Lie to me
11 Closer
Notas iniciais
Demorou, mas chegou. Bom, primeiramente eu gostaria de agradecer por toda a paciência,por todo o carinho, pelos lindos comentários e recomendações. É provavel que eu demore um pouco no próximo, mas eu nunca abandonaria a fic, tenham certeza disso.
Esse capítulo foi feito com muito carinho e ao longo da madrugada, portanto, espero que vocês gostem.
“Usually when things has gone this far
People tend to disappear
No one will surprise me unless you do
I can tell there's something goin' on
Hours seems to disappear
Everyone is leaving I'm still with you”
Young Folks – The Kooks
.x.
Sasuke está olhando para mim de um jeito muito intenso. Seus lábios estão levemente curvados, quase formando um sorriso e eu não consigo parar de olhá-lo, todos os seus traços parecem mais bonitos assim tão perto. Levemente, ele toca sua mão na minha, e sua outra mão pousa firmemente na minha cintura. Ele me hipnotiza, mas por que ele não se aproxima?
Aí está... Finalmente. Sinto a leve brisa balançar meus cabelos e inevitavelmente, eu sorrio.
Agora estamos com os narizes encostados, mas sua boca esta tão distante. Lentamente ele se inclina e me dá um beijo suave, meu coração acelera e Madonna agora toca ao fundo.
Madonna?
Abro os olhos e me sento na cama, assustada. No meu rádio, Madonna canta Like a Prayer enquanto o horário indica que eu preciso levantar.
– Mas que porra de sonho foi esse?
Me levanto da cama e corro para a pia do banheiro e jogo um punhado de água no meu rosto. Sasuke esteve nos meus sonhos e me beijou, de verdade! E de alguma forma, isso me deixou alegre, mas que merda está acontecendo? Respiro bem fundo e abano a cabeça espantando qualquer pensamento estranho que eu possa ter, afinal, foi um sonho, como outro qualquer, exatamente como qualquer pesadelo.
Ontem passei o dia com Sasuke, descobri mais de sua vida e não posso negar que não tenha me apegado um pouco a ele, mas isso é tudo. Eu devo realmente estar ficando louca por ter sonhado com algo assim! Com certeza foi porque eu acabei vendo Um Lugar Chamado Nothing Hill pela milésima vez ontem a noite. Esse monte de comédia romântica que eu ando vendo finalmente está tendo seus efeitos colaterais em mim. Bocejo e me espreguiço enquanto encho uma xícara com café fumegante e bem doce.
Sou dispersa de meus pensamentos quando e telefone toca e no visor noto que é meu odioso chefe. Por deus, do jeito que meu dia começou, já tenho indícios de que estou no meu inferno by Text-Enhance\">astral.
– Oi Genma. – digo, não escondendo meu total descontentamento com sua ligação.
– Sakura! Não precisa vir hoje para a editora, Gaara está te esperando no apartamento dele. Rápido, mecha sua bunda e pegue um papel e caneta. – assim que eu encontro algo que eu possa anotar o endereço. – Posso falar? – faço um som qualquer indicando que sim. – Av. Principal, número 3052. Ele te espera daqui há duas horas, faça o favor de não chegar atrasada. Hoje vocês acertarão os detalhes finais do livro. Tente não estragar tudo dessa vez. Aquele imbecil é a chance dessa editora conseguir se tornar a número um to toda Tóquio, quem sabe do país.
– Certo...
Antes que eu possa falar alguma coisa, Genma, como sempre, desliga na minha cara, mostrando como ele é dotado da mais fina educação. Respiro fundo e me preparo para meu encontro com Gaara, fico feliz que ele tenha escolhido a mim como sua editora, mas depois de toda essa história com Sasuke e ainda mais ter descoberto que Gaara faz parte de seu passado, agora fico apreensiva com a ideia de que iremos nos encontrar.
Tomo mais um gole de meu café enquanto ligo a televisão a fim de ver o jornal da manhã. Eu realmente não sei por que eu faço esse tipo de coisa, digo, ver o jornal da manhã, sempre são as mesmas desgraças ou fofocas, ou coisas que realmente não me interessam. Assim que esse pensamento cruza minha cabeça, vejo uma foto de Sasuke aparecer na tela e a repórter anunciar que agora Uchiha Sasuke possui mais de 70% de todas as ações das empresas Sharingan. Os dois repórteres agora começam a debater se Sasuke possuirá habilidade de lidar com tanto poder em suas mãos, devido a sua pouca idade para o mundo dos negócios. A repórter faz algum comentário maldoso sobre a vida amorosa de Sasuke e agora uma foto minha e dele aparece na tela! Nós estamos de mãos dadas e nos olhando. É, realmente até que fazemos um bonito casal. Agora os dois estão comentando sobre o nosso relacionamento. Por deus, esse é um jornal ou um programa qualquer de fofocas?
