Lies
29 Vergonha Alheia

Por mais que Jeongin tentasse dissuadi-lo, Jisung estava irredutível. Determinado, vestia o casaco, pronto para comparecer ao jantar que, segundo ele, seria a confirmação do casamento entre Lee Know e Dahyun. Não podia simplesmente ficar parado, remoendo suposições. Precisava encarar a verdade de frente, ver com seus próprios olhos o homem que lhe jurou amor, mas que, no fim, só o enganou.
Jeongin suspirou pesadamente, cruzando os braços enquanto observava o amigo se aprontar.
— Você realmente vai fazer isso?
— Eu preciso fazer isso. — Jisung respondeu sem hesitar, ajustando a gola do casaco.
Jeongin balançou a cabeça negativamente. Tinha um pressentimento ruim sobre aquilo.
— Não concordo com isso.
— Não precisa concordar e não precisa ir. Eu resolvo isso sozinho.
— Primeiro que ao invés de estragar o jantar, você poderia conversar como um adulto civilizado. Segundo que você não sabe o que está acontecendo e está deduzindo milhões de coisas, nem parece que viveu na pele os efeitos da falta de uma comunicação verdadeira e transparente. E terceiro, se o Lee Know realmente estava com a Dahyun quando estava com você e se vão se casar, você deveria deixar essa história de lado e esquecer isso. Seguir seu rumo.
— Não dá pra esquecer isso. E se fosse o Hyunjin que tivesse mentido pra você?
Jeongin deu uma gargalhada sem acreditar no que estava ouvindo.
— É sério isso?
— Tá eu sei que ele mentiu pra você, mas…
— Não tem "mas", quando eu descobri que ele estava mentindo pra mim, tive uma longa conversa séria só eu e ele. Ouvi tudo o que ele tinha a me dizer e depois ponderei e julguei o que era melhor pra mim e se o que eu sentia seria capaz de perdoá-lo. Por isso, resolvi dar outra chance a ele.
— Mas o Hyunjin te ama. E se ele te traísse?
— Então eu terminaria e deletaria tudo sobre ele de dentro de mim.
— Bem simples.
— Não seria simples, Sr. Jisung. Não é fácil o término de um relacionamento, mas é muito mais difícil manter uma relação que nos machuca. Por isso, estou dizendo que se o Lee Know for realmente esse monstro que você pinta é melhor se afastar.
— É o que vou fazer depois dessa noite, mas primeiro preciso encarar ele.
Jeongin suspirou. Han era teimoso.
— Bora vai. Eu dirijo.
— Resolveu vir comigo?
— O problema é que eu iria até o inferno pra acompanhar você em busca do Lee Know, né. Vou te levar e ficarei no carro esperando. Invadir jantares alheios já é pedir demais, esse mico eu não vou pagar.
…
Ao chegarem no restaurante, Jeongin estacionou o carro e Han conferiu a aparência antes de sair.
— Isso vai ser rápido. Só quero ver a cara de bosta dele quando ele me ver.
Jeongin apenas suspirou e balançou a cabeça, sabendo que nada que dissesse faria Han mudar de ideia. Observou em silêncio enquanto o amigo saía do carro e caminhava decidido até a entrada do restaurante.
Assim que entrou, um garçom o conduziu até uma mesa vazia, mas Han mal prestou atenção. Seus olhos percorriam o ambiente em busca de Lee Know. Quando finalmente o encontrou, seu sangue ferveu.
Ali estava ele, sentado à mesa com um grupo de pessoas, rindo e brindando como se não houvesse nada no mundo capaz de abalar sua felicidade. Mas o que realmente fez o coração de Han apertar foi a visão de Dahyun ao seu lado, e, pior ainda, o braço de Lee Know envolvendo sua cintura de forma tão íntima.
A risada leve dela, o jeito como ele parecia confortável ao seu lado... Cada detalhe era uma punhalada no peito de Han. Os dedos se fecharam em punhos, tentando conter a raiva que subia como um incêndio dentro de si.
