Lies

30 Dê valor enquanto tem



Changbin deu um gole em sua cerveja enquanto Lee Know colocou mais alguns pedaços de carne para assar, o cheiro fez sua boca salivar. Alguns pedaços de carne já douravam, indicando que estavam no ponto.

— Então, você e o Han fizeram as pazes?

— Finalmente. Eu já não aguentava mais ficar longe dele.

— Ainda nem acredito que ele invadiu o jantar achando que você iria se casar com Dahyun. Ele não vê que ele é o único idiota que te quer?

— Pra sua informação, muita gente me quer, ok? Mas eu só tenho olhos pro meu Hannie.

— Sei, claro, tem uma fila de pessoas te querendo — Changbin revirou os olhos — Como está a relação entre vocês? Depois de tudo o que ocorreu, depois das mentiras que você contou. Ele te perdoou? Ele confia em você?

Lee Know fez careta.

— Você é meu fã ou meu hater?

— Nenhum dos dois. Agora me responda. Tudo é muito fofo, vocês estão juntos e tals, mas como será daqui pra frente? Terminar nos felizes para sempre é só nos contos de fada.

— Sei disso e sei que você tem razão. Não vai ser fácil conquistar a confiança do Hannie novamente e sei que podemos enfrentar barreiras. Nossa relação ainda não é sólida, mas vou trabalhar nisso. Quero que o Hannie veja o meu lado verdadeiro.

— Ele te ama e te deu uma segunda chance. Não desperdice isso.

— Ok ok. E por falar em segunda chance. Quando você vai voltar a falar com o Minnie?

— Desde quando o assunto se direcionou a mim?

— Desde agora. Hannie e eu estamos construindo nossa relação, tudo está se resolvendo. Agora quero saber sobre você e o Minnie.

— Não tem o que saber. Não éramos um casal. Não tem o que resolver.

— Não eram um casal, mas eram amigos, e isso por si só já é válido para tentarem se resolver.

— Ele mentiu pra mim.

— Eu menti pro Hannie, e olha só, eu o amo demais. Já parou pra pensar que o Minnie realmente te ama?

— Quem ama não mente, ok?

— Essa doeu, tenho que concordar. Quando menti pro Hannie eu nem o conhecia direito, foi tudo uma brincadeira que eu achei que não daria em lugar nenhum. Quando comecei a gostar dele de verdade toda essa mentira começou a me corroer. Eu ensaiei muito pra contar a verdade pra ele, mas fui covarde. Toda a verdade veio à tona de uma forma que eu não tinha planejado, simplesmente porque eu não aguentava mais mentir pra ele. Talvez o Minnie estivesse nessa mesma situação, um conflito pra dizer a verdade. Mas isso você só vai saber se ouvi-lo.

— E você está falando tudo isso pra ajudar ele.

— Não, estou falando isso pra ajudar os dois. Você é meu amigo e sei que está sofrendo com isso. Sempre me orientou a ter uma comunicação aberta com o Hannie e agora quando é sua vez de agir assim você está fugindo do Minnie.

— Eu não to fugindo dele.

— Você bloqueou ele das redes sociais, bloqueou o número dele. Não deixa ele subir pro seu apartamento e odeia ouvir falar no nome dele. Se isso não é fugir eu não sei o que é. Covarde. Pelo menos o meu Hannie estava disposto a fazer um barraco em jantares alheios. Você se trancou e não tem coragem de encarar o Minnie. Já sei, é medo de perdoar ele porque se acha na razão de estar com raiva? — Lee Know revirou os olhos.

— Há um segundo atrás eu é que era o amigo sábio da relação. Não gosto de estar do outro lado — Changbin suspirou — Receber conselho amoroso de Lee Minho… não tô valendo nada mesmo.

— Ta mesmo não. Perdeu o crédito. E então, quando vai falar com ele?

— Não sei. Talvez um dia.

…

Changbin franziu a testa ao ver a chamada de um número desconhecido. Atendeu com hesitação, mas assim que reconheceu a voz de Seungmin do outro lado da linha, desligou sem dizer uma palavra.

Na universidade, evitava qualquer contato com ele. Mudava de caminho para não cruzar com o amigo pelos corredores e, em algumas matérias, chegou ao extremo de trocar de professor apenas para não dividir o mesmo ambiente com Seungmin. A dor da traição ainda pesava demais para fingir que nada tinha acontecido.

Mas Seungmin não desistiu. Determinado a conseguir o perdão de Changbin, foi até seu apartamento acompanhado por Lee Know — sabia que, se tentasse sozinho, provavelmente seria barrado antes mesmo de chegar à porta. Ao chegarem, Lee Know deu um tapinha em seu ombro, desejando boa sorte antes de ir embora.

