Life Is Weird

3 Reflexos rachados


Notas iniciais
Olá! Aqui trago mais um capítulo! Agora é a hora que realmente se começa a perguntar o que é que vai acontecer. Mas vamos com calma, estamos só no começo de nossa jornada. Boa leitura!

O que havia acontecido? Era o que eu me perguntei no mesmo segundo que acordei e agora, ao abrir devagar meus olhos para não ficar cega por causa daquele forte sol em meu rosto, eu me pergunto novamente. Coloquei uma mão na minha frente, impedindo de entrar em contato diretamente com aquela luminosidade, pelo menos por enquanto que eu não me acostumo.

Minha cabeça não doía mais, a dor veio e voltou em poucos segundos, não tinha nenhum rastro de que ela sequer estivera ali. Não preciso nem falar que eu estava com medo, essa não é a primeira vez que isso tinha acontecido. Eu imaginava que isso iria parar, tentei mentir pra me mesma dizendo que dessa vez tinha somente sido uma dor de cabeça qualquer, sem nada por trás. Por que isso ainda estava acontecendo?

Me levantei aos poucos, meu corpo parecia um pouco dolorido e para minha surpresa – ou não – eu estava no mesmo lugar que antes, ali, na rua onde se encontrava o Two Whales, do lado do carro vermelho que outrora estava por cima da perna da Kate. Eu até poderia dizer que estava aliviada, que iria dar um suspiro e seguir em frente tão simples com apertar start depois de um game over. Porém, com quem eu compartilharia isso? Afinal, eu estava sozinha.

—Chloe?! Kate! – Eu gritei alto, girando meu corpo, tentando ter algum sinal delas, simplesmente desapareceram. Ou fui eu que fiquei desacordada por tempo demais? Não. Elas não me deixariam aqui sozinha, a mercê do nada, principalmente a Price, onde diabos aquelas duas tinham se metido?

Por um segundo ouço algo caindo no chão, pingando para dizer a verdade. Involuntariamente minha mão vai até o meu nariz. Ótimo, mais um sangramento, boa Caulfield, seu útero deve estar com inveja do seu nariz. Murmuro um merda antes de virar para o lado, planejando voltar para o carro da Chloe, com uma pequena esperança de que ela poderia estar lá.

Entretanto eu não chego a ir, ou dar um passo. Bem ali, na minha frente, no meio de rua, no meio dessa destruição. Um espelho. Não cheguei a me impressionar, porque se eu for ser sincera, já tinha visto coisas muitos mais perturbadoras nesses últimos dias. Olho para meu reflexo no espelho e depois para o meu outro reflexo dentro no mesmo espelho e sim, essa é a hora que se pergunta como pode haver dois reflexos de uma pessoa só no mesmo espelho? Acho que a resposta vai ficar clara.

— Não consigo expressar com palavras o quão imensurável é o meu desprazer de estar lhe vendo novamente – Eu falo. Pra explicar melhor, a minha outra eu fala. Ela estava mais atrás de mim, com uma taça rachada cheia de quê? Milkshake? Se é pra ela ser eu e a cor indicar alguma coisa, só pode ser de morango.

— Toda vez que eu começar a ter alucinações eu vou te ver? – Pergunto fixando meu olhar naquele reflexo dela. Pelo menos ela estava ali dentro, era um ponto positivo entre todos os negativos.

— Acredite em mim, se eu tivesse uma escolha, te ver seria a última delas e a propósito, pode virar de costas, sei que sua mente é uma negação quando se trata de verdadeira criatividade, mas estou aqui, pare de se achar a Harry Potter – No mesmo segundo eu viro e lá estava ela, com o canudo na boca, como se fosse a coisa mais normal do mundo naquele cenário.

— O espelho de Ojesed mostra o desejo mais profundo de uma pessoa, não o exato contrário – Termino minha fala cruzando os meus braços e cerrando meus olhos, engraçado e irônico como a pessoa que mais pode te irritar no mundo, é você mesma. Fiquei esperando a reação dela e foi uma que me pegou de surpresa. Ela começou a gargalhar bem alto.

— Você é mesmo uma nerdzinha, tão patético – Ela calmamente então termina todo o conteúdo da taça, pegando ela e jogando-a em um carro qualquer, quebrando-a em vários pedaços – Não me olhe com essa cara, já estava rachado mesmo e além do mais, por que se preocupar com uma taça que veio do mesmo lugar de vidas que pra você valiam merda, não é mesmo? – Minha outra eu aponta para o Two Whales e eu trinco a mandíbula. Só eu de verdade sei a dor que sinto.

