Liberty- One Shots
63 Capítulo 63- Damon & Regina.
Notas iniciais

POV Misto. (Damon e Regina)
Respirei fundo e senti um cheiro horrível de hospital. O que será que aconteceu? Tento me mover, mas sem muito sucesso, apenas os braços respondem. Eu estou dormindo? Tenho que acordar. Me esforço para abrir os olhos e a claridade dói, mas vou me acostumando. Olhei ao redor e os aparelhos me dizem que de hospital. O que estou fazendo fazendo aqui? Onde está todo mundo? Vejo um botão na cama e me esforço para apertar. Não demorou e uma enfermeira veio. Ela me olhou com cara de espanto e saiu correndo. O que está havendo?
A enfermeira me avisou que um paciente tinha acordado e segui ela. Entrei no quarto. Olhei o nome na cama.- Olá senhor Salvatore. Como está se sentindo?
— Bem. Onde está todo mundo?- Questionei.
— Todo mundo quem?- Perguntei.
— Se eu estou no hospital, alguém deveria estar aqui.- Disse.
— Sua família? Vou mandar chama-los. Não adianta nada ficar com alguém em coma e nem deixamos, na verdade. Pode prejudicar alguém com bactérias e tudo mais. Mas bem, vou pedir os exames de rotina para ver se está tudo bem mesmo.- Disse.
— Coma?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Eu não me lembro de nada. Porque estaria em coma?- Porque não consigo me mexer direito?
— Eu sou só uma clinica geral, então os especialistas irão te responder melhor.- Disse.
— Tá. Mas você vai ficar não é? É minha médica.- Disse.
— Você tem vários médicos senhor Salvatore e terá muitos ainda. E sendo realista, para o resto da sua vida. Deus queira que não tenha muitas sequelas, porém o senhor não vai escapar de não ter nenhuma. Mas tudo que for clinico, irei lhe atender sim.- Disse.
— Então eu posso ficar nessa cama?- A angustia tomou conta de mim, não entendia como tinha ido parar ali. Porque boa parte do meu corpo não respondia e não tinha ninguém ali. Tentei me levantar, mas não consegui, só consegui forçar os braços para ficarem doloridos.
— Hey, calma ai. Não teria força com você. E quer a verdade? É uma possibilidade, mas há possibilidade de conseguir sair daqui. Tudo depende do seu corpo, nada mais.- Disse.
— Quanto tempo? Quanto tempo eu estou aqui?- Questionei.
— Três anos e meio.- Disse.
— O que?- Olhei ao redor. Eu perdi mais de três anos da minha vida aqui? Assim?
— Bem, eu vou fazer os exames básicos agora e logo os outros médicos irão chegar e fazer os mais "importantes".- Coloquei o medidor de pressão no braço dele.
— Tudo bem.- Me olhei e estava bem mais magro que de costume. Na cabeceira da cama tinha um terço, sabia que aquilo era da minha mãe. Algumas coisas minha memória falhava, outras eu lembrava fácil.
A pressão estava normal. Olhei no monitor e os batimentos também. Peguei uma agulha.- Vou tirar um pouco de sangue para o exame.
— Tá. Você sabe como vim parar aqui?- Perguntei.
— Um acidente.- Disse.
— Não lembro disso.- Disse.
— Eu imagino. Mas isso é com um neurologista e psicólogo, não quero dar diagnósticos errados.- Tirei o sangue e guardei.- Está com fome? Se não vou pedir mais soro.
— Não sei, acho que sim.- Disse.
— Ok, vou pedir para a enfermeira lhe trazer alguma coisa. Bem, eu vou indo. Daqui a pouco os outros médicos chegam e eu volto amanha para ver como está. Tenha uma boa tarde senhor Salvatore.- Sorri e sai dali.
POV Damon.
Tentei ficar calmo e ir lembrando das coisas. Um tempo passou e bateram na porta.
Alguém abriu a porta e entrou, era minha mãe e meu irmão.- Hey querido.
Sorri.- Mãe.
— Então, como está?- Ela perguntou.
— Tonto.- Disse.
— Tonto?- Ela questionou.
— Tentando entender o que aconteceu. — Disse.
— Você não lembra?- Stefan questionou.
— Pelo jeito não.- Ela disse.
— O que houve?- Questionei.
— Do que você lembra?- Ele perguntou.
— De sair da empresa e ir jantar...- pensei- Com a Elena, Kai...
— E Bonnie.- Ele completou.
— Sim.- Ela disse.
— Tá e porque a Elena não veio também?- Perguntei.
Ele olhou para a mãe.
— Onde ela está?- Questionei novamente.
— Hã... ela morreu, querido.- Ela disse.
— O que? Não.- Disse.
— Todos vocês voltavam no seu carro e um caminhão atingiu vocês. Elena e Kai não resistiram.- Ele disse.
— Infelizmente.- Ela disse.
Não, minha namorada não tinha morrido, nem meu amigo desde a universidade. Eu tentei me lembrar, mas não vinha nada.
— Damon?- Stefan me chamou.
— O que?- Questionei.
— Antes que pense qualquer coisa, você não teve culpa. O outro motorista que acertou vocês. Você e Bonnie vieram para o hospital, você fez umas três cirurgias, mas...- Stefan disse.
— Não acordei até agora.- Falei tentando absorver aquilo.
— Eu sinto muito querido, sei o quanto amava a Elena e Kai também, mas essas coisas acontecem.- Ela disse.
— Acontecem? Eu fiquei nessa cama, perdi anos da minha vida. Nem pude me despedir deles.- Disse.
— Tudo bem, não falo mais nada. Sempre fui péssima nessas coisas mesmo.- Ela pegou um café e se sentou.
— Damon! Nós achamos que você não ia acordar mais! Tem noção do que é, era, te ver assim, para mim, para mãe?- Stefan questionou.
— Eu sei, desculpa é só... Muita coisa.- Disse.
— Ok.- Ela disse.
— E como você está?- Ele perguntou.
— Todo duro.- Disse.
— Espero que os médicos façam alguma coisa.- Ela disse.
— A doutora que estava aqui disse que vão me avaliar.- Disse.
— Eu li sobre isso, acho que só vai ter que fazer fisioterapia.- Ele disse.
— E se não lembra das coisas terá que fazer tratamento psicológico e neurológico.- Ela disse.
— Ou seja, mais tempo aqui.- Disse.
— Pois é.- Ela disse.
— Como é que vocês estão?- Perguntei.
— Bem, na medida do possível.- Ela disse.
— E você?- Perguntei a Stefan.
— Bem. Terminei a universidade.- Ele disse.
— Sério?- Questionei.
— Sim.- Ele disse.
— Foi uma cerimônia linda, como a sua foi.- Ela disse.
— Queria ter ido.- Disse.
— Mas temos fotos juntos.- Ele riu.
— Tem?- Ela questionou.
— Já esqueceu mãe?- Ele pegou o celular e procurou.- Aqui.
Ele me mostrou. Estava vestido de beca e eu apagado.
— Oh é, essa foto é linda mesmo.- Ela sorriu.
— Você não presta.- Sorri.
— Espera para ver as dos seus aniversários.- Ele disse.
Ela riu.- Stefan ainda tem sua criança interior bem atenta pelo jeito.
— Você não reclamou de receber dois presentes de dia das mães.- Ele disse.
— Nunca ia reclamar.- Ela apertou as bochechas de Stefan.- E nem das noites em que dormi acompanhada por você.
— Que isso, como ter seu colo não fosse bom.- Ele disse.
Sorri vendo os dois. Imagino a angustia que passaram por minha causa.
Ela acariciou os meus cabelos.- Agora eu nunca mais deixo você pegar um carro ou dormir sozinho. Você e Stefan vão dormir juntos a partir de agora. Você pode ser adulto, mas eu ainda sou sua mãe e sou mais velha também.
Olhei ela e ela havia envelhecido também. Sorri.- Como quiser mãe, vou levar muito tempo para voltar a vida normal.
— Eu sei, mas mesmo depois. Você só sai de casa casado ou quando eu morrer.- Ela disse.
Casado... Era o que provavelmente eu estaria agora.- Tudo bem.
— Ótimo.- Ela disse.
POV Misto. (Damon e Regina.)
Eles ficaram ali mais um pouco e um neurologista chegou para me ver. Ele dizia que eu era um milagre, já que casos depois de dois meses eram raros. Me levaram para exames e fiz todo tipo de exame que se imagine. Minha família ficou mais um pouco e minha mãe insistiu para ficar, mas eu pedi para ela ir descansar, eu precisava de um tempo sozinho. Durante a noite repensei na minha vida, nos sonhos que eu tinha e no que eu tinha perdido e como aquilo doía. Tinha perdido uma namorada, a amava, mas é estranho saber que já fazia tanto tempo que ela não existia mais. Um amigo com quem tive tantas risadas e bons momentos de quem não me despedi e pensar assim me fez botar tudo para fora, ninguém saberia mesmo que eu tinha chorado. Aquilo tudo me atormentou e passei a noite em claro. Quando amanheceu eu olhava distraído pelo que dava da janela do quarto, quando entraram e era a doutora de ontem.
— Bom dia.- Disse.
Olhei ela.- Oi.
