Life Starts Now
1 Just Tonight
Notas iniciais
;*
Demi Pov
Uma coisa me fez despertar.
Tinha, praticamente, acabado de deitar. Estava morta de cansaço, mas, após alguns minutos de olhos fechados fingindo-me de morta-viva, sinto algo.
Era uma mão. Ela foi depositada em minha perna, mais precisamente na minha coxa, e assim foi tomando território subindo por ela rudemente, me apertando e apalpando. Me explorando. Aquilo era violento, mas seu toque era tão familiar, tão ... gostoso.
A mão parou em minha cintura, me acariciando.
Virei-me de lado, de frente para a criatura no qual presumia ser o dono da mão. Mas minhas esperanças de ver o rosto o ser foram a baixo quando dei de cara com o breu.
Não via nem minha própria mão em frente de minha face, como veria uma pessoa!, mas pelo jeito eu era a única que não enxergava pois, com uma mão ainda posta em minha cintura, a outra deslizou sobre meu rosto ... suave, totalmente diferente da agressividade de segundos atrás.
Sentia sua respiração. Era uma respiração conhecida, um hálito conhecido.
O ser selou nossos lábios implorando, imediatamente, que sua língua penetrasse entre meus lábios.
Não sabia o que fazer.
Sua mão suave, depositada em minha nuca, me puxava mais e mais para o beijo sedento; no qual nem tinha fechado os olhos, por falta de ação.
Sua mão agressiva envolveu a barra de minha camiseta num ato de desespero, assim como nosso beijo. Desespero ...
Empurrei a pessoa para longe de mim, me levantando da cama.
Ela já percebera minhas reações e, como se planejasse desde o começo, segurou meu pulso impedindo-me de me mover.
- Me solta! – exigi.
- Eu posso explicar. – disse a voz feminina que menos queria escutar.
Minhas suspeitas foram confirmadas.
- Não, não pode. – me soltei, caminhando em uma trilha cega de encontro ao interruptor.
Acendi a luz, vendo a morena em minha cama.
Seus cabelos bagunçados, os lábios vermelhos e os olhos escuros de desejo.
- Demi... – sussurrou Miley.
- Chega! – disse. Estava cansada.
Eu tinha acabado nosso namoro. Já era!
Mas ela sempre insistia. Sempre.
- Miley, acabou! – continuei. – Você não tem mais a liberdade de entrar no meu quarto no meio da noite, às escuras. Qual seu problema?
- Meu problema é que ainda amo você! – ela se levantou, se aproximando de mim.
Ela prensou-me contra a parede fria.
- Diga que não gostou da nossa brincadeira, ali. – ela dizia, seus lábios a centímetros dos meus, a voz pouco mais que um sussurro. – Diga que ainda não sente desejo.
- Miley, desejo eu sinto. Até demais. – disse eu, a voz firme. Afastei-me dela, indo para o outro lado do quarto bagunçado. – Mas o amor não existe mais entre nós.
- Existe sim! – sua voz ficou embargada por um momento, mas logo se normalizou com seu tom mais baixo de sedução. – Ainda existe amor da minha parte Demi. E outra! Não me importo de ser seu brinquedinho. Podemos ficar essa noite. Eu e você e quando tiver desejo novamente...
- Não. – disse eu. – Gosto demais de você para permitir isso. Miley, você é minha amiga agora...
- Não sou sua amiga! – me interrompeu, correndo até mim e me agarrando pela cintura. – Amiga é muito pouco pra mim. Muito pouco.
Ela me beijou com o mesmo desespero de antes.
- Miley, para! – gritei e ela me soltou, amedrontada.
- T-te machuquei? – perguntou preocupada.
- Não. – não agüentava bancar a calma. – Ou melhor, sim machucou. Por dentro. Miley faz uma semana que nós terminamos. Uma semana que você me sege pelas baladas, amedronta as meninas que se mostram interessadas em mim ... isso já deixou de ser por amor, virou obsessão, virou doença!
- Eu te amo! – gritava ela me interrompendo, mais eu não a ouvia e continuava a disparar palavras. – Não grite, pare, pare. Eu te amo!
- Miley... ultima chance. – acalmei-me, respirando e engolindo tudo que ainda tinha guardado. – São onze da noite. Se você quiser dormir aqui, tudo bem, mas será como amiga. Melhor amiga, como antes. Você em um colchão e eu em outro.
- Mas Selena dorme com você quando posa aqui. – lamentou-se ela.
- E você também dormiria se não tivesse feito o que fez a minutos atrás. – respondi. – Então a escolha é sua. Fica, como amiga, ou vai embora.
Ela pensou, mas logo se pôs de pé e pegou o casaco.
- Me recuso a ficar somente como amiga. – disse ela, a voz cada vez mais mudada. – Vou embora.
Ela chorava. A conhecia bem demais para ela tentar esconder algo de mim.
Ela chegou até a porta e a abriu, parando no meio do caminho.
- Mas você ainda vai voltar atrás. – finalizou ela. – Isso eu garanto. E quando isso acontecer... eu vou estar aqui. Não se esqueça.
E saiu, fechando a porta do quarto com sua passagem.
- Ótimo conheço de ano. – digo a mim mesma, apagando a luz e voltando a dormir.
Me sentia mal quanto a situação de Miley.
