Life Is Worth Living
12 Meu primeiro e único amor.
Notas iniciais
Kurt, pela primeira vez em muito tempo, acordou com um humor melhor que os outros dias. Talvez por culpa da noite anterior onde tudo correu bem durante o jantar na casa de Blaine ou do seu atual estado aparentemente bom.
Mesmo com tantas coisas boas o acontecendo nos últimos dias, o castanho ainda possuía uma nuvem negra sobre a cabeça que o fazia pensar se tudo aquilo não sumiria em um simples estalar de dedos. Tudo parecia bem demais e depois de tanto fracasso, é mesmo difícil de acreditar no sucesso.
Hummel se levantou da cama depois de se espreguiçar ainda deitado e foi tomar uma ducha para despertar e se arrumar para o colégio.
Quando saiu do banho, ainda de toalha enrolada na cintura, parou em frente ao espelho para ver sua aparência. Seu semblante parecia menos deprimido, suas cicatrizes estavam mais claras e antigas, o que era um bom sinal e significava que seus demônios haviam o abandonado por algum tempo, mas Kurt esperava sinceramente que fosse para sempre.
Kurt foi escolher sua roupa, mas ouviu seu telefone tocando indicando uma nova mensagem e ele sorriu quando viu que era do Blaine.
"Amor, precisarei faltar ao colégio hoje, okay?
Fique bem e eu te amo."
— Seu B."
O castanho ficou triste, mas entendeu. Afinal, o moreno não estaria 24 horas por dia a sua disposição, ele também tem uma vida e seus próprios problemas para resolver.
Sendo assim, Kurt respondeu um "tudo bem" e um "eu te amo" e terminou de se arrumar para descer e fazer seu desjejum com seu pai.
— Bom dia, kiddo! Dormiu bem?
— Bom dia, pai! Dormi sim e o senhor?
— Muito bem. Você parece um pouco chateado, aconteceu alguma coisa?
— Nada demais, é porque Blaine vai faltar hoje ao colégio…
— Entendo. Mas não se preocupe, Kiddo, agora você tem alguns amigos do coral, certo?
— Sim. Bem, vai dar tudo certo, eu acho!— Kurt forçou um sorriso e já foi tomando o último gole do seu café já se levantando da mesa — Está na minha hora, pai. Eu te amo.
— Espera Kurt! Vou te dar uma carona!
— Obrigado pai!
Pai e filho entraram no carro e em instantes já estavam na escola do castanho.
— Ah, Kurt… Hoje a noite eu vou sair.
— De noite? Posso saber onde o senhor vai?
— Eu… Eu conheci uma mulher, será um encontro. Consertei o carro dela e ela pareceu gostar de mim e eu fui corajoso e a convidei para um jantar. Tudo bem pra você, kiddo?
— Claro que sim, pai! Fico feliz que esteja seguindo em frente! Mas antes de dar um passo a frente nessa relação, quero que me apresente a moça, viu? Quero ver se aprovo ou não.
— Pode deixar, pai! Agora vá logo para sua aula ou irá se atrasar…— Burt beijou o topo da cabeça do filho — Eu te amo, meu filho. Nunca se esqueça disso.
— Eu também te amo, pai! Obrigado pela carona.
Kurt sorriu e saiu do carro em direção a entrada do colégio, logo encontrando Tina que o acompanhou para dentro da escola e eles foram para as aulas que passaram se arrastando para o castanho que estava ansioso para ir embora.
Na hora de guardar os livros em seu armário, Kurt viu os jogadores brutamontes no final do corredor, conversando e rindo entre eles enquanto olhavam para ele. O castanho ficou apreensivo, mas continuou arrumando seu armário até que seu coração gelou vendo os jogadores vindo em sua direção.
— E aí, fadinha…— Disse Karofsky rindo em seguida — Cadê a outra bichinha?
— Ah, que peninha, ela tá sozinha pessoal…
— Não está não!— Disse Santana, chegando com os outros do integrantes do coral — Deixa ele em paz, Karofsky!
— E porque eu tenho que te obedecer?