— A enfermeira me informou que mediu sua pressão já e eu tenho o resultado do exame de sangue, e você está com anemia. Muito tempo só no soro dá nisso. Teremos que trata-la. Fará bolsas de ferro todos os dias.- Disse.
— Bolsas de ferro?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Isso é ruim?- Questionei.
— De gosto?- Perguntei.
— Vai me fazer sentir mal?- Perguntei.
— A intenção é que faça ao contrário e te faça bem. Não podemos deixar essa anemia ficar ainda mais forte. O senhor deu sorte de não ter chegado a leucemia.- Disse.
— Tudo bem.- Outro médico entrou.
— Bom dia.- Ele disse.
— Bom dia.- Disse.
— Então sr. Salvatore, eu olhei seus resultados.- O médico disse.
— E?- Questionei.
— O senhor está perfeitamente bem. Não encontramos nenhum problema que lhe impessa de se mover, então basta fazer fisioterapia e logo estará se movimentando.- Ele disse.
— E o Alaric é ótimo com fisioterapia. Meu dedo agradece até hoje. Foi pequena, mas tudo bem.- Disse.
— Verdade, então assim que estiver mais forte, começará.- Ele disse.
— Tudo bem, obrigado.- Ele sorriu e saiu. Eu sempre fui muito ativo, gostava de me manter em forma e ia sempre na academia. Foi lá que conheci o Kai, no primeiro ano. Aquilo me angustiou de novo.
— Bem, acho que é isso por hoje. Nos vemos amanha.- Disse.
— Você não pode ficar mais?- Perguntei.
— Está tudo bem?- Questionei.
— Essa é uma boa pergunta doutora...?- Perguntei.
— Regina Mills.- Disse.
— Regina. Sabe, eu me lembro de estar bem, começando uma carreira, tinha amigos ótimos, uma namorada que eu adorava. Estávamos jantando e fomos para casa. Ai eu acordo aqui, com mais de três anos perdidos, com minha namorada e meu amigo mortos, e me sentindo mais deslocado que nunca. Estar bem, é realmente uma pergunta interessante.- Disse.
— Sinto muito.- Disse.
— Tudo bem. Pelo que ouvi das enfermeiras você cuidou bem de mim. Mas como é que uma coisas dessas acontecessem assim?- Perguntei.
— Não sei lhe responder isso.- Disse.
— Desculpe, estou pertubando você.- Disse.
— Tudo bem, só não posso ficar aqui. Tenho outros pacientes.- Disse.
— Mas você volta, né?- Gostava dela ali.
— Claro.- Disse.
Sorri.- Vou esperar.
— Tenha um bom dia.- Sorri e sai.
Na verdade era tediante. A enfermeira veio colocar o que ela falou e depois voltei a ficar sem fazer nada. O fisioterapeuta veio um pouco mais tarde e ele me examinou. Ok, era estranho um cara me apalpando. Ele começou a fazer alguns movimentos e era como se eu estivesse dormente. Minha mãe veio e me trouxe um celular, ai podia falar com eles e fazer algo. No fim da tarde o psicólogo veio e foi aquela conversa chata. Dessa vez a mãe passou a noite aqui e foi bom ter companhia. Ela dormiu e eu passei a maior parte do tempo acordado, seria estranho dormir. O dia veio e a minha hora que começava a ser favorita, chegou.- Bom dia.- Disse quando a vi entrar.
— Bom dia.- Fechei a porta.- Porque essa cara de cansado?
— Cara de cansado?- Perguntei.
— Está com olheiras fundas.- Disse.
— Oh, não sei. Talvez seja por ser estranho a ideia de dormir.- Disse.
— Terei que lhe receitar remédio para dormir. O senhor não pode ficar sem dormir, faz mal para a sua saúde e para a anemia em si.- Disse.
— Mais remédios? Logo estarei dopado.- Disse.
Ri.- Você só toma um para a memória, depressão e para dor.
— Ok, vamos tentar asism. Eu tento hoje, se não conseguir, você pode me receitar.- Disse.
— Tudo bem. Comendo direito?- Perguntei.
— Ontem a mãe me fez comer tudo.- Disse.
— Mães são sempre essenciais.- Sorri e fui até uma mesa que ficava um cafeteira e um pote com bolachas. Servi um café e peguei o pote. Entreguei a ele.- Agora você vai comer isso. É leve e alimenta.
— Tá e eu queria pedir um favor. Não sei se pode.- Disse.
— Diga.- Disse.
— A tirar essa barba. Já estou me sentindo velho e com ela então, quase um idoso.- Disse.
Ri.- Você não é velho.
— Devo ser mais velho que você.- Disse.
— Quantos anos você tem?- Perguntei.
— Vou fazer 29.- Disse.
— Eu tenho 32 anos. Venci essa.- Disse.
— Sério? Você é tão linda que daria 25.- Disse.
Sorri.- Obrigada então. Bem, onde está suas coisas de barbear?
— Acho que deve ter naquela bolsa.- Disse.
— Ok.- Peguei na bolsa e uma bacia com água.
— Então Regina, tem família?- Questionei.
— Bem, todo mundo tem.- Sorri. Passei o creme de barbear no rosto dele.
— Você entendeu. Deve ser casada.- Disse.
— Eu fui. Me separei a 4 meses.- Disse.
— Ah, desculpe a pergunta então.- Falei.
— Tudo bem.- Comecei a barbeá-lo.- Pelo menos me deu meu filho. Claro que a presença dele é constante, mas nos damos bem.
— Você tem filho?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Nem parece.- Disse.
— Porque?- Questionei.
— Você toda linda, nem parece que já engravidou.- Disse.
— Tenho duas explicações. A primeira é que sou médica e preciso estar saudável e a segunda é que não engravidei. Meu filho é adotado.- Disse.
— Ah sim. Menino? Quantos anos?- Questionei.
— Dez anos.- Disse.
— Quase um rapaz já.- Disse.
— Sim.- Disse.
— Fico feliz por você.- Disse.
— Obrigada.- Falei.
— Então, como consegue conciliar aqui e em casa?- Questionei.
— Bem, como toda mãe que trabalha. Eu só visito os pacientes aqui pela manha e fico no meu consultório a tarde. Saio as 17:00, pego Henry no colégio e vou para casa.- Disse.
— Ah sim, não fica de plantão.- Disse.
— Nem se me pagassem um milhão. Meu filho vem em primeiro lugar. Eu quero cria-lo e não ser só "mãe".- Disse.
— Compreendo e faz bem.- Disse.
Terminei de fazer a barba dele.- Pronto.
— Já?- Questionei.
— Você não tem um rosto gigante.- Disse.
— Você que tem mãos suaves.- Disse.
— Nem tanto. E então, está conseguindo se mover? Alguma parte do corpo mostrando reação?- Questionei.
— O Alaric veio ontem, mas foi esquisito. Ele disse que só preciso de treino.- Disse.
— Esquisito?- Perguntei.
— Ele me tocando, para saber até onde eu sentia.- Disse.
— E o que isso é estranho?- Perguntei.
— Era um homem!- Exclamei.
Ri.- Homens. Devia chamar uma enfermeira então.
— Ou você.- Disse.
— Eu?- Questionei.
— Sim.- Disse.
Ri.- Você está parecendo meus pacientes velhinhos ou não tão velhinhos. Ou médicos. Bem, é tudo homem. E eu não poderia fazer isso, tenho que cuidar de outros.
— Ah, mas sou seu favorito.- Disse.
— Você se acha, não é?- Perguntei divertida.
— Alguma coisa tem que voltar ao normal.- Disse.
— Você vai ficar bem Damon. Seu corpo em poucos dias voltará ao normal. Bem, talvez terá que ter certos cuidados por algum tempo, mas isso é o de menos. O que importa é que está vivo.- Disse.
— Eu sei.- Disse.
— Ok. Bem, agora é melhor eu ir. Tenho outros para visitar.- Disse.
— Tá.- Disse.
— Até amanha.- Sai dali.
Ela foi e tomei o café que ela pediu. E assim seguiu a minha rotina. Fisioterapia, psicólogo (ok, eu estava tentando não me deprimir, mas algumas horas ficava tudo difícil demais), exames e a melhor parte, a hora da visita dela. Em uma semana eu já tinha ganhado um pouco de peso e sorri quando ela entrou.
— Olha quem já está corado e gordinho.- Sorri.- Como está?
— Louco para sair dessa cama.- Disse.
— Bem, eu tenho boas notícias. A anemia terminou e agora irá tomar "para sempre" uma vitamina para não enfraquecer e comer direito, claro.- Disse.
— Livre de agullhas?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Isso é que é notícia perfeita.- Olhei meu braço que tinha alguns roxos de onde sempre elas estavam.
— Bem, se fosse por mim estaria de alta. Clinicamente está ótimo. Mas o Ric não falou nada?- Perguntei.
— Não, mas tenho uma surpresa.- Disse.
— Qual?- Perguntei.
Tirei o lençol e me concentrei, logo mexendo o pé.
Sorri.- Deus, isso é ótimo.
— Não é? Fazer o que? Sou um aluno aplicado.- Disse.
— Sim, é.- Disse.
— E você que me ajuda.- Disse.
— Eu?- Perguntei.
— Sim, de todos, você é quem mais fica comigo, conversa, aguenta o dia que estou um porre.- Disse.
