Lie - The Story Of The 8th Sin
10 Inveja é uma forma incompetente de admirar.
Notas iniciais
Chapter 10 (Ep. Hã, algo entre o 38 e o 43 – Brotherhood):Inveja é uma forma incompetente de admirar.
Alguns dias depois.
– Onde está todo mundo? – perguntei quando entrava no lugar que apelidei carinhosamente de “A Sala dos Canos nos quais Costumo Sentar”. Ok, brincadeira. Não apelidei assim.
– Ahh. – disse o Pai lentamente. – Cada um fazendo uma coisa. Wrath exercendo seu papel de Führer, Pride vigiando o túnel de Sloth e Envy tentando falar com Kimblee desde ontem.
Kimblee fora para o Norte há alguns dias, para Briggs. Ele estava nos ajudando a procurar Scar e Marcoh.
Eu sorri e balancei levemente a cabeça, abaixando o rosto.
– Sou a única inútil aqui. O que devo fazer?
– Você já está fazendo algo. Novidades sobre o Coronel Mustang?
Franzi o cenho e balancei a cabeça.
– Da última vez que o vi estava tentando se livrar de uma tonelada de flores que comprou.
– Com que finalidade ele comprou flores?
Dei de ombros.
– Não sei, não quero saber, e tenho raiva de quem sabe. Talvez ele esteja apaixonado – sorri marotamente. – Deve estar com saudades da Hawkeye. Falando nisso, como vai ela?
– Quer que eu vá ver? – perguntou outra voz. Eu me virei e vi Envy chegando. Ele sorriu para mim e se virou para o Pai. – Raven está morto graças à Armstrong e Kimblee, fazendo a festa. Ele vai levar os Elric para um passeio em busca do Scar e do Marcoh. O Baixinho-san aceitou a proposta.
– Ótimo. Espero que os encontrem logo. – o Pai comentou. – Quando você conseguiu falar com Kimblee?
– Ontem, e aparentemente aquela amiga deles, a tal de Wimy, Winry... também está lá, mas não sei se ela vai junto na excursão.
– Certo... Seria bom você ir ver se Pride ou Wrath tem alguma notícia, talvez algo tenha mudado de ontem para hoje. E peça a Pride que avise Kimblee que Sloth está quase acabando o túnel, precisamos que ele faça logo a marca de sangue em Briggs.
– Ok. – disse ele assentindo e se espreguiçando. – Depois acho que tenho uma folguinha.
Envy me lançou um olhar e sorriu.
– Sim. – respondi sorrindo também. Eu e Envy estávamos nos dando muito bem ultimamente, até chegamos a conversar sobre banalidades. Eu quase mudei minha cor favorita de roxo para verde graças a ele.
Ele saiu e eu fiquei sozinha com o Pai.
– Ainda falta um sacrifício. – murmurou, pensativo.
– Decerto não descarto a possibilidade de Mustang, caso contrário minha espionagem terá sido em vão. – respondi.
– Acho pouco provável o Coronel já ter visto a Verdade.
– Também, mas isso é fácil de arranjar. Quais os outros sacrifícios?
– Edward Elric... Alphonse Elric... Van Hoheheim... E Izumi Curtis é uma possibilidade.
– A sensei dos Elric?
– Sim.
– Será que foi ela mesma que os ensinou a cometer o erro de tentar uma transmutação humana? – eu ri.
– Talvez. Tenho quase certeza de que ela já fez.
Eu fiquei séria. Estava blefando, não esperava que uma pessoa experiente o suficiente para ser sensei tentasse algo tão ousado. Eu que era um simples homúnculo não o fizera.
– Interessante.
A partir daí ficamos quietos. Envy não demorou, portanto o silêncio também não durou.
– E então? – perguntou o Pai.
Eu olhei para Envy sorrindo. Sua expressão estava fria agora, preocupada. Ele levantou os olhos para o Pai.
– Hawkeye descobriu que Pride é um homúnculo e aparentemente não vai demorar para o Coronel das Chamas descobrir também... Kimblee está com problemas, de ontem para hoje o da cicatriz e o médico fugiram e ainda por cima Scar sequestrou a tal amiga de infância dos Elric. O Baixinho-san aparentemente ficou bem bravo, está caindo uma nevasca então eles vão procurá-los depois. Ah, e a General de Divisão Armstrong está na Central, Wrath vai falar com ela. – ele se espreguiçou. – Droga, não podemos fechar os olhos um minuto e o tudo vira de ponta cabeça.
– Entendo... – o Pai murmurou, então se virou para sua mesa não dizendo mais nada.
Envy suspirou e se sentou do outro lado do cômodo. Eu franzi o cenho, confusa com a ação e me levantei, indo sorrateiramente até ele e sentando ao seu lado com um sorriso no rosto.
– O que foi? – perguntei. – Você estava animado até agora pouco.
Ele me olhou com uma mescla de desconfiança e confusão.
– Não precisa mais fazer de conta, ok? – murmurou mal humorado.
Eu franzi o cenho, confusa.
– Do que está falando?
Ele se levantou e foi em direção à saída, ignorando minha pergunta.
– Pai, eu vou para o Norte, tenho a impressão de que sei onde Scar e Marcoh estão escondidos.
– Sim. Encontre-os.
Eu me levantei e fui atrás dele. Envy estava andando rápido, e como as pernas dele são mais compridas que as minhas, tive quase que correr para acompanhá-lo.