Sozinho, Seungmin respirou fundo e tocou a campainha. Do outro lado da porta, Changbin observava pelo olho mágico. Seu coração apertou ao vê-lo ali, mas, sem hesitar, se afastou em silêncio, ignorando a tentativa de aproximação.

Mesmo assim, Seungmin não desistiu. Todos os dias, após as aulas na faculdade, passava na casa de Changbin na esperança de conseguir falar com ele. Mas a resposta era sempre a mesma: silêncio. Voltava para casa carregando um peso no peito, afundado na culpa e no remorso por ter destruído a confiança do amigo que mais amava.

Semanas se passaram, e Changbin já havia se acostumado com as tentativas persistentes de Seungmin. O som insistente da campainha, as mensagens ignoradas, a sombra familiar diante de sua porta, tudo isso havia se tornado parte da sua rotina. Mas, por mais que soubesse que Seungmin estava ali, recusava-se a dar sequer um minuto de sua atenção.

Nem mesmo os constantes discursos de Lee Know, que insistia que ele deveria ao menos ouvir o amigo, conseguiam abalá-lo. Changbin estava decidido: não havia espaço para perdão.

Numa certa tarde, Changbin conferiu as horas no celular, sentindo um incômodo crescente no peito. Já passava do horário em que Seungmin costumava tocar sua campainha. Ele esperou, mas o som insistente da campainha não veio.

Curioso e inquieto, saiu para o corredor de seu andar. O ambiente estava silencioso, sem sinal algum de Seungmin. Uma sensação estranha percorreu sua espinha. Será que ele havia desistido?

De volta ao apartamento, Changbin tentou se convencer de que aquilo era exatamente o que queria. Mas a verdade era que o silêncio o perturbava mais do que imaginava. Ele não conseguia se concentrar em nada, andava de um lado para o outro, os pensamentos atormentando sua mente.

Por fim, engoliu o orgulho e pegou o celular. Discar o número de Lee Know foi um esforço quase físico, mas precisava saber. Com a voz levemente hesitante, perguntou:

— Você tem notícias do Seungmin? Só liguei porque estou curioso. Ele estava o tempo todo enchendo o saco na porta da minha casa e agora sumiu. Desistiu muito fácil.

— Bin, não posso falar muito agora. O Minnie sofreu um acidente.

Changbin se levantou abruptamente.

— O QUE? COMO ASSIM? ONDE ELE TÁ?

— Ele está bem, se acalme, foi só um susto. Está fazendo alguns exames agora e logo logo vai receber alta.

— Em que hospital vocês estão? Estou indo praí agora.

— Acho melhor você não vir. Minnie não ia gostar que só resolvesse as coisas entre vocês por causa de um acidente. Quando ele sair da sala de exames eu te ligo e te informo.

Lee Know encerrou a chamada abruptamente, deixando Changbin com o coração acelerado e um nó apertado no estômago. Algo estava errado, e ele odiava não saber o que era.

Tentou ligar de volta várias vezes, mas todas as chamadas caíam direto na caixa postal ou indicavam que o telefone estava fora de área. A ansiedade crescia dentro dele, formando uma pressão sufocante em seu peito. Cada segundo sem notícias só tornava a sensação pior.

Andava pelo apartamento, inquieto, checando o celular a cada instante, esperando desesperadamente por uma resposta. Quando finalmente o aparelho vibrou em sua mão e o nome de Lee Know apareceu na tela, Changbin quase deixou o telefone cair na pressa de atender.

— Fala logo, o que aconteceu?! — Sua voz saiu urgente, a preocupação evidente. — Como ele tá?

— Estamos indo pra casa, ele está bem, não foi nada grave, só alguns arranhões.

— Estou indo pra casa dele agora.

Changbin desligou o telefone, o coração martelando contra o peito. Pegou as chaves do carro com as mãos trêmulas e, na pressa, tropeçou ao tentar calçar os tênis. Praguejou baixinho, a ansiedade tornando cada segundo uma tortura.

Assim que conseguiu se ajeitar, saiu de casa às pressas, sem se preocupar em trancar a porta direito. Durante todo o percurso, sua mente era um turbilhão de pensamentos. O medo de perder Seungmin o consumia, um arrependimento amargo se instalando em seu peito.

Cada vez que o ignorou, cada chamada recusada, cada porta que deixou fechada, agora, tudo parecia um erro horrível. Não queria mais perder tempo, não queria mais fugir. O que importava agora era chegar até Seungmin. E dessa vez, ele o ouviria.

Notas finais
Lino e Han precisam reconstruir o relacionamento e trabalhar a confiança. E o Bin? Será que agora ele vai ouvir o Minnie?