— Eu sou uma médica, Damon. Claro que aguento meus pacientes. Eu já vi de tudo que possa imaginar. E seu psicólogo ou psicóloga também te aguenta. Eles é que mais tem que ouvir.- Disse.
— Mas você é diferente.- Disse.
— Porque?- Questionei.
— Porque sim. Sempre é a melhor parte do dia quando está aqui.- Disse.
— Você é exagerado.- Disse.
— É verdade.- Disse.
— Ok. Bem, minha visita de hoje acabou.- Disse.
— Não, é muito cedo ainda, amanhã você não vem.- Disse.
— O domingo passa rápido e você tem sua família e amigos.- Disse.
— Mas vou sentir sua falta. Vai, fica mais.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
Sorri. Eu sei, era estranho, mas com ela aqui eu me sentia completamente bem. E fora que ela era linda, sempre me pegava olhando isso.
Peguei um café e me sentei na poltrona.
— Senta aqui.- Apontei na cama.- Tem espaço.
— Ok.- Me sentei na cama.
— E como está seu garoto?- Perguntei.
— Está bem.- Disse.
— E o seu ex, sem aqueles ataques de querendo voltar?- Perguntei.
Ri.- Não. Ele já tem namorada e tudo, e ela é novinha, então isso não vai acontecer, ainda bem.
— Já? Mas o que deu errado? Se posso saber.- Disse.
— Coisas normais do dia a dia.- Disse.
— Que bom que não foi nada de pior.- Disse.
— Sim.- Disse.
Nessas horas me lembrava de Elena e acho que começava a aceitar que já tinha ocorrido a anos, que tudo bem eu seguir em frente. Eu e Regina ficamos conversando e depois ela foi embora. No domingo os pais da Elena vieram me visitar e ficaram felizes com a minha recuperação e afirmaram a ideia de que eu tinha que voltar a viver minha vida, sem remorço. A que mais gostei de receber foi a Bonnie. Deus, como gostei de receber aquele abraço. Conversamos e ela estava bem. Depois daquilo fui liberado para ir para casa, mas sentia falta da Regina. Tanto que no outro dia pedi a mãe para me levar mais cedo do que a hora da minha sessão.
Sempre que eu tinha tempo pela manha eu ajudava na sala de "recreação" onde os pacientes que ficavam no hospital podiam ficar para de distrair. Então atendia os pacientes. Tinha crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.
— Já está me substituindo?- Perguntei.
— Damon, o que está fazendo aqui esse horário?- Questionei.
— Tenho sessão com o Ric mais tarde.- Disse.
— Eu sei, por isso a pergunta.- Disse.
— Ele estava perturbando para ver você.- Lily disse.
— Mãe.- Disse.
Ri.- Tudo bem então. E como está as coisas? Conseguindo se mexer melhor?
— Um pouco.- Disse.
— Querido, vou no banheiro, já volto.- Ela disse.
— Será que ela está de olho em algum médico?- Questionei.
— Porque em médico? Hospital tem mais que médico. Tem enfermeiros, motorista da ambulância e os pacientes.- Ri.- Ok, é mais provável que seja médico mesmo.
— Ah Deus.- Ri.
— O que?- Perguntei.
— Eu não quero padrasto.- Disse.
— Você tem 29 anos na cara e está parecendo que tem 9.- Ri.
— Tô brincando, apoiaria ela.- Disse.
— Sei.- Disse.
— Quando é nossa próxima consulta?- Perguntei.
— Acho que só daqui um mês, a não ser que você passe mal. O que espero que não.- Disse.
— Assim eu vou achar que gosta de mim.- Disse.
— Mas eu gosto.- Disse.
— Sério Regina?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
Sorri para ela.- Ganhei meu dia.
Sorri.- Você é um exagerado.
— Talvez um pouco. Mas faz parte do meu charme.- Disse.
— Pode conquistar uma paciente assim, tem umas bem bonitas.- Sorri.
— Pacientes? Por que não médicas?- Questionei.
— Médicas são profissionais. Não é ético.- Disse.
— Da porta para fora são pessoas normais.- Disse.
— Bem, pode ser, mas a profissão não é algo que você carrega só no trabalho. Ou você é médico ou não é. Não tem meio termo.- Disse.
— Então nunca sairia com alguém que foi seu paciente?- Perguntei.
— Não sei. Isso nunca aconteceu para poder te dizer.- Disse.
— Ah bom.- Disse.
— Ok.- Disse.
— Então é aqui que você vinha quando me deixava.- Disse.
— Não. Aqui eu só venho quando termino minhas visitas no quarto.- Disse.
— Ah sim. E o Henry, como tá?- Perguntei.
— Bem.- Disse.
Conversamos e minha mãe veio me buscar. Fui para a sessão e passei a me esforçar mais. Eu as tinha três vezes na semana e ao longo desse mês progredi ao ponto de deixar a cadeira de rodas e estar de muletas. Via Regina sempre que podia e parecia que de alguma forma a imagem dela sempre estava comigo. Quando a via ficava mais feliz. Desde que deixei a cadeira não a vi, então eu chegar sem elas no dia da consulta com ela era uma surpresa.
Bateram na porta e me levantei para ir abrir. Sorri ao vê-lo de muletas. Se tinha algo que sempre deixa um médico feliz é ver um paciente progredindo.- Hey, boa tarde.
— Hey Regina. Surpresa.- Disse.
— Surpresa mesmo. Entre.- Ele entrou e fechei a porta.
— Eu imagino. Não pensou que eu fosse tão alto.- Disse.
Ri.- Me senti uma anã.
— Uma anã linda então.- Disse.
Sorri.- Sente-se. Ou precisa de ajuda ainda?
— Na verdade sim. Descobriu meu segredo. Ia dizer que vim sozinho, mas isso me entregou.- Disse.
— Quem veio com você? Poderia ter entrado.- Disse.
— Foi o Stefan. Mas ele disse que não queria segurar vela. Não entendi porque.- Disse.
— Coisa da cabeça dele. É uma consulta.- Me sentei na minha cadeira e peguei a ficha dele.
— Que ficha grande.- Disse.
— Pois é.- Peguei o exame de sangue dele e comecei a olhar.
— E ai?- Perguntei.
— Está tudo ótimo. Ainda está tomando a vitamina que receitei, né?- Disse.
— Tô. Ainda bem que eles diminuíram os remédios.- Disse.
— Que bom.- Coloquei no dedo dele o "medidor" de batimentos cardíacos e me levantei colocando o termômetro nele.
Mesmo sem querer e como o jaleco dela estava aberto, deu para perceber os peitos delas e uau, que peitos.
Voltei a me sentar.- Então, como vai sua vida? Voltando ao normal?
— Tentando. Só quando me reabilitar vou poder fazer um curso para me atualizar.- Disse.
— Isso vai ser rápido. Já está ótimo.- Disse.
— Eu espero, preciso me ocupar com algo. Ficar parado tá me deixando doido.- Disse.
— Eu imagino.- Disse.
— E no resto, estou me atualizando ainda. Sabe, três anos muda muita coisa.- Disse.
— Muda sim.- Disse.
— E fiz uma coisa que precisava.- Disse.
— O que?- Perguntei.
— Fui no tumulo da Elena e do Kai.- Disse.
— Oh, isso. Que bom que lhe fez bem.- Fui até ele e tirei o termômetro.
— Sim, parace que agora a ficha caiu.- Disse.
— Entendo.- Olhei a temperatura e estava normal. Coloquei na ficha dele. Os batimentos não se alteravam, estavam normal também. Tirei o "prendedor" do dedo dele.
— Agora posso seguir, com tudo.- Disse.
— Que bom.- Disse.
— E ai? Como estou?- Perguntei.
— Está ótimo.- Disse.
— Que bom. Queria te fazer um convite.- Disse.
— Convite?- Questionei.
— Sim, daqui a duas semanas é meu aniversário e vamos fazer uma reunião lá em casa, eu queria que você fosse. É no dia que não trabalha e é a tarde, pode levar o Henry.- Disse.
— Hã... tudo bem. Vou ver com ele.- Disse.
— Sério? Achei que teria que passar o dia insistindo.- Disse.
— Porque?- Perguntei.
— Não sei, mas fico feliz que vai.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
— Então, não tem que me examinar mais?- Perguntei.
— Não, está liberado por hoje.- Disse.
— Preferia nossas consultas mais longas.- Disse.
Sorri.- Consultas menores são o melhor porque quer dizer que você está bem.
— E menos tempo com você.- Disse.
— Isso é bom também.- Disse.
— Não acho.- Disse.
Ri.- Ok.
— Já que está me expulsando, uma ajudinha aqui?- Pedi.
— Oh sim.- Ajudei ele.
Eu meio que me atrapalhei e me segurei nela, mas agora sendo pesado, caímos os dois.
— Deus, você está bem?- Perguntei.
— Não.- Falei sério.
— O que houve?- Perguntei.
— Acho que você está esmagando a minha mão.- Ri e tirei o cabelo dela do seu rosto.
— Desculpe.- Me sentei no chão.- Vou chamar alguém para ajudar.
— Que nada. Esses dias eu aprendi muito a levantar.- Disse.
— Damon, você nem se firmou, não sabe se levantar.- Disse.
— Eu posso fazer sozinho.- Teimei e me segurei na mesa para me apoiar.
