Notas iniciais
Depois de um monte de enrolação, finalmente a fic tá começando de verdade. Tá aí o terceiro capítulo. Espero que gostem. :p

Charlotte se recuperou surpreendentemente rápido da ressaca. Aparentemente, já estava acostumada com isso. A rotina da manhã, foi praticamente a mesma... Exceto pelo fato de que eu exigi que ela me ajudasse com uma faxina.

— Francamente, Lottie. Isso está um lixo.

Ela gemeu, desanimada.

— E daí? Deixa pra fazer isso quando tiver visita.

Suspirei, um tanto quanto decepcionada com a situação.

— Seu descaso me deixa deprimida. Levanta desse sofá, para de reclamar e me ajuda logo.

Ela bufou, e pegou uma vassoura.

— Okay. Mas depois disso, você vai ter que correr comigo.

Eu assenti.

— Trato feito.

Depois disso, começamos a limpar a casa. Poderíamos ter colocado alguma música alta? Claro. Mas o gosto por pop dela, não daria certo com meu gosto por rock progressivo e indie folk, tudo muito deprimente.

Não demorou muito para terminarmos. Ela parou rápido de fazer corpo mole, já que se empolgava com qualquer coisa, e o apartamento não era muito grande. Logo, nós estávamos sentadas no sofá falando sobre aleatoriedades inúteis.

— Hey, Lucy. As férias estão acabando.

— É, estão.

Levantei uma sobrancelha, imaginando o que ela pretendia.

— E o que você acha de...

— Não.

Ela bufou.

— Você nem sabe o que eu ia dizer.

— Não preciso. A sua cara diz o suficiente.

— Eu só ia dizer para irmos pra algum bar, ou sei lá.

— Depois de ontem, você ainda quer ir a bares? Não, obrigada. Prefiro ficar aqui, com uma panela de brigadeiro assistindo filmes policiais na Netflix.

— Qual é, Lucy. Você precisa viver.

— Estou vivendo... Do meu jeito.

Dei de ombros. Ela deu um longo suspiro, visivelmente decepcionada com toda a minha tranquilidade. Nossa pequena conversa, logo foi interrompida pela campainha tocando.

— Eu atendo.

Me voluntariei, e ela não contestou. Logo, levantei e fui até a porta. Ao abri-la, reconheci a garota baixinha — mais baixinha do que eu — de cabelos azuis que conheci ontem.

— Luna? O que faz aqui?

Disse dando espaço para ela passar. Ela parecia abatida, assustada. De certa forma, me deixou preocupada. Aparentemente, Charlotte ouviu eu falando com ela, porque se levantou e foi ver o que estava acontecendo. Luna entrou quando abri espaço. Ela estava tremendo, e com olheiras tão fundas que parecia não ter dormido a noite toda. Isso fora os cabelos bagunçados.

— Luna! O que aconteceu com você? Está horrível!

Lottie parecia bem preocupada pelo seu tom de voz. Na verdade, até horrorizada. Fechei a porta quando ela passou.

— Ah, muito obrigada Charlotte! Mas, sabe, eu sei muito bem como minha aparência está uma merda.

Ela revirou os olhos, usando o mesmo tom sarcástico e arrogante de sempre. Eu, fui um pouco mais séria.

— Não se faça de durona. Se veio até aqui, é porque precisa de ajuda. Venha, vamos sentar. Tem café, se quiser.

— Eu detesto café.

Ela se sentou, seguida por mim e Charlotte.

— Tá... Detesto ter que pedir ajuda pra vocês, mas estou com problemas sérios. Tipo, sérios mesmo.

— Prossiga.

Eu disse em um tom grave e firme, embora isso fosse difícil, com a minha voz de criança.

— Meu ex... Ele tá me mandando umas mensagens estranhas...

— Desde quando?

Dessa vez, foi a voz trêmula da Charlotte que falou.

— Ontem a noite. Quando voltei do bar, chequei meu celular e tinha todo tipo de ameaça. Cara, eu tô com muito medo... Me separei dele porque ele tentou me bater, mas agora isso tá ficando sério...

— Já foi à polícia?

Parece idiota da minha parte perguntar isso para alguém no estado dela, mas era a coisa mais óbvia a se dizer, e a se fazer também.

— Eu iria, mas tive problemas com um policial idiota esses dias. Eu parei na porra de uma vaga pra deficientes... Mas a placa tava mal pintada, caramba! Eu não tinha como saber. Fora que ele achou um pouquinho de erva no banco de trás. A quantidade era permitida pela lei, mas mesmo assim o filho da puta levou meu carro... E ainda teve a audácia de me bater.

Diante daquilo Lottie não soube o que dizer. Apenas ficou de boca aberta, aparentemente tão assustada quanto Luna.

— Cara... Eu não sei o que fazer. Aquele cara é psicótico. Eu tô com muito medo.

— Então, pode ficar aqui conosco.

Dei um suspiro ao falar. Ambas olharam para mim surpresas.

— A pior coisa que você pode fazer agora é ficar sozinha. Traga algumas roupas pra cá, se não se importar pode dormir no sofá.

— Cara... Sério, valeu. De boa pra você, né Lottie?

