Lifeline — Before the End
34 A Carta - Epílogo
Notas iniciais
• DARYL DIXON •
Meses depois...
Se existe algo que eu realmente aprendi com a minha vida foi que existem erros e acertos, mas raramente os acertos te definirão, ou te acompanharão pelo caminho.
Acertos não tem peso, eles se esvaem com o tempo, e ninguém se lembra deles, nem nós mesmos.
Mas os erros...
Erros pesam toneladas, e esse peso se torna cada vez mais insuportável com o tempo. Não tem como esquecer um erro, eles te assombram e definem quem você é. Como uma maldição.
Minha vida sempre foi cercada por erros, não apenas os meus, mas os de outras pessoas também. Isso é o que eu sou. Não tem escapatória.
Mesmo quando eu pensei que estava fazendo o certo, eu estava cometendo um erro. Contudo não tinha como voltar atrás... O que estava feito, estava feito.
Era tarde demais pra... qualquer coisa.
Eu era só um amontoado de erros.
— Esse é um jeito muito deprimente de pensar, Baby Dix. — A voz atrás de mim fez os pelos do meu braço se arrepiarem.
Me virei com a respiração aos saltos para vê-la se aproximar. Natalie Cooper.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntei, antes mesmo de pensar sobre qualquer coisa.
Eu estava sentado em um banco de madeira, em frente ao lago de Dawsonville, a água límpida se movia em ondulações por causa do vento forte e frio, enquanto o Sol nascia aos poucos no horizonte.
Natalie sorriu e foi como o mundo se tornasse um lugar melhor, apenas por causa daquele gesto simples. Eu estava calmo e em paz, mesmo que minha mente estivesse procurando uma explicação lógica para tudo aquilo freneticamente.
— Eu não sei... Por que você não me diz por qual motivo eu estou aqui? — Ela se sentou ao meu lado e pousou os olhos negros em mim. Galáxias nasciam e morriam em suas íris.
E, como se alguém tivesse acendido uma luz no meu cérebro, eu percebi o que estava acontecendo e tudo se encaixou na minha mente.
— Isso não é real. É um sonho... Não é? — Suspirei meio decepcionado e Natalie deixou a cabeça tombar para o lado, ela não precisou afirmar, seu sorriso triste mostrava que eu estava certo. — Merda!
Era estranho ter consciência que eu estava sonhando, minha mente sabia que nada daquilo era real, mesmo assim eu desejei ficar ali, apenas sentado em um banco imaginário com minha Natalie Cooper imaginária.
Era melhor que meus pesadelos, mas talvez fosse muito mais triste do que todos eles.
Natalie continuou calada, sua expressão doce e compreensiva real demais para que eu não sentisse meu peito arder.
Ela tinha as mãos no colo e eu, em um impulso tolo, movi meu braço para tocá-la. Pousei minha mão direita sobre a dela e apertei seus dedos gentilmente, mas foi como segurar uma lufada de ar. Eu não senti nada. Não havia tato, não havia a sensação da pele macia de Natalie em contato com a minha.
— Por que eu não consigo te sentir? — Perguntei, retoricamente, recolhendo minha mão em um gesto irritadiço.
A garota ao meu lado ficou calada nos primeiros cinco segundos, apenas analisando minha face, como se estivesse descobrindo algumas verdades universais ali.
— Acho que é porque você não acha que merece isso, mesmo em sonhos. — Seu gesto mínimo de dar de ombros, tão Natalie em todos os sentidos, me fez desejar que aquilo não fosse um sonho.
— Tanto faz... — Copiei o movimento dela.
Continuamos calados, vendo o Sol nascer ao longe, enquanto eu sentia o vento ainda mais frio bater no meu rosto. Era injusto poder sentir o vento e não poder sentir o toque de Natalie.
— Por que ainda não abriu a caixa, Daryl? — Questionou calmamente, e eu virei em sua direção, com uma esquiva na ponta da língua, mas antes de deixar as palavras escorregarem para fora da minha boca, eu me dei conta de que aquilo não fazia sentido.
Não tinha porquê mentir para a Natalie ao meu lado, já que ela nada mais era do que uma peça que minha mente estava me pregando.