— Para com isso. Eu não tenho força com você e você não consegue. Deixa de ser teimoso, não é vergonhoso pedir ajuda.- Me levantei.- Eu já volto.- Sai para pedir ajuda.
Mesmo assim eu tentei e só consegui um belo tombo. Merda, chutei a muleta, estava cansado disso, de não fazer nada sozinho, de toda vez ter que alguém parar para me ajudar. Aquilo acabou com meu humor e só queria deixar de ser um peso. Olhei a foto que acabei por derrubar da mesa dela e era ela e o filho. Ela não percebeu tudo que disse, ela nunca olharia para mim assim, como a olho. Sabia que mesmo sem quereer estava me apaixonando.
Voltei com dois enfermeiros.- Tomem cuidado, por favor. Ele é mais pesado do aparenta. Tanto com ele, quanto com vocês.- Peguei as muletas.
Não podia ser pior. O Ric tudo bem, era meu fisioterapeuta. Mas dois caras virem me levantar por eu não fazer sozinho, era péssimo.
Eles o fizeram.- Vamos leva-lo para o carro dele.- O levamos e o irmão dele o ajudou a sentar.
— Deixa eu adivinhar? Foi teimoso e tentou fazer algo sozinho?- Stefan questionou.
— Cala boca Stefan.- Disse.
— Graças a Deus está tudo bem.- Disse.
— Não entro mais por aqui de novo.- Disse.
— Ah, para. Isso não aconteceria se você tivesse paciência. Agora não reclama.- Ele disse.
— Espere o dia que terá que ir obrigatoriamente a um urologista, será tocado onde não quer. Bem pior que ser ajudado a se levantar.- Disse.
— Fora esse humor oscilante e teimosia, ele está bem?- Ele perguntou.
— Sim, está.- Disse.
— Que bom. Sabe, ele fica todo animado quando é para te ver.- Ele disse.
Sorri.- Poucos dos meus pacientes ficam felizes em me ver. Mas eu também prefiro que eles estejam bem do que ter que me ver.
— Imagino. Mas você tem a gratidão de nós todos, sério, obrigado.- Ele disse.
— De nada. É o meu dever. Bem, tenham um bom dia. Qualquer coisa me liguem. Tchau.- Sorri e sai.
Stefan foi direto para casa e me ajudou até o quarto, que não era o meu e sim um montado no andar de baixo. Situações assim me derrubavam, por isso ainda tomava o anti depressivo. Eu pedi que a consulta que ainda tinha aquela semana fosse remarcada, queria ficar em casa e foi o que fiz. Passei aquela semana em casa e na outra fiz duas das três sessões que tinha. O dia da festa chegou e não estava bem animado, mas mesmo assim só desejava que Regina fosse.
O dia da festa de Damon chegou e fui para lá. Só ia ir para não fazer desfeita, porque não conhecia ninguém e nem era do meio deles. Henry não quis ir, afinal não teria graça nenhuma para ele.
— Olá, você veio.- Stefan abriu a porta.
— Sim.- Disse.
— Que bom, entra.- Ele disse.
— Ok.- Entrei.
— Pode ficar a vontade, não é muita gente. E talvez você melhore o humor do teimoso.- Ele disse.
— Tudo bem, obrigada.- Disse.
Ele a guiou até o jardim da casa, a apresentando a alguns.
— Dra. Mills que bom que veio. Aqui.- Lily estendeu uma bandeija.
— Eu vou agradecer, mas não quero, obrigada.- Disse.
— Bem, tem bastante coisa na mesa, quando quiser é só se servir.- Ela disse.
— Ok.- Disse.
— O Damon está ali, eu vou ver se alguém precisa de algo.- Ele saiu.
Fui até Damon.- Olá, parabéns.
Olhei e automaticamente sorri.- Você lembrou e veio.
— Sim, vim.- Disse.
— Obrigado.- Disse.
— De nada.- Falei.
— Senta.- Disse.
— Ok.- Me sentei.
— Cadê o seu garoto?- Perguntei.
— Está em casa.- Disse.
— Não quis vir? Queria conhecê-lo.- Disse.
— Ele disse que festa de adultos não tem graça.- Sorri.
— Não deixa de estar certo para ele.- Disse.
— Sim.- Disse.
Ela estava linda e parecia normal sem as roupas de médica.- Você está linda.
Sorri.- Obrigada. Você também está.
— Nem tanto, só estou engordando. Daqui a pouco estou cheio de gordurinhas.- Disse.
— Nesse caso é saúde, então é bom.- Disse.
— Tenho a impressão que você me quer rechonchudo.- Disse.
Ri.- Nem tanto. No nível saudável.
— Ah tá.- Disse.
— Ok.- Disse.
— E você faz aniversário quando?- Perguntei.
— Setembro.- Disse.
— Oh, está longe.- Disse.
— Sim.- Disse.
— Me desculpe por semana passada.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
— Eu ando ficando irritado fácil, Stefan diz que é falta de gozar.- Disse.
— Oh, seu irmão é direto. Mas se esse fosse um problema você pode resolver fácil. Não está proibido de relações sexuais. A não ser que algum médico tenha proibido isso.- Disse.
Ri.- E com quem seria isso? Não sei se percebeu, só andam querendo saber como foi que acordei, nada mais.
— Bem, você deve conhecer alguma mulher que goste de relações casuais. Todo homem conhece.- Disse.
— Conhecia, hoje ela está grávida do marido. E nem sei se bem, as coisas vão ser normais.- Disse.
— Bem, creio que sim. A não ser que você tenha notado algum problema. Ai você devia ver um especialista.- Disse.
— Já fui praticamente revirado do avesso, porque não nisso?- Perguntei.
— Porque homens não gostam que façam esse tipo de exame, então os médicos esperam que eles notem algum problema. E só vocês podem notar isso.- Disse.
— Não vai ter problema, chega de problema.- Disse.
— Pois é.- Disse.
— E você? Saindo com alguém?- Questionei.
— Não.- Disse.
— Que bom.- Ah merda, eu falei em voz alta?
Sorri.- Bem, eu não quero te atrapalhar para ficar com outras pessoas. Melhor eu dar uma volta.
— Não vai, eu não estou muito a fim de andar com elas para te acompanhar.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
— Você bem que podia ir nas minhas sessões.- Disse.
— Quando eu tiver um tempo sobrando pela manha eu passo lá.- Disse.
— Talvez seja mais animador.- Disse.
— Ok, tudo bem.- Disse.
— Obrigado.- Disse.
— De nada.- Disse.
— Não por isso, por me aturar. Acho que nenhum paciente te pertuba como eu.- Disse.
Ri.- Tudo bem.
— Não é a verdade?- Perguntei.
— Bem...- Eu não ia ficar falando de como conheci meu ex marido. Não gostava de falar sobre o assunto.- Você está no top três.
— Que ótimo, tenho concorrentes.- Disse.
— Pois é.- Disse.
Ficamos conversando e era incrível como junto dela a conversa fluia. Logo vieram com um bolo e pude perceber como eles ficaram feliz por eu estar ali, para valer. No final levei ela até a porta.- Obrigado por ter vindo e desculpe o chororo no parabéns.
— Tudo bem.- Disse.
— Nos vemos na sessão?- Questionei.
— Sim.- Disse.
— Esse é o tipo mais estranho de encontro que já marquei.- Disse.
— Encontro?- Perguntei.
— Ah... Nada, esquece.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
— Não quer levar mais nada?- Perguntei.
— Não, obrigada.- Disse.
— Então, vá descansar.- Disse.
— Tudo bem. Boa noite e bom final de aniversário.- Sorri.- Tchau.- Sai dali.
Ela foi e suspirei. Eu estava fazendo besteira. No dia marcado fui para a sessão e não é que ela apareceu? Quase cai quando a vi, mas depois fui bem. Continuei as consultas de rotina e a Regina sempre que podia vinha. As vezes conversávamos por tempo ou ficávamos dias sem se ver. Hoje fazem quatro meses que acordei e tem quase um que não a vejo, já que os horários dela mudaram e eu pude começar meu curso, e tinha uma surpresa; estou andando sozinho. Mas hoje eu consegui, confesso que me arrumei um pouco e podendo quebrar a cara, ia a chamar para sair. Comprei uma torta que ela adorava e bati na porta do consultório.
Abri a porta.- Damon? O que faz aqui?
— Boa tarde linda.- Disse.
— Boa tarde.- Disse.
— Olha o que trouxe.- Dei a caixa.
Abri e sorri.- Torta de maçã? Parece ótima, obrigada.
— Percebi que é a sua favorita.- Disse.
— Sim, amo maçã.- Disse.
— A fruta do pecado.- Disse.
Ri.- Pois é.
— Só espero que esteja boa.- Disse.
— Parece estar. Só não te convido para provar porque não posso comer em trabalho.- Disse.
— Me chama para comer em outro lugar então. Jantar talvez.- Disse.
— Hã...Ok, pode ser.- Disse.
— Ainda bem que tem duas semanas que você me deu alta das consultas. Se não não ia aceitar.- Disse.
— Como assim?- Perguntei.
— Você disse que não saia com pacientes. Então tive que esperar.- Disse.
— Oh, isso. Tudo bem.- Disse.
— Então, quando?- Perguntei.