Mudo de canal e coloco em um desenho animado qualquer, enquanto vou até meu quarto, tomar banho e vestir alguma coisa para encontrar Gaara.
Acabo optando por uma calça jeans capri, um scarpin vermelho, meu costumeiro casaco preto e uma blusa cinza qualquer, prendo meu cabelo num coque desleixado e coloco meus óculos escuros. Olho no relógio, não é possível! Estou atrasada (leia-se: como sempre).
Saio correndo e entro no primeiro ônibus que vai para o metrô. As mensagens de Genma, perguntando se eu já cheguei ou me encontrei com Gaara começam a chegar e vêm aos montes. Eu odeio o meu chefe, de uma forma tão intensa que só não contrato um assassino para limpar ele da face da terra, porque não tenho dinheiro. Respiro fundo, irritada, quando, após um ônibus, uma linha de metrô e algumas quadras caminhadas, chego ao majestoso prédio branco, que supostamente é a residência de Gaara. Envio rapidamente uma mensagem contando a Genma que já cheguei enquanto toco o interfone.
Automaticamente, o portão se abre e eu adentro o bonito edifício. Gaara mora na cobertura, o que me faz pensar que ele é realmente uma pessoa muito rica. O elevador é rápido e logo eu estou de frente para sua porta, esperando que ele me atenda. Rapidamente, a porta se abre, Gaara aparece apenas com uma calça de moletom, descalço e sem camisa. Sua fisionomia sonolenta indica que eu o acordei e que ele provavelmente não se importará com meu pequeno atraso.
– Eu... err... te acordei? – pergunto meio sem jeito.
Ele faz um gesto afirmativo com a cabeça e com a mão, pede para eu entrar. Assim que eu adentro, sinto meu queixo cair, apesar de ser um apartamento bonito, há várias garrafas de bebidas espalhadas pela sala, no chão, posso notar várias folhas de papel amassada. Tudo está uma terrível bagunça e não posso esconder meu olhar de surpresa e ao mesmo tempo de assustada, pois sempre imaginei que ele fosse um homem organizado.
– Vou colocar uma camiseta qualquer. – ele olha para mim mais uma vez antes de subir a escada. – Pode ficar a vontade.
Assim que eu me sento, sinto algo me incomodar e ao olhar, noto que é uma lata de cerveja; começo a pensar que não só acordei Gaara como também é possível que seu aspecto cansado seja o resultado de uma noite de embriaguez pesada.
– Eu ainda estou em condições de conversar, não se preocupe. – a voz de Gaara rasga o silencio da sala e me dá um susto muito grande.
– Certo. – tento me recompor. – Err... Vejamos... Agora temos que acertar os últimos detalhes e conversar sobre o título do livro. É bom deixar claro que, caso você não tenha ideia sobre como o título seria, existe um pessoal da editora que poderia escolher alguma coisa criativa. Mas tudo isso seria sua decisão.
– Vamos por partes... – ele diz, se sentando ao meu lado e passando as mãos em seu cabelo em algum gesto indicando certa preocupação. – Não tem mais nada no livro que você gostaria que eu retirasse ou acrescentasse?
– Eu gosto do jeito que ficou,não acho que precisaremos acrescentar nada, quanto mais tirar! O livro é bonito, profundo, mas é direto, não sendo em nenhum momento cansativo e olha que eu já li umas cinco vezes. – dou uma risada e Gaara esboça um pequeno sorriso. – Eu acho que esse é o momento que eu te pergunto se você ficou satisfeito com o final dele?
Ele faz um gesto positivo, simplesmente.
– Certo, então agora teremos que nos reunir com Genma – inevitavelmente, reviro os olhos. – que insiste em conversar sobre o resultado final do livro. O que eu acho desnecessário, mas... ele é o chefe. – digo de uma forma mais amarga do que eu gostaria e noto um certo divertimento no olhar de Gaara. – Depois poderemos falar sobre títulos, sobre dedicatórias e sobre a capa. Eu acho que o livro vai ser um sucesso! – digo completamente entusiasmada.
