Lies

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Apenas uma daquelas inspirações da madrugada. Espero que gostem :)

(09:12) Então... Você e o Noah, huh?

(09:13) Sim, nós estamos juntos.

(09:17) Isso é ótimo, Quinn. Realmente. Não há nada no mundo que eu possa querer para você mais do sua felicidade. Você merece!

(12:19) Suponho que sim.

(12:21) Você é?

(12:22) O que?

(12:22) Feliz?

(12:25) Sou.

(12:27) Que bom. Muito bom. Maravilhoso :)

(12:30) Você é feliz, Rachel?

(13:50) Estou tentando. Talvez eu acorde algum dia e descubra que consegui.

(14:41) Talvez.

~x~

Google

Significado das horas invertidas.

14:41 → Perda de algo.

~x~

— Bem — Rachel sussurrou para si mesma, um sorriso depreciativo espalhando-se pelo seu rosto —, esse é um modo de colocar as coisas.

Ela fechou a aba do Google e deixou o celular de lado, soltando um longo suspiro. Não acreditava realmente em "horas invertidas", ou qual seja o nome que tenham, mas não pode evitar de procurar o significado do horário quando Quinn lhe enviou uma mensagem. Ela poderia rir de si mesma. Até mesmo as malditas horas pareciam zombar de sua cara, esfregando em seu rosto a verdade incontestável:

Quinn Fabray jamais seria sua.

Não que Rachel já não soubesse disso. Muito pelo contrário — desde a primeira vez que viu a loira andar pelos corredores do McKinley, ainda sem o uniforme das líderes de torcida, ela soube que alguém tão linda jamais olharia para ela duas vezes. Mas, àquela altura, ela já estava acostumada a sensação. A de ser invisível para as pessoas ao seu redor, como se ela não existisse; talvez, por isso, procurava constantemente ser o centro das atenções quando estava no palco. Era a única coisa na qual ela era verdadeiramente boa. A coisa que a tornava diferente, especial. Ela se agarrou a isso com todas as forças que tinha. E durante os quatro anos de colegial, seu talento e força de vontade foram os que a fizeram seguir adiante, apesar de todas as dificuldades. Ela era uma garota em uma missão, afinal. Ela provaria que todos que riram dela estavam errados. Ela provaria que era boa o suficiente. Ela realizaria seus sonhos.

Entretanto, cinco anos depois, Rachel já não estava certa de quais eram seus sonhos. Eles haviam mudado constantemente com o passar do tempo. Claro, ela queria ser uma atriz da Broadway — essa era, provavelmente, a única constante —, mas não era só isso. Em seu primeiro ano, ela desejou ter amigos; no segundo, desejou ser reconhecida pelo seu talento; no terceiro, desejou que Finn a quisesse; no último ano, quis se tornar a esposa do garoto que amava. E, após terminada a escola, ela desejou, mais do que tudo, ser honesta.

E se ela tivesse sido honesta, teria admitido para si mesma que não o amava. Ao menos, não da mesma maneira. Ela sentia isso, mas fingiu que não sabia. Fechou os olhos, e todas as vezes que ele se aproximava dela, dizendo todas as palavras que ela sempre quis ouvir, ela permitia se deixar levar novamente pelo encanto do homem que quase se tornou seu marido. Eles dormiram juntos. E ela repetiu tantas vezes que o amava que, por um tempo, acabou se convencendo. Mas ela sabia melhor. Ela sempre soube melhor.

Não foi justo com ele. Não realmente. Ela nunca contou como realmente se sentia — nem conseguia admitir a si mesma, quanto mais a ele —, e acabou vivendo uma mentira. Uma mentira que custou caro demais. Agora, ela se sentia presa. Assombrada pelos erros que havia cometido. Limitada por eles. Ela sabia que, agora, não havia mais caminho de volta. Ela jamais poderia revelar o que ardentemente queria. Teria que suportar, em silêncio, o duplo coração partido. Tanto pela perda dele, quanto pela dela. Ela seria obrigada a sustentar a mentira pelo resto de sua vida, porque foram as últimas palavras que disse a ele, e ela não queria que ninguém pensasse que não haviam sido verdadeiras.

