Life Hates Me.

38 where did they go? they ran away


Notas iniciais
demorei, mas tá aí. AGORA FALTA MENOS AINDA PARA O FINAL.

– Eu dou confiança muito fácil... Não acredito que deixei você entrar na minha vida de novo... Que otária! Que estúpida – batia na testa a cada insulto.

Ela começou a ter um ataque de nervos, sentei ao seu lado e acariciei seus ombros. Levantou na hora.

– Sai daqui... – falou calma.

– Me explica... O que tá acontecendo?

– Não deu pra entender que não quero ter que chegar perto de você... Nunca mais?

– Foi a caixinha?

– Sai daqui! – transtornou-se.

– Foi né? Porque? Você nem a abriu!

– Não preciso e nem quero! Da última vez foi um anel que me trouxe esse pesadelo! – gritou.

– Lisa, calma!

Uma enfermeira entrou assustada.

– Lisa, está tudo bem? – me viu. — J-Justin, mas o que? Sabe que não pode entrar aqui...

A ignorei por uns segundos e segurei os braços da Lisa, olhando nos seus olhos. Eles estavam marejados e ela se debatia.

– Lisa, aquele anel foi real... Ele é real!

– Ah claro... – sua voz foi afetada pelo choro. – Tão real como qualquer promessa sua!

A soltei, é claro que essa conversa não ia levar a nada só ia a estressar ainda mais. Sai do quarto, meio forçado pela enfermeira e resolvi ir para casa. Ela não confia mais em mim, isso já está bem claro, o problema é que ela nem ao menos abriu a caixa para ver que eu não estava tentando dar um passo maior. Era só alguma coisa para deixar ela melhor, sei lá... Mas que merda!

~ LISA POV ON.

Assim que ele saiu, joguei-me à cama e resolvi encharcar a almofada... Para não fazer coisa pior. A vontade era imensa, sabe? Nesse tempo que passou, em que eu entrei para a faculdade e tudo mais, eu cruzava com o Bieber de longe nas ruas... Óbvio, não é fácil ficar sem ver assim do nada, afinal moramos na mesma cidade. Fora os dias depois da lanchonete em que tive que o olhar nos olhos novamente... Tudo isso aumentava a minha culpa interior, não sei explicar, é sem noção para os outros. Mas para mim era quase um pecado me aproximar de alguém que me machucou tanto e eu procurei me punir por isto, por ser fraca o bastante de ainda sentir algo por um filho da mãe que nunca ligou para a minha pessoa. Basicamente, só de lembrar na sensação de bem interior ou satisfação ao me cortar e me livrar de culpas... Já batia uma necessidade. Acontece que aqui eu sou conhecida pelo meu problema, ou seja, nada de objetos afiados no meu quarto e bla bla bla. A faca do meu jantar é de plástico e muitas vezes sem cerra, daquelas bem infantis. É até ridículo, eu pago de louca atrás de algo para cumprir a minha recaída e nunca acho, quer dizer, as vezes sim.

Não vou mentir, nem mesmo estando nessa reabilitação eu parei de me cortar. Com menos frequência talvez, mas ver o Bieber vindo aqui e eu não ter saída ou forma de fugir, de me afastar... Faz com que a minha consciência pese cada vez mais.

Eu estava descontrolada no momento em que peguei a sacola e joguei o hambúrguer para longe, agarrando a caixa em minhas trêmulas mãos. Abri no intuito de achar algo para... Você sabe o que. Ridículo, mas eu não estava totalmente em mim mesma. Sempre que tenho essas recaídas é como se a minha razão ou a minha noção voassem para longe e só restasse uma Lisa doente, totalmente desequilibrada e louca.

Abri a caixa e caiu um cordão com um pingente de cruz. Lindo, na verdade. Era uma cruz dourada, o Justin tinha uma queda por coisas douradas e uma culpa pior do que a normal me afetou. O jeito com que eu tratei ele por... Nada.

Tudo bem que ele não é a melhor pessoa para eu ficar com dó depois de tudo, mas nem ele merecia...

Não demorou muito para eu me descontrolar de vez, eu estava muito, mas muito frustrada mesmo. Era um vício meu, entende? Não cumprir um vício é torturante, é de enlouquecer... Só sei que no momento seguinte eu tinha bagunçado meu cabelo por tanta preocupação em achar algo que me satisfizesse e nada. Passei a arranhar qualquer superfície de pele que eu possuía e a gritar.