Pensei na caixa citada, Natalie havia deixado na minha casa antes de partir, tinha meu nome em cima e provavelmente minhas coisas dentro. Mas eu não fui capaz de abrir, apenas a escondi dentro do armário junto com o colete de asas, exatamente como fazia com a maioria das coisas que eu não queria enfrentar. No fundo do armário, no fundo da mente, era tudo a mesma coisa...
— Eu não podia. Não quero nada que me lembre você. — Confessei. Era apenas um maldito sonho, eu podia me permitir ser sincero, pelo menos ali.
— Ainda assim aqui está você, sonhando comigo, mesmo depois de me mandar ir embora. — A resposta veio calma, exatamente o tom que Natalie usaria, e doeu. Doeu que eu a conhecesse tão bem para reproduzi-la com perfeição na minha mente.
— Eu fiz a coisa certa... A coisa certa pra nós dois. — Afirmei, porque dizer qualquer coisa que não fosse aquilo, mesmo que fosse para o meu próprio subconsciente, acabaria comigo.
— Se era mesmo a coisa certa, por que você não consegue seguir em frente? — Os olhos negros focaram nos meus e eu senti uma saudade angustiante. Eu queria poder puxar Natalie para os meus braços e sentir seu corpo se aconchegar ao meu, mesmo que fosse em um sonho, era frustrante não poder ter esse simples alento.
— Eu estou seguindo em frente. — Respondi, mas havia um nó na minha garganta.
Me perguntei o motivo de continuar mentindo pra mim mesmo...
— Será que está? Você não deixou nenhuma outra mulher te tocar, não abre aquela caixa, mas também não se desfaz dela. Está preso às minhas lembranças, mas ao mesmo tempo não consegue encará-las. Isso não é seguir em frente. — Era uma acusação, uma que a verdadeira Natalie não usaria contra mim, mas minha consciência traiçoeira sim.
E tudo era verdade, naqueles últimos meses eu dizia para mim mesmo que estava voltando a ser o que sempre fui, mas era mentira. Eu me tornei uma versão pior de mim, mais fechado, mais arisco...
A única mudança era que, após a volta de Merle, mesmo que eu o seguisse por toda a parte, talvez até mais que antes, ele parecia ter entendido minha recusa a me aproximar de outras mulheres, sua insistência era menor, ele costumava deixar pra lá depois do quinto "não".
Talvez ele entendesse mais do que eu tudo aquilo. No fundo ele sabia que eu não podia permitir que nenhuma outra pessoa se aproximasse tanto, quanto eu deixei Natalie se aproximar e, ao mesmo tempo, eu simplesmente não conseguia permitir que ninguém mais me tocasse, a verdade era que eu queria manter o toque de Natalie em mim, mesmo que ele fosse o último...
Eu me afastei ainda mais das pessoas, embora estivesse sempre com meu irmão, já que ele não tinha mais sumido do nada. Talvez, aquela coisa toda de cadeia, tivesse feito com que ele percebesse que o lugar dele era em casa.
Ou vai ver, fosse apenas o fato do nosso pai simplesmente ter dado o fora... Não que o velho tivesse muito longe, apenas tinha se mudado permanentemente para sua cabana, alguns quilômetros adentro da floresta. Eu não entendia o afastamento, tampouco aquela vontade repentina de morar naquele lugar caindo aos pedaços. Tinha algo diferente nele, embora eu não soubesse exatamente o que era.
Suponho que todos estávamos diferentes em algum nível...
— Você está bem? Quer dizer, em Washington... — Perguntei, deixando a realidade de lado e voltando minha atenção para o sonho ao meu redor.
Eu só queria que ela dissesse que sim, então, talvez, aquilo me proporcionasse alguma paz.
— Eu não tenho como responder essa pergunta, isso é só um sonho, não uma chamada telefônica. — Ótimo, nem meus próprios sonhos mentiam pra mim. Qual era a vantagem de sonhar, então? — Mas você pode me ligar se quiser, e então você vai saber.
Ri sem humor. Claro que eu tinha pensado naquilo, tinha segurado o telefone nas mãos diversas vezes, mas não consegui discar, no fundo eu sabia que, se não me mantivesse firme, tudo aquilo teria sido em vão.
