Libertação (Cameron Briel)
8 Somente
Notas iniciais

Estava se sentindo uma idiota por não ter conseguido disfarçar o seu deslumbre ao encontra-lo, poderia ter disfarçado melhor. Claro que as borboletas que se formavam em seu estômago e aquele sorriso de canto não estavam ajudando, não conseguia articular nenhuma palavra ou quebrar o contato físico e visual.
— Parece que você tem tendência em cair em meus braços – Aquele sorriso que já era lindo se ampliou quase roubando todo seu ar, tinha certeza que seu rosto estava queimando de vergonha e seus lábios se entreabriam novamente sem palavras.
—Me desculpe novamente por ontem e por hoje também. – Terminou de falar mais rápido do que o planejado, e teve que respirar rapidamente afim de enviar ar aos seus pulmões. Certamente não estava obtendo sucesso em esconder o entusiasmo. Como ele era lindo.
— Sem problemas. – O toque quente e agradável abandonou seus braços, quis protestar e se assombrou por esse simples pensamento ter passado por sua mente. – Precisando – Ele prosseguiu. A voz dele tinha a entonação perfeita. – A