Life Of Death - Ritual das Quatro Luas
1 O Sonho
TRÊS FATOS RUINS SOBRE A MORTE:
1-O trabalho é em tempo integral e o pagamento não compensa (por que não existe)
2-Viajar o mundo inteiro e ceifar a alma de centenas de pessoas que morreram no mesmo dia é cansativo.
3-Os "clientes" quase sempre reclamam e/ou choram (isso quando eles não querem contar toda a vida deles).
Eu sou um adolescente de 15 anos como qualquer outro no mundo. Exceto por um pequeno motivo. Contarei a você agora a minha história. Não desde o começo é claro, pois senão demoraria muitos anos. Mas desde o dia em cheguei neste mundo.
Estava passando pelas ruas de Lifesping Villa. É uma cidade relativamente grande. É dividida em dói pedaços: a Cidade Antiga, o centro histórico da cidade com casas antigas onde gente muito importante morou e ainda mora. É uma parte pacifica onde a maioria das pessoas da cidade mora. Cheia de parques, bosques e ruínas antigas e misteriosas, é um lugar muito estudado pelos historiadores da região e muito apreciado pela população local. E a Cidade Nova, cheia de prédios modernos, fábricas, lojas, etc. É onde os grandes burocratas poderosos constroem seus micro-impérios e comanda a vida das pessoas. O lugar é cheio de violência, pobreza e sujeira. Muitos consideram a Cidade Antiga de Lifespring Villa e a Cidade Nova de Lifespring Villa duas cidades diferentes.
Bem, como ia dizendo, estava eu, passando pelas ruas da Cidade Nova. E como sempre, ninguém me notava. Eu era como uma sombra. As pessoas passavam por mim e não me viam. Mas não é pra menos já as pessoas de hoje em dia só notam elas mesmas. Mas no meu caso é diferente, eu sou mesmo muito imperceptível.
Finalmente eu cheguei ao meu destino. Um acidente de carro. Quatro feridos, e um morto. Bem, na verdade ele ainda não estava morto. Eu me aproximei do homem estendido e ensangüentado no chão. Ele olhou pra mim e disse:
-Me ajude... por favor.
-Vim aqui pra ajudar-te, Thomas Amenhill. Vim aqui pra libertar-te.
-Quem é você? Como sabe o meu nome?
-Já tive muitos nomes. – eu disse pacificamente. — Alguns me chamavam de Ankoù, outros de Tânatos ou de Hel. Sou chamado de Sammael por aqueles que me odeiam e temem. De Azrael por aqueles que me amam e me aceitam. Não importa como queiras me chamar. Sou sempre o mesmoMalach HaMavet. O Final, Aqueles que muitos temem, Aquele que todos evitam, mas sempre encontram, a Sombra no fim da Estrada da Vida, o Ceifador Sinistro, o Arcanjo Negro. Eu, meu caro Tom, sou a Morte.
Os olhos do homem foram tomados pelo terror. A muito convivo com aquela expressão. A maioria daqueles que chegam ao fim da Grande Jornada chamada Vida e percebem que não viveram e por isso me desejam longe sempre tem esta expressão estampada no rosto. Sabia o que ele estava vendo agora. Minhas roupas e aparência estavam mudando na frente dele. Eu estava usando uma camisa preta com uma caveira estampada. Por cima dela, eu estava usando uma jaqueta negra fechada com um capuz e por cima da jaqueta eu estava usando um colete aberto de jeans preto com e broches de ou bandas famosas, ou caveiras e outros símbolos da morte, ou brasões de reinos inteiros que levei a desgraça com um dos meus três irmãos. Estava usando uma calça jeans preta e tênis pretos com o cadarço branco. Eu tinha pele clara, olhos castanhos dourado curtos e cabelos negros e rebeldes mas como estava de capuz, era difícil reparar.
