Life Isnt a Word, Is a Felling
42 Capítulo 34. After The Storm
Liguei para Thomas. Tocaram 10 vezes, nenhuma foi interrompida pela sua voz. Liguei para casa, mas como sempre ele não estava. Perguntei a mim própria quantos mais dias seriam precisos passarem, até ele me atender o telefone ou responder as minhas mensagens.
Não podia ir ter com Zacky. Synyster mantinha-se por casa, e quando não estava arrastava-me com a minha mãe até as compras de Natal. Por isso, não via Zacky desde a manhã depois do concerto.
Catarina já tinha partido para casa dos avós no norte do país.
Eu ficava por ali, e há noite a casa de Jack me esperava.
Passava pouco tempo das nove da manhã, e um silêncio estremecia aquela casa. Os meus pais permaneciam deitados, agindo como pais normais, algo raro. Sabia que ainda tínhamos de ir fazer as últimas compras de natal, por isso há muito que tinha tomado banho, posto um vestido bordeaux de lã, proprio para o dia, e umas botas pretas de pele. Deixei o meu cabelo cair solto sobre os ombros apenas preso para atrás com uma bandolete preta.
Olhei para o meu telemóvel, tinha uma mensagem do Zacky. Tinha falado imenso com ele por aqui, para evitar desconfianças dos meus pais. Estranhei ter acordado tão cedo.
“Zacky: Amo-te.”
Que novidade…
“Eu também.”
“Zacky: Tenho saudades tuas. Há noite temos de conseguir escapar da confusão.”
“Não deve ser difícil. O Matt?”
“ Zacky: Ainda não me disse nada… De certeza que não chega para o Natal. Ou então passa lá, depende com correm as coisas.”
Senti o sorriso malicioso de Zacky, a ler as suas palavras. Sim, sabíamos ambos como iam acabar se fizessem as pazes.
Peguei no Romeu e Julieta que estava em cima da mesa da sala. Sinal número um que a minha mãe estava em casa. Ela já devia ter lido aquele livro umas cinquenta vezes, mas continuava a ler como se fosse a primeira.
Li as primeiras páginas, enroscada no sofá. Parei numa das falas de Romeu.
O amor é fumo feito de hálito de suspiros; se o alimentam, é fogo cintilante nos olhos dos amantes; se o contrariam, é um mar feito de lágrimas.
As palavras de Romeu eram tão verdadeiras, tão sentidas. E tinha a verdade no que dizia. O amor era a loucura e a perfeição quando verdadeiro e correspondido. Quando não acontecia, era a desgraça dos que amavam.
Amor, palavra confusa. Palavra que sentia-a. A minha relação com Zacky era confusa, mas era bem mais que apenas gostar, era mais que isso… Era amar.
Pousei o livro no sítio dele, e olhei para as fotos que haviam espalhadas por toda a sala. Fotos do meu pai com The Rev e Matt antes da banda, fotos da minha mãe com Jack, fotos de concertos, foto de Zacky com os seus dezassete a segurar-me ao colo, apenas com meses.
Observei o seu olhar. Era mais que obvio a protecção, o carinho. Gostava que Zacky tivesse agora aquela idade, era tudo tão mais fácil.
- Crescemos imenso, não foi?
A mão de Brian pousou sobre o meu ombro. Senti o seu perfume no ar.
- Muito… — Suspirei. Odiava esse facto. – São adultos.
- Não somos muito diferentes de ti, mas sim somos adultos. Sabes alguma coisa de Matt?
- O mesmo que tu, nada.
Synyster andou até ao sofá, sentando-se ao mesmo tempo que olhava o vazio.
- Sabes essa relação é confusa. Ele tem de ter cuidado. A diferença de idades é muita, e pelo menos até Anne não ter os dezasseis, não podem assumir nada. Achas que eles conseguem se controlar? Não era nada bom, os pais dela fazerem guerra com o Matt.