— Hã... eu não sei. Não saio a noite, tenho o Henry. Na verdade nem estava atrás de encontros, Henry não gosta da ideia de outros caras e acho que ainda é cedo para ele.- Disse.
— Pode ser outra coisa então.- Disse.
Mordi meu lábio e o olhei.- Damon, você é tão fofo, mas tem certeza que quer gastar seu tempo comigo? Eu não sou uma boa opção para você. Nem para um encontro. Minha vida é complicada. Tenho um filho, assim como prioridades e ele é uma delas. Não posso deixa-lo sozinho para um encontro.
— E porque o excluiríamos? Já sei. Sabe aquele parque no pier? Vamos lá.- Disse.
— Eu acabei de lhe dizer que ele não aceita muito bem outros homens além do pai dele.- Suspirei.- Eu não quero que passe por isso, ok? Você é um cara legal e nem sei porque quer sair comigo.
— Se dependesse só de mim, teríamos saído a muito tempo, mas parece que você não entendeu muito todas as coisas que falei.- Disse.
— Você está me deixando em uma situação bem chata, Damon.- Disse.
— Você quer me dispensar?- Perguntei.
— Só estou lhe poupando de complicações.- Disse.
— Só que nunca fui de ceder assim.- Já estava perto dela, foi só a puxar e a beijar.
Por mais que não devesse, retribui.
Como eu queria beijar aquela boca, até tive oportunidade de sair com outras, mas ela sempre voltava a minha mente e preferi esperar a hora de tentar.
Acariciava delicadamente a lateral do pescoço dele.
Minha mão desceu pelas costas dela e pude agora sentir, e não só ver, como ela é gostosa.
Parei o beijo.- Não podemos fazer isso em um consultório.
— Na verdade fantasiei muito mais que isso nesse consultório.- Beijei o pescoço dela.
Sorri.- Você tem uma imaginação fértil.
— Não faz ideia.- Disse.
— Eu percebi.- Disse.
— Você não pode nos negar uma chance.- A olhei.
— Não estou negando. Só fico preocupada com o que você pensa ou "fantasia". Pois a primeira coisa que vai saber é que eu sou uma mulher antiga e não transo com homem que não seja no minimo namorado, então transa casual não é comigo. Tanto que meu ex marido foi com quem perdi a virgindade.- Disse.
— Já pensando em sexo? Gostei. E isso de mulher antiga só te deixa mais atraente.- Disse.
— Eu não estou pensando em sexo, você que abriu suas fantasias. Só estou esclarecendo que elas não vão acontecer.- Disse.
— Eu tinha muito tempo livre e eu sabia que não. Parece que não, mas conheço você um pouco.- Disse.
— Tudo bem.- Falei.
— Pier, domingo a tarde?- Perguntei.
— Dia de semana é melhor.- Disse.
— Ele não tem escola?- Perguntei.
— Eu já disse que não posso leva-lo e nem ele iria querer. Ele não vai aceitar, não tão cedo.- Disse.
— Tudo bem. Onde quer ir?- Questionei.
— Qualquer lugar.- Disse.
— Tudo bem, vou ver um lugar. Sexta está bom?- Perguntei.
— Eu preciso ver o dia que o pai dele pode ficar com ele.- Disse.
— Então você vê tudo e me avisa.- Disse.
— Ok.- Disse.
Ela não parecia contente ou a vontade com isso. Acho que ia sair, só depois arrumar um jeito de não o fazer mais. Mas ela retribuiu o beijo, então tenho alguma chance. A beijei de leve.- Agora tenho que ir, se não vou me atrasar para o curso.
— Tudo bem. Boa aula.- Disse.
— E você bom trabalho. E sorria, eu não sou tão ruim e adoro seu sorriso.- Disse.
— Se eu ficar sorrindo que nem um abobada seria uma louca.- Disse.
— As vezes a loucura cai bem, nos faz felizes. Ainda mais se o motivo for um lindo assim, tipo eu.- Disse.
Ri.- Você é um metido e outra dica; eu não gosto de loucura. Na verdade sou maníaca por organização.
— Bom saber.- Disse.
— Sim.- Disse.
— Agora tenho que ir mesmo.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
— Tchau.- Disse.
— Tchau.- Disse.
Dei um selinho nela e sai. Não queria ficar, mas acabei ficando ansioso pelo telefonema dela, que só veio a noite. Sairíamos mesmo na sexta. Propus irmos em um restaurante no pier, assim podíamos caminhar e tudo mais. Ela concordou e sorri. Aquela semana pareceu uma eternidade até a sexta chegar e quando deu a hora que marcamos estacionei na porta dela e fui até lá, tocando a campainha.
Abri a porta.- Oi.
— Oi. Uau.- Disse.
— O que foi?- Sai e fechei a porta.
— Você está linda.- Disse.
— Obrigada.- Disse.
Entramos no carro e nos dirigi para lá. Liguei o rádio.- O que gosta de ouvir?
— Não escuto muita música.- Disse.
— Alguma delas deve te agradar.- Disse.
— Só gosto de música clássica.- Disse.
— Uau, acho que encontro algo assim aqui.- Disse.
— Não precisa.- Disse.
— O que? Não é ruim.- Disse.
— Mas não precisa.- Disse.
— Não tem problema.- Achei uma rádio e deixei nela.
— Tudo bem.- Disse.
Não era longe, mas pegamos um pouco de trânsito. Eu as vezes ficava meio ansioso no volante, não podia acontecer isso hoje.
Olhava pela janela do carro. Ainda era estranho fazer isso.
Não podia deixar ficar um clima estranho. Começou uma música.- Hey, eu conheço essa.
— É ótima.- Disse.
— Eu até sei.- Comecei a cantar junto.
Ri.- Podia ser cantor.
— Você acha?- Tentei acompanhar, mas saiu horrivelmente.
— Não desse tipo de música.- Disse.
Ri.- Não mesmo. Mas me diz, do que você gosta? Além de torta de maçã e musica clássica.
— Bem, eu gosto de ler e de trabalhar. E uma coisa bem estranha que gosto desde sempre, é de contos de fadas. E sim, gosto até hoje.- Disse.
— Sério? Isso não é uma coisa que se veja sempre.- Disse.
Ri.- Pois é. Ninguém acredita quando falo. Só não falo da minha coleção para você não se assustar. Até eu me acho louca as vezes. Tenho coisas desde dos dois anos.
— Tipo, princesas e tudo mais?- Perguntei.
— Isso também. Mas gosto das vilãs. Ano passado até fui fantasiada na festa anual do hospital de Rainha Má, da Branca de Neve.- Disse.
— Rainha má sexy. Gostei.- Disse.
Ri.- Os pacientes que foram na festa gostaram também.
— Ah, eu imagino como.- Disse.
Sorri.- Para mim todos são como meus filhos ou irmãos. Nesse caso menos você, mas eu amo todos.
— E eu sou o que?- Perguntei.
— Depende de hoje e dos dias que irão seguir.- Disse.
Sorri.- Bem, em relação ao que disse, isso que faz de você ser boa no que faz.
— Todo médico ama seu paciente, tanto que é horrível perder um.- Disse.
— Eu imagino. Ah, finalmente chegamos.- Disse.
— É bem bonito aqui.- Disse.
— Sim, sempre gostei.- Estacionei e desci, abrindo a porta para ela.
— Obrigada.- Disse.
Peguei na mão dela.- O cheiro de mar sempre me fez bem. Gosta?
— Sim.- Disse.
— Mais uma coisa que temos em comum.- Caminhávamos para o restaurante. Era tão bom sentir a mão dela na minha.
— Verdade.- Disse.
Entramos e sentamos na nossa mesa. Era do lado de fora e tinha uma boa visão da região toda iluminada.
O garçom veio e fizemos nosso pedido.
— Ainda bem que os remédios diminuiram, porque eu estava comendo demais.- Disse.
— Você estava magro demais, precisava ganhar peso.- Disse.
— Eu imagino, mas agora voltei ao meu peso e essa semana voltei a academia.- Disse.
— Que bom.- Disse.
— Sim.- Nossos pedidos chegaram e começamos a comer.- Está ótima.
— Sim, está.- Disse.
— Gosta de dançar?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Que tipo?- Perguntei.
— Qualquer uma.- Disse.
— Bom, eu também.- Disse.
— Que bom.- Disse.
Terminamos o jantar e a conversa ia suave. A sobremesa foi meio óbvia e acompanhei ela. A musica que tocava era boa e quando a torta acabou a levei para dançar. O perfume dela era ótimo e o inspirava junto ao seu pescoço.- Adoro seu perfume.
— Obrigada.- Disse.
Beijei de leve ali e mantinha o ritmo. Foi inevitável nos beijarmos e se eu antes achava que estava apaixonado por ela, agora tinha toda certeza. Sabia tudo que vinha por estar com ela, mas eu não me importava. Ficamos dançando e depois fomos andar pelo pier. Andamos, conversamos mais, beijamos mais e depois a levei para casa. Eu estava contente, restava saber o que ela estava pensando. Chegamos e a levei até a porta.
— Boa noite então.- Disse.
— Boa noite. Espero que tenha gostado.- Disse.
— Gostei sim.- Disse.
— Que bom, porque por mim podemos repetir.- Disse.
— Sim, podemos.- Disse.
— Ótimo.- Sorri e a beijei.