– E você? Quando vai voltar a escrever?
– As pessoas têm me perguntado isso bastante. – sou uma risada nervosa, eu realmente não gosto dessa cobrança para que eu volte a escrever, tudo tem sido um processo lento e demorado que ninguém parece entender.- Eu estou voltando, aliás, eu voltei a escrever, é só uma ideia agora, mas acho que pode sim se tornar um bom livro.
– O novo namorado vem te inspirando?
Ok, certo, respira Sakura! Essa pergunta está no nível das da minha mãe. Por que Gaara falaria algo assim, tão indiscreto?
– Sasuke? – dou um risada hiper nervosa, meu deus, acho que estou hiperventilando, isso é um ataque cardíaco? – Também, mas.. err... surgiu uma nova ideia que... hum... eu resolvi desenvolver. – agora eu apenas estou jogando no ar palavras que vêm a minha cabeça.
– O Sasuke já falou de mim? Nós estudamos juntos, sabia?
– É, ele comentou.
– Como vocês se conheceram mesmo? – por deus, onde ele quer chegar?
– No.. hum... no Palace. – respiro fundo.
– Faz tempo que eu não me encontro com o Sasuke. – o olhar de Gaara se perde por um estante e posso notar a melancolia navegando em seus olhos verdes.
Não sei por que, mas alguma coisa me diz que mais coisas aconteceram no passado deles, e que agora eles não são tão amigos como foram um dia. Observo Gaara por alguns instantes, que agora toma uma xícara de chá, outra surpresa, eu jurava que ele preferiria um café amargo, assim como Sasuke. Suspiro pesadamente enquanto me preparo para me despedir dele. Eu não deveria me preocupar ou tentar entender o que houve no passado deles, pois logo Gaara sairá de minha vida e em breve, Sasuke também.
Mesmo sabendo que eu deveria ir embora, não consigo conter minha curiosidade:
– Vocês não se falam mais? – Gaara nega com a cabeça. – Por quê?
– Tivemos nossas desavenças, depois de uma terrível perda...
– Naruto... – comento baixinho.
– Sim, ele te contou, não foi? – eu assinto e ele continua: — Depois disso, Sasuke também levou de mim a garota que eu amava. Nada nunca mais foi o mesmo.
Me assusto com a resposta dele e fico em silencio por alguns instantes. Realmente, isso explica tudo, mas eu realmente jamais imaginaria que Sasuke faria isso com um amigo. Eu sei, eu sei... Isso tudo não é da minha conta e nunca será. Mas esses dois parecem ter feridas em seus passados que eles precisam contar, por pra fora, desabafar... Ou isso nunca vai sarar. Lembro de quando o episódio do Sasori aconteceu, eu simplesmente precisei contar pra alguém, porque guardar tudo aquilo não me pareceu uma opção. Eu senti que se eu apenas escondesse meus sentimentos e minhas dores, eu simplesmente viveria agonizando.
– Não precisa ficar assim, ele teve seus motivos.
– Entendi... – pego minha bolsa, indicando que preciso ir. – Bom... – limpo a garganta. — Eu preciso ir, mas... hum... sobre o livro... você pode me ligar a qualquer hora se quiser fazer alguma mudança, ou... hum... desabafar. – ele me olha de uma forma intensa e me sinto imersa nas águas verdes de seus olhos.
– Eu te acompanho até a porta.
Rapidamente, ele abre a porta pra mim e assim que eu saio, escuto:
– Sasuke sempre foi um bastardo sortudo.
Sua frase me pega de surpresa e quando eu me viro, a porta de seu apartamento está fechada. De alguma forma me sinto meio triste depois da conversa com o Gaara, mas mais uma vez eu preciso colocar limites na minha curiosidade, tudo isso, Gaara, Sasuke, o passado deles, tudo é passageiro, logo eu serei só mais uma memória e seguirei em frente. Me envolver demais só me machucaria. É isso que fico dizendo a mim mesma como uma espécie de mantra quando saio do prédio e decido almoçar em algum lugar.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Assim que chego na Soho, posso respirar e sorrir tranqüila. Aqui a comida e boa, barata e enfim poderei tomar um ou dois martinis antes de ir para casa e me enfiar no meu computador e só sair de lá quando o terceiro capítulo do meu livro estiver pronto.
Me sento na costumeira mesa do canto e o garçom que já conheço, vem me atender.
– Olá, Senhorita Sakura, o que vai ser?