Senti a minha pulsação mais rápida.
- O que tu fazias se fosse eles? – Perguntei, apesar do medo da resposta.
Syn suspirou longamente, e o silêncio permaneceu por segundos.
- Bem, é diferente. Se fosse com um rapaz de uma banda, bem talvez não fosse tão grave. – Suspirei se alívio, mas ele não notou. Manteve-se concentrado na sua fala. – Claro que se fosse da minha banda, ou da tua mãe, era um pouco diferente.
Preparei-me para a pergunta mais difícil.
- Mas admitias?
- Não sei, querida. Mais velho é sempre mais velho. Sabes que nós não queremos apenas beijos, aliás nem vocês as vezes. Mas é mais fácil ir para esse aspecto mais rápido. Tu, por acaso…
Mordi o lábio. Não podia dizer que sim, porque nunca tinha feito nada com o Thomas.
- Não… — Menti, era inevitável.
- O Thomas nunca te pediu?
- Pediu. – Podia falar a vontade sobre o Thomas. – Mas eu não quis. Acho que não gostava realmente dele.
- Fizeste bem. – Vi os olhos de Brian nervosos. Queria perguntar-me algo mas a coragem faltava-lhe. – Tu…
-Sim, pai?
- Importaste-te do que o Zacky fez no concerto?
- Não pai. Foi pela Gena.
- Mas não sentes nada por ele, pois não?
- Não… — Mordi o lábio. Era horrível mentir-lhe.
- Sabes no momento em que ele te beijou, eu não notei a diferença entre vocês. Mas foi estranho, e era muito difícil aceitar se esse beijo tivesse algum significado.
Eu queria perguntar porquê, mas campainha tocou. Avancei em passos lentos até a porta. Não era o Zacky porque ele estava em casa da mãe, não me interessava.
- Thomas?
O choque apoderou-se de mim. Uma lágrima deve ter escorrido pelo meu rosto, mas apenas senti os meus braços a segurarem nos dele.
- Calma – Riu-se. – Passaram o quê? Quatro dias?
O riso dele fazia-me tão bem. Era suficiente para ser feliz.
- Oh – Bati-lhe no braço, mas não com força suficiente para o magoar. – Entra.
- Bom-dia Brian. Feliz Natal.
- Hey Thomas! Feliz Natal!
O meu pai sabia se simpático quando queria. Levei até ao meu quarto, estranhamente arrumado, mas há mesma com uma garrafa de bebida num dos cantos. E esta não fugiu do olhar de Thomas.
- Voltaste a beber?
Apressei-me a esconde-la.
- Só na noite do concerto. – Menti, apesar de não beber desde ai. – Eu e o Zacky. Quer dizer, eu e a banda ficamos um pouco alterados.
- Hum. – Olhou para o tecto como se o resto lhe queimasse a vista. – Fico feliz por ter corrido tudo bem.
- Thomas, porque é que não me atendeste? – Precepitei-me em perguntar.
Ele olhou para mim um pouco confuso, e depois riu-se de uma forma simpática.
- Ah, os telefonemas. Desculpa. – Disse-me ainda com o mesmo sorriso. – Não consegui atender, aconteceu uma coisa.
Olhei para ele aterrorizada. O que é que podia ter acontecido?
- Calma, a minha mãe está grávida. – Disse-me. – Mas sabes ela já não é nova para mãe, e todo o cuidado é pouco. Tive de estar perto dela todo este tempo.
- Quando soubeste?
- No dia do concerto. – Ele baixou os olhos, mas voltou a olhar para mim a sorrir. – Sabes depois da tempestade vem a bonança. Ah, tenho uma coisa para ti.
Sorriu, enquanto tirava um pequeno embrulho do bolso do casaco. Entregou-me.
- Hum, só a meia-noite.
- Obrigada! – Dei-lhe um beijo no resto, para agradecer. – Pensava que não aparecias mas tinha ali o teu presente, vou buscar.
