Life After Love

3 Palavras de Vidro


Notas iniciais
Sam volta à faculdade depois de uma longa recuperação. Porém nem todos estão satisfeitos pelo seu retorno e passa por um dia solitário sem Aaron que faltara a aula. Porém Sam não contava que a dor do acidente estava prestes a voltar.

Sam queria entender por que as pessoas estavam sendo tão rudes a cada passo que dava dentro da faculdade. Olhavam com desprezo, nojo e comentavam coisas ás escondidas. Todos se afastaram de uma maneira muito estranha e ninguém o recepcionou bem. Ninguém lhe dirigiu a palavra. Somente os professores conversavam com ele, com exceção do de educação física que parecia estar escondendo um ódio mortal. Eles perguntavam se estava tudo bem e diziam que se precisasse de ajuda, era só procurar por eles, mas nenhuma conversa era tão profunda. Sempre eram conversas superficiais e rápidas. E essa distância fazia a solidão aumentar cada vez mais. Sam tentou se enganar pensando que eles estivessem agindo assim por que todos estavam preocupados com o campeonato de futebol, já que no dia seguinte iriam jogar contra um time muito forte. Logo tentou focar nas aulas e esquecer isso. As aulas eram a única forma de escapar dos pensamentos ruins, pois mantinha sua cabeça focada nos estudos até a hora em que podia se encontrar com Aaron. Mas para piorar, naquele dia Aaron não foi à faculdade. O que o deixou ainda mais triste e ele também não atendeu ao celular. Depois que terminou mais um dia de aula, na volta para casa, quando Sam dobrou a esquina da sua rua se surpreendeu ao o ver parado, esperando na porta de sua casa. Ao vê-lo ele o abraça forte e entram direto para o quarto.

– Como foi seu dia? — perguntou Aaron meio cabisbaixo.

– Não sei. Foi péssimo. Estão sendo tão cruéis comigo. Mas e você? O que houve?

– Amanhã temos um jogo importante.

– Ah! Ouvi falar. Vai ser contra o time da Faculdade da Zona Sul, não é?

– Pois é... Mas infelizmente não fui convocado.

– Ué? Por quê? Você é o capitão...

– Não sei. Era para eles terem me ligado, mas ninguém me comunicou. Isso só pode significar que fui cortado.

– Lamento muito – disse Sam beijando-lhe a bochecha – Mas vamos torcer por eles. Você ligou para o Phillipe?

– Não. Acho que perdi o celular...

– Perdeu onde?

– Não sei... Deve ter caído em algum lugar lá em casa e desligou.

– E quem vai ficar no seu lugar?

– Deve ser o Phillipe. No final das contas ele merece. É um cara que se esforça e é o segundo melhor do time. Por isso estou um pouco mais tranquilo.

– Ah! Então vamos ganhar. Aaron não se preocupe vai dar tudo certo.

– Espero que sim. E seus pais Sam? Como eles estão?

– Está tudo bem. Todo santo dia eles me ligam e perguntam se está tudo bem – riu – Inclusive mês que vêm eles vem para cá.

– E seu emprego?

– Me demitiram.

– Que absurdo! Mas por quê?

– Por que fiquei muito tempo sem ir trabalhar e tudo mais. Também não entendi, mas foi uma decisão deles.

– Mas Sam, você tem que correr atrás dos seus direitos!

– Não se preocupe. Eles me pagaram todos os meus direitos, além do mais fico satisfeito por ter saído de lá. E seus pais Aaron?

– Papai está viajando de novo á negócios. A empresa vem em primeiro lugar como sempre. Além do mais ele não liga muito para mim já que seu único filho não decidiu não seguir seus passos. Pra falar a verdade nem lembro a última vez que o vi. Minha mãe é a mesma coisa. Desde que se separou do meu pai ela se concentra mais no trabalho.

– Que pena. Eles parecem ser muito insensíveis.

– Deixa pra lá. Eu sempre tive que me virar mesmo. O importante é que estou aqui com você.

– Aaron por que você não fica aqui de vez?

– Eu não quero te atrapalhar. Você tem que ter o seu canto. Além do mais, eu moro aqui perto.

– Seu chato – disse Sam se deitando e cobrindo-se com o cobertor.

– Você que é chato – riu Aaron deitando por cima e cobrindo o rosto de Sam de beijos – Eu te amo.

– Eu também... Aaron Você está frio... Está tudo bem contigo.

– Mais ou menos. Acho que vou ficar gripado.

– Falando nisso. O que você faz quando tá em casa?

– Nada. Vejo televisão, jogo um pouco, leio... Mas faz um bom tempo que eu só fico andando pela rua igual a um fantasma.