O modo que ele me via agora refletia seu medo de mim. Minha carne se decompôs e meus ossos expostos se tornaram negro. Meus olhos se tornaram fogo negro e minha roupa se tornou uma longa túnica negra. Mas às vezes o jeito que eles me vêem é diferente. Cada um coloca um pouco de seus próprios medos em minha aparência. Alguns reis me viam com uma coroa quebrada sobre a cabeça, em outros, minha pele não decompunha, mas se tornava cheia de rugas e espinho (não espinhas). Tudo depende da percepção da pessoa.
E agora a parte mais divertida e ao mesmo tempo a mais estressante: ele saiu correndo e eu tenho que persegui-lo.
-Eles sempre correm. – eu disse pra mim mesmo. – como se isso fosse de alguma utilidade.
E me pus a segui-lo, na maior tranqüilidade, cantarolando a minha musica preferida: Sonata n° 2 para Piano porFryderyk Franciszek Chopin, mais precisamente o terceiro movimento,também conhecida como Marcha Fúnebre.
Thomas entrou no shopping, que era logo virando a esquina. Eu o segui. Era como qualquer outro shopping. Teto alto, algumas plantas por ai, muitas lojas, corredores largos, e uma fonte no centro da estrutura. Dois andares é claro e com escada rolante. E muito tumultuado. Mas não preciso me preocupar com as pessoas me vendo ou trombado em mim. Não enquanto eu estiver no Limbo.
O homem correu e acabou chegando em um corredor sem saída. Ele ficou parado contra a parede. Eu me aproximei e disse:
-Tentando atravessá-la? Você ainda não é um fantasma. Está conectadp ao seu corpo. Vocês humanos chama isso de Coma Profundo. – eu expliquei. — Mas ai é que esta o problema. Se eu não ceifá-lo agora, teu corpo morrera e tua alma ficara perdida aqui no Limbo durante muitos anos. Centenas de anos.
-Prefiro ser um fantasma a ir com você! Sai daqui coisa ruim!
-Seu tolo. Não vai se tornar um fantasma. Vai ser apenas uma alma penada (é diferente) até que os Gytrashs que habitam esta Terra sem Vida e Morte te perseguirem, enganarem, ludibriarem, maltratarem, mastigarem e estraçalharem e reduzirem tua alma a uma Sombra, um simples fragmento, com poucas chances de salvação.
-Nunca irei com você! Não é minha hora ainda! Eu vou conseguir voltar ao meu corpo! Você não vai me pegar!
-Todos dizem isso. – eu ri.
Ele novamente tentou fugir, mas hesitou quando estendi a mão direita. Nuvens de fumaça negra surgiram em volta de minha mão, e começaram a tomar a forma de um cajado. Na ponta do cajado, as nuvens tomaram a forma de uma meia lua. E com um clarão de luz, as nuvens se tornaram solidas. E na minha mão se encontrava uma foice negra. O homem deu um grito de pavor quando ergui a foice e disse:
-Por que me temes? Não foste tu que me desejastes a muitos? Não foste tu que me enviaste para a casa de muitos? – minha voz soou como um trovão. – Agora me temes, porque vedes o mal que fez. Sabes o que te espera além dos Portões.
-Não! Sai de perto de mim! Eu não quero ir! - ele chorava e soluçava – Eles vão me mandar para o inferno!
-Se para o Inferno vades, pois é Inferno aonde deves ir. Mas não cabe a eu dizer pra onde ireis. Pois sou apenas aquele que obedece a Vontade Dele. E não Aquele que decide o destino dos homens. Este é o trabalho Dele — e abaixei a foice com todas as forças. A lamina, ao entrar em contato com o espírito, brilhou como uma lua em quarto crescente. E com o clarão de luz, o homem estava morto. Mas o espírito dele ainda estava em pé na minha frente. – Tu estás livre da tua prisão carnal. Agora, tu vens comigo por bem? Ou por mal?