Retribui o beijo.
Trouxe ela para mais junto de mim e deixei o beijo mais intenso.
Acariciava seus cabelos.
Descia a mão pelas costas dela e mantinha a outra na sua nuca, segurando os seus cabelos.
Envolvi meus braços em torno do pescoço dele e continuei acariciando seus cabelos.
Oficialmente eu estava a quase quarto anos sem sexo, claro que sinto o peso de só quatro meses disso, mas um beijo assim, óbvio que me acendia todo.
Parei o beijo.- Melhor você ir.
— Por que?- Toquei o rosto dela.
— Porque o Henry vai chegar a qualquer momento e não quero que ele passe por isso. Eu e você não temos nada ainda, então ele vem primeiro. Então, é melhor você ir.- Disse.
— Ah sim, tudo bem. Então boa noite.- Disse.
— Boa noite.- Disse.
— Te ligo ou passo para te ver.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
— Tchau.- Sorri e sai.
POV Regina.
Entrei em casa e fiquei esperando Henry chegar.
Ele não demorou a entrar.- Oi mãe.
— Oi.- Disse.
— Boa noite Regina.- Robin disse.
— Boa noite.- Disse.
— Você tá bonita e arrumada.- Henry disse.
Sorri.- Obrigada amor.- Beijei-o na cabeça.- Agora vá tomar um banho e já vou fazer seu jantar.
— Não precisa, nós lanchamos né pai?- Henry disse.
— Sim, ele já comeu, pode ficar tranquila.- Ele disse.
— Bem, então vá tomar seu banho que eu já vou ir te ajudar a se preparar para dormir.- Disse.
— Tá. Tchau pai.- Henry o abraçou.
— Boa noite garoto.- Ele disse.
Henry saiu.- Bem, obrigado por traze-lo.
— Não tem problema. Onde foi?- Ele perguntou.
— Sai.- Disse.
— Eu o conheço?- Ele perguntou.
— Não.- Disse.
— Cuidado com quem vai colocar na vida do Henry Regina.- Ele disse.
— Eu sei cuidar do meu filho e você não pensou nisso quando escolheu sua namorada. Na verdade você nem pensou, mas não me meti. Isso é com você e Henry.- Disse.
— Tudo bem, não vamos discutir. Já estou indo, boa noite.- Ele disse.
— Boa noite.- Disse e ele saiu.
Uns dois meses se passaram e ainda saia com Damon, mas ele não parecia querer nada demais, então era assim que estávamos. Agora eu estava trabalhando, era o que mais gostava de fazer.
POV Misto. (Damon e Regina.)
Bati na porta dela.- Posso entrar?
— Pode, mas só tenho dez minutos.- Disse.
— Tudo bem, vim te dar uma noticia.- A abracei sorrindo.
— O que?- Perguntei.
— Consegui o trabalho. Quer dizer, é só um estágio, mas é na mesma empresa que eu estava trabalhando antes do acidente.- Disse.
Sorri.- Parabéns.
— Finalmente sinto que as coisas estão voltando a como devia ser, mas falta uma coisa.- Disse.
— O que?- Perguntei.
— Pode ser meio estranho ou antiquado pedir assim; mas quer namorar comigo?- Perguntei.
O olhei.- Você tem certeza disso?
— Porque não teria? Para mim já estamos, mas sei que gosta de coisas oficiais.- Disse.
— Damon, namoro é um passo para outras coisas e tem coisas sobre mim que você nem sabe. E não quero que desista de sonhos futuros por isso.- Disse.
— O que seria? Eu quero ouvir, quero saber tudo de você.- A segurei pela cintura e coloquei o cabelo dela para trás.
— Eu não posso engravidar.- Disse.
— Eu estava esperando para perguntar se era você ou o seu ex que não podia ter filhos, já que adotaram. Essa é a sua preocupação? Que eu te deixe por não poder ter filhos? Acho que meu amor é bem maior que isso.- Disse.
— Eu não adotei o Henry por não poder engravidar. Eu o adotei porque me apaixonei por ele quando o vi aqui na maternidade. A mãe dele não podia cria-lo. Eu descobri depois que não podia ter filhos. E eu não acho que me deixaria por isso, não agora. Mas em algum momento isso vai pesar. Ainda mais se quer ter filhos. Só estou te avisando. Isso é a unica coisa em mim que eu não posso mudar, infelizmente.- Disse.
— Sim, eu quero. Mas isso não nos impede de acolher mais algum bebê fofo, que vai ser muito sortudo em ter um lar e uma mãe como você. Uma menina talvez.- Disse.
Suspirei.- Lembre-se que é você que está escolhendo isso.
— Estou plenamente ciente das minhas escolhas.- Disse.
— Ok. E eu nunca fui a mais velha da relação. Quer dizer, você é o segundo homem que eu namoro, então na minha unica relação eu era mais nova.- Disse.
— E eu nunca fui mais novo.- Ri.
— Estamos trocados então.- Disse.
— Então isso é um sim?- Questionei.
Sorri.- Sim, é.
A beijei.- O dia acabou de ficar perfeito então.
Sorri.- Agora é melhor você ir. Tenho paciente agora.
— Quando nos vemos?- Questionei.
— Não sei.- Disse.
— Me liga quando puder.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
A beijei de novo.- Já disse que a sua boca é viciante?
— E eu já disse que tenho horário?- Sorri.- Meus pacientes não podem esperar.
— Tudo bem, vai lá. E agora eu tenho que conhecer seu filho. Se não vai demorar mais a ele me aceitar.- Disse.
— Hã... quanto a isso eu e o Robin combinamos que iríamos conhecer juntos os futuros "outros" do nosso filho. Eu conheci junto com Henry a namorada dele, claro que não meti muito, mas queria ver se ela era boa influência. Então eu tenho que marcar com ele.- Disse.
— Apresentação dupla. Acho que posso lidar com isso.- Disse.
— Ok e você ainda tem que conhecer minha mãe, meu pai e minha irmã.- Disse.
— Família grande.- Disse.
Sorri.- Graças a Deus que sim.
— Tudo bem.- Disse.
— Ok.- Disse.
— Tô indo então, vê tudo e me liga.- Disse.
— Ok.- Disse.
— Tchau.- A beijei e sai. No outro dia ela me ligou dizendo que tinha marcado para o sábado e quando ela chegou fui para a casa dela. Claro que eu tava nervoso, sabia o peso que a opinião, principalmente do filho dela, tinha. Toquei a campainha e fingia que estava bem.
Abri a porta.- Hey, entre.
— Oi.- Ia beijar ela, mas preferi não fazer. Era melhor evitar até resolver tudo.
Fechei a porta e fomos para a sala. Onde Robin, a namorada dele e Henry estavam.
— Finalmente o misterioso deu as caras.- Robin disse.
— Você deve ser o ex.- Disse.
— Vocês são péssimos com apresentações. Robin, Marian e Henry, esse é o Damon.- Disse.
— Olá.- Disse.
— Mãe, quem é ele?- Henry perguntou.
— Ele é meu namorado ou alguma coisa que soe menos esquisito nessa idade.- Disse.
— Namorado? Para que você precisa de um?- Henry perguntou.
— Henry, todos precisamos de alguém.- Robin disse.
— Sim, você não a quer sozinha, pode ser triste.- Disse.
— Ela tem a mim e tem o meu pai. Você pode namorar ele. E ele pode namorar ela.- Ele disse.
Me sentei e coloquei Henry no meu colo.- Você está certo amor. Eu tenho você e é só disso que eu preciso na minha vida. Bem, pelo menos até conhecer Damon.- Olhei para Damon.- Lembra que você sempre pediu um irmão para te fazer companhia? Jogar video game e tudo mais? Então, Damon será tipo isso para você e com certeza isso não irá mudar nada aqui em casa. Nunca deixaria mudar alguma coisa na sua vida.
— Até parece o meu pai é péssimo nisso, duvido que outro seja.- Ele disse.
— Eu não sou péssimo. Só prefiro coisa ao ar livre.- Robin disse.
— E eu não.- Ele disse.
— Bem, o que posso dizer? Que se quiser posso trazer o meu para cá para quando quiser jogar. Mas não se engane, já zerei todos os jogos.- Disse.
— Duvido.- Ele disse.
— Agora eu fiquei curiosa para ver essa disputa.- Disse.
— God of War?- Henry perguntou.
— Todas as versões.- Disse.
— Fifa?- Ele questionou.
— Ganhei do meu irmão cinco vezes seguidas. E ele é bom.- Disse.
— Call of Duty?- Ele perguntou.
— Só falta o ultimo.- Disse.
— Ótimo, ele não faz nada além de jogar na vida?- Robin perguntou.
— Não Robin. Mas durante a minha recuperação eu não tinha muito o que fazer e jogar melhorava os meus reflexos. Assim como ler ajudava na memória.- Disse.
— Fiquei até tonta com tanta pergunta.- Disse.
— Vamos ver. DC ou Marvel?- Henry perguntou.
— O melhor dos dois. Não tem como escolher.- Disse.
— Mãe, ele é bom.- Ele disse.
— E pelo visto nossa presença é desnecessária aqui.- Robin disse.
— Você está com ciume Robin?- Marian perguntou.
— Não sei porque. Ele sempre será o pai.- Disse.
— Eu não quero me meter nisso.- Disse.