Ela olhou esperançosa para a morena, que assentiu com gentileza. Feito isso, Charlotte saiu com ela de carro para que ela pudesse buscar o necessário em casa, e eu fui para o meu quarto.

Por alguns breves segundos, eu esqueci da situação da minha tia. Mas ao entrar, eu lembrei. Tinha que responder a mensagem da minha irmã. Ela não podia ficar ainda mais assustada, então decidi que seria melhor omitir os problemas da Luna com o ex psicopata.

"Oi, Alyssa. Por aqui está tudo bem. Charlotte é gentil, e tem amigos incríveis. Quanto à tia Hana, ela vai ficar bem. Com um bom médico e um bom tratamento, ela logo vai estar de pé novamente, mandando em você. Não se preocupe. Até mais."

Foi o máximo que consegui escrever, com o tanto de coisas que tinha girando na minha cabeça. Depois de reler a mensagem diversas vezes, enviei. Não queria pensar muito naquele assunto, então fechei o notebook. Ainda era cedo, 12:43.

Fui até cozinha, tomei mais uma caneca de café. Não demorou muito para ouvir um barulho na porta. Eram Charlotte e Luna chegando. Fui até a sala. Luna carregava duas mochilas abarrotadas de coisas.

— Vá tomar um banho. Depois, arrumamos isso.

Charlotte disse em um tom calmo e carinhoso para ela. Luna obedeceu, por incrível que pareça. Depois que ouvimos a porta do banheiro batendo, nos entreolhamos, e eu dei um suspiro.

— O que diabos vamos fazer? Não quero nenhum louco aparecendo por aqui pra nos matar.

— Lucy, ela está num momento delicado. Foi você mesma quem sugeriu que ela morasse aqui conosco. O melhor que podemos fazer, é dar apoio a ela, do jeito que for possível.

Dei de ombros, virando meu café na boca. Quando terminei, coloquei a caneca na pia. Charlotte logo entrava na cozinha para fazer o almoço. Eu, fui procurar coisas que Luna precisaria. Caixas bonitas, para ela guardar as roupas sem acabar com a organização, um cobertor que poderia parecer algum "enfeite" para o sofá, etc.

Quando terminei tudo e comecei a levar para a sala, e organizar as coisas dela lá, Charlotte apareceu e riu da minha cara.

— O que foi?

— Você sabe que ela não vai querer usar isso nem fodendo, né?

— Vai ter que querer. Estamos sendo gentis de permitir que ela fique aqui. Vai ter que colaborar com a ordem.

Ambas rimos. Não demorou muito para Luna sair do banho. Ela reclamou da minha decisão de usar as caixas, mas acabou concordando no final, depois de um pouco de briga. Almoçamos, escovamos os dentes, e saímos, apenas para conversar coisas inúteis.

Nesse pequeno passeio, descobri algumas coisas sobre Luna. Os pais dela eram separados. Ela amava muito o pai, mas a mãe dela tinha se casado com um idiota que ela detestava. Por isso, morava sozinha. Ela tinha uma irmã, que estava viajando. Seu sonho para a faculdade era jornalismo.

Eu fiquei um tanto quanto surpresa com a faculdade que ela pretendia fazer. Podia jurar que ela tinha algum talento musical, mas quando perguntei sobre isso ela disse que era tão boa em música quanto um pinguim. Talvez essa minha dúvida tivesse vindo da sua aparência punk rock, porque ela realmente não tinha dado nenhum sinal de gostar de música.

Nós fomos ao shopping. Não fizemos comprar, tampouco comemos algo. Ficamos apenas andando pra lá e pra cá, conversando sobre aleatoriedades. Luna parecia mais calma, agora que tinha companhia. Ela achava que Thomas, seu ex namorado, fosse atacar em público, ainda mais ela estando acompanhada.

Lá pelas 15:50, voltamos para casa. Já estávamos ficando cansadas de andar sem fazer nada, então quando chegamos, cada uma ficou no seu canto fazendo algo de sua preferência. Eu, no caso, fui ler, enquanto conversava com Charlie pelo facebook. Ele parecia empolgado com uma história que estava escrevendo.

O restante da semana, passou no mesmo ritmo. Saíamos bastante entre amigos, poucas vezes bebemos um pouco. Recebia notícias frequentes sobre os tratamentos da minha tia, que não estavam dando os resultados esperados, apesar de ela ter melhorado um pouquinho. As mensagens de Thomas foram diminuindo de frequência, o que fez com que Luna se tornasse mais imprudente, apesar dos avisos. Não contamos ao Charlie sobre isso.

Então, finalmente, eu estava indo dormir no meu último dia de férias. Charlotte, já se dizia cansada. Luna tratava com a maior indiferença, porque sabia se só dormiria em todas as aulas. Charlie, parecia empolgado para fazer todo tipo de atividade que aparecesse na sua frente. Eu... Bem, eu estava pensando em mil e uma possibilidade para o dia de amanhã, mas no final acabei apenas adormecendo.

Notas finais
Bom, pessoas. Eu vou tentar postar o máximo possível enquanto estou de férias, porque depois vai ficar bem complicado pra mim. Por isso, a partir de fevereiro o ritmo de postagens vai diminuir um pouco. Mas enquanto isso, tem esses capítulos pra ler.