Não conseguia mais continuar o namoro. Estava tão sem amor que nós nos tratávamos como amigas normais, só que com alianças. Então eu tirei esse detalhe, mas ela se zangou e agora jurou vingança.
Tateei o criado mudo, achando meu celular e discando.
- Alô? Demi, tudo bem? – uma voz sonolenta atendeu.
- Selly, vem dormir comigo hoje? – perguntei.
- Demi, são quase meia noite... – ela se interrompeu. – Claro. Me espere acordada.
E desligou.
Selena Pov
Tudo bem, não conseguia resistir a Demi. Sua voz me hipnotizava, não tinha como dizer não.
Resolvi não tocar a campainha, pelo motivo de estarem todos dormindo, então mandei uma mensagem para ela. Que logo apareceu embrulhada em um hobby como proteção do vento gelado de fim de inverno.
- Oi. – falei a abraçando.
Não pude evitar. Seu rosto implorava por um.
- Entra. – convidou e eu o fiz.
Nós sentamos em sua cama.
- Desculpa não devia ter ligado, mas quando vi, já tinha feito e...
- Chega Demi! – disse sorrindo. – É claro que devia ter ligado. Você esta péssima, olhe seu rosto. O que aconteceu?
- Advinha. – disse ela, tirando o hobby e exibindo seu pijama favorito com seu sorte minúsculo preto e blusa de alças branca. – Miley de novo.
- De novo? – perguntei incrédula. – Ela não cansa? Já faz uma semana.
- Foi isso que eu falei pra ela. – ela se deitou, cobrindo-se com o edredom. – Mas ela me agarrou e começou a falar sobre não aceitar ser só minha amiga. Ai Selly, me sinto culpada.
- Culpada? – disse, tirando minhas roupas e ficando só de pijamas. – Culpa do que? Não foi você que quase matou aquela menina no sábado.
- Selly, eu simplesmente explodi. – começou ela. – Comecei a gritar falando tudo o que estava entalado. Tudo. E ela saiu daqui chorando...
- Demi, ela saiu daqui chorando hoje. – me aconcheguei ao seu lado, esquentando meu lado da cama de casal. – Mas e você que já saiu chorando da casa dela milhares de vezes? Hein? Isso não conta? Sabe qual seu problema? Você só pensa nos outros, nunca em você mesma.
Ela ficou quieta me encarando.
- Nega isso. – disse eu, gentilmente tirando a franja de seus olhos. – Você esta pensando exatamente o quanto ela esta desabando de chorar em seu quarto, o quão chateada ela vai ficar quando vocês se verem novamente. Mas esta pensando no que você mesma fez? Você me chamou pra desabafar no meio da noite. Certo, você não esta enchendo um balde de lagrimas, mas esta sofrendo.
Ela ainda me encarava, como se estivesse ligando os pontos. Ou procurando um jeito de dizer que estava errada.
- Selly... ela jurou vingança. – disse finalmente, sua voz rouca. – Disse que eu iria voltar atrás, iria pedir para ela voltar e o faria. Não quero que isso aconteça. Não quero voltar para ela Selly.
- Calma Demi. – ela me abraçou novamente. – Também não quero que volte para ela.
- O quê? – questionou Demi, confusa.
- Aaah... nada. – contornei amedronta por esse deslize. – Só disse que não vou deixar isso acontecer. Não vou deixar nada que você não queira acontecer.
Ela abriu um sorriso.
Aquele sorriso. Aquele que faz a escuridão parecer mais clara que o dia, que faz até o passarinho mais triste cantar.
- Vamos dormir. – disse eu, indo apagar a luz.
Me deitei, esperando ouvir um boa noite, mas o silencio era profundo.
- Selly... – sussurrou ela.
- Demi? – sussurrei de volta.
- Posso dormir abraçada em você? – perguntou.
- C-claro. – gaguejei e senti seus braços abraçarem minha cintura e sua cabeça encostar levemente em meu ombro. Seus leves cabelos cor do breu faziam-me cócegas no pescoço, mas era tão agradável que parecia massagem.
Esta tão obvio que gosto dela. Tento esconder, mas é impossível assim como tento esconder o ódio profundo que tenho de Miley. Nós éramos melhores amigas, as três, até Miley pedir Demi em namoro e eu perceber que gosto dela.
Sei pelo jeito que Miley me olha que ela sabe meu segredo, mas Demi, ela me trata como a amiga mais querida dela... nem desconfiando do meu amor.
E isso não era de todo ruim, afinal eu posso ficar o tempo que quero perto dela. Nos filmes de terror abraçá-la enquanto ela ri, pegar sua mão enquanto andamos pela escola, brincar com seus cabelos quando chora em meu colo... é muito mais fácil amá-la em segredo do que eu pensava, mas ultimamente tem sido difícil, principalmente com Miley rondando.
Ela me dava medo, as vezes. Tão obcecada pelo amor de Demi que acaba arriscado até a própria imagem e sanidade. No sábado passado, em uma balada, quase matou uma menina com uma garrafada na cabeça porque a coitada tinha se aproximado demais de Demi. Mas, sabia que não precisava ter todo esse medo. Sabia que Demi estaria lá para me proteger, como amiga, mas estaria.
E, aspirando aquele aroma tão conhecido, dormi.
Aspirando Demi.
Notas finais
Até o próximo post, ;B
Review ?
Fale com o autor