eu só tinha visto em filmes. E de algum modo eu soube, apenas pelo maneira como ele me olhava, que meu pai não me deixaria ir, que ele me queria ali tanto quanto eu queria ficar.

E "ficar" foi muito mais fácil do que eu pensei. Eu mal precisei explicar tudo e Peter parecia já ter entendido, como se esperasse por isso, ou como se tivesse rezado pela minha vinda de algum modo.

Quando fugi de Washington nunca acreditei que duraria realmente, seria uma aventura e nada mais, teria que voltar hora ou outra e sempre tive a certeza disso. Certeza que minha mãe viria e me levaria pelos cabelos se necessário fosse.

Mas algo aconteceu, quando meu pai me levou até a cidade para comermos uma pizza na primeira noite, e me deixou sozinha para dar um telefonema para mulher que um dia ele tinha amado. Minha mãe.

Fiquei uma longa hora esperando Peter do lado de dentro, vendo-o ao pé do orelhão, calmo e pacífico, como eu nunca ficaria se estivesse falando com a minha mãe.

E quando ele voltou, se sentou e pediu desculpas pela demora, tudo tinha mudado, as coisas nunca haviam parecido tão simples.

— Você vai ficar. — Peter informou, voltando para a pizza como se aquilo não fosse a coisa mais surpreendentes de todas.

Tentei arrancar qualquer coisa que fizesse pelo menos um pouco de sentido, mas a explicação dele foi a mesma.

"Eu sou seu pai, mereço ser responsável por você, a gente merece esse tempo e sua mãe entendeu isso. Enquanto você quiser ficar, você fica."

Mas eu sabia muito bem que Deborah nunca aceitaria perder uma briga daquela forma. Devia haver algo mais, e mesmo querendo saber o motivo, decidi que poder ficar sem preocupações ou pressões era mais que o suficiente. Nem tudo precisava de uma resposta. Não naquele momento.

Quando voltamos, meu pai insistiu em me dar o próprio quarto, já que a casa só tinha um. Eu podia ter dormido no sofá, mas percebi que na verdade ele devia dormir no sofá regularmente, afinal o quarto, apesar de toda a roupa jogada, era o lugar menos bagunçado da casa.

Não consegui dormir de toda a forma, as janelas faziam um barulho aterrorizante e eu podia ouvir sons de bichos que eu sequer sabia o nome.... Acabei pegando o diário:

"Existe uma grande vantagemem encontrar defeitosmesmo nos melhores momentos.Defeitos só existem na vida real,isso me prova queo que eu estou vivendonão é um sonho..."

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Peter parecia totalmente empenhado em tornar minha estadia melhor e mais proveitosa para nós dois. Me levou para caçar na manhã seguinte, algo que eu nunca tinha pensado em fazer.

Na verdade, eu podia contar nos dedos as vezes que entrei em uma floresta, minha vida sempre foi nas badalações noturnas da capital, sempre me imaginei muito urbana pra ficar no meio do mato. Por esse motivo, me surpreendi totalmente quando me vi realmente interessada naquele programa.

Aprender a andar sem fazer barulho, seguir rastros e saber a qual animal pertenciam, segurar uma arma e descobrir truques de sobrevivência era incrível. Mas o mais importante pra mim, foi me dar conta que podia apreciar passar algum tempo com o meu pai.

Eu mal falava com meu padrasto e o tempo que passava com a minha mãe sempre acabava em alguma discussão. Nunca tinha me dado realmente bem com nenhum deles, mas a conexão com Peter foi tão natural e agradável que desejei ter crescido com ele, talvez minha vida tivesse sido totalmente diferente.

— Ali, é um cervo. — Apontou em um sussurro, preparando o rifle.

A percepção do que estava pra acontecer me assustou de forma quase cômica, sem pensar muito eu o detive.

— Espera! — Praticamente gritei, fazendo o animal nos notar e escapar floresta a dentro.

— O que aconteceu? — Peter perguntou assustado, acho que ele pensou que eu tinha me machucado em meio aos galhos.

— Você ia mesmo atirar no Bambi?

— Bom... Isso é meio que o objetivo de uma caçada. Rastreamos o animal, atiramos nele, depois o levamos pra casa limpamos e preparamos a carne. — Explicou, parecendo confuso com a minha reação.

Eu entendi, meu pai era acostumado com as caçadas, para ele era uma prática totalmente comum, mas para mim era o fim do mundo. Quando me imaginei comendo o pobre bichinho não pude evitar uma careta.

— Não podemos comprar uns hambúrgueres no mercado? — Indaguei, colocando as mãos no bolso logo em seguida.

Peter riu, assentindo brevemente, embora em seu rosto tivesse ficado claro o desapontamento.

— Eu só pensei que ia gostar de fazermos alguma coisa juntos...

