Life Throws
7 Do you wanna be my valentine? So come away with me tonight.
Notas iniciais
Eu nem pude acreditar. Perto dele, eu estava um lixo. Dom estava lindo, vestido com um smonking. Estava boquiaberta:
–Uau! Eu não sabia que era pra vir a rigor. — Brinquei.
–Bom tive uma ideia a pouco tempo.
–Qual ideia?
–Vamos sair! — Eu comecei a rir pensando ser uma piada.
–É sério?
–Sim, vamos na estreia!
–Ok, agora está ficando sem graça. A gente está aqui meio que presos, vamos acabar suspensos.
–Não vamos não. Já que estamos encrencados, vamos fazer algo ousado de verdade. — Suspirei.
–Eu nem tenho o que vestir, meus vestidos ficam em casa.
–Eu presumi e comprei um pra você! — ele pegou um cabide coberto por uma capa.
–Dom, não precisava fazer isso. — Eu comecei a reclamar.
–Me deixa te dar um presente Ally, que coisa! — Ri da sua cara emburrada.
–Mas...
–Pelo menos abri, foi difícil, mas ainda sim, eu quem escolhi.
Foi o que eu fiz, peguei o cabide da mão dele e coloquei em cima de sua cama. Abri e lá tinha um vestido branco com transparência na lateral e no busto, nada vulgar, era sexy e divino. Um legítimo David Jones:
–Ele é perfeito! — Falei admirada.
–Fico feliz que tenha gostado! — Sua voz tinha um tom de satisfação. — Agora vai se trocar — Ele me levou até a porta.
–Ta bom, ta bom! — Disse enquanto saía.- Está me levando para o mal caminho.
–E você está gostando. — Dei um risada antes de caminhar para o meu quarto.
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Drew
Sermão é pouco para o monólogo que meu pai fez. Foi algo épico e entediante. Ainda disse que eu teria que me virar para reverter a situação. Eu tinha prometido que nesse mês iria a pelo menos quatro festas na cidade para socializar com amigos do meu pai e conseguir mais aliados pra ele. Nesse final de semana teria a estreia de um filme e por mais besta que pareça, alguns políticos estavam afim de festa e era lá que eu devia estar.
Reverter não foi o jeito que eu encontrei. Arrumei as coisa que eu iria precisar, tipo roupa, sapato em uma mala e deixei em um canto do jardim perto do muro. Quando deu a hora, pulei o muro e avistei o carro do Fred na esquina. Paramos na casa dele para eu poder me arrumar.
A única coisa que eu não queria era aparecer sozinho em um evento desses, por isso acabei por chamar a Nancy para me acompanhar. Ela era discreta, sabia se vestir bem e era bacana. Logo que chegamos os repórteres nos encheram de perguntas inúteis. Conversei com algumas pessoas importantes , fazendo o meu trabalho: Arranjando lucros para o meu pai. A Nancy se manteve um amor durante toda a conversa mole. Eu aposto que se fosse a Alícia, ela já estaria se remoendo de raiva por ter deixado de dormir pra vir a algo assim.
Depois de um tempo comecei a ouvir um alvoroço na entrada da festa. Puxei a Nancy para ver o que era. Dominique e Alícia entraram no salão, os flashes não paravam um minuto só. Os jornais tinham um prato cheio, quem podia negar um casal quando se entra de mãos dadas?! Eu e Nancy estávamos meio paralisados no local. Os dois riam como nunca. Me deu muita raiva quando notei que as pessoas que eu lutava para conquistar se aproximavam sem nenhum esforço.
Comecei a ficar cansado daquela festa. Fui até o bar pegar uma bebida e acabei ficando por lá. Não importava o quão chato eu estava sendo com a Nancy ou qualquer um. Não estava nem aí, eu queria mesmo é esquecer que estava na porra daquela festa ridícula, o filho da puta do Dominique que estava roubando algo que era meu.
Não sei quanto tempo fiquei lá. Ouvi a Nancy dizendo que ia embora, mas não me preocupei, eu sabia que ela seria discreta e sairia sem ninguém perceber.
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No minuto seguinte em que passei pela porta do salão, me senti bem, animada. De repente todas aquelas perguntas dos jornalistas, as pessoas interferindo na minha vidam, não eram chatas. Dominique respondia as perguntas como se elas fossem feitas por pessoas da família. Sem respostas curtas ou grossas.
O salão estava deslumbrante,claro que na hora que chegamos os atores já deviam ter ido embora. Alguns minutos depois que entramos, várias pessoas vieram ao nosso encontro. Eu achava a conversa delas meio chata, mas o que podia fazer, apenas sorrir.
