Life Withouth Hope
1 The Preacher Hopeless
Notas iniciais
EvanXNatasha
O Caso do Super Highschool Level Evangelist
Evan Moonglade
Um ano antes da catástrofe…
O mês de dezembro chegava a ser um dos meses mais solitários para Evan, não que ele vivesse só, tinha os seus colegas de classe, tinha os seus amigos evangelistas. Mas ele sentia uma falta imensa, sua mãe não estava com ele, estava no Canadá tratando-se para livrar-se de um vício, e ele esperava que Deus pudesse curar sua mãe, assim como havia curado tantas outras pessoas, sua fé era mesmo inabalável.
O frio era intenso e ele teve de apertar-se em seu casaco roxo enquanto vagava pelas ruas do Japão, ele ia em direção a escola, seus colegas iam fazer uma confraternização de fim de ano e todos esperavam que ele estivesse presente. Não que Evan não gostasse de festas, no entanto os seus colegas chegavam a ser um tanto “excêntricos” ou “quietos” demais. Eles não podiam conviver em paz de maneira nenhuma, enquanto alguns mantinham-se calados o tempo inteiro como Natsuri outros não paravam quietos como Kobayashi, e era como se ele não se encaixasse naquele meio.
Mas quem ligava? Ele não ligava, queria apenas ir até lá e espantar as saudades e os medos, espantar os seus fantasmas do passado. Mas era por uma pessoa em especial que ele ia comparecer aquela festa natalina. Natasha, sim, era por ela que ele ia enfrentar a frieza ou alegria demasiada de seus colegas, eles iam fazer três meses de namoro e a festa viera bem a calhar para comemorar. Ele ainda podia se lembrar bem do dia em que eles se descobriram enamorados um pelo outro.
Numa cômica tarde de outubro quando eles fizeram uma visita ao parque de diversões. Depois de terem andado em centenas de brinquedos, Natasha insistia para que alguém fosse com ela no Túnel do Amor, um brinquedo antigo onde um pequeno bote cor de rosa entrava em um túnel decorado de corações por um canal de água. Como nenhum dos meninos se dispôs, ele foi com ela. E foi durante aquela viagem no túnel que Natasha fez a pergunta mais estranha de sua vida:
- Você já namorou com alguém Evan? – ela debruçou-se sobre ele, o olhar cheio de curiosidade.
- N-não, porque é que está me perguntando isso?
- Sei lá, garotos como você não costumam ficar solteiros entende, você é bonito sabia? E é fofo, atencioso, sabe eu namoraria você!
Aquele comentário fora o suficiente para explodir em Evan algo que ele nunca sentira, Natasha apenas sorria para ele enquanto ambos passavam pelo túnel, o coração de Evan palpitava, que raios era aquilo que ele sentia? Será que estivera tão ocupado a vida toda evangelizando que nunca sentira uma paixão juvenil? Ele piscou os olhos para se livrar daqueles pensamentos e quando se deu conta Natasha estava junto a ele, os lábios quase colados, os rostos frente a frente um do outro.
- E beijar Evan? Você já beijou alguém antes? – ele acenou negativamente, Natasha apenas sorria- era de se imaginar!
E sem que ela esperasse ela o beijou, os seus lábios selaram com os dela, ele sentiu todo o corpo tremer num calor único, uma emoção tão intensa que chegava a ser desesperante. Ele apenas fechou os olhos e a abraçou, e o beijo continuou. Um beijo apaixonado em um túnel cor de rosa, uma desesperante história de amor.
Evan virou a esquina que dava para a escola, ele ria ao lembrar-se de como fora tudo tão rápido, ao aceitar o convite da escola ele pensava apenas em uma única coisa: pregar para as esperanças do mundo, era esse o seu propósito. Ele não esperava que acabasse arrumando uma namorada, e uma namorada tão linda e alegre, a garota dos seus sonhos por assim se dizer. Ao cruzar os portões da escola, lembrou-se do pedido de namoro, assim que saíram do túnel, corado até a alma, ajoelhou-se diante de todos e pediu, e o “sim” dela foi o suficiente para dar a ele toda a felicidade pela qual procurara a vida toda, queria que aquele momento se eternizasse para sempre.
Sem se dar conta já estava dentro de sua sala de aula, ela estava decorada com tecidos em vermelho e branco, cores típicas natalinas, não que sua turma entendesse realmente o significado do natal. Um pinheiro falso fora colocado junto a porta onde haviam diversos presentes embrulhados em papéis coloridos. Assim que entrou, Natasha pulou em seus braços e selou seus lábios com um beijo, nossa, como ele a amava.
- Você demorou Evan! Estava quase desistindo, achei que você tinha ido pra outra reunião- ela disse emburrada enquanto erguia para ela uma xícara de chocolate quente.
- Não trocaria você por uma reunião amor! Nunca!
Ela sorriu meigamente enquanto apertou-lhe as bochechas, Evan olhou em volta, estavam todos ali, todos exceto um:
- O Ichiro não veio?