"Então era isso..." pensou, sentindo seu orgulho e seus sentimentos se despedaçarem ainda mais.
Han se levantou com os punhos fechados, estava com raiva, seu peito doía, se sentia enganado e traído. Aquilo não era justo. Lee Know o conquistou, tomou seu coração e depois de tudo o jogou fora. Mas Han ainda tinha uma tímida esperança de que tudo fosse um mal entendido ou de que Lee Know ainda o amava.
Com passos pesados ele se aproximou da mesa. Lee Know se levantou abruptamente ao vê-lo.
— Hannie?
Dahyun olhou para Jisung tão surpresa quanto Lee Know. Mas por algum motivo estava feliz em vê-lo. Tinha esperança de que os dois se resolvessem de uma vez por todas, já que o amigo vivia em luto pelo término.
— Só vim aqui pra falar algo com você.
Lee Know se aproximou.
— Vamos conversar lá fora. Temos muito o que falar.
— Não, não. Não precisa. Serei breve.
Lee Know o olhou, curioso.
— Aconteceu alguma coisa?
— Sim. Aconteceu que mesmo você sendo um grande idiota eu ainda amo você — Lee Know deu um passo em direção a ele, sua expressão claramente emocionada, mas Han o afastou — Calma, eu não terminei. Eu sei que já é tarde demais. Sei que nossa história já acabou e que você virou a página, mais rápido do que eu imaginei que seria, né. É verdade que eu quero socar a sua cara. Você me enganou, mentiu pra mim, mas… eu não consigo aceitar esse fim. Mas preciso aceitar.
— Han, eu…
— Já sei o que você vai falar — Han não queria ouvir Lee Know dizer que se casaria com outra — Eu só queria te ver uma última vez. Só queria me despedir.
— Mas a gente não precisa se despedir.
— Lee Know, é sério. Eu não quero ser só seu amigo. É muito cruel você me pedir isso depois de tudo o que tivemos.
— Mas Hannie, eu não disse isso.
— Vamos acabar logo com isso. Você segue sua vida, eu sigo a minha. — Han respirou fundo, sentindo o peito apertar. — Eu sei que é muita filhadaputagem o que vou fazer, mas…
Ele lançou um olhar entediado para Dahyun, revirou os olhos e, sem hesitar, agarrou a camisa de Lee Know, puxando-o para um beijo intenso.
Naquele instante, o mundo ao redor sumiu. O barulho dos talheres, as conversas animadas, as risadas, nada mais existia, apenas os dois. Presos em uma bolha onde o tempo parecia desacelerar. Os lábios de Han moviam-se contra os de Lee Know como se gravassem cada sensação, cada memória daquele momento.
Eles sequer ouviram os gritos eufóricos de Sana, que batia palmas freneticamente, comemorando como se fosse a final de um campeonato.
Quando finalmente se afastaram, ofegantes, Han voltou seu olhar para a mesa. Esperava encontrar olhares chocados ou expressões indignadas, mas, para sua surpresa, viu algo completamente diferente.
Todos estavam sorrindo e aplaudindo, até mesmo Dahyun, que, em vez de indignação, exibia um sorriso satisfeito. Han franziu o cenho, sentindo um arrepio percorrer sua espinha.
— Finalmente vocês se resolveram! — Dahyun levantou e abraçou os dois — Parabéns. E não briguem mais, por favor.
— Espera… você não tá puta porque eu beijei o seu noivo?
— O que? Meu noivo? Que noivo?
— Lee Know. Vocês vão se casar, não vão?
Dahyun e Lee Know se olharam e deram risada.
— Dahyun e eu vamos casar? Nem estava sabendo disso.
— De onde você tirou isso, Han? — Perguntou Dahyun.
Han começou a se sentir um completo idiota.
— Eu achei que vocês tinham voltado. Eu vi você abraçando ela.
— Sim. Ela é minha amiga.