— Não, eu não posso. — Declarei, virando totalmente meu corpo na direção dela, analisando a riqueza de detalhes com a qual eu a construíra na minha mente.
— Por que? — Minha Natalie imaginaria copiou meu movimento, apoiando o braço no encosto de madeira.
— Porque você está melhor sem mim. — Afirmei, sabendo que aquela era uma coisa na qual eu realmente acreditava.
Ela não sorriu, apenas suspirou fundo e assentiu, bem no exato momento em que senti uma gotícula bastante gelada tocar meu rosto.
Minha realidade imaginaria tremeu, conforme eu olhava ao redor e não percebia nada que pudesse ter causado aquela sensação. Senti que eu estava no limiar do sonho, prestes a acordar e um sentimento de urgência tomou conta de mim.
— Suponho que eu deva ir, então. — Natalie suavizou toda a expressão e deu um sorriso mínimo, conforme se levantava.
— Espere. — Segurei seu braço, sendo incapaz de senti-lo, mas detendo-a enquanto me levantava também. — Eu preciso falar uma coisa.
— Eu sei o que é, Daryl. Mas você entende que eu não sou real, não é? Eu estou só na sua cabeça, eu não sou a Natalie Cooper. — Ela estava triste, como se fosse um reflexo das minhas próprias emoções.
— Eu sei, mas eu preciso dizer mesmo assim. — Apertei suas mãos entre as minhas, desejando desesperadamente sentir sua pele. Mas sabendo que aquilo nunca mais aconteceria... Natalie tinha partido pra sempre. — Eu te amo.
Três palavras. O peso de um mundo. Mesmo dito dentro de um sonho teve um impacto profundo dentro de mim.
— Então você devia ter me dito isso, ao invés de me mandar partir...
E isso foi tudo, acordei na caçamba da caminhonete, com os primeiros flocos de neve daquele inverno caindo sobre o meu rosto.
Fiquei parado ali por muito tempo, observando os tons frios que coloriam o céu da manhã, eu saíra de casa para uma caçada, mas minha caminhonete, cheia de latas vazias de cerveja, contava outra história.
Eu a amava... Eu a amava e a tinha deixado partir... Não, eu a tinha feito partir. Que tipo de amor era esse?
Continuei revivendo cada detalhe do sonho, até que o frio começou a congelar as pontas dos meus dedos.
Aquela caçada não daria em nada, talvez fosse melhor voltar pra casa.
Dirigi pela estrada que passava perto da cabana do meu pai, pensei em parar e ver como ele estava, afinal o velho ainda era família, mas decidi fazer aquilo outro dia, talvez trazer um cervo...
Eu não entendia o afastamento, porém não dar de cara com o meu pai todos os dias me permitia esquecer certas coisas, ou vai ver eu simplesmente estava ocupado lembrando de dores mais recentes pra pensar nas antigas.
Quando cheguei em casa encontrei tudo vazio. Merle não estava em parte alguma, era cedo ainda, portanto era de se imaginar que ele tinha dormido por aí com alguma mulher.
Mais tarde ele estaria de volta, se jogaria no sofá por algumas horas e depois teria alguma coisa estúpida em mente, algum trabalho nada ortodoxo, ou simplesmente outra noitada.
Tomar um porre não me parecia uma ideia tão ruim...
Na verdade, embora meu irmão estivesse respeitando minha recusa a, como ele mesmo dizia "pegar mulher", isso não significava que estávamos distantes, na verdade eu andava atrás dele por toda a parte, fazendo tudo que ele dizia, sem pensar muito sobre isso.
Estar com Merle era a única coisa que tinha me restado no fim das contas, e ele era família, era assim que tinha que ser...
Passei pela cozinha e peguei uma cerveja, mesmo sendo menos de dez da manhã, logo depois, subi para o quarto no intuito de colocar uma roupa mais quente.
Encarei a cama e até pensei em dormir um pouco, mas eu sabia que não conseguiria. Eu só conseguia dormir quando estava muito bêbado, ou depois de ter me metido com uma briga bem ferrada junto com Merle, caso o contrário eu ficava rolando de um lado para o outro, como se algo muito importante estivesse faltando.
