Lie - The Story Of The 8th Sin

5 Em nossos pensamentos, até a mínima luxúria...


Notas iniciais
Bem, a Jessi-senpai (Beta) disse que esse capítulo ficou meio confuso para quem não tem os episódios fresquinhos na cabeça... Se puderem, assistam de novo, onegai! E se ficar confuso, por favor me avisem num review.
Boa leitura!

Chapter 5 (Ep. 18, 19 – Brotherhood): “Em nossos pensamentos até a mínima luxúria pode se tornar uma grande miséria”. (Lenon Gomes)

O som de tiros não parava. Mas eu sabia que não precisava me preocupar, Gluttony ia ficar bem. Ele só tinha que acabar com a loirinha metida a militar da Hawkeye. E eu só tinha que ficar de olho, sem perder de vista o ponto onde Gluttony estava e nem o corpo do Barry. E o próprio Barry já que, consequentemente, ele estava junto.

Não era um trabalho difícil e era uma coisa boa. Quer dizer, ficar longe da Lust era ótimo no momento. Eu ainda estava fervendo de raiva dela. Se ela não fosse minha aliada eu juro que ela já estaria morta. Apenas um contratempo.

O som dos tiros foi se acalmando um pouco. Eu podia imaginar Gluttony murmurando algo sobre estar com fome e perguntando várias vezes se podia comer a loira. Soltei um leve sorriso. Pena que eu tinha que ficar de olho no Barry também, senão eu ia até lá para dar uma olhada. Minha curiosidade perante Gluttony ainda era grande.

Então eu ouvi latidos ao longe e desviei um pouco o olhar.

– Hã? – murmurei ao ver um cara baixinho de óculos e um cachorro correndo para dentro do edifício onde eu sabia que Gluttony estava. Umedeci os lábios e sorri um pouco mais. Apenas mais um lanchinho para ele, eu sabia.

Depois de alguns segundos, mais tiros. Voltei a olhar para Barry. A alma ainda estava causando problemas. Os tiros cessaram. Finalmente hora de Gluttony fazer uma boquinha. Ele ia ficar contente, vivia reclamando de fome. Eu estava a ponto de triturar Lust e dar para ele comer. Seria engraçado...

Eu ouvi um barulho e olhei em direção ao prédio. Uma explosão de fogo saía de uma janela e eu ouvi um grito. Gluttony saía voando da janela quase totalmente queimado e caía sobre outro prédio com um estrondo. Franzi o cenho, confusa e olhei para ele. Não tinha caído muito longe de onde eu estava.

– O que houve? – perguntei em voz alta o suficiente para que ele ouvisse.

– M... M... Mustang... – ele sibilou.

Olhei novamente para baixo. O Barry-Corpo começava a fugir. E o Barry-Alma ia atrás. Um carro começava a segui-los também e eu estreitei os olhos para conseguir ver o uniforme do exército por trás do pára-brisa.

Eu me levantei.

– Gluttony, vamos. – falei, começando a caminhar pelo topo do prédio.

– Aonde? Aonde vamos? Ainda estou com fome...

– Você vai poder comer. Depois. – me virei para ele. – Encontre Lust e diga para ela me procurar com urgência. Diga que o plano saiu dos trilhos e o Coronel das Chamas apareceu.

Eu o vi se levantar e sabia que meu recado seria dado. Meus olhos se fixaram no carro preto em movimento e comecei a segui-lo. O sol do fim de tarde passava rápido enquanto eu pulava de prédio em prédio sem tirar o carro de vista. Mas que raiva, eu pensei que o Coronel se acalmaria caso encontrasse o assassino do amiguinho dele. O céu ficou escuro e as luzes da cidade começaram a se acender uma por uma. O carro do Coronel parou em uma esquina e eu reconheci o Terceiro Laboratório do Exército. Vi Mustang, Hawkeye, Barry, um outro cara de cabelo loiro escondido por uma máscara e uma armadura enorme que eu reconheci como Alphonse Elric. Armadura-kun, de acordo com Envy.