– Bom, Lee, hoje vai ser... um risoto de frutos do mar, e um bom vinho tinto, mas o mais barato, por favor.. – sorrio para ele que anota tudo.
– Alguma entrada?
– Eu tenho sorte de conseguir comer o prato principal.
– A senhorita é sempre muito engraçada. – ele diz ainda dando risada. – E dona Ino? Não vai vir acompanhar a senhorita?
– Ino está viajando, como sempre. Hoje vai ser só eu.
– Certo, logo trarei seu pedido.
Checo tranquilamente meu celular, tamborilo os dedos na mesa e observo o lugar enquanto meu pedido não vem. Sempre achei essa ideia de jantar sozinha em restaurante meio deprimente, mas o que posso fazer? Ino está na Turquia fazendo algum ensaio exagerado para a Vogue, Hinata está em Paris fazendo seu mestrado e ultimamente a única pessoa que tenho visto é Sasuke, que depois do sonho dessa noite, eu realmente vou evitar de vê-lo por um ou dois dias.
Lee logo aparece com meu vinho e depois de tomar um gole, avisto Tayuya e Sasori entrando no restaurante de mãos dadas! Não é possível! Vejo que Sasori vai olhar para cá e me abaixo, ficando quase debaixo da mesa. Eles simplesmente não podem me ver aqui. Não agüento mais essa simpatia falsa da Tayuya, ou a ideia do Sasori com ela quando ele me mandou aquelas mensagens ou foi a porta da minha casa. Eu realmente não quero que eles me vejam ou falem comigo.
Rock Lee agora está de volta com o meu pedido.
– Senhorita Sakura, o que você faz aí embaixo? – Lee se abaixa também.
– Eu... err... estou procurando um brinco que caiu.
– Você quer ajuda?
– Eu to bem, obrigada.
Assim que ele se retira, levanto minha cabeça um pouquinho a fim de ver se eles ainda estão lá. Merda! Eles acabaram de chegar. Enquanto eles estão distraídos falando com o garçom, pego o prato que está em cima da mesa e os garfos e dou uma garfada, sentada em baixo da mesa, no meio da Soho, no horário em que ela é mais lotada. Suspiro irritada, bom, o máximo que podem fazer é achar que eu sou alguma lunática e, sinceramente, depois de comer embaixo da mesa para que meu ex não saiba que eu estou aqui, começo a pensar se eu não sou mesmo.
Sinto a mesa vibrar e o toque do meu celular ecoar escandalosamente pelo restaurante. Rapidamente, enquanto uma mão segura o prato com o risoto, a outra começa a tatear a mesa em busca do meu celular e logo eu o acho. Olho no visor, e é Sasuke. Ótimo, tudo que eu precisava era falar com ele, ainda mais depois do sonho estranho que eu tive essa noite.
– Oi, Sasuke.
– Sakura, podemos almoçar hoje? Preciso falar com você.
– É que... hum... eu já estou aqui na Soho almoçando.
– Estou a caminho.
– Não, esper... – antes que eu possa falar algo, escuto o tu-tu-tu do telefone indicando que ele desligou na minha cara.
Porra.
Qual é a de todo mundo querer desligar na minha cara? Suspiro, irritada enquanto como mais uma garfada do meu delicioso risoto. Logo logo Sasuke estará aqui e eu serei obrigada a ser vista pelo odioso casal e ser julgada como lunática pelo resto das outras pessoas ao sair debaixo da mesa.
Menos de quinze minutos se passam quando recebo outra ligação de Sasuke.
– Em qual parte do restaurante você está, Sakura?
– Embaixo da mesa em frente do quadro de umas árvores meio bizarras.
– Você disse embaixo?
– Disse.
Logo vejo os lustrosos sapatos de Sasuke a minha frente e logo ele se abaixa, ficando a minha frente. Seu cenho está franzido, e ele parece levemente irritado, mas logo um sorriso começa a brotar em seus lábios e eu sei que ele está achando essa situação divertida. É claro que ele está. Reviro os olhos diante de seu olhar malicioso e fico em silêncio, esperando ele dizer alguma coisa.
– Por mais que eu tente achar uma explicação plausível e eu estou tentando, acredite, eu não consigo entender o que diabos você está fazendo em baixo da mesa de um restaurante, com um prato de comida. – ele me olha por alguns instantes, antes de soltar uma risada divertida.
– Tayuya e Sasori...
– Te enlouqueceram?
– Não, eles estão aqui e não podem me ver.
