Lie to me.
1 Capítulo Único
Me deixe te falar uma coisa. Preste atenção. Direi apenas uma vez.
Eu sei como os relacionamentos e laços afetivos e humanos funcionam na sociedade contemporânea. Posso nunca ter experienciado de nenhum desses mas os observei aflorar, crescer e murchar nas pessoas tempo o suficiente para ter aprendido sobre cada um deles. Eu sou uma expectadora. É o que eu faço. Observo. Sei como amizades funcionam atualmente. Posso dizer que eu definitivamente não sou sua amiga e é verdade. É disso que chamam a amizade hoje em dia? Simplesmente, duas pessoas que se aturam ou convivem diariamente podem ser consideradas amigas apenas por se darem bem? Acho que não. Nós não somos amigos. Somos apenas duas pessoas que convivem de uma maneira razoável. Colegas, conhecidos, como quiser chamar. Amigos são pessoas que estão sempre ali uma pela outra, independentemente das ocasiões. Pessoas que podem contar uma com a outra. Que se confiam suficientemente para desabafarem sobre as coisas. Se você seguir por essa tese, vai notar que talvez não possua muitos amigos.
Sei como os namoros funcionam atualmente. Já não querem mais compromisso. Já não suportam mais a responsabilidade de se envolverem amorosa ou sexualmente com alguém e terem de permanecer com esse alguém pelo resto da vida. Se relacionam por pouco ou nenhum motivo, apenas por se envolverem. Esse medo da responsabilidade, essa aversão ao compromisso... É isso uma das feridas da humanidade. Faz com que os namoros, um dos mais profundos, intensos e verídicos dos envolvimentos humanos, pareçam os mais superficiais e levianos dos relacionamentos. As pessoas não apenas ficam por ficarem, elas namoram sem sentirem qualquer tipo de atração sentimental pelo próprio parceiro. É tão importante para os jovens exibirem pessoas para a sociedade como se fossem produtos ou itens que podem ser vendidos por um pouco de atenção ou popularidade, tudo para ter aquele lugar. Aquele pequeno lugar na fila dos estimados e célebres que todos nós queremos.
Como conseguinte, nós fingimos sentimentos. Quantos garotos não adoram essa brincadeira. Como se nós fossemos brinquedos. Como se fossemos para o seu entretenimento pessoal, absoluta e totalmente egoísta. Quantos garotos não tratam todas dessa forma.
É por isso, garoto, que eu não tenho tempo para o seu drama e tampouco caio nesse seu papo.
Isso que você usa para se referir a mim como alguém bom para você, como alguém (palavras suas) maravilhoso para a sua pessoa. Não sou. Nunca fui. Nunca serei a pessoa que você diz que eu sou. Você sequer me conhece. Eu sequer te conheço. E não creio em você. Nessa sua simulação, sua fachada, sublime e complexa o bastante para a garotinha ingênua e que pouco sabe que você acha que sou. Mas eu não caio nessa. Vá atrás das outras garotas – sei que tem conhecimento de muitas. Aquelas que forem mais crédulas e pueris em relação a mim para fiarem-se nessa sua conversa. E, por favor, não confunda as coisas. Não estou dizendo isso porque gosto de ti mais do que deveria, estou dizendo para que você entenda seu próprio teatro narcisista.
Me pergunto para quantas mais delas você já não tenha dito aquelas coisas.
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