– Por isso que tá assim. Amanhã vamos ao jogo. Então vamos dormir que amanhã será um dia cheio.

Aaron novamente o abraça e Sam se arrepia com o frio que Aaron passa através do toque, mas quando vão para debaixo das cobertas tudo muda. A única coisa que não muda é o fato dele ir embora antes do amanhecer.

Na noite do dia seguinte a faculdade estava lotada. Sam teve que resolver alguns problemas no curso de espanhol no qual tinha se inscrito e acabou chegando na metade do segundo tempo do jogo. O placar era de sete a quatro. O time da faculdade da zona sul estava ganhando de lavada. A quadra estava lotada e como Sam não conseguia encontrar Aaron, encostou-se a um canto e ficou vendo a partida terminar.

No fim a faculdade perdeu de oito a quatro. Ninguém acreditava naquilo. Várias pessoas abandonaram o local enquanto os campeões comemoravam e iam para o vestiário. Sam se sentou na arquibancada e esperou por Aaron aparecer, pois imaginava que ele fora dar um apoio moral nos amigos. Quase uma hora depois o time saiu do vestiário. No mesmo momento, do vestiário feminino, as líderes de torcida também saiam indo de encontro aos meninos. Ninguém pareceu ter percebido Sam que esperava por Aaron, mas então Jefferson aquele que o humilhou no primeiro dia de aula o viu.

– Ah! Tá de sacanagem! Eu não acredito! – gritou ele atraindo atenção para a situação – Como você tem coragem de aparecer aqui!

– Desculpa. Eu só vim ver o jogo com... — tentou Sam.

– Eu não dou à mínima! Você viu o massacre que a gente sofreu!?

– Eu lamento – disse Sam sentindo suas mãos tremerem e tentando entender o motivo pra tanta raiva – Eu lamento... Se o Aaron tivesse no jogo vocês poderiam ter ganhado...

– CALA À PORRA DA BOCA! NÃO ENVOLVE O NOME DELE NO MEIO!!! — berrou Jefferson partindo para cima de Sam. Estava furioso — É claro que teríamos ganhado se ele tivesse aqui! A CULPA É SUA FILHA DA PUTA!!!

Nesse momento Jefferson não queria saber quem era Sam, a vontade era de acabar com a vida do alvo que estava na mira dos seus punhos, mas por sorte Phillipe se pôs na frente do rapaz que com ajuda de outros dois amigos conseguiram pará-lo. Nessa hora as meninas choravam e os outros rapazes estavam cabisbaixos. Sam sentia todo seu corpo tremer enquanto tentava entender por que Jefferson estava tão furioso. Queria entender que culpa tinha sobre terem perdido o jogo. Pensou até que talvez fosse pelo fato de estarem namorando, mas isso era normal na idade deles. Tinha algo oculto naquela discussão. Sam imaginou que ele estava sendo culpado do acidente que sofreram e pensou se Aaron tinha ficado com alguma sequela que o impediu de ir ao jogo. Mas se fosse isso, Aaron lhe teria dito?

– A CULPA É TODA SUA!!!! EU TE ODEIO DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO! — berrava Jefferson – SOME DA MINHA FRENTE!

– Já chega cara... Já chega vambora – dizia Phillipe quase o arrastando – Sam vai embora também. Depois a gente se fala.

– Mas... Mas eu não estou entendendo... — dizia Sam que sentia o corpo todo tremer.

– AAAAHHH! — berrou Jefferson fora de controle tentando escapar dos braços dos amigos que o seguravam firme – NÃO AJA COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO!!! PARA DE FINGIR!!!

A situação já estava fora de controle. Jefferson já estava ficando sem voz, enquanto seu rosto se tornava vermelho. As meninas soluçavam e se afastavam cada vez mais tampando os ouvidos. Phillipe e os outros rapazes pareciam segurar o choro ao mesmo tempo em que seguravam os braços de Jefferson. Mas então Jefferson continuou. Aquilo era seu desabafo de dor.

– NÃO FINJA QUE NADA ACONTECEU!!! ELE ERA MEU AMIGO DESDE PEQUENO! POR QUE VOCÊ NÃO MORREU!!! ERA PRA VOCÊ TER MORRIDO!!

– Jefferson, calma. E-eu não entendo... — disse Sam descendo um degrau da arquibancada.

– CALA A BOCA!!! NÃO CHEGA PERTO DE MIM!! POR SUA CAUSA O AARON... POR SUA CAUSA O AARON MORREU NAQUELE ACIDENTE!!!!

...continua

(^_^)v

by Hikari-Ouji