Eles conversaram um pouco e Barry começou a correr para entrar no laboratório. Ouvi gritos das pessoas se assustando com a armadura gigante. Segundos depois, Mustang e seu pequeno grupo entraram também e muita gente começou a sair do lugar.

– O que houve? – perguntou a voz de Lust ao meu lado.

– Gluttony estava cuidando da loirinha, mas o Coronel das Chamas apareceu e eles conseguiram fugir. Seguiram o corpo de Barry até aqui. – levantei o olhar para ela. – Alguma ideia do que devemos fazer?

– Você? Nada. Eu vou lá concertar a sujeira que você permitiu que acontecesse.

Olhei-a com raiva.

– Quê?! Eu? Não foi culpa minha.

– Claro que foi. Você era a encarregada de não permitir que ninguém interferisse no trabalho do Gluttony. Entretanto, nem isso você consegue fazer direito, não é? – ela me olhou com desprezo. – Procure Wrath. Faça-o vir até aqui.

Eu a segui com o olhar até ela entrar no laboratório por uma janela. Fiquei alguns segundos parada, me remoendo de raiva. Então desci até um telefone público próximo e disquei o número do gabinete do Führer.

– Alô? Preciso falar com King Bradley, urgente. Diga que é da casa dele, um pequeno problema de família.

Ok, isso não chegava a ser mentira. Eu estava prestes a matar minha irmã de consideração (Lust). Não que esse fosse o assunto principal da ligação.

– Só um minuto, por favor. Poderia me dizer seu nome? – perguntou a atendente, secretária, ou que fosse.

Resolvi usar o nome pelo qual eu era chamada na pensão que fiquei antes de vir para a Central. Wrath conhecia esse nome.

– Lynn Asato.

– Um momento, por favor.

Depois de alguns segundos de espera – fiquei amaldiçoando a secretária por não ser mais rápida – a voz de Wrath atendeu.

– Olá, Lynn, qual o problema? – perguntou. Devia haver alguém na sala com ele, pois estava falando o nome falso.

– Wrath, precisamos de um reforço militar no Terceiro Laboratório. O plano saiu dos trilhos, o Coronel das Chamas apareceu e Lust deve estar tentando dar um jeito nele e nos outros três amiguinhos sozinha. Ela pediu que eu te chamasse.

– Ah, certo, estarei aí em um minuto. Quem são os oponentes?

Quando ele disse oponentes, sabia que ele se referia aos amiguinhos do Mustang.

– A Hawkeye, a alma de Barry, o Açougueiro, o tal de Havoc e Alphonse Elric.

– Alph... Ah, certo, chegarei o mais rápido possível.

Au revoir. – falei, desligando o telefone e me encostando na parede. – Será que devo ir dar uma mãozinha...? – pensei alto.

Dei de ombros e entrei. Desci até o subsolo, pois eu sabia que era pouco provável encontrar alguém nos andares superiores. Dei de cara com um dilema, direita ou esquerda? Mas o cheiro de queimado me levou até a direção correta. Vozes começaram a ecoar e eu reconheci o tom forte do Coronel das Chamas e o suave e perigoso de Lust... Essa voz me fez morder o lábio. Eu estava morrendo de vontade de estrangulá-la já fazia um tempo.

– Não pode mais salvá-lo. – disse ela.

– Não! – disse Mustang.

Ouvi um tiro e soube qual era a sala específica. Fiquei aguardando do lado de fora. Lust estava demorando um pouco demais para dar um jeito neles. O chão estava todo molhado, ela devia estar fazendo uma cena...

– É inútil! – ela gritou. – Ainda falta muito para eu morrer!

– Se existe um jeito de salvá-lo... – Mustang rebateu. Ouvi um barulho estranho, sem conseguir imaginar o que estava havendo. – Ele está aqui!

Lust soltou um grito doloroso e eu franzi o cenho. Ela não podia estar perdendo, ah não.

– Posso usar isso para curá-lo... – a voz de Mustang ecoou. – Alquimia médica não é meu forte, mas... Essa pedra deve ser capaz de ampliar meus poderes.