Dancei, dei boas risadas. Fora do colégio, Dominique era muito mais divertido e solto. Enquanto ele conversava com um secretário do gabinete, fui até o bar pegar algo para beber. Vi Drew sentado não muito longe, nas piores condições possíveis. Voltei até Dom, pedi licença ao secretário e o puxei:
–Eu odeio ter que pedir isso, mas o Drew está caído no bar, muito bêbado! — Ele riu.
–É um moleque mesmo!
–Dom, a gente tem que ajudar! — Pedi.
–Não temos não. — O ar de humor tinha sumido.
–Nós sabemos como é ruim estar no tabloides de fofoca fazendo algo errado ou que prejudique nossos pais. Eu gostaria que fizessem isso por mim.
–Ally, qual é... Tá estragando o clima.
–Eu sei! Mas teremos muitas noites assim, não é?! — Ele deu um sorriso de canto de boca.
–Tudo bem. O que quer fazer?
Expliquei o plano: Levar o Drew pela porta dos fundos, deixá-lo no carro e depois nós voltávamos para o salão para sair pela porta da frente. Ele resmungou um pouco, porém acabou aceitando. Drew reclamou o caminho todo, me fazendo repensar minha atitude.
Chegamos no colégio às duas da manhã, a entrada foi complicada. O segurança não queria nos deixar entrar, mas acabou cedendo... Por dinheiro, claro! Faltava apenas levar o Drew para o dormitório:
–Deixa que eu levo, Ally!
–E depois ver nos jornais que ele foi jogado em algum rio, não obrigado.
–Não faria isso! — Ele se defendeu.
–Faria sim!
–É, faria mesmo. — Ele se deu por vencido. Tem certeza que consegue levar?
–Ele vai andando, eu vou apenas auxiliar.
–Tudo bem. Curti a noite, devíamos fazer mais vezes... — Eu sorri.
–Eu também. Concordo!
– Boa noite! — Ele me deu um beijo na bochecha e foi embora.
Esperei o Dominique virar na coluna e comecei a balançar o Drew, aquela coisa tinha que acordar de qualquer jeito. Depois de alguns trancos, ele abriu os olhos meio grogue.
–Alícia?! — Bufei, pelo visto seria difícil. — Pelo visto é, onde está o fabuloso Dominique? — Sua voz era arrastada.
–Provavelmente dormindo que era onde eu queria estar .
–Ninguém pediu a sua ajuda. Eu poderia ter ficado lá...
–Cala a boca e anda! — Ele levantou os braços se mostrando rendido e começou a andar.
Ele caiu 3x em todo o percurso até o quarto, eu tentava ajudá-lo a levantar, mas ele sempre recusava. Comecei a olhar para os lados, pensar em outras coisas, em como a minha mãe surtaria ao ver as minhas fotos nos jornais e na internet. A risada de Drew interrompeu os meus pensamentos:
–Nunca pensei que iria viver para ver Alícia Jones como bibelô de alguém.
–Como é?
–Você ouviu! Estava lá sorrindo para todas aquelas pessoas, aqueles idiotas... — Seu tom de voz mostrava sua raiva. — Sabe o quanto eu lutei por aquilo, Alícia?
–Aquilo o que?
–Aquelas pessoas. Era o meu propósito ali, estava pelo meu pai.
–O que eu tenho a ver com isso Drew, estava apenas sendo educada! — Respondi me exaltando.
–Você estava com "ELE", isso já basta! Você me disse que não ia...
–Lógico, eu estava doente e de "castigo" por assim dizer! Chega desse assunto... — Comecei a caminhar para a direção do meu quarto.
–Volta aqui, não terminei... — Ele veio atrás de mim.
–Tenho uma novidade pra você: O que eu faço não é da sua conta Drew! — Ele me alcançou e me puxou para perto pelo braço.
Eu estava esperando alguma resposta ou gritos, qualquer coisa, mas ele apenas ficou me olhando. Afrouxou o aperto no meu braço e se aproximou. Me sentia uma idiota por deixar ele fazer aquilo, nós não estávamos discutindo? Drew encostou sua testa na minha e fechou os olhos, eu mal podia conter minha respiração acelerada, quanto mais entender. Segundos depois ele desencostou e foi em direção a minha boca. Passou de leve a sua boca na minha, acabei fechando os olhos.
–O que está acontecendo comigo? — Ele perguntou e me tirou do transe.
–Está bêbado, nada do que fizer deve ser levado em conta. — Pude vê-lo sorrir.
–Não é isso...Minha cabeça está explodindo.
Comecei a tirar o braço dele de mim e vi um olhar surpreso nos seus olhos.
–Tenho que ir. — Expliquei. — Fica bem, boa noite! — Dei um beijo na bochecha dele. Ele não respondeu, mas deu um sorrisinho de canto de boca.
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