Notas iniciais
Todos os nomes de cidades ou lugares que aparecer aqui, serão todos fictícios.

Pensei que hoje seria um dia normal. Acordei com o despertar do meu celular. Tomei meu banho, fui para a cozinha. Achei que seria como todos os dias, sempre encontro a cozinha vazia, preparo meu café, como algo e vou para a escola. Mas hoje foi diferente. Meu pai e minha mãe estavam lá. O café estava na mesa. O silencio também estava presente.

_ Que isso? Alguma reunião familiar? – disse em tom de sarcasmo. A ultima vez que tivemos uma refeição em família, eu tinha 10 anos. Agora estou com 17, então você pode imaginar que não somos uma família unida. O motivo de não sermos uma família unida? Bom, quando eu tinha 10 anos meu pai resolveu confessar seus erros do passado. Disse a minha mãe que quando eles estavam namorando ele a traiu com outra mulher. E o fruto dessa traição foi um bebe. Que no caso é um ano mais velho do que eu. Ou seja, tenho um irmão. Que ótimo não? Depois disso o relacionamento dos dois nunca mais foi o mesmo. Eles não se separaram porque não achavam justo comigo. Como se fosse fazer alguma diferença, afinal eles não participaram em nada na minha adolescência. Não digo isso como se eu fosse uma adolescente problemática, não sou. Mas gostaria muito de ter tido apoio nos momentos difíceis, afinal ser adolescente não é fácil. Meu irmão, nunca cheguei conhecê-lo, só sei seu nome, é Pedro.

_ Temos uma noticia para te dar. – olha, minha mãe fala! Ok, vou parar com sarcasmo, mas já fazia muito tempo que não ouvia a voz dela, já que não nos falamos já tem um bom tempo. _ Sente-se. – me indicou uma cadeira entre ela e meu pai. Obedeci sem demora, porque já estava ficando curiosa a respeito do que seria tudo aquilo.

_ Você logo fará 18 anos e terminará o ensino médio. Consegui uma vaga na universidade de Longnorme, em Rostefurdi. É uma cidade pequena e a universidade não é tão famosa, mas é um ótimo local de ensino e tenho certeza que você irá gostar e muito. Amanha iremos nos mudar para lá. E como falta apenas cinco meses para você se formar poderá terminar o resto do ano letivo no cursinho da faculdade. Não precisará ir para a escola hoje. Iremos conversar com a diretora a respeito. Faça suas malas, sairemos amanha cedo. E aproveite o resto do dia com sua mãe, porque ela não irá conosco. – Sim, tudo aquilo foi dito sem pausas, não sabia como digerir todas aquelas informações. Como assim? Ir para uma cidade que nem sabia que existia, ir para uma universidade sem nem fazer as provas para tentar as que eu sempre quis. Minha mãe não vai? Sei que não somos unidas, mas ela é ainda minha mãe. E tudo foi decidido assim? Eu não posso nem opinar? Minha opinião não importa?

_ Você só pode estar de brincadeira. – Assim que disse isso, meu pai já entendeu tudo o que se passava na minha cabeça.

_ Vamos nos divorciar. Você já é bem grandinha para entender isso. Ainda é menor de idade, só daqui um ano que você fará 18 anos, então ainda ficará sob a guarda de um de nós, e o juiz decidiu que você ficaria comigo, afinal tenho mais condições financeiras para cuidar de você, do que sua mãe. – Olhei para minha mãe que estava de cabeça baixa. Esse casamento sempre foi horrível para ela. Eu sempre soube que ela sofria muito, agora ela estava liberta. Mas eu não queria isso. Não queria me afastar dela.

_Mãe. – ela me olhou. – e se eu quiser ficar com você. Minha opinião não vale?

_ Sinto muito filha, mas não sou eu que decido, sei que não fui uma mãe boa para você, mas podemos nos manter em contato sempre. E nas suas férias você poderá me visitar. Não se preocupe. Seu pai arrumou um emprego novo e você também não ficará sozinha, seu irmão irá morar com vocês. – O que? Meu irmão? Um completo estranho morará comigo? O mundo só pode estar desmoronando. Meu pai pagou pensão para ele, mas nunca fez visita alguma, acho que o garoto nem deve o conhecer. E ainda por cima vai morar conosco. Uau, o dia não pode ficar pior. _ Sei que você não tem amigos, sempre foi solitária e independente. Irá se acostumar.

_ Me acostumar? Vocês estão exigindo que eu mude de vida de uma hora para outra e ainda acham que irei me acostumar. Vocês só podem estar brincando. Não vou, eu não quero ir. Não. – quando fiz menção de me levantar, meu pai me segurou.

_Você sempre fez o que você quis. Nunca interferimos em nada, só estou pedindo para você colaborar. Vamos nos mudar e você vai agora para seu quarto arrumar as malas e não vai reclamar mais, certo? – a forma que ele disse me assustou muito. Meu pai nunca havia falado assim comigo, vi raiva em seus olhos. Como se eu fosse uma carga, bom pensando bem sou uma carga, para os dois.

Abaixei os olhos, me levantei e fui para meu quarto. Não entendo muito bem sobre arrumar malas, entendo de pegar todas as minhas coisas e tacar dentro da mala. Foi isso que eu fiz. Meu pai disse algo verdadeiro, eles nunca interferiram na minha vida, sempre fiz o que eu quis. Mas como minha mãe disse, nunca tive amigos, podemos dizer que sou um pouco intimidadora. As pessoas nunca gostaram de eu, e também nunca fiz questão para que gostassem.

_Somente um ano, um ano. – disse para mim mesma. _ Um ano, e assim que completar 18 anos irei para onde eu quiser.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.