O homem que estava de joelhos ficou de pé e tentou correr. Abri minhas asas, negras e com ossos expostos, impedindo assim a passagem do homem. E o agarrei e levantei vôo. Ele gritava, chorava e gemia, implorando por clemência. Atravessei o teto do shopping e voei mais alto e alto. E alcancei a entrada do Paraíso. Atirei o homem na soleira do Portão e bati. O Príncipe dos Santos apareceu e abriu as portas. Ele me olhou com um olhar de desaprovação e disse:
-Por que tratas tão mal esta pobre alma, óAzra'il, Arcanjo Negro.
-Estou apenas tendo um dia ruim e não tenho mais paciência com estes mortais covardes, óPétros, que carrega as chaves do Paraiso.
-Azrael, sabes muito bem que Ele não aprecia o jeito que tu tratas as almas, mesmo que elas assim mereçam. É Ele, e somente Ele, que decide como elas devem ser tratadas.
-Mas não foste tu que negaste Ele três vezes?
-Neguei sim, e me arrependi. Mas isso não te da o direito de também negá-lo.
-Está certo, está certo. – já estava me irritando. – Leve logo esta alma até a presença Dele.
Pedro tomou a alma pelos braços e conduzi para dentro dos Portões. Retornou logo após e me disse:
-Azra'il, Eles o convocam. Apresse-se.
Aquilo podia ser ou um bom sinal ou um mau sinal. A muito queria pedir a Eles um favor. Mas Eles estavam sempre ocupados. Bem, quando se tem os Céus e a Terra para se administrar, você não tem muito tempo livre. Dirigi-me ao trono Deles na sétima Abobada Celeste. Como sempre, todos os outros anjos brilhavam graciosamente enquanto de mim só emanava sombras. Aproximei-me do trono. Três grandes luzes brilharam intensamente, e três vozes que me disseram:
-Azra'il! Aqui foste convocado! Pois conosco desejas falar! Diga-nos, criança, o que desejas.
-Ó Senhor! Obrigado por me receber. Sim, tenho um pedido a fazer.
-Peça, meu filho e irmão – era a voz mais nova que falava. Era doce é pacifica, pura e cristalina como um rio. – e faremos o que pudermos para ajudar.
-Ó Senhor. Tenho apenas um simples desejo. – Minhas pernas estariam tremendo se um anjo pudesse sentir medo. – A muito sou o Fim da Vida dos Homens e a muito ando pela terra, mas jamais pude entender o que é Viver. Peço que me permita descer a Terra como vivo para assim saber por que os homens estimam tanto a vida?
-E que tomaras o teu lugar em quanto isso? – a voz que falava agora era forte como um trovão ou um terremoto. Uma voz mais velha que o universo.– Quem ceifara as almas e as trará até Meu Reino?
-Eu mesmo Senhor. Posso continuar a fazer meu trabalho e ainda assim ser humano.
-Pai, ele está certo. – a voz jovem disse. — E mesmo vivi como humano e completei meu destino.
As luzes se tornaram fracas e silenciosas. Após alguns minutos as luzes aumentaram e uma delas disse:
-Que assim seja. – está voz era diferente das duas, pois não tinha som. Era uma voz que soava como o vento nas folhas das arvores ou o crepitar e estalar do fogo na lareira.. – Cairá na Terra e se fará homem. Mais ainda terá trabalho a fazer, então manterá teus poderes comoMalach HaMavet. Teus servos ainda lhe serão leais. E as lembranças do teu ser como anjo ainda habitarão teu corpo humano, mas não serás o mesmo que é agora. Esta vida pra tu será como um sonho, quando por os pés no mundo dos homens. Concordas com tudo?
-Sim, Meu Senhor. Por isso já estou até com essas roupas É isso que os humanos “da hora” usam hoje em dia.
-Com a nossa graça, bênção e proteção, partiras agora. – As três vozes disseram juntas. E o chão a abaixo de meus pés sumiu e cai em direção a Terra. Meu corpo se incendiou e me tornei uma estrela cadente para aqueles que olhavam para o céu naquele momento. E com uma explosão e um clarão de luz, cheguei ao chão.
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