— E eu vou. Você pode me ensinar a andar pela floresta sem fazer barulho, seguir rastros e tudo mais, pode até me ensinar a atirar se quiser, isso vai ser muito legal, desde que a gente atire em latas, não nos pobres animais... — Propus prontamente, não queria que ele se chateasse, ou pensasse que eu não me importava com as coisas que ele queria que fizéssemos juntos.

Eu queria sim passar meu tempo com ele, mas não queria ter que matar cervos indefesos durante esse tempo.

— Combinado então. — Assentiu, parecendo entender meu ponto.

Me chamou pra voltar, prometendo que viríamos outras vezes, mas que não precisaríamos atirar em nada vivo. Suspirei de alivio.

— Você caça faz tempo? — Perguntei enquanto o seguia, sem precisar me preocupar em não fazer barulho dessa vez.

— Desde que eu me lembro, eu acho. Já cheguei até a ganhar um dinheiro com isso. — Peter respondeu, tombando um pouco a cabeça, um gesto muito parecido com um trejeito que eu tinha.

— Então meu pai é o melhor caçador da cidade? — Conclui animada, enquanto me virava e passava a caminhar de costas.

Tentei ignorar que pra ser o melhor caçador, ele matava os pobres animais indefesos, era natural pra ele, não era uma coisa da qual se envergonhar. Na verdade ser melhor em alguma coisa era um fato pra se orgulhar, isso sim.

Já me sentia em casa com ele, mesmo que fosse recente e eu tivesse chegado a pensar, enquanto ainda estava no ônibus, que nunca me acostumaria. A única coisa da qual me arrependia era de não ter ido ao encontro dele antes. Mas eu ainda tinha tempo. A sensação de ter uma família era a melhor coisa que eu já tinha sentido.

Vi Peter prender a respiração, fazendo o possível para que sua expressão não denunciasse sua surpresa e emoção, demorei um segundo para perceber que eu tinha acabado de me referir a ele como "meu pai" em voz alta pela primeira vez. Foi tão natural pra mim que nem reparei, mas pra ele pareceu realmente uma coisa muito importante.

Meu coração se partiu um pouco ao ver que eu podia ter desfrutado e retribuído aquele amor há muito tempo. Jamais seria capaz de perdoar minha mãe por aquilo.

— Não... — Fez um gesto com a mão como se não fosse nada. — O título de melhor caçador da cidade é do Daryl Dixon. Você vai acabar encontrando com ele uma hora ou outra.

Liguei o nome a Merle quase que imediatamente, Daryl devia ser a tal Darlyna, mas não dei real importância para aquilo naquele momento.

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A semana passou rápido, e isso era totalmente novidade pra mim, na maior parte das vezes meus dias apenas se arrastavam, sempre me empenhei em fazer mil coisas apenas pra que eles pudessem passar mais depressa, contudo nunca adiantou.

Meu diário, que antes era repleto de frases de revolta, raiva e que expressava toda a minha rebeldia, passou a ser recheado de frases de amor familiar, o verde das árvores, ou sobre as rugas que meu pai tinha ao redor dos olhos quando sorria.

Sim, eu mal o conhecia, mas alguém disse uma vez que "não é um crime amar o que não se pode explicar", acho que concordo plenamente com essa pessoa.

Peter decidiu que reabriria a antiga oficina, que ele havia fechado há quase um ano e meio, quando se mudou para longe do centro, e essa nova mudança acabou por ocupar o restante dos nossos dias.

Eu não entendia nada de carros, tudo que sabia era dirigí-los e, só pra constar, eu nem era uma motorista tão boa assim. Mas fiquei feliz com a mudança, afinal a oficina possuía um sobrado de dois quartos no fundo, que era bem melhor do que a antiga casa do meu pai.

Eu não tinha entendido por que ele abriu mão do ponto pra morar tão afastado da cidade, e entendi menos ainda quando, nem bem as portas abriram, os carros começaram a chegar...

Aparentemente Peter Cooper podia não ser o melhor caçador, mas ele era com certeza o melhor mecânico da cidade.

Mas por que alguém com tantos clientes e sem concorrência alguma tinha largado o negócio?

Tentei tirar alguma informação do meu pai, mas tudo que consegui foram respostas evasivas e um enigmático "eu não tinha mais motivos pra tentar até você chegar." Decidi não insistir em coisas das quais, talvez, não quisesse saber as respostas.

Obviamente eu percebi que alguns clientes questionavam se Peter também havia voltado para o "outro" negócio. Na verdade até Merle apareceu por lá, sem a caminhonete velha e sim com uma moto antiga, munido do seu sorriso cínico e piadas ruins, perguntando se Cooper não queria "voltar", porque os dois trabalhavam muito bem juntos.