— Eu sei de cada podre de cada um de vocês, quer mesmo tentar a sorte?
Karofsky e os outros foram embora contrariados e Tina foi abraçar Kurt que estava estático e tremendo.
— Vamos beber uma água, K…
A asiática junto com a Santana, acompanhou o castanho até o bebedouro mais próximo e ele bebeu água.
— Obrigado, Santana. Pensei que eles iam me bater até a morte.
— Tudo bem, eles não vão mais te incomodar.
— Agora você tem a gente, não precisa temer…
— Mas não quero que vocês sofram na mão deles por minha causa.
— A gente aguenta!— Todos sorriram — Ah, viemos avisar que o Mr. Shue não dará aula hoje, então estamos dispensados.
— Que bom, depois disso tudo, eu preciso mesmo ir pra casa.
— Espere, eu vou com você K…
Tina e Kurt saíram da escola e logo viram uma aglomeração junto com uma agitação entre os alunos que iam saindo.
— O que será que está acontecendo ali, K?
— Eu não sei, é melhor nós irmos embora, não quero me meter em confusão.
— Gente, é briga com os jogadores, parece que alguém provocou eles ou algo do tipo!
Disse Artie parando em frente aos dois que assumiram uma expressão curiosa e confusa.
Depois de mais alguns minutos, a confusão se dissipou e todos foram embora.
— Isso é pra aprender que você não é ninguém, sua bichinha inútil!
Kurt ouviu aquilo e foi como um raio o atingindo que fez ele sair correndo em direção a pessoa que estava sentada no chão com o rosto repleto de hematomas, afinal ele sabia que além dele, o único gay que existia na escola era…
— Blaine!
Kurt se jogou no chão e abraçou o moreno que possuía sangue em uma das sobrancelhas, boca e nariz, além de um olho roxo.
— Hey K, droga, não era pra você me ver assim. Eu estou feio.
— Blaine, você está bem?! Eu disse pra você se afastar de mim! Olha o seu estado!— Kurt começou a ficar histérico e chorar compulsivamente — Eu… Eu nunca vou m-me perdoar!
— Kurtie…
— Eles podiam ter te matado, Blaine! Porque você não me deixou morrer naquele dia?! Seria um problema a menos na sua vida, eu sou apenas um estorvo! Você está todo machucado e a culpa é toda minha. Me perdoa…
— Kurt!— Blaine segurou os braços do castanho que ainda soluçava — Está tudo bem, okay? Eles também saíram machucados e isso aqui é só eu ir até a enfermaria e fazer alguns curativos rápidos! Nada demais!
— Mas eles vão roubar a sua felicidade… Eu não quero que fique igual a mim! Não quero que você tente contra a sua própria vida o tempo todo como eu!
— Meu amor, me ouça.— Blaine secou as lágrimas de Kurt com os polegares que tornaram a cair logo em seguida — Eu não poderia nunca tentar contra minha vida já que você é ela! Você é a minha vida e eu jamais te mataria! Não precisa ficar nervoso dessa maneira, eu estou bem.
— Mas o seu rosto…
— Não se preocupe, só de te ver, a dor já foi embora!— Blaine sorriu — Vem, vamos até a enfermaria comigo. Enquanto eu faço os curativos, você toma uma água com açúcar.
Blaine e Kurt foram para a enfermaria e lá fizeram os curativos e o castanho parecia mais calmo, porém muito triste. Ele ainda possuía os olhos marejados toda vez que olhava para o namorado.
O moreno levou o castanho em casa e o mesmo o convidou para entrar e os dois foram para o quarto de Kurt.
— K, você está melhor?
— Não. A culpa ainda está me consumindo, se não fosse por mim, você não estaria desse jeito agora.
— Amor, eu já te disse que está tudo bem e nada disso é culpa sua.— Blaine acariciou o rosto de Kurt — Porque você não dorme um pouco? Talvez tudo isso passe.
— Eu não quero ficar sozinho…
— Eu fico aqui com você.
Blaine se deitou na cama de Kurt e o mesmo repousou sua cabeça sobre o peito do moreno que começou um cafuné gostoso e logo os dois estavam dormindo.