— Você não sabe de nada! Não quero nem perder meu tempo conversando com você, por que eu estou aqui? Eu quero ir embora – Dessa vez eu realmente estava ficando irritada, eu tinha sido amedrontada uma vez e não seria de novo, por ninguém.

— Sério que você não sabe? Você não é tão idiota assim, na verdade, provavelmente é, se não for, tá fugindo da sua responsabilidade de novo, o que não é novidade pra gente do seu tipo – Ela começou a se aproximar de mim, com o maior sorriso cínico possível no rosto.

— Eu não tenho mais poderes, eu não quero ter mais poderes – Eu não era tola, só estava tentando evitar ao máximo que essa fosse a resposta, porque se isso fosse verdade acabaria resultando em tantas coisas. Fiz mais mal que bem, cheguei à conclusão que não sei usá-los da forma correta, se realmente há uma forma correta. E por último, não quero trazer outra destruição.

— O que foi que você fez dessa vez? Manipulou mais alguma besteira por motivos fúteis? Evitou falar alguma idiotice para não magoar a sua preciosa Chloe ou fez o que sabe de melhor, mudou algo pra deixar mais alguém morrer? – Ela agora estava frente a frente comigo, somente poucos centímetros distante. Já senti vontade de bater em mim mesma, mas essa é a primeira vez que estou chegando perto de realizar o ato de verdade, nada de ser contra a violência nesse exato momento.

— Eu não fiz nada, nem sabia que ainda tinha poderes e nem vou usá-los, pra mim chega, isso acabou, não pedi por nada disso! – Fechei minhas mãos em punhos aos meus lados. Eu não deveria estar aqui. Tem alguma coisa errada, algo muito, muito errado. Eu realmente não tinha feito nada, qual o propósito? Pela primeira vez ela pareceu confusa. Olhou para o próprio pulso, o que não seria um ato estranho caso ela tivesse um relógio. Ela dá aquele mesmo sorriso de novo.

— Opa, acho que você veio cedo demais, ainda não estava na hora, infelizmente não vou poder jogar tantas coisas na sua cara como eu gostaria – Agora quem esboçava uma expressão confusa era eu. Definitivamente não fazia ideia do que ela estava falando, ela pensava que eu tinha usado eles. Nada faz sentido.

— O que você quer dizer com isso? Eu não vou dar motivos para te ver de novo – E estava sendo sincera. Aquela brincadeira acabou, esse jogo com o tempo tem que parar, eu vi com meus olhos que não se pode usar algo que está acima de você, o que está acima de você que te usa.

— Você é uma ignorante Maxine Caulfield, mas não se preocupe vai aprender rapidinho o porquê – Ela sussurra, como se tivesse mais alguém ali naquele vazio e queria fazer questão que só eu ouvisse – Ninguém está mais interessado em desastres da natureza, porém parece que no resto sim – Antes que eu pudesse falar que não entendia, ela me pegou pelo pescoço com uma mão, com uma força que eu tenho certeza que não possuo.

—Me solta... – Falo quase sem voz, tentando retirar a mão dela com ambas as minhas, porém era completamente inútil, nem mesmo um dedo dela se movia com tanto esforço.

— Cala a boca, nossa, como te aguentam hein? Você é um poço de inutilidade e chatice – Ela deu um pequeno passo para a frente, me fazendo andar para trás e sinto minhas costas tocarem o espelho – Ainda tem muita coisa pela frente pra você, tá na hora Max, da sua especialidade, brincar com a vida e sentimentos das pessoas – Sem nem dar tempo de piscar, meu outro eu me empurra com força em direção ao espelho e eu sinto ele se quebrar por completo ao impacto da minha cabeça contra ele. Começo a sentir uma dor insuportável, tinha certeza que se pudesse, morreria naquele momento.

Ela solta meu pescoço e eu caio ao chão junto a milhares de pedaços de vidro, com a visão já turva, mal conseguindo me mexer. Meus braços me respondiam em movimentos extremamente lentos, não queriam me ajudar a me levantar.

— Te desejo todo o azar do mundo, mas sei que sozinha você já é capaz – Ela fala se ajoelhando ao meu lado e a única coisa que ela fazia, era rir. Enquanto a dor aumentava, enquanto eu preciso de ajuda e enquanto mais uma vez, a dor me faz desmaiar em caminho a escuridão.

Notas finais
E então, o que será que vai acontecer? Teorias, teorias, haha. Enfim, espero que tenham gostado, se quiserem dar aquele apoio, feedback é sempre importante. Muito obrigada e até a próxima!