— Mas vocês já namoraram.
— Han. Eu sou louco por você. Amo você, por que eu ficaria com outra pessoa?
— Mas eu a vi na loja de vestidos de noivas.
— Sim. Porque eu vou me casar.
— Então…
— Já parou pra pensar que não é com o Lee Know que vou me casar?
— Como assim?
Dahyun deu risada.
— Amor. Vem cá — Dahyun chamou Sana, que rapidamente se aproximou, pois já estava a espreita pra ouvir a fofoca — Jisung, essa é minha noiva, Sana.
O rosto de Han queimou de vergonha, e a vontade de se enfiar debaixo da mesa só crescia.
— S-sua noiva? — Sua voz saiu fraca, quase inaudível.
Ele sentiu os olhares sobre si, cada um carregando uma expressão diferente. Sana vibrava de animação e Lee Know apenas sorria, claramente se divertindo com toda a situação.
— Sim, minha amada noiva. — Dahyun respondeu com uma doçura afiada, lançando-lhe um olhar provocativo. — Vamos nos casar em breve, e você está convidado para a cerimônia. Seu namorado, aliás, será meu padrinho de casamento.
Han piscou algumas vezes, processando aquelas palavras. Sentiu o estômago revirar. Seu namorado? Padrinho?
Dahyun segurou o riso ao vê-lo ficar sem reação. Sabia que ele estava sendo mimado, inconveniente e ciumento sem motivo, e fez questão de dar-lhe uma lição na mesma moeda.
— O quê…? — Han olhou para Lee Know em busca de uma explicação. Lee Know apoiou o queixo nas mãos, os olhos brilhando de pura malícia.
— Ué, Hannie… Não era você que queria "acabar logo com isso"?
Han sentiu a vergonha aumentar a cada segundo.
— Eu… não sabia… achei que…
— Eu estava com o Lee Know? — perguntou Dahyun — Poderia ter perguntado. Aliás, você teria descaradamente beijado meu noivo bem na minha frente?
— Me desculpe por isso — Han não conseguia olhar pra ela.
— Está tudo bem — Dahyun ergueu seu queixo para que ele pudesse olhá-la — Só reflita sobre isso. Eu sei que Lee Know foi um grande babaca em ter mentido pra você, mas eu também sei que ele te ama muito. Uma mentira pode abalar a relação. Você precisa saber se quer ou não continuar com ele, mas primeiro precisa saber se confia nele. Han, comunicação e confiança é tudo em um relacionamento.
— Eu fui um idiota.
— Ei. Está tudo bem agora — Lee Know o abraçou — Erramos e vamos aprender com nossos erros.
— Lino — Han sussurrou — Me leva pra outro lugar? Eu tô morrendo de vergonha.
Lee Know sorriu e beijou sua testa.
— Dahy, preciso conversar com ele a sós.
— Sem problemas, meu amor. De qualquer forma, já está tarde. Vá resolver as coisas com ele.
Lee Know envolveu Dahyun e Sana em um abraço caloroso, parabenizando-as mais uma vez pelo casamento. Han, por sua vez, fez uma reverência desajeitada, o rosto ainda queimando de vergonha. Nunca havia passado por uma situação tão constrangedora. O fato de ter acreditado — e surtado — por um mal-entendido que poderia ter sido resolvido com uma simples pergunta o fazia querer se enfiar em um buraco e nunca mais sair.
Após as despedidas, saíram do restaurante.
Jeongin, que já estava no carro, arqueou uma sobrancelha ao ver Lee Know entrar no banco de trás, de mãos dadas com Jisung.
— Espera… — Ele piscou, confuso. — Você veio aqui pra fazer barraco, mas no fim das contas sequestrou o noivo?
Jisung revirou os olhos, enquanto Lee Know sorria, apertando mais os dedos entrelaçados.
— Digamos que… eu apenas recuperei o que sempre foi meu — disse Han, com um sorriso satisfeito.
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