Não algo, alguém...
Abri o guarda-roupas para pegar algumas peças e me deparei com a maldita caixa. Logo em cima dela o colete de asas. Simplesmente parei ali, olhando aquelas coisas, pensando que talvez meu sonho estivesse certo, eu não estava seguindo em frente. E eu precisava seguir.
Irritado, tirei tudo do armário quase com violência. Já bastava daquilo, eu tinha que colocar um ponto final.
Acendi a lareira e me sentei ali com a caixa e o colete ao meu lado, outra garrafa de cerveja na mão. Comecei pela caixa, até pensei em pegar o colete primeiro, mas minhas mãos não me obedeceram. Encarei meu nome escrito com letras redondas e perfeitas no topo, logo acima da fita adesiva que ainda mantinha tudo lacrado.
Tentei jogar a caixa inteira, mas minha lareira não era grande o bastante. Ainda mais irritado, me levantei e despedacei aquela merda toda, fazendo o papelão se rasgar em pedaços. Algumas peças de roupa se espalharam pelo chão, e era como se tudo tivesse o cheiro dela. Joguei algumas camisas no fogo, sem prestar muita atenção no que era, agindo apenas por impulso, querendo que aquilo acabasse logo.
Quando ergui outra peça, algo caiu no chão, um envelope branco. Peguei o papel e não havia nada escrito do lado de fora. Deixei meu corpo cair novamente na poltrona perto da lareira. Minhas mãos tremeram, alcancei a garrafa de cerveja e a tomei em um gole só.
Será mesmo que eu queria saber o que estava escrito ali dentro? Seja lá o que fosse não fazia mais diferença.
Estiquei o envelope em direção ao fogo, mas simplesmente não consegui abrir a mão. Não era tão fácil quanto jogar algumas peças velhas de roupa. Respirei fundo e deixei a carta sobre o braço da poltrona junto com o colete de asas. Fui até a cozinha e peguei outra garrava de cerveja. Voltei para a sala e fiquei encarando o envelope enquanto bebia.
Outra cerveja, outra e mais outra, assim sucessivamente, até que eu já tinha perdido as contas e continuava encarando o maldito envelope branco, incapaz de jogá-lo no fogo e depois fazer o mesmo com o colete. Claro que eu tentei, mas simplesmente não consegui.
Quando as chamas se tornaram apenas brasas e eu já estava bêbado o bastante me obriguei a abrir o envelope.
Reconheci a folha imediatamente, era do diário da Natalie, as letras redondas e levemente inclinadas pareciam enfeitar a página:
Isso é um adeus. E acho que você sabe que eu não gosto de despedidas....
Mas, acabei percebendo que o fim é eminente para todas as coisas vivas, não tem como fugir disso. Então eu só queria que você soubesse que eu não entendo, porém aceito suas escolhas. Porque eu escolhi você, mesmo sabendo que isso significaria abraçar o caos e a dor, contudo imaginei que isso significasse poder abraçar você também.
Mas você não me escolheu... Tudo bem.
Alguns dizem que o amor é sobre aceitar partidas, mas no meu caso foi sobre aceitar partir. Para provar meu amor eu tive que deixar você pra trás e fazer promessas que me machucarão eternamente. Talvez algum dia eu ria da ironia disso, mas não hoje.
Hoje, tudo que eu posso dizer é que espero que você se encontre, que encontre um caminho. Espero que aprenda a se olhar com mais calma, porque eu vi coisas bonitas em você, coisas que você não é capaz de ver agora, mas vai ser capaz de ver algum dia, eu sei que vai.
Você precisa perder o receio de aceitar as coisas boas da vida, porque estar preso nas próprias barreiras é tão solitário e sufocante quanto um texto sem virgulas.
Você assumiu a postura séria de quem nunca pode errar, um dia, talvez, você entenda que errar também é eminente para todas as coisas vivas, e tudo bem.
Tudo bem...
No fundo eu sabia que a sua impermanência era inevitável, eu sempre soube... Mas eu preferi me enganar, porque era mais bonito, soava mais poético, imaginar que teríamos um final feliz.