— Está tudo bem pai. Nós ainda sempre teremos nossos jogos, eu gosto disso também.- Henry disse.
— Bem, enquanto os três se entendem ai, eu vou colocar o jantar para aquecer.- Me levantei.
— Posso lhe ajudar?- Marian perguntou.
— Hã... Pode.- Disse.
— Obrigada.- Ela disse.
Elas foram e nós ficamos. Robin parecia ainda na defensiva, mas Henry parecia bem. Podia relaxar um pouco. Ele começou a me perguntar algumas coisas e eu respondia, acho que ele estava gostando de mim. Ela voltou avisando que o jantar estava pronto e fomos para mesa, e nossa ela cozinhava muito bem. A conversa fluiu mais um pouco e até que a namorada do Robin não era má pessoa. Eles ficaram um pouco depois da sobremesa, mas logo foram embora. Ajudei Regina a arrumar tudo e fomos para a sala.
— Então, eu tenho que perguntar uma coisa.- Henry disse.
— O que?- Perguntei.
— O que você quer com a minha mãe? Porque por mais que eu queira ela com meu pai, ela estava triste com ele. E não quero um estranho fazendo isso com ela.- Disse.
Sorri.- Se eu fosse você tomava cuidado com a resposta Damon. Ele está bem sério hoje.
Olhei ela.- Você é grandinho para entender a maneira que eu vou falar. Eu amo a sua mãe e só quero ela feliz, e eu fico feliz por estar com ela. Se ela estiver triste, eu vou ser o primeiro a me julgar.
— É uma boa resposta.- Ele disse.
— Não é não. Eu posso ficar tristes por outras coisas ué. O mundo não é feito de felicidade.- Disse.
— Eu sei mãe, você sempre fica triste quando seus pacientes não estão bem.- Ele disse.
— Exatamente.- Disse.
— Mas gostei do que disse. Então a principio eu deixo você namorar ela.- Ele disse.
Sorri.- Gostei da firmeza amor.
— Obrigado senhor. É um prazer estar na compainhia dos dois.- Disse.
Sorri e me sentei.
— Mãe, posso jogar um pouco?- Ele perguntei.
— Pode.- Disse.
— Valeu. E você, nada de ficar agarrando ela.- Ele disse.
— Pode deixar.- Depois ele subiu correndo.
Ri.- Desculpe. Ele é um pouco intenso.
— Mas é um bom garoto. Está fazendo um bom trabalho.- Disse.
— Obrigada.- Disse.
— E acho que o Robin não gostou de mim.- Disse.
— Porque?- Perguntei.
— O jeito que ele me olhava.- Disse.
— Deve estar com ciúmes do Henry.- Disse.
— Será?- Perguntei.
— Deve ser.- Disse.
— E o que você achou? Será que vou saber ajudar com Henry?- Questionei.
Sorri.- Estamos namorando, não precisa se preocupar com isso.
— Como assim?- Perguntei.
— Só estou dizendo que você não tem essa obrigação, não ainda pelo menos.- Disse.
— Tudo bem, não vamos atropelar as coisas.- Cheguei junto dela.- Será que ele está nos olhando?
— Olha, eu não duvido.- Disse.
— Porque eu quero muito beijar você.- Disse.
Sorri.- Podemos tentar.
Puxei ela e a beijei. O que tinha dito era verdade, eu amava Regina. Não sei bem o ponto que cheguei a isso, mas a amo.
Retribui o beijo e acariciava sua nuca.
Conforme a beijava, tentava não a empurrar ali no sofá e tentar algo. Toda vez que esquentávamos eu precisava de muito controle, porque nessa hora a minha mente só pensava em sexo. Mas logo ouvimos a porta e nos separamos. Fiquei mais um tempo ali e fui para casa, estava feliz. O trabalho que eu começava ia bem e em casa também. Minha vida voltou ao normal e preferia não pensar mais naquelas coisas ruins. O psicólogo me deu alta e tirou os anti-depressivos também. Hoje o Henry foi passar o fim de semana com o pai e a casa é só nossa. Estava meio frio, então levei o jantar e depois dele fomos ver um filme, acompanhado de vinho no quarto dela.- Seu quarto é lindo.
— Obrigada.- Disse.
— E essa cama então, perfeita. Parece cama de contos de fadas por causa do dossel.- Disse.
Ri.- É inspirada.
Botei a garrafa e as taças na mesinha, tirando os sapatos.- Onde fica o aquecedor?
— Hã... no ar condicionado.- Liguei o ar no quente.- E tem lençol elétrico na cama também. Frio não se passa.
— Ai já é demais, o aquecedor está bom.- Disse.
— Ok.- Disse.
Nos deitamos e servi o vinho.- Que filme vai ser?
— Não sei.- Disse.
Passei os canais.- Você gosta de clássicos não é?
— Não em filmes.- Disse.
— Sério? Eu achei que ia me arrastar para todos os clássicos em filmes.- Disse.
— Como eu te disse, gosto de contos de fadas. Então sou desse tipo de filme e animações. Mas claro que não vamos ver isso. Gosto de comédia romântica, fantasia, mistério e ação.- Disse.
— Então já tenho uma sugestão. Me falaram que é bom, mas ainda não vi; Maleficent.- Disse.
— É ótimo.- Disse.
— Então vamos nele.- Disse.
— Ok.- Falei.
Começamos a ver e tomávamos do vinho. O filme era bom e Regina estava abraçada em mim, e eu começava a me arriscar em toca-la.
— A Angelina é ótima no que faz. Não é muito bonita como muitos acham, mas é ótima atriz.- Disse.
— Verdade. Eu gosto da maioria dos filmes dela.- Disse.
— Sim.- Disse.
— Mas você é mais bonita. E com certeza com mais curvas.- Disse.
Ri.- É porque sou latina. Somos famosas por termos muitos seios e termos bastante curvas, assim como bunda e pernas. A Angelina é americana, mais difícil ter isso.
— Passei a gostar mais ainda de latinos.- Beijei o pescoço dela.
Sorri.- Que bom.
— Afinal, você é muito gostosa.- Falei rindo no ouvido dela.
Sorri.- Você anda reparando demais, senhor Salvatore.
— Eu sempre reparei.- Desci a mão pela perna dela.
— Eu nunca percebi.- Disse.
— É que eu sei disfaçar.- Subi mais a mão, apertando a cintura dela.
Sorri e lhe dei um selinho.- Estou vendo que sim.
— Teve uma vez que quase descobriu, por causa daqueles medidores de batimentos.-Subi por dentro da blusa dela.
— Porque?- Perguntei.
— Seus peitos.- Disse.
— Oh sim.- Sorri.- Você é um tarado.
— E você tem peitos liindos.- Cheguei a base deles.
Me arrepiei ao toque dele.- Obrigada.
A virei para mim.- Você sabe que é linda por inteiro.
— Eu posso até saber, mas você não sabe ainda.- Disse.
— Eu sou bom de imaginação até saber.- Disse.
Ri.- Ok.
A beijei. Acho que hoje era um dia perfeito e eu estava muito além do limite.
Retribui o beijo.
A segurei contra mim e deixei o beijo mais urgente. Será que ela estava querendo também? Digo, eu sei que sim, muito além dos motivos da minha seca.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Envolvi meus braços em torno do pescoço dele e acariciava sua nuca.
A virei na cama e minha mão deslizava pela extensão da sua perna.
Minha mão descia pelo seu peito e a outra estava em seus cabelos.
Os toques dela me acendiam, se é que podia ficar mais "aceso". Eu amava essa mulher, mesmo que ela não tenha me dito isso de volta.
Acariciava a lateral do pescoço dele e entrelacei meus dedos em seu cabelo, acariciando ali também.
— Você me deixa louco.- Disse.
— Porque?- Perguntei.
— Porque é uma delícia tudo que faz.- Disse.
Sorri.- Você exagera.
— Sempre diz isso.- Disse.
— Porque é verdade.- Disse.
— Então é exagero que eu estou dolorido de vontade de ter você?- Questionei.
— Acho que isso é bem compreensível.- Disse.
— É?- Questionei.
— Sim.- Disse.
— Melhor parar antes que vire papo medicinal.- Mordisquei o pescoço dela.
— Você não imaginaria quantas partes intimas eu já vi nada vida só em consultas. Isso já é rotina e normal.- Disse.
— Você me viu?- Olhei ela.
— Sim, logo que você chegou do acidente.- Disse.
— Isso não é nada sexy.- Disse.
Ri.- Já outros em situações piores. Tipo caxumba recolhida, alergia...
Botei a mão na boca dela.- Esqueça que você é médica por algumas horas, nada de falar de casos ou de outros pênis.- Ri.- Isso é muito estrnho, até de falar.
— Isso eu não posso realizar.- Sorri.- Eu sou médica até tomando banho.
— Essa doutora vai ter cuidar do seu ex paciente, porque o problema dele está ficando sério.- Disse.
— Está é?- Perguntei.
— Eu diria fora de controle.- Disse.
— E o que eu posso fazer para resolver?- Questionei.
— Talvez começando com o fato que estamos vestidos demais.- Disse.
— Isso é fácil de resolver.- Disse.
Ri e comecei a tirar a blusa dela.
Ajudei ele a tirar.
Fui beijando ela e tirei o sutiã também.