– Envy, que foi? – perguntei. – Aconteceu alguma coisa?
Ele se virou, parecendo raivoso.
– Não precisa fingir mais está bem? – bradou. – Pride me contou tudo, agora se puder fazer o favor, só se afaste de mim.
Eu fiquei confusa. Pride não sabia quase nada sobre mim.
– Contou? Contou o quê?!
Ele revirou os olhos.
– Não se faça de boba porque eu também não sou idiota. Ou melhor, devo ter sido para cair na sua conversa fiada. E pensar que até gostei de você, mas aparentemente você faz jus ao próprio nome.
Eu balancei a cabeça.
– Olha Envy, eu realmente não sei do que você está falando. E você está me magoando.
– Ótimo, fique magoada – ele deu de ombros e voltou a andar. – Mas faça isso longe de mim. Não vai conseguir o que quer.
Eu fiquei parada fitando-o enquanto se afastava. Pride. O que ele dissera?! Eu corri de volta para a sala do Pai e passei por ela até o elevador, subindo rapidamente e me esgueirando para a janela, de onde pulei e comecei a correr para a casa de King Bradley. Olhei todas as janelas entusiasticamente. Ele está vigiando o túnel, pensei. O que significa que deve estar no porão.
Eu entrei por uma janela tentando fazer o mínimo de barulho e encontrei a porta que dava para o porão. A luz penetrou e eu vi a sombra de Pride ao redor. Eu fechei a porta e acendi a lâmpada, descendo rapidamente de dois em dois degraus e chegando até onde seu recipiente estava. Ele olhou para mim e ergueu uma sobrancelha. Eu ofeguei enfurecida e fui até ele, pegando na gola de sua camisa e colocando-o contra a parede – literalmente.
– O quê?! O que você disse a ele?! – perguntei, fazendo um esforço monumental para não gritar.
Pride olhou para meus dedos.
– Você está amassando minha camisa. – disse na maior calma do mundo, como se estivéssemos tomando chá à tardinha.
Eu ergui a mão e lhe dei um soco. Seu rosto virou para o lado com o golpe, e então ele voltou a me olhar calmamente.
– RESPONDA! – disparei, exasperada. – O QUE VOCÊ DISSE AO ENVY?!
– A verdade. – murmurou. Um sorriso irônico cresceu em seu rosto até que ficasse com uma expressão realmente perigosa. – Coisa que você, Lie, nunca diria.
Eu trinquei os dentes, contendo-me para não desperdiçar energia lhe dando outro soco.
– O que disse exatamente?!
Ele ficou pensativo e sério.
– Acho que disse aquilo sobre você cobiçar as habilidades dele... Embora tenha omitido a parte de que não seria capaz de tomá-las. E dei minha opinião sobre o assunto também: falei que seria melhor para ele ficar longe de você, me parece um tanto perigosa. – ele sorriu. – Você dá perfeitamente a entender que vai se aproximar furtivamente para quando ganhar a confiança, passar uma rasteira. Eu conheço esse jogo, já fiz isso várias vezes.
Meus olhos estavam arregalados e minhas mãos petrificadas enquanto eu segurava-o com vontade de estrangulá-lo – embora eu soubesse que não funcionaria.
– Você... Você... Não acredito. Eu vou te matar!
– Se fizer isso e o Papai ficar sabendo, tenho certeza de que ele vai te eliminar na mesma hora. Provavelmente, matar o homúnculo mais forte deve ser considerado traição, não concorda?
Eu mordi o lábio com força. Minha raiva era enorme, tanta que eu não fazia a menor ideia de que conseguia sentir uma ira tão intensa.
– Mas tenho boas notícias. – Pride continuou. – Envy me disse que vai aproveitar para tentar encontrar um dos Elric. Provavelmente estará com um deles. Entretanto, você terá de escolher. Edward Elric ou Alphonse Elric? Terá que ir à busca de apenas um dos dois.
Eu comecei a tremer, pensando no que ele dissera. Eu era manipuladora, mas Pride sabia jogar esse jogo tão bem quanto eu.
– Quantos anos você tem? – perguntei, abrindo um sorriso sombrio.
Ele franziu o cenho, parecendo não entender a relação disso com nossa conversa.
– Mais de quatrocentos, já perdi a conta. Por quê?
Eu dei uma pequena risada.
– Faz sentido... Você está acostumado a enganar tanto quanto eu e embora eu tenha o dom da enganação, sua experiência o faz igualar-se a mim no quesito manipulação.
Ele sorriu.
– Não tem como ganhar de mim, Lie.
Eu lhe lancei um olhar afiado.
– É isso o que vamos ver.
Eu o larguei e ele escorregou para o chão, pondo-se em pé. Eu me virei para começar a andar.
– Aonde vai?
– Eu sou previsível, vai me dizer que não sabe? – murmurei dando uma olhadela por cima do ombro. – Procurarei o Envy. Se ele entrar numa briga está ferrado. Preciso estar por perto para ponderar a tagarelice dele.
– Acha que ele vai te ouvir depois de eu ter enchido a cabeça dele?
Eu não respondi de imediato.
– Sim. Porque você não me conhece como ele, Pride. – dei mais alguns passos, mas parei. – A propósito, acho melhor passar a vigiar o túnel lá embaixo, afinal, agora não tem mais quem leve as mensagens do Pai para você.
Então eu saí para procurar Envy.
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