– Certo. Eu vou puxar uma cadeira e sentar na sua frente e, calmamente, você vai sentar e vai pegar na minha mão. – ele estende a mão pra mim e eu dou a mão pra ele. – O prato, Sakura.
– Ah, certo, o prato.
Da onde estou, vejo Sasuke puxando uma cadeira e se sentando, assim que ele o faz, me levanto, devagar e me sento direito na confortável cadeira. Olho ao redor e Sasori ainda está lá, ele e Tayuya estão conversando sobre alguma coisa muito animada porque os dois estão rindo. Será que é sobre mim? Respiro fundo, eu estou começando a ficar paranoica com essa história toda.
– Oi. – dou um sorriso sem graça para Sasuke que ainda está com o mesmo olhar divertido e o sorriso nos lábios.
– Você quer alguma coisa? Um Prozac¹, talvez? – ele diz, ainda rindo e eu reviro os olhos. – Sakura, você acaba de fazer meu dia, isso deve ter sido a coisa mais engraçada que eu vi, em anos.
– Fico feliz que eu tenha sido útil. – digo irritada, bebericando um gole do meu vinho. – Eu já expliquei o porque de eu ter... hum... exagerado um pouquinho.
– Certo, um pouco. – Sasuke observa um pouco o ambiente ao redor dele, depois volta seus olhos para mim. – Você já deve ter visto que eu finalmente assinei o acordo com meu pai e agora também possuo as ações dele, certo?
– Sim, eu fiquei sabendo hoje de manhã.
– Ótimo, entretanto temos mais um mês para continuar com essa farsa, isso porque seria muito estranho terminarmos assim que eu assinei o contrato. Mas isso você já sabe, certo? – eu assinto. – Assim que eu assinei a papelada, minha mãe sugeriu uma festa lá na casa deles, afinal, meu irmão voltou da Alemanha e, enfim, ela gostaria de te conhecer melhor.
–Uma festa?
– Sakura, vai ser muito tranqüilo. Uma pequena reunião para alguns amigos da família, e música. E as mesmas conversas chatas, provavelmente. Nada demais, a gente vai ficar junto, de mão dada, trocando alguns selinhos e fingindo ser um casal feliz. –ele pega minha taça e beberica um pouco do meu vinho.
– Quando isso?
– Sexta.
– Ok, eu estarei lá.
– Ótimo. – Sasuke, mais uma vez, olha ao seu redor. – Sasori e Tayuya ainda estão aqui? – eu assinto. – Então vamos embora.
Rapidamente eu chamo Lee, pedindo a conta, que eu pago, rapidamente. Logo, Sasuke se levanta e pede que eu faça o mesmo. Assim que eu o faço, ele pega na minha mão e caminhamos em direção ao odioso casal que parece horrivelmente apaixonado.
– Mas que merda você está fazendo, Sasuke?
Ele apenas olha para mim e continua caminhando, com sua mão agarrada na minha. Assim que chegamos perto da mesa dos dois, Sasuke me puxa de forma que nossos corpos se grudam e olho em seus olhos negros por alguns instantes, até que uma de suas mãos pousa sobre minha nuca de forma gentil, mas firme e seus lábios vão de encontro ao meu. Meu deus, aí está, a realização do meu sonho! Sinto meu coração se acelerar em meu peito, como se fosse uma pequena turbina, batendo de forma violenta. Nossos lábios se encontram, mas ao se tocarem, sinto sua língua macia invadir minha boca e automaticamente, entrelaço minha língua na sua e exploramos a boca um do outro por um breve momento, até que ele mesmo se separa de mim, com um sorriso bonito nos lábios. Agora sei que Tayuya e Sasori olham para nós, assim como todo o resto do restaurante. Eu apenas olho para Sasuke com minha cara de surpresa enquanto ele pega em minha mão, gentilmente e caminhamos rumo a saída da Soho, que agora terá um gostinho diferente pra mim.
Assim que chegamos na rua, meu coração ainda está acelerado e eu sou incapaz de pronunciar qualquer palavra. Sasuke não parece nem um pouco abalado ou surpreso ou confuso como eu, ele agora acende um cigarro e o traga tranquilamente.
– Hum... – eu pigarreio. – O que... err... foi aquilo?
– Eu acho que você não deveria se esconder embaixo de uma mesa toda vez que você tiver a oportunidade de se encontrar com seu ex. – ele olha pra mim.
– Eu sei...
– E você beija bem... – ele comenta e eu sinto meu rosto esquentar.