Minutos mais tarde, Kurt acordou assustado com um pesadelo, se sentou e olhou para Blaine lembrando que seu rosto estava machucado fazendo sua tristeza voltar. Por isso, o castanho, sorrateiramente, se levantou da cama e foi até o banheiro do andar de baixo.
Ele se olhou no espelho e outra vez ouviu coisas horríveis o atormentando a mente. Olhou para a pia, procurou na gaveta, no armário e lá estava o que ele precisava para tentar amenizar sua dor ou parar aquelas vozes malditas.
Ele arrancou as lâminas do barbeador do seu pai, se sentou no canto do banheiro e quando ia mais uma vez se ferir, Blaine entrou no banheiro o procurando.
— Kurt!
— Me deixa em paz!
— Não, eu não vou deixar você fazer isso outra vez consigo mesmo!
Blaine entrou no banheiro e fechou a porta atrás de si. Se sentou de frente ao namorado e tirou a lâmina da mão dele cortando seu próprio pulso.
— O que você está fazendo, Blaine!
— O que você está sentindo quando me vê fazendo isso?
— Para com isso, Blaine! Por favor!
— Eu paro se você me prometer que nunca mais vai fazer isso com você…
— Eu juro, eu juro, por favor! Não faz isso!— Kurt disse já aos prantos e Blaine soltou a lâmina suja no chão.
— Eu só fiz isso pra te mostrar que quando você se fere, você fere também a mim. Fere a todos que te amam, que se importam com você. Eu preciso que você se lembre disso antes de se machucar de novo com uma lâmina, meu amor.
— Porque você não desiste de mim? Eu sou uma pessoa horrível, não posso te oferecer nada de bom, apenas sofrimento. Vê, você está com o rosto todo machucado, agora seus pulsos…
— Kurt, eu te amo e eu nunca vou desistir de você! Quem disse que você não me dá nada de bom?— Blaine pegou as mãos do castanho e olhou no fundo dos seus olhos — Você me ama?
— Claro que sim, você foi a única coisa boa que me aconteceu nesses últimos tempos! Sem você eu não sei se ainda estaria vivo.
— Então, isso é tudo que eu preciso, K. Do seu amor. Isso ja é mais do que você poderia me dar de bom.
— Mas você poderia estar com alguém melhor, mais feliz.
— Eu não te trocaria nem por um milhão de relacionamentos felizes! Até mesmo porque, eu já sou feliz! O garoto mais feliz do mundo por ter minha alma gêmea do meu lado e por você me amar.
— O que eu fiz para merecer alguém como você na minha vida?
— Não sei, talvez o mesmo que eu… Nada.— Blaine riu fazendo Kurt o acompanhar — Deixe-me limpar esses arranhões e vamos voltar para o seu quarto, tenho algo para te mostrar.
— O que?!
— Okay, isso saiu um pouco… Desculpa.
— Não tem problema…
Kurt riu e ajudou a limpar os arranhões no pulso do moreno. Depois eles voltaram para o quarto e Blaine mexeu em sua mochila que ele havia levado para o colégio.
— Eu fui até o colégio hoje porque iria te buscar para irmos até uma sorveteria e eu pudesse te dar esse presente, mas aqueles idiotas atrapalharam meus planos, então…— o moreno abriu uma pequena caixinha de veludo roxa revelando dois anéis prateados e o castanho levou as mãos na boca — Kurt, eu sei que ainda somos quase duas crianças, novos demais para isso, mas como eu tenho certeza de que você é o primeiro e único amor da minha vida e de todas as outras vidas…— os dois riram um pouco — Você aceita se casar comigo?
— É claro que sim!
— Nelas estão gravadas a palavra "Purpose", que quer dizer "propósito" em inglês. Significa que nós somos o propósito da vida um do outro e também é o nome da música que você cantou para mim no nosso primeiro beijo que nós fez lembrar das nossas outras vidas juntos.
— Isso é incrível, B! Eu te amo tanto!
— Eu também te amo, Kurtie. Com a minha vida.
Fale com o autor