Comecei a tirar a camisa dele.
Ela tirou e peguei em um dos seus peitos, rindo.
— O que foi?- Perguntei.
— Quanto tempo não faço isso.- Disse.
Ri.- Você sente falta de coisas estranhas.
Sorri sem jeito e voltei a beijar o corpo dela.
Acariciava suas costas.
Fui descendo até a calça dela e a tirei junto com a calcinha. A olhei. Não podia estar com uma mulher mais maravilhosa.
Beijei-o novamente e comecei a abrir a calça dele.
Ela tirou a calça e eu estava muito excitado, mas lá no fundo tinha uma preocupação; se eu seria o mesmo de antes.
O olhei e toquei seu rosto.- Tudo bem?
— Claro.- Disse.
— Ok.- Disse.
Voltei a deitar ela e a beijava, quando parei.- Vamos usar camisinha?
— A não ser que você tenha pego alguma doença de dois meses para cá, não precisa.- Disse.
— Não mesmo.- Disse.
— Ok.- Disse.
— Melhor ainda.- Sorri e corri minha mão pelo corpo dela.
Sorri e o beijei, tirando a cueca dele.
Bem, não tinha surpresa nenhuma. Eu estava mais que excitado e um tanto nervoso. E se eu a decepcionar?
— Você está nervoso.- Disse.
— Não, só excitado.- Ri.
— Ok.- Disse.
Me coloquei melhor entre as pernas dela e comecei a entrar nela.
O beijei novamente.
Comecei a me movimentar e tirava as coisas ruins que estava pensando. Não ia deixar ela perceber e ia sair tudo bem.
Ele estava estranho, com certeza essa ainda não era a hora certa.
Sorri.- Você é mesmo gostosa, completamente.
— Obrigada.- Disse.
Voltei a beijar ela e a sensação boa se espalhava por mim, me fazendo relaxar um pouco. As caricias que ela fazia ajudava e ela sabia como me tocar.
Retribui o beijo e acariciava seus cabelos.
Aos poucos aumentava o ritmo e nossos sons se confundiam pela proximidade de nossas bocas.- Regina...- Gemi.
Sorri e descia minhas mãos pelas costas dele, acariciando ali.
Apertei a coxa dela. Ela tinha um corpo perfeito, gostoso de pegar em todos os lugares. Eu era um homem de sorte.
Envolvi minha perna na cintura dele, deixando-o perto de mim. Descia minha mão pelo abdômen dele.
Eu sentia o orgasmo perto, já que minha necessidade estava a flor da pele e ela me atiçava mais com esses toques. Era a primeira vez, mas já percebia que ela era incrível na cama.
Beijava seu maxilar e pescoço enquanto acariciava sua nuca.
Respondi indo mais rápido e mais forte. A beijei e estar ali com ela me fazia sentir completo.
O beijei novamente e acariciava seus cabelos.
Sentia que pela forma que me acompanhava que ela chegava ao orgasmo também. A olhei e me perdi entre prazer e aqueles olhos castanhos.
Fui parando o beijo aos poucos.
— Eu te amo.- Disse.
— Também te amo.- Disse.
Sorri. Era a primeira vez que ela dizia isso.
— O que foi?- Perguntei.
— É a primeira vez que diz isso.- Disse.
— Ah sim.- Disse.
Eu podia relaxar, ainda era eu mesmo, estava tudo bem.
— Bem, quer alguma coisa para comer ou beber?- Perguntei.
Deitei ao lado dela.- Agora eu só quero você.
Sorri.- Tudo bem.
Fiquei de lado para olha-la.- O que teria sido de mim se não fosse você?
— Como assim?- Perguntei.
— Você me ajudou tanto, me motivou, que não sei como seriam as coisas se não fosse você a me atender.- Disse.
— Qualquer médico faria o mesmo.- Disse.
Toquei o rosto dela.- Mas agradeço que tenha sido você.
Sorri.- Que bom.
— Sabe que dia é hoje?- Questionei.
— Como assim?- Perguntei.
— O dia. Seis meses que nos conhecemos.- Disse.
— Oh sim, verdade.- Disse.
— É, você não é ligada em datas.- Disse.
— Geralmente eu não anoto os dias que conheço meus pacientes. Mas agora que você disse, irei me lembrar no mês que vem.- Disse.
— Não precisa, eu que ainda estou muito sentimental com tudo. Sabe, a coisa de segunda chance e tudo mais, mexe com a gente.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
— E eu parei, não vou te encher com isso.- Disse.
— Você que sabe.- Falei.
— Tá.- Suspirei.- Eu confesso.
— O que?- Perguntei.
— Eu estava nervoso.- Disse.
— Porque?- Perguntei.
— Eu não sabia se ia ser normal sabe, eu ser o mesmo de antes.- Disse.
Sorri.- Damon, você não tem problemas ai. Relaxa. No acidente só se machucou ai, como em todo o corpo.
— Estava machucado lá também?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Ainda bem que eu não sabia, se não ai que tinha ficado preocupado.- Disse.
Ri.- E ia odiar saber que foi depilado quando chegou no hospital.
— E a vergonha que passei naquele hospital não tem limite. Pelo menos foi uma mulher?- Perguntei.
— Nem sei. Pode ter sido, como pode ter sido enfermeiros.- Disse.
— Deus, me senti violado.- Disse.
— Nem vou dizer o que eles tiveram que fazer para tirar suas "necessidades" para começar a operação.- Disse.
— Tem mais?- Perguntei.
— Digamos que você não é mais virgem onde gostaria de ser.- Disse.
Meu queixo caiu.
— Ok, parei. É muita informação.- Ri e mordi meu lábio.
— Você está se divertindo né?- Questionei.
— É engraçado ser médica. Você viola totalmente as regras dos homens. Isso que é ser feminista.- Disse divertida.
— Estou oficialmente assustado.- Disse.
Ri.- Tadinho.
— E suas mãos só vão no meu traseiro para dar uma apertada, nada mais que isso. Ainda estou absorvendo o fato de ter perdido a minha virgindade.- Disse.
— Tadinho.- Sorri e o beijei.- Pode deixar, será respeitado.
— Obrigado.- Disse.
— De nada.- Disse.
Ri e a beijei.- Hoje que temos que aproveitar, estamos sozinhos.
Mordi meu lábio.- Posso soar uma mãe muito coruja e melosa, mas estou louca de saudade dele já.
— Eu imagino. Até eu que sou novo nisso já sinto falta.- Disse.
— Pois é.- Disse.
Repetimos a dose e aquela noite foi perfeita. As coisas foram ficando mais intensas entre nós e meses depois, no aniversário dela eu a pedi em casamento. Meu trabalho estava fluindo e retomei o ritmo total da minha vida. Um pouco mais de um ano de estar namorando, nos casamos. Foi uma cerimônia pequena e poucas pessoas. Eu estava feliz e ficava mais ainda a vendo feliz. Eu estava pensando em falar com ela sobre o nosso bebê quando ela me liga dizendo que deixaram uma garotinha recém nascida abandonada no hospital. Não precisei perguntar para saber o que ela queria. Demos entrada no pedido e hoje a fomos buscar. Entramos e fomos na maternidade.
— Acho que essa é a ala mais bonita do hospital.- Disse.
— Verdade, com tantas coisinhas fofinhas.- Chegamos em frente ao berçário.- Cadê ela? São todos iguais.
— Vamos esperar o Henry chegar.- Disse.
— Será que ele não vai se perder?- Perguntei.
— Espero que não.- Disse.
Ficamos olhando os bebês e logo o senti junto de nós.
— Qual é ela?- Henry perguntou.
Sorri e andei até um berço, pegando a bebê e levando até os dois.- É essa.
— Ela é linda.- Disse.
— E pequena.- Henry disse.
— Isso é normal.- Disse.
— Vou pegar os papéis para irmos.- Disse.
— Ok.- Disse.
Fui até o chefe dali e peguei tudo que precisava. Voltei e os levei para casa. Chegando lá, fomos direto ao quarto dela.- E esse é o seu quarto pequena.
— Acho que ela não entende Damon.- Henry disse.
— E ela vai ter que dormir com nós por um tempo.- Disse.
— E vamos ficar sem dormir.- Disse.
— Bebês dão trabalho assim?- Ele perguntou.
— Sim.- Disse.
— Posso?- Ainda não tinha a pegado.
— Claro.- Passei para ele.
A segurar foi diferente de tudo que já senti. Mesmo sem meu sangue em suas veias, Alice era meu bebê.- Hey princesinha, eu sou o seu pai, ou melhor, vou aprender a ser.
Sorri e abracei Henry.- Você podia voltar a ser pequeno amor.
— Eu não sou tão grande assim.- Henry disse.
— Não consigo te pegar no colo mais.- Disse.
— Daqui a pouco ele que pega você.- Disse.
— Pois é.- Disse.
— E não só ele, como Alice, vão ter sempre orgulho da mãe que tem.- Disse.
— Isso é verdade.- Ele disse.
— Eu espero que sim.- Disse.
— Eu sei que sim.- Sorri e olhei ela com Henry, depois para a bebê no meu colo. Agradecia a segunda chance de vida que tive e a agarrei sem pensar. Agora tenho essa família linda e como a Regina diz; se fosse um conto de fadas, seria nosso final feliz.
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