– Certo. Eu vou... – limpo minha garganta. – ter que ir embora porque... hum... eu vou continuar escrever. É, eu tenho que escrever e eu preciso ir.
Sasuke apenas sorri, e acena pra mim que depois de um aceno desajeitado, saio andando da forma mais rápida que consigo até virar a esquina mais próxima.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Depois de uma noite acordada escrevendo, me levanto para pegar mais uma xícara de café, que têm sido minha melhor amiga nesses últimos dias. Bocejo e me espreguiço enquanto caminho até a cozinha. O relógio indica ser quatro da manhã e eu sei que dormir está fora de cogitação. Já se passaram dois dias desde aquele encontro estranho com Sasuke e eu não falo com ele desde então. Respiro fundo enquanto tomo um gole de café. Amanhã é sexta e eu terei que ver toda a família Uchiha, Sasuke estará lá e eu ainda nem sei o que irei vestir. Balanço minha cabeça a fim de espantar esses pensamentos, eu preciso me focar em escrever.
Depois de algumas horas sem tirar os olhos da teclado computador, de escrever, reescrever, rereescrever e tirar e colocar frases e parágrafos, enfim tenho meu quinto capítulo pronto. Respiro aliviada enquanto me jogo na cama. Fecho os olhos calmamente, esperando cochilar por pelo menos alguns minutos, quando o telefone começa a tocar escandalosamente, ecoando por toda a casa.
–Alô. – minha voz é a mais sonolenta possível.
– Sakura, cheguei em Tóquio! – é Ino e infelizmente ela chegou animada. – Vamos sair hoje para algum lugar querida? Tento tanta coisa para te contar. A Turquia é maravilhosa, sério. Comprei vários lenços bonitos lá.
– Chegou hoje?
– Agorinha, aliás o que foi aquele beijo seu e do Uchiha no meio da Soho? – rapidamente cubro minha mão com minha cara, por deus! – Está em todos os jornais, meu bem. Quando a gente se encontrar você vai ter que me explicar isso direitinho.
– Ino, eu prometo que nos vemos hoje, mas pode ser a noite?
– Meu bem, com certeza. Ficou mais uma noite escrevendo?
– Uhum.
– Então vá dormir. À noite nos falamos, vou levar vodca e pizza.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
– O que?! – Ino grita e eu peço gentilmente para que ela abaixe o tom de voz. – Você vai numa festa dos Uchiha? – eu assinto e ela continua: — Querida, isso é muito importante! Eles são a família mais influente da cidade, talvez do país. Exceto pela família real, e o primeiro ministro... Enfim, eles são muito importantes, você sabe disso, certo? – eu assinto novamente, Ino está querendo me encorajar a ir ou não? – Eu irei te arrumar dos pés a cabeça, você vai nessa festa impecável.
– Uau, obrigada, Ino, eu realmente não sabia nem o que iria vestir.
– Querida, você vai fazer uma entrada triunfal, parecendo uma celebridade de Hollywood.
– Mas Sasuke disse que seria uma pequena festa...
– Sakura as – ela faz aspas com as mãos: — “pequenas” festas dos Uchiha são como o tapete vermelho, querida. Você não pode ir menos que impecável. Até porque, você tem um Uchiha para fisgar.
– Do que diabos você está falando?
– Até parece que você não sabe. Há vídeos de vocês dois se beijando na Soho, meu bem, e daquele beijo, saiu tanta faísca que quase liguei para os bombeiros para o caso do nosso restaurante favorito começar a pegar fogo. Existe uma química entre vocês tão forte... – ela respira fundo. – Eu apoio o casal.
Reviro os olhos, deixando claro que não estou nem um pouco feliz com as insinuações dela. Mas eu confesso que essa semana tem sido estranha, me aproximei de Sasuke de um jeito muito profundo de forma muito rápida e alguma coisa na minha cabeça deu um nó, talvez seja só eu deslumbrada por sua beleza. Afinal de contas, puta que pariu!, ele é lindo. No final das contas é apenas isso, eu sei. E eu não deveria levar a sério as coisas que Ino diz, porque ela sim, é lunática e com a cabeça nas nuvens sem o menor senso de realidade. Respiro fundo e dou mais uma grande mordida no meu pedaço de pizza mussarela.
– Eu acho que você deve estar bebendo demais pra afirmar uma coisa dessas.