Não precisei que Peter me contasse pra saber que o "outro negócio", em que ele e Merle eram sócios, tinha tudo a ver com tráfico de drogas. Entendi o motivo de tantas críticas da minha mãe, mas não julguei meu pai. Eu não tinha moral nenhuma pra julgamentos, afinal não era nenhum modelo de cidadã norte-americana.

E foi uma verdadeira surpresa quando percebi que também não seria julgada por quem eu era, mesmo quando Peter me pegou fumando na calçada a única coisa que ele disse foi:

— Você pode fazer o que quiser fazer, mas faça sabendo que cada ação tem uma reação. Eu queria te dizer o que é certo e errado, mas seria hipócrita da minha parte, então eu prefiro confiar que você vai saber distinguir por si mesma. Quebrar a cara infelizmente faz parte... Mas, não se preocupe, dizem que guardar o que sentimos causa mais câncer que tabagismo.

Eu soube, quando ele riu e ascendeu o próprio cigarro que aquilo ficaria na minha mente e me guiaria muito mais do que qualquer bronca que minha mãe já me deu na vida.

Uma das coisas que escrevi aquela semana foi:

"A melhor parte do amoré que ele não vem cheio de julgamentos.Quando amamos alguém,amamos pesar de tudo,amamos acima de tudo. Eu me sinto grata por vivenciar esse amor,eu me sinto livre por não ser mais julgada."

A segunda semana passou e eu confesso que comecei a sentir o tédio de uma cidade pequena, composta, em sua maioria, por gente velha. A falta de amigos começou a pesar e a abstinência das noites de dança e bebedeira começou a me deixar um tanto mais ansiosa que o normal.

Não é que eu tivesse cansado do meu pai, muito pelo contrário, eu ainda amava cada segundo que passávamos juntos, mas ele trabalhava muito, já que não tinha ajuda na oficina, e isso acabava fazendo com que dormisse cedo demais.

Eu via que ele se esforçava, via que ele fazia o possível pra me ver feliz, mas ele sabia, tanto quanto eu, que uma garota da minha idade precisava desesperadamente de amigos.

Foi naquela tarde, enquanto Peter tentava, inutilmente, me ensinar a consertar um motor e eu reclamava da falta de baladas de verdade na cidade, que a velha e barulhenta caminhonete azul-desbotado parou na frente da oficina.

Imaginei ser Merle, e mesmo que o achasse um velho chato, sabia que ele devia ter dicas mais interessantes sobre a vida noturna da cidade que o "podemos jogar sinuca no Joe's" que meu pai havia sugerido.

Mas assim que saí da oficina, percebi que o homem que descia da caminhonete em nada tinha a ver com Merle... Os olhos ainda eram iguais, mas todo o resto era tão maravilhosamente diferente que me fez dar um sorriso satisfeito.

Não era como se fosse o cara mais lindo que eu já tinha visto na vida, admito, muito pelo contrário. Na verdade, o homem que caminhava em minha direção, precisava urgentemente de umas dicas de estilo, com aquele visual largado que se baseava em tons de marrom.

E de umas aulas de boas maneiras... Completei o pensamento, quando o vi cuspir no chão.

Mas ainda assim, ele era, de longe, o cara mais interessante que eu tinha visto desde que cheguei na cidade.

Tinha um cabelo castanho-claro muito mal cortados, que combinava com o cavanhaque ralo e malfeito, e andava como um felino encurralado. De alguma forma ele tinha uma beleza exótica, rústica, com aqueles braços expostos pelas mangas rasgadas da camisa xadrez desbotada e a cara de homem mau.

Decidi, quase instantaneamente, que ele era interessante, mesmo que aparentasse alguns anos a mais que eu.

Eu queria amigos, mas obviamente amigos com quem eu pudesse fazer muito sexo soava bem melhor.

Sorri quando ele deu mais um passo e me encarou com curiosidade velada. Pensei em dar uma de desinteressada, mas estava desesperada demais por qualquer novidade e diversão que decidi que não ficaria com joguinhos.

De repente eu fiz a ligação entre o desconhecido gostosinho, a caminhonete azul e Merle Dixon. Aquele devia ser o irmão dele.

Quem diria que o sobrenome Dixon se tornaria tão interessante...

Notas finais
Natalie x Merle, eu amo as cenas deles gente. Como eu já disse, e repito, não sigam os exemplos na Natalie tá gente kkkkkkkk Peter não era flor que se cheirasse, pelo visto o Merle estava certo sobre a coisa do sangue kkkkkk Quero deixar aqui anotado que o motivo da mãe dela ter permitido que ela ficasse vai ser revelado sim, é uma das coisas que faz parte de um plot maior, envolvendo o Peter e toda a situação em que encontramos ele. Natalie já decidiu que quer o corpitcho do Daryl, mas será que ele compartilha da ideia? O próximo é narrado por ele, quem acompanha minhas fics, sabe que eu amo narrar pelo ponto de vista do Daryl kkkkkkk Nos vemos em breve Bjss