Uma equipe coberta de branco chegou numa fila e vieram na minha direção, eles injetaram algum brinquedinho farmacêutico em minhas veias, pois minha vista embaçou e eu apaguei.

[...]

– Querida... – balançou-me.

Eu estava em um mundo paralelo, eu a ouvia só que longe, não tinha forças para abrir os olhos, nenhuma. Porém quando reuni o que achei o bastante e abri as pálpebras, tudo estava fora de foco e escuro.

– S-Sarah? – minha querida psicóloga.

– Sim, sim... Acorde querida! – acariciou minha mão.

Como se fosse fácil... Mas tudo bem. Permaneci forçando meus olhos a ficarem abertos, esperando que a minha visão ficasse nítida e isso demorou para acontecer, mas aconteceu. Ela estava sentada ao meu lado, sempre com suas posições perfeitas... Costas eretas e pernas cruzadas, uma caneta e uma prancheta na mão, me encarando com um sorriso no rosto.

– Bom dia... – disse em tom de compaixão.

– Bom dia, já tá na hora da sua sessão?

– Sim... Não... Mais ou menos... Eu só queria ver como estava...

– Ahn? Que? Porque? – engoli em seco.

– Lisa chega, sim?

Arregalei os olhos. Ela sempre foi muito compreensiva e doce, apesar de insistente e irritante na maioria das vezes, mas nunca deixou a educação de longe. Isso estava assustador e surpreendente, cada vez mais.

– Ér... É... – olhei para os lados.

– Chega desses joguinhos, menina! – aumentou o tom. – Estou farta disso!

– Desculpa se meus “problemas” – fiz aspas com os dedos. – São demais para você... “Doutora”.

Senti-me vitoriosa, na verdade, falar cara a cara com ela é algo que eu ansiava desde nossa primeira sessão. E nossa pequena discussão começou.

Riu ironicamente.

– Você adora né... Na verdade, deve ser muito divertido mesmo...

– O que?

– Isso! – deixou a prancheta de lado e entrelaçou os dedos. – Você ama tirar vantagem dos seus problemas ou melhor, você ama dizer que tem e que não está nem aí. O que não é verdade.

– Mas o que...? Quem você pensa que é para achar que sabe o que se passa na minha cabeça?

– Chega! Essa sua pose de dona do próprio nariz ou de adulta o suficiente não convence ninguém!

– Desculpa, mas eu nunca te chamei aqui! Nunca fiz a menor questão das nossas sessões! E você sabe muito bem que por mim, eu não estaria aqui...

– Sabe, as vezes eu penso que sua alta seria bom mesmo... Você continuaria se cortando até a morte por aí, mas “e daí” não é mesmo? Não é o que você me diz?

Seu tom me assustou. “Cortar até a morte”, nunca pensei que pudesse chegar a esse ponto, mas só o que a Sarah sabe fazer é isso... Exagerar. Como se ela fizesse pelo menos ideia do que se passasse pela minha cabeça ou se ela soubesse o que, as pessoas que se "automutilam", tiveram que passar.

– Sim ou não! Tanto faz! Você não entende! É isso que eu odeio! Você fica aí com a sua vidinha feliz, com seu diploma de psicóloga, achando que só por isso entende mais ou que pode me ajudar com uma coisa que você não entende!

– “Vidinha feliz?”... Estou... Ah... – levantou e se retirou. Olhou para trás e voltou. – Para... Só para de viver no passado, ok? Você está destruindo a sua própria vida! Vai viver garota, você só tem 19 anos... E vai ficar pelos cantos, derramando sangue por causa de garoto?

– Ou por causa da minha infância, da minha família... – sussurrei e revirei os olhos.

– Também! – ela ouviu. – Mas você nem se importa com isso e você sabe disso! Você tá pouco se lixando para sua mãe há tempos... E seu pai? Você nunca precisou realmente dele! Então porque se ferir por coisas que não te importam?

– Não que eu queira, sabe? Eu não acordo e penso “Oh, está um belo dia para me cortar!”... Não. Ok?

Notas finais
kisses e believe tour ai povo, mta emoção