Eu arrisquei um olhar para dentro da sala e vi o Coronel ajoelhado ao lado do corpo do loiro. Ele tinha uma Pedra Filosofal nas mãos.

– Idiota. – sussurrei.

Carne começou a crescer ao redor da pedra quase instantaneamente e logo Lust estava se regenerando. Ela era mais rápida do que eu presumira.

– Não acha que é muita ousadia enfiar as mãos nos seios de uma dama desse jeito? – perguntou num tom de gozação. Eu revirei os olhos e voltei a me recostar na parede, esperando.

Ouvi Mustang ofegar e o som de lâminas atravessando carne pairar no ar. Um gemido de dor.

– Eu te disse. – Lust prosseguiu. – A Pedra Filosofal é nosso núcleo.

Um baque surdo de um corpo caindo no chão.

– Desculpe... Você era um valioso candidato a sacrifício, mas morrerá aqui.

– Desgraçada... – gemeu o Coronel das Chamas.

Um tecido se rasgou.

– Veja seu subordinado morrer diante dos seus olhos, e morra também.

Passos. Ela estava vindo em minha direção. Permaneci recostada, ouvindo os gemidos dos homens na sala.

– Segundo Tenente Havoc... Responda... – disse Mustang. – Droga! Eu não vou perdoá-lo... se você morrer antes de mim!

Lust apareceu ao meu lado e me lançou um olhar.

– Viu? É assim que se cuida dos problemas.

– Havoc...

Eu franzi o cenho.

– Não devia acabar com eles logo em vez de deixá-los agonizando? – perguntei, começando a caminhar ao seu lado.

– Deixe-o se arrepender do que precisar e rezar uma última prece antes de morrer. – Lust falou. – Fez o que te pedi?

– Sim. Wrath deve estar chegando.

– Você não foi até lá?

– Não, eu não sabia que eles tinham se dividido, você não daria conta de quatro ao mesmo tempo. Ou cinco se calhasse de aparecer mais alguém.

– Cale-se, idiota. Não sabe do que está falando.

Eu parei de andar e ela se virou para mim.

– Não, é? Porque ou você estava armando uma ceninha para chamar atenção ali atrás, ou realmente estava com dificuldades em matar Havoc e Mustang.

Ela pegou meu pescoço e me ergueu do chão. Eu ignorei o ato. Ela é mais alta que eu, ergueu-me a centímetros do chão. Eu apenas a observei com um olhar impassível.

– Trate de cuidar da sua própria vida. – disse ela. – Não quero mais sua ajuda aqui. Você já fez o suficiente. Vá embora e avise Envy, Gluttony e o Pai do que aconteceu.

– Avisar do quê? Que você matou um ótimo candidato a sacrifício? – perguntei, ironizando. – Poupe-me. Ponha-me no chão e eu decido o que vou fazer.

Ela estreitou os olhos, mas obedeceu. Sem me dirigir mais nenhuma palavra, começou a caminhar e sumiu em uma porta mais clara.

– Então você veio, Senhorita Lust. – disse uma voz vinda de lá. A voz de Barry, percebi. Fui até o canto e fiquei escutando.

– Número 66, por que está cooperando com o Coronel?

– Porque é interessante! – ele riu. – E também... Eu quero cortar vocês!

– Você é um homem problemático. – respondeu num tom de desaprovação. – E também, Armadura-kun, você veio para um lugar desses... É uma grande perda! Ter que matar dois candidatos a sacrifícios humanos em uma noite!

Eu bufei. Lust era uma idiota. O Pai ficaria furioso.

– Sacrifícios humanos? Dois? – perguntou o Armadura-kun.

– Isso mesmo. – Lust respondeu. – Você e mais um.

– Já chega de conversa fiada, Senhorita Lust! – Barry se intrometeu.

Ouvi passos metálicos e depois um som de corte. Barry burro. Lust fizera o que ele tanto gostava de fazer. Ouvi o ruído de suas partes caindo no chão com um estrondo.