Voltei com uma pequena caixa. Tinha lá dentro um álbum de fotos nossas, e um CD, com as nossas músicas preferidas, e outro da sua banda preferida, Bullet For My Valentine. Tinha pedido ao Syn um autografado, e ele fez questão de ir a casa dos membros pedir. Apenas queria matar saudades dos amigos, e deu aquilo como desculpa, de forma que demorei um dia a conseguir o CD.
- Meia-noite. – Sorri.
Thomas olhou para todo o seu redor. Procurava algo, mas não percebia o quê.
- O Jack? – Interrogou.
- Cozinha. Espera…
Corri até esta e trouxe o pequeno cão irrequieto que ele me tinha oferecido. Mantinha-se pequeno, e apenas estava por casa.
- Quando é o que pudemos passear?
- Hum… — Tentei-me lembrar da conversa do veterinário com a Esmeralda mas não tinha grandes certezas. – Daqui a um mês acho eu.
Thomas olhava-me com doçura e carinho, como nos velhos tempos, mas eu sabia que aquilo lhe custava horrores, sabendo todo o que Zacky tinha-me feito.
Deixei Jack voltar para a sua pequena casa, na cozinha e suspirei longamente.
- Thomas?
Parou de brincar com o meu presente e olhou-me. O seu rosto não estava alegre, e eu percebia.
- Estás a perguntar a ti mesmo porquê, não estás?
Segurou-me nas mãos e aproximou-se. Os seus olhos procuravam as palavras certas para não me magoar, outra vez.
- Juliet, eu continuo sem perceber. Não o porquê de me deixares, eu percebo. Não me amavas, pelo menos não da forma como eu te amo. – As friezas das suas palavras corroíam-me por dentro. – Eu preferia ficar contigo na mesma, mas isso não era bom para ti. Mas, voltares para o Zacky, não consigo concordar. Ele não merece.
- Eu sei que ele errou, mas.
- Tu ama-lo Juliet.
Dei um abraço forte a Thomas. Ele era sem duvida o melhor amigo que eu podia ter.
- Juliet! – A minha mãe gritava por mim. – Vamos embora!
- Já vou!
Despedi-me de Thomas e apressei-me a arrumar uma mala, e por os presentes no carro. Paramos na baixa, para últimas compras.
Tinha na verdade de comprar alguma coisa ao Zacky, mas não sabia o quê. Entrei numa loja de música, não por quer, mas porque eles queriam. Passavam a vida a ver esta e aquela guitarra, enquanto os donos das lojas olhavam parvos para eles. Eu, certamente também olhava parva para uma estilista famosa, se tivesse uma loja de roupa.
Olhei para tudo aquilo e parecia-me insignificante.
Algo despertou a minha atenção distante. Era uma pequena caixa vermelha e preta extremamente simples. Abri-a e dentro dela, saiu uma melodia simplesmente perfeita. Fechei-a.
- Não gostou? – Um homem de barbas brancas sorriu-me. – São poucos os apreciadores dessa. Temos mais se gostar de caixinhas.
- Não. Na verdade amei-a.
- Demasiado perfeita que até dói ouvir?
Os olhos do senhor brilhavam para mim, e eu apenas abanava a cabeça conforme ele voltara a abrir aquela caixa. Era tão doentia, tão doce, tão eterna, tão simples. “Demasiado perfeita que até dói ouvir” era sem dúvida uma boa descrição para a caixa. Senti a melodia a percorrer-me e passei os dedos pela sua madeira suave do seu interior. Tinha um pequeno espelho, e dois amantes abraçados, que rodavam ao som da música. Dentro da gaveta da caixa pedi que aquele homem que pusesse uma palheta branca, cor da paz.
- Quer que grave alguma inscrição? – Interrogou com o mesmo olhar simpático.
- “Porque a tua musica também chama por mim.”
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