E não haviam.

Ou, talvez, não tão verdadeiras quanto deveriam ser. Ela o amava. Realmente. Só não do mesmo modo que o fez quando ainda eram adolescentes. Só não com a mesma paixão e intensidade de antes. Era mais como a lembrança de um amor. A lembrança de que um dia seu coração bateu mais rápido ao vê-lo; a lembrança de que um dia gostou do seu toque; a lembrança de um dia que desejou seus abraços. Mas esses dias haviam terminado antes mesmo de eles terminarem.

Ela não pode evitar não se apaixonar por Quinn. Depois do acidente, ela se sentiu terrivelmente culpada, e esteve lá, em todos os momentos, segurando sua mão. Ela a ajudou a se levantar quando Quinn não conseguia ir sozinha para a cadeira; ela pegava as coisas nas prateleiras mais altas — subindo em bancos— porque Quinn não podia fazê-lo; elas assistiam filmes, juntas, os braços encostados um no outro, as risadas ecoando pela sala.

Rachel sentia falta disso. Sentia falta de Quinn. De como ela a fazia se sentir tão viva, tão intensa, tão completa. Algo que Finn Hudson jamais a proporcionou. Algo que ela esperou uma vida inteira para vivenciar. Ela sempre se imaginou sendo corajosa o suficiente para admitir a Quinn que a amava. Ela sempre se imaginou abraçando a loira, beijando-a, e andando com ela de mãos dadas simplesmente porque podia. Mas qualquer delírio sobre um possível relacionamento acabou com a morte de Finn. Rachel sabia que não podia fazer isso com ele. Não podia fazer isso com Quinn. Ou consigo mesma. Ainda que houvesse a remota possibilidade de Quinn amá-la de volta; ainda que Quinn a aceitasse de braços abertos — ela sempre sentiria como se o estivesse traindo. E ela não era uma traidora. Uma mentirosa, talvez. Mas não traidora.

Rachel sabia dessas coisas, mas, ainda assim, permitiu-se ter esperança. Permitiu-se sonhar. Desejar. Imaginar. Entretanto, vê-los juntos, beijando-se, felizes (ou aparentemente felizes) — isso a quebrou. Levou todo o ar para fora de seus pulmões. Destruiu tudo de inteiro que ainda restava dentro de si.

Ela precisava suportar, agora, vê-los andando de mãos dadas para todos os cantos. Vê-los cantando músicas um para o outro; vê-los sorrindo — um sorriso que ela gostaria que fosse dedicado somente a ela —; vê-los seguindo em frente. Seu único conforto era saber que não precisava ficar em Lima por mais tempo. Ela voltaria para Nova York, focaria-se no seu sonho, e seguiria em frente. Tentaria esquecê-la. Tentaria viver sua vida. Correria em busca da carreira que almejou desde seus cinco anos de idade.

Mas ela tinha medo. Medo de não ser capaz de amar novamente do jeito que a amava. Medo de o amor se transformar lentamente em um vazio. Medo de que esse vazio jamais pudesse ser preenchido. Medo de que, talvez, ela não merecesse ser amada.

Rachel respirou fundo. Não sabia exatamente em que ponto sua vida se tornara tão complicada. Não sabia onde cometera tantos erros a ponto de acabar num beco sem saída. O que ela sabia é que agora precisava encontrar uma maneira de encontrar o caminho principal, e ir adiante. Só que ela estava quebrada demais para conseguir dar um passo sequer. Quebrada demais sequer para continuar.

Ela pegou o celular mais uma vez, desbloqueando-o, e observando a última mensagem que Quinn lhe enviara. Sentiu uma pontada no peito, as lágrimas se acumulando em seus olhos e descendo lentamente pelo seu rosto. Digitou uma última mensagem, antes de apagar o número de Quinn de sua lista de contatos.

Mas, ainda que quebrada, ela precisava tentar.

(15:15) Talvez.

~x~

Google

Significado das horas repetidas.

15:15 → Por ti choras.

Notas finais
Reviews? :D P.S.: Desculpem o excesso de palavras repetidas, e qualquer outro erro. São cinco da manhã e ainda não dormi. Precisava terminar isso primeiro xD.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!