– Eu sempre tenho razão quando se trata dessas coisas, querida. Eu nunca erro. – ela me dá um riso divertido. – Mas eu acho que você não deve se preocupar com essas coisas agora, cê tem que mais é aproveitar seu macho.
– Por deus, Ino! De qualquer forma, vamos parar de falar de toda essa situação envolvendo o Sasuke, como foi lá na Turquia?
– Divino! As pessoas lá são bonitas e legais e algumas moram em cavernas. E os homens são lindos, queria trazer pra casa todos que eu peguei.
– Todos?
– Sim, meu bem, plural. Sou uma pessoal que respeita a diversidade e gosta de aproveitá-la.
– Certo. – dou uma risada.
– Você deveria fazer o mesmo, Sakura, ir numa balada e simplesmente passar o rodo e levar o mais gato da noite pra casa e transar até o sol nascer. E eu estou falando sério, Sakura, você precisa transar.
– Certo, Ino, deixa que da minha vida sexual eu cuido, ta? – digo, ainda rindo. – Fora que eu preciso esperar essa história do Sasuke acabar, etc. Não é tão simples assim.
– Você é uma garota muito complicada. – Ino vira sua dose de vodca. – Bom, meu bem, eu já vou indo, a que horas o gostoso do Uchiha vai passar aqui?
– Acho que pelas nove.
– Às cinco eu estarei aqui. Mal posso esperar por isso. – Ino me dirige um sorriso malicioso e se vai.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Me olho pela centésima vez no espelho, eu estou linda! Meu cabelo está solto, jogado para o lado. Ino passou um delineador bem marcado e bastante rímel, destacando meus olhos, e em minha boca, um vermelho bem clarinho. Meu vestido é preto, com um decote generoso nas costas, justo, um pouco acima dos joelhos, aparentemente da Chanel e meu sapato alto, Prada, é de um rosa bebê bem claro.
– Então, querida, o que achou?
– Ino, eu não tenho nem o que dizer.
– Repita comigo, Sakura: hoje o Sasuke não me escapa.
O interfone toca, provavelmente é Sasuke, pontual como sempre. Respiro bem fundo e dou um beijo em Ino, agradecendo-a. Rapidamente, pego minha pequena bolsa e meu casaco e saio.
Quando deixo o prédio, posso ver Sasuke, encostado em seu carro, vestindo impecavelmente um terno caro. Ele está compenetrado, olhando para o nada e não nota eu me aproximando, porém,assim que chuto uma pedrinha qualquer acabo chamando sua atenção. Seus olhos me avaliam da cabeça aos pés e ele dá um meio sorriso.
– Você está linda, Sakura.
– Você também.
– Eu sei.
Aperto os olhos, olhando para ele com uma fingida incredulidade.
– Eu só estou brincando, venha, entre no carro, todos em casa estão te esperando.
Durante o trajeto conversamos algumas coisas, mesmo sabendo que Sasuke prefere o silencio, essa noite ele não parece desconfortável em conversar, ele até parece... amigável. Noto também que não estamos indo em direção a sua casa e, antes que eu possa perceber, paramos em frente a um imenso portão, e logo atrás há uma enorme mansão, uma das mais bonitas que eu já vi em toda a minha vida. Um segurança, ou o porteiro, não sei, abre o enorme portão e Sasuke dirige, adentrando o bonito e imenso jardim. Noto que há vários carros pelo lugar indicando que essa festa será um pouco maior do que Sasuke descreveu para mim. Saltamos do carro e logo ele pega em minha mão, se aproxima de mim e deposita um leve selinho em meus lábios, eu sei que tudo faz parte da encenação e então eu sorrio para ela da forma mais carinhosa que eu consigo e logo Sasuke me conduz até a entrada da enorme mansão a nossa frente.
Assim que entramos, fico boquiaberta perante todo o luxo a minha frente. Toda a decoração me lembra uma casa vitoriana, tendo um aspecto dourado. Posso identificar vários quadros famosos e milionários pendurados pela sala. Muitas pessoas muito bem vestidas estão conversando e circulando pelo lugar enquanto um suave jazz toca no ambiente.
– Bem vinda a uma das famosas festas de Uchiha Mikoto. – Sasuke sussurra em meu ouvido.
Um garçom aparece com uma bandeja com champanhe e eu e Sasuke pegamos uma taça, antes que possamos falar alguma coisa, Fugaku, o pai de Sasuke, aparece.
– Meu filho... – ele sorri e abraça Sasuke de forma calorosa.
Os dois permanecem assim por alguns instantes antes de se separarem e a atenção do pai de Sasuke se volte para mim.
