Life
48 XLVIII
Notas iniciais
Ao chegarmos ao colégio, nos encontramos com o pessoal.
O fofo do Hector estava conosco agora.
Fui direto para a sala onde encontrei Jordan e Martha no clima de sempre.
Barraco á vista.
-Fala serio, Jordan – resmungou Martha – Não vou para esse sitio nem que você me peça de joelhos.
-Eu não iria pedir mesmo – disse ele dando de ombros
Ela o fuzilou com os olhos.
Sorri enquanto me aproximava deles.
-Oi casal – os cumprimentei
-Onde é que você está vendo esse casal? – perguntou Martha ríspida
-Que educação a essa hora da manha, não? – indaguei sarcástica
Ela apenas fez uma careta pra mim enquanto Jordan ria.
-Sim, Lily – me chamou ele – Vai mesmo no fim de semana?
-Claro – confirmei me sentando – Quem vai tanto?
Ele deu de ombros, o recriminei com o olhar que ele fingiu não notar.
Nisso a antiquada professor de Literatura entrou na sala.
Seria outra aula enfadonha sobre romantismo?
Torcendo de dedos cruzados e tudo que não.
Centésimos, segundos, minutos se decorrem ouvindo sobre romantismo.
Sim é meloso, agradável e tudo mais.
Só que ficar no mesmo assunto quase três meses é ótimo que me impressiona.
As aulas seguintes biologia e química passaram num surto.
Hoje o tempo está passando mais rápido para mim.
-Tenho que ir á biblioteca – disse me encaminhando para lá deixando Jordan e Martha conversando
-Tudo bem – ouvi Martha dizer
Enquanto caminhava para a biblioteca onde tentaria encontrar algo sobre o que rolou dois anos atrás, ou algo relacionando á Oliver e Hisaki.
Não ia deixar aquela historia passar, não mesmo.
Na grama havia o pessoal conversando, namorando e tudo mais.
Nenhum sinal de Oliver ou até mesmo do Hisaki.
Ótima noticia.
Entrei na biblioteca dando um rápido cumprimento para a garota que sequer reparei direito.
Books espero que não me desapontem agora.
Fui para penúltima prateleira onde encontrei os antigos Books.
Nisso notei para variar que havia duas pessoas na ultima prateleira.
O que você acha que rola nos fundos de uma biblioteca?
-Sei que pode fazer isso – ouvi a voz bastante conhecida do Hisaki
-Você é cruel – disse de maneira entrecortada a ultima pessoa que pensaria, Giovanni.
Ouvi uma deliciosa risada.
-Não fale uma coisa dessas – disse Hisaki — Sabe que estou apenas lhe prestando um favor, ou quer que todos saibam do seu pequeno segredinho?
-Por que tinha que colocá-los no meio? – perguntou Giovanni não mais alto que um sussurro, mais com rispidez.
-Me culpe se ele resolveu se intrometer – respondeu ele com ironia
Me apoiei na prateleira.
Respira fundo, Lily. Respira com urgência, Lily!
-E ela? – indagou Giovanni um tanto enfático – O que quer com ela?
-Meu assunto com ela não te diz respeito – respondeu severo Hisaki
-Pro Jones é outra coisa – devolveu Giovanni com escárnio
-Ele é uma pedra no meu sapato – disse Hisaki solene – Não quer ser também, não é?
-Adoraria ser.
-Está ficando muito para frente, Giovanni – disse Hisaki – Ou deveria te chamar de Gigi?
Levei minha mão á boca.
O que infernos estava escutando?
-Não te dei tal liberdade – o repreendeu Giovanni – Se quer que eu os separe esqueça completamente, entendeu?
-Não foi um pedido, foi uma ordem. Então seje um bom menino e faça o que se pede.
Sem pensar mais um segundo me intrometi.
-Então seje um bom garoto – disse ficando no campo de visão deles – e cale a boca.
Os dois me olharam chocados.
Obvio.
-Lily – disse Hisaki com um leve sorriso no rosto
Ergui uma sobrancelha e o olhei seria.
Quanto cinismo dissimulado.
-Quanto tempo está escutando? – perguntou Giovanni tremulo
-Só ouvi a ultima frase – menti calmamente olhando Hisaki – Da qual não gostei nem um pouco de ter ouvido.
-Tape os ouvidos então – retorquiu Hisaki
O fuzilei com o olhar.
Controle-se Lily, controle-se.
-Vamos Giovanni – o chamei – Depois conversamos, Hisaki.
Giovanni veio pro meu lado pálido que me preocupava.
Quando saímos na biblioteca, o levei para um banco afastado.
-Respira – pedi olhando seu rosto sem cor alguma – Giovanni está me assustando.
-Espera – pediu ele respirando fundo
Olhei seu rosto voltando aos poucos a ser o belo de antes.
-Sei que você ouviu mais do que aquilo – retomou ele á falar
-Não me diga que você realmente é gay? – indaguei num tom indiferente, mentira pura.
-Não tem como eu negar tem? – retorquiu ele me olhando
-Sinceramente não – disse voltando meu olhar para o céu – Mais quero saber por que você não quer que as pessoas saibam.
-O que você acha que elas vão fazer? – perguntou ele com escárnio – Me aceitarem sem mais nem menos. Admiro seu otimismo, mas estou o dispensando.
-Será que ajuda dizer que estamos vivendo em pleno século XXXVI e não no século XIX? – indaguei cheia de sarcasmo
-Os séculos podem até passar, mas a opinião das pessoas não – categorizou ele.