- Não, ele disse que não ia perder tempo com tolices de adolescente- sibilou Kayo enquanto devorava um boneco de gengibre- deve estar por aí dando em cima da Asahina Aoi, quem sabe até da Sayaka Maizono.
- Acho que não Kayo, não vi a turma dela hoje- riu Teemu- acho que só nós tivemos a brilhante ideia de vir para a escola num feriado.
Evan sentou-se, Natasha sentou-se ao seu lado, abraçada a ele, Evan bebericou o chocolate quente enquanto olhava seus colegas, Isao e Eufrat conversavam sobre um assunto qualquer, Ai se escondia nos fundos da sala, Kayo não para de comer e o resto dedicava-se apenas a observar as ruas pela janela, ele olhou mais uma vez para Natasha, ela era linda, inteligente e alegre, tudo o que ele podia querer.. Eles eram como um só, únicos e inseparáveis, os pais de Natasha adoravam Evan, a mãe de Evan adorava Natasha, e os dois se amavam, um relacionamento que tinha de tudo para ser longo e duradouro:
- Nossa, Takane precisa de um namorado, namoros são tão kawaiis! — a loira exclamou saltando entre os dois e abraçando-os- Takane acha que Evan e Natasha, formam um lindo casal.
- Obrigado, Kobayashi-san! – Evan comentou num sorriso.
Todos continuaram a conversar enquanto ventava lá fora, Evan apenas pensava que sua vida estava perfeita, Deus lhe presenteara, e tudo daria certo dali pra frente, tudo seria como ele tinha imaginado.
° ° °
Jogo de Matança Mútua
Ele estava ajoelhado ao lado de Natasha, a loira estava desmaiada, provavelmente alguém a acertara com bastante força. Evan pegou seu pulso, ela ainda vivia. Ficou surpreso por ter ouvido um grito, afinal pensava que todos os quartos fossem a prova de som, mas com toda certeza o seu não, tinha certeza ao ouvir a voz do Monokuma na manhã anterior. E ele ficou parado examinando o corpo de Natasha, totalmente frágil.
Evan lembrou-se do que viu, sua mãe amarrada, sendo obrigada a ingerir drogas e álcool, sendo obrigada a voltar ao inferno que viveu antes. Ele precisava salvar sua mãe, que se ferrassem todos os outros, ela era mais importante. Ele olhou novamente Natasha, sentia como se a conhecesse desde muito tempo, como se a conhecesse além da mídia, como se fosse íntimo dela, mas de que importava isso agora? Ela devia estar sofrendo, ele iria acabar com o sofrimento dela.
Ele olhou o taco de beisebol, não, seria dor demais, seria cruel demais, ele não queria se tornar um monstro. Mas ele sabia exatamente o que fazer. Apertou o botão do aquário fazendo-o esvaziar pela metade, abriu a tampa que ficava acima dele, e pegando a loira no colo a olhou uma última vez:
- Desculpe Natasha-san, me desculpe, por favor- as lágrimas desceram pelos seus olhos enquanto ele beijava levemente a testa da garota, colocou-a cuidadosamente dentro do aquário- Adeus!
Fechou a tampa e apertou o botão de novo, ficou ali, assistindo a garota morrer afogada, num sono profundo e eterno do qual nunca sairia, com os peixes nadando ao seu redor. Pôs a mãos no vidro e enxugou as lágrimas, era tarde demais para arrependimentos, voltou ao quarto aos prantos. Pobre Evan Moonglade, mal sabia ele que havia acabado de matar sua felicidade, estava tão coberto de desespero que matara o seu único motivo para viver, ele que ansiava preencher o vazio de sua alma e ser feliz para sempre, acabara de destruir a única ponte de esperança. Evan Moonglade, era só desespero.
Horas mais tarde...
Cheio de hematomas no corpo Evan sabia que morreria, havia sido descoberto como assassino, ele tinha o juízo que merecia, havia matado uma inocente e tinha de morrer, ele próprio sabia disso. Enquanto se debatia na água, podia ver os outros estudantes os vendo morrer, iria morrer afogado, assim como Natasha. Então de repente começou a ver a água a tomar tons rubros, o gosto de vinho inundou sua boca e ele já não via mais nada. O vinho invadia seu corpo e seus pulmões, a falta de oxigênio o matava aos poucos. Como alguém conseguira fazer aquilo ele não sabia, sentiu seus braços serem puxados e presos a alguma coisa, mas já não se importava, iria morrer que nem ela, iria morrer que nem Natasha.
Em seus últimos suspiros toda a sua vida passou pela sua mente, ele havia encontrado a felicidade? Não sabia, não tinha mais certeza de nada a não ser de que ia morrer em poucos segundos, quando a tampa foi levantada e ele foi erguido para fora, em seu último lampejo de consciência ele lembrou-se de tudo, todas as suas memórias voltaram à tona, ele matara a própria felicidade, que desesperante fim, e em seu último segundo, ele só pode pensar:
- Natasha-san, estou indo me juntar a você! Vamos ser felizes para sempre.
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