– Vejo que trouxe sua bonita namorada. – ele me dá um leve abraço. – Como vai, Sakura?
– Muito bem, Sr. Fugaku. Que bela casa vocês têm aqui.
– Ah sim, está na nossa família há mais de um século. – ele diz, orgulhoso. – Mas Mikoto nunca gostou muito daqui, eu tenho que concordar com ela que os ares de Paris são bem melhores.
– Eu imagino, mas essa é uma bela casa. – digo, com sinceridade, por deus, esse lugar é um verdadeiro palácio.
Somos interrompidos pela chegada da mãe de Sasuke, Mikoto, que hoje está muito bonita em seu vestido longo, cinza, de seda. Em seu pescoço há um bonito colar de diamantes, combinando com os brincos. Seu cabelo está preso em um elaborado coque. Ela está radiante.
– Sasuke, querido. – ela sorri, o abraçando forte, Sasuke também está sorrindo, eles parecem felizes. – Como você está? Por que você nunca me liga, querido? Tenho saudades...
Sasuke apenas sorri, dizendo que tem andado ocupado, ele parece amar muito os pais. Logo, Mikoto também me abraça forte, indagando como eu estou também.
– Enfim conseguimos fazer com que Sasuke a trouxesse aqui, Sakura. Você é a primeira namorada que ele trás para essa casa.
– Ah é? – arqueio uma sobrancelha.
– Ele sempre quis fingir ter algum bloqueio emocional... – Mikoto dá uma risada. – Mas Sasuke sempre foi muito tímido.
Minha vontade é de gargalhar, mas tudo que faço é esboçar um sorriso. Uchiha Sasuke pode ser tudo, menos tímido, disso eu tenho certeza.
– Sakura, querida, preciso ir até a cozinha ver como estão as coisas, mas ainda conversaremos muito essa noite.
– Com certeza.
– Com licença.
Fugaku logo pede licença e se retira junto de Mikoto.
– Sua mãe te acha uma pessoa tímida. – dou uma risada.
– Acho que essa é a revanche pelo que aconteceu quando almoçamos com seus pais. – ele diz, coçando a nuca.
– Eu não sei se sua mãe conseguiria chegar no nível de indiscrição e falta de bom senso que a minha. Eu acho que ela ganharia facilmente.
– Seria uma luta acirrada.
Dou uma risada, enquanto nossos olhos se encontram e de alguma forma, me sinto desconfortável.
– Sasuke... onde que fica o toalete?
Ele aponta para frente:
– Está vendo aquele corredor ali? – eu assinto. – Só entrar ali e ir até o final.
– Certo, obrigada.
Caminho até o tal corredor e, no caminho algumas pessoas me cumprimentam, mesmo que eu não faça a menor idéia de quem elas sejam. Olhando para os meus pés, não vejo quando me esbarro com alguma coisa, quase caindo no chão. Quando olho a minha frente, vejo um homem bonito, alto, de traços fortes, parecidos com os de Sasuke.
– Você se machucou?
– Não, eu só estava um pouco distraída.
– Você é a namorada do Sasuke, certo? Sakura?
– Hum... é.
– Prazer... – ele estende suas mãos para mim. – Sou Uchiha Itachi, irmão mais velho de Sasuke.
Notas finais
Meninas! Como vão? Eu espero que bem e eu espero que vocês tenham gostado desse capítulo, particularmente, eu curti, achei que fluiu bem e que saiu justamente que eu queria: a abertura da segunda parte da fic. Eu vou dividir essa fic em três momentos, quando eles se conhecem, se apaixonam e o desenrolar da história. Espero que vocês gostem dessa segunda fase. Bem, vamos lá, esse capítulo mostrou um pouco mais sobre o passado do Sasuke, mas por mais que ele ou Gaara contem alguma coisa, será que eles estão contando a verdade? Também vimos que nasce aqui uma certa atração de Sakura por Sasuke, mas leiam bem, ATRAÇÃO, não é paixão nem amor, hein? Principalmente agora que ele a beijou de verdade e ela está muito confusa. Mas é só, quero que vocês ainda não se iludam com os sentimentos da Sakura. Também gostaria de comentar uma coisa: Itachi entrou na história. E agora? Sua participação será bom ou mal? Qual o motivo de sua rivalidade com Sasuke?
Bom, todas as perguntas serão respondidas nos próximos capítulos. Até a próxima, pessoal. Beijos
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