Uma vez eu te disse que a esperança podia ser salvação, mas no meu caso foi o oposto. Eu esperei de mais, eu fechei os olhos para os avisos, eu estava tão ávida por romper suas barreiras, que abri todas as minhas sem pensar duas vezes e agora não restou nada pra me proteger do fim.
E o fim, embora eminente, é um bicho cruel e sem piedade, com o qual a gente não se acostuma nunca, ou, pelo menos, não devia se acostumar. Talvez esse seja o problema, você se acostumou com a perda e com a dor, e acha que não existe a possibilidade de uma vida sem isso. A pior parte é que você realmente acha que merece uma vida de penitência e infelicidade. Mas você está errado, Daryl Dixon. Existe vida sem dor, e eu sei disso, mesmo agora quando tudo que você me deixou foi dor. Uma dor crua e excruciante, como se eu nunca mais fosse ser capaz de encontrar felicidade novamente.
E eu sei que a culpa não é sua.
Pra alguém que só conhece escuridão, a luz cega, eu entendo isso.
Tudo bem...
Espero que guarde de mim lembranças bonitas, mesmo que eu tenha sido pra você apenas brisa passageira e você tenha sido pra mim como um furacão. Tem que ter sobrado alguma coisa boa, qualquer uma. Nem que seja a sensação da minha pele na ponta dos seus dedos.
Seu toque me queimou ardido, e agora eu vou carregar essa cicatriz como um lembrete: Não vale a pena se quebrar pra tentar manter alguém inteiro.
Será que você aceita esse conselho?
Será que eu aprendi a lição?
Acho que não, porque, enquanto escrevo isso, eu ainda me pergunto: quais variáveis eu deveria ter escolhido para que o nosso resultado fosse diferente?
Eu ainda estou me perguntando se, talvez, eu simplesmente não tenha conseguido ser boa o bastante pra que você sinta minha falta.
Você vai sentir?
Eu vou, vou mesmo sentir sua falta. Eu te deixei ocupar toda a minha vida e agora não sei o que vai ser dela sem você. Vai ser difícil sorrir outra vez, sendo que cada sorriso meu vai me lembrar de você. E quando outra pessoa tocar meu corpo, eu sei que vou fechar os olhos e desejar que fosse você. Mas tudo bem.
Tudo bem...
"O adeus está aí pra ser dito por qualquer boca" não é o que dizem? Infelizmente esqueceram de avisar que doeria tanto quando ele fosse dito pela sua.
Tudo bem...
Finalmente eu entendi o que meu pai queria dizer, quando falava que o amor não era o suficiente. Porque ele não foi o suficiente pra nós, e acredite, era muito amor.
Tudo que me resta é sentir muito, por você e por mim. E por tudo que a gente podia ter sido.
Vai ver eu tenha te amado em cores muito vivas e quentes e no fim eu simplesmente desbotei.
Talvez não esteja tudo tão bem assim, afinal de contas...
Adeus, Baby Dix.
Espero que sempre se lembre de mim como a
sua Bochechas.
Fiquei encarando o papel, ouvindo cada palavra ecoar na minha mente com a voz de Natalie.
Minha Bochechas...
Uma lágrima minha caiu sobre a folha, manchando a tinta azul, subi os olhos para a brasa que ainda crepitava na lareira e foquei ali, como se encarar o fogo por tempo bastante pudesse mudar alguma coisa.
Suspirei, esticando a mão e deixando a carta pousar no fogo e ser devorada por ele aos poucos, era apenas um pedaço de papel, nada mais. No entanto, eu sabia que aquelas palavras ficariam comigo por muito tempo ainda... Aquilo eu não podia apagar de mim.
Me levantei da poltrona e peguei o colete, olhando uma última vez para as cinzas do papel, eu decidi que não me desfaria daquela última lembrança.
Eu guardaria o colete de asas, assim como esperava que Natalie guardasse o colar. Talvez algum dia eu estivesse pronto para vesti-lo.
Talvez algum dia eu estivesse pronto para encontrar a minha Bochechas outra vez.
CONTINUA...
SEGUNDA TEMPORADA JÁ DISPONÍVEL
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