– Eu odeio homens barulhentos... – Lust murmurou. – E agora, Primeiro Tenente, vou deixá-la juntar-se a seu superior logo...

O som de passos. Pude imaginar o vacilo da Hawkeye.

– Espere. – ouvi sua voz. – Você disse dois sacrifícios humanos em uma noite? Não me diga... Não me diga...

Lust riu um pouquinho. Não pude evitar fazer o mesmo.

– DESGRAÇADA! – Hawkeye gritou.

Ouvi o som de muitos tiros.

– Saco, essa garota nunca fica sem balas? – murmurei comigo mesma.

Ouvi a tenente arfar algumas vezes.

– Terminou? – perguntou Lust. Uma breve pausa sem resposta. – Realmente tola e fraca... Pobre criatura.

Eu suspirei. Agora seria fácil. Ouvi passos cambaleantes pelo corredor e me virei, imaginando que fosse Wrath. Arregalei meus olhos. Ele. O Coronel das Chamas. Fiquei paralisada. Ele vinha vindo. Não pensei duas vezes, corri para o outro lado e me escondi, ainda ouvindo a discussão entre o Armadura-kun e a Hawkeye. Ambos queriam que o outro fugisse.

Bem, pensei. Lust disse que não queria minha ajuda. Eu que não vou ajudar.

– Não deixarei mais ninguém ser morto! – gritou o Armadura-kun. – Eu protegerei todos!

– Falou muito bem, Alphonse Elric. – disse o Coronel Mustang.

O barulho foi de fogo. Muito fogo. Pude ouvir as chamas crepitarem e a claridade atingir o ponto onde eu me escondia. Fiquei com muito medo de sair, eu não queria morrer. Apesar de ainda faltar muito já que eu pouco havia me machucado ultimamente. Ouvi Lust gemendo e me encolhi mais num canto.

– Finalmente se ajoelhou. – disse o Coronel das Chamas.

Lust murmurou algo que eu não ouvi direito. Algo sobre um isqueiro, faíscas e sangue. Ouvi mais chamas crepitarem.

– Com aquele ferimento?! Como?! – ela bradou.

– Eu os fechei. – disse Mustang. – Eu quase desmaiei umas duas ou três vezes.

Outro berro de Lust.

– Você mesmo disse “ainda estou longe de morrer”. – ele continuou. – Se é assim, só preciso continuar te matando até você morrer!

Lust gritou mais ainda e seus berros sobrepuseram algo que a Primeiro Tenente disse. Mais chamas. Eu não sabia como Mustang estava fazendo aquilo, mas estava com medo demais para arriscar um olhar.

– Eu perdi. – ouvi Lust murmurar. Meus olhos se arregalaram. – É frustrante, mas ser derrotada por um homem como você não é tão ruim... Olhos sinceros, sem nenhuma hesitação. Foi divertido. Graças a estes olhos, aqueles dias sofridos e conturbados finalmente vão...

Lust não chegou a terminar a frase. Eu pude imaginar seu corpo se transformando em cinzas e se dissolvendo no ar. Não movi nenhum músculo, assustada. Com medo que o mesmo destino me fosse selecionado. Um peso morto caiu no chão.

– Coronel! – Hawkeye gritou. Passos ecoaram enquanto ela ia até ele.

– Você está bem? – ele perguntou.

– Preocupe-se com você mesmo, por favor!

– Alphonse... Meus sinceros agradecimentos por proteger minha subordinada.

A partir daí eu não ouvi mais nada. Levantei-me, sabendo que não havia mais ninguém no corredor. Precisava sair dali depressa. Quando me virei, notei Wrath parado, observando a cena de onde eu estava antes de Mustang chegar. Ele colocou a espada na bainha e me lançou um olhar. Eu correspondi, mordendo o lábio e ele se virou para ir embora. Eu fitei o chão por alguns segundos e comecei a segui-lo. Eu não sairia pelo mesmo lugar que ele, teria de ir por uma janela para esconder-me.

Era a primeira vez que eu presenciava a morte de um homúnculo.

Notas finais
Revieeews? *puppy eyes*