Olhei seu mar esverdeado que notando agora não me atiçava em nada.
-Então vai continuar se escondendo no armário? – indaguei seria
-Pelo tempo que conseguir me manter assim – decretou ele
-Incrível – disse com um leve sorriso de surpresa – Jamais imaginei uma coisa dessas de você. Se não tivesse escutado, não saberia nunca.
-Isso porque sei atuar bem – disse ele passando a mão no cabelo.
O fitei.
-E Suellen? – indaguei me lembrando dela – Fazia parte da trama também?
-Sim, pedi pra ela que fosse minha namorada por um tempo. – disse ele calmamente.
-Fizeram todos de palhaços – murmurei
-Sei disso – disse ele seco – Mais tem a necessidade disso.
-Ridículo esse tipo de comportamento – recriminei
Ele me olhou serio.
-Tudo bem – disse rapidamente – Se você quer assim, assim será.
Ele assentiu com a cabeça.
-Só que continuará a ser ridículo do mesmo jeito – complementei
Ele apenas sorriu sem humor.
-Onde Oliver entra nessa historia afinal de contas? – perguntei me lembrando do humano que agora estava mais belo do que muitos marmanjos desse colégio.
-Ele sabia do meu segredo igual ao Justin, eles estavam me protegendo do Hisaki – respondeu ele encolhendo os ombros.
-Por que tudo está relacionado ao Hisaki? – perguntei enfática – Cara, quem é ele afinal de contas? Qual é a relação dele com o Oliver? O que ele quer com chantageando você?
-Calma – ele pediu pondo suas mãos em meus ombros – Uma coisa de cada vez.
O olhei e assenti suspirando.
-Não sei o que acontece entre Hisaki e Jones – disse ele – Mais sei que Hisaki não é alguém que nem eu, Jones e muito menos Justin queremos perto de você. Além do que ele sente prazer em se aproveitar dos segredos dos outros para próprio beneficio.
Suspirei.
Quanta coisa!
-O que ele quer que você faça? – perguntei receosa
-Queria que eu separasse você do Oliver – respondeu ele num quase sussurro
O olhei arregalando meus olhos.
O que diabos estava acontecendo?
-Por qual motivo ele queria algo sobre isso? – indaguei mais para mim mesma do que pra ele
-Acho que você não sabe, mais eles dois não se cruzam – contou ele me olhando hesitante – Se pudessem já tinham saído nos socos já faz tempo.
Fiquei boquiaberta.
Rivalidade entre os dois.
-Você sabe de alguma coisa sobre dois anos atrás? – indaguei levando minha mão ao queixo
-Não – disse ele me encarando – O que é?
-Nada esqueça – disse rapidamente.
Ficamos um segundo em silencio.
Até que ele o quebrou.
-Lily, tenho que acordo a propor á você – contou ele.
-Que tipo de acordo? – perguntei receosa
-Hisaki com certeza espalhará um pouco do seu veneno por ai – respondeu ele
-Para evitar qualquer duvida, você quer que eu seje sua namorada certo? – o interrompi
-Isso mesmo! – exclamou ele
Voltei meu olhar para as pessoas que passavam.
Seria minha caridade pelo ano todo.
-Tudo bem – concordei – Vamos fazer isso.
Ele me deu um abraço apertado.
Mais logo se recompôs. Nada de ataques afeminados.
-E Amber? – indaguei ajeitando meu cabelo
-Não existe garota mais doce que ela – disse ele com os olhos brilhantes
-O que mudara nela? – perguntei curiosa
-Apenas a maneira como se vestia e se portava – respondeu ele categórico – Sua personalidade mantive intocável, não poderia mudar.
Sorri sem humor.
Oliver Jones Reed.
Lívia.
Precisava resolver isso.
-Giovanni – o chamei – Você não acha que o Oliver e a Amber formariam um belo casal?
Ele me olhou surpreso. Levou sua mão a minha testa.
-Para de besteiras – pedi batendo de leve em seu peito
-Tá concordo que os dois são maravilhosos – disse ele dando ênfase na ultima palavra – Mais não tem como os dois ficarem juntos, já que me lembro bem ele não quer nada com ninguém.
-Serio? – indaguei cética – Porque até onde sei ele namora a Lívia.
Ele me olhou por um segundo depois gargalhou.
-O que é engraçado? – perguntei seria
-Não acredito que está com ciúmes dele? – indagou ele estreitando as sobrancelhas
-Claro que não estou com ciúmes, que idéia! – exclamei o olhando – Apenas não quero ele com a Lívia, Amber é uma boa namorada pra ele.
Ele assentiu rapidamente.
-Tudo bem – concordou ele – Te ajudarei apenas porque está fazendo um sacrifício por mim.
Beijei-lhe na bochecha.
Nisso a sirene tocou.
Volta às aulas.
-Vamos começar de agora – disse ele se levantando – Jogarei as idéias para os dois e deixarei que o resto chamado encontro e clima fique nas suas mãos, correto?
-Tudo bem – concordei prontamente – Eles dois ficarão juntos se depender de mim.
Giovanni abriu um largo sorriso e me deu um rápido beijo nos lábios.
Apesar de ter sido rápido, fez meu coração cambalear por conta do lábios macios e do gosto de canela.
Não se iluda Lily, gay é gay, não tem pra onde correr.
Minha vida realmente é cruel comigo.
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