Lie, Lie, Lie

1 Capítulo Único


Lie, lie, lie...

Você está sentindo aquela pontada no peito, de novo. Você sente como se, dessa vez, ela fosse dilacerar seu coração.

Um grito estridente abandona sua garganta e ecoa pelo cômodo destruido minutos atrás, no auge da sua loucura — porque, sim, você acredita que isso seja loucura -; você usou toda sua força e sua raiva para jogar os objetos no chão, fazendo todos eles se quebrarem em milhões de pedacinhos incoláveis.

Você olha para o chão, passa a fitar um vaso em especial. Ele decorava o centro da sua mesa de jantar. Você se lembra do quanto gostou de ganhá-lo. Aquelas mãos incertas o estendeu em sua direção, com um embrulho elegante. Você ouviu palavras doces e você acreditou nelas.

Você adorava vasos.

Foi o primeiro a ser jogado contra a parede.

Você olha os cacos, agora, e vôce decide que está semelhante à você: em cacos, destruído e sem chance de concerto.

Você sente seus olhos arderem, você luta contra as lágrimas; mas você concorda que elas são inevitáveis.

E, então, elas rolam sem pudor, manchando seu rosto bonito.

Você olha para baixo, derrotado, ainda fitando o vaso. Vê algumas gotinhas cairem sobre o mesmo e, por um momento, você deseja estar em um conto de fadas; como Rapunzel*.

Mas você descobre — ou apenas já sabe — que não está. O vaso não vai se reconstruir, como a visão do Príncipe Encantado**.

Seu corpo desaba no chão, sobre toda a sujeira que você mesmo causou — embora você saiba que tudo já estava sujo há algum tempo.

Você sente alguns cacos de vidro arranhar e machucar a pele nua de sua perna, mas você apenas ignora.

Você consegue sentir apenas esse latejar dentro de você. E essa dor na sua cabeça começa, também.

Você tosse grosseiramente, algumas gotículas de sua saliva voando alguns centímetros de distância, o choro lhe fazendo ter soluços.

Você está com raiva.

Não dela.

Você está com raiva de você e do que você sente por ela.

Você só não é capaz de acreditar que foi tudo mentira. Não consegue imaginar tamanho fingimento. Você não quer acreditar.

Seu corpo deita sobre o chão imundo — mas você reconhece que não é tão imundo quanto a índole dela, caso ela tenha uma -, cortando-o mais ainda.

Você não liga para dor física, agora. Você nem sequer sente. Sentir...

Toda essa dor dentro de você.

Você apenas quer mandá-la embora.

Mas ela não vai.

Não vai, não vai, não vai.

E, então, nada mais importa. Você apenas decide que não vale mais a pena viver.

Você passa a existir.

FIM

Notas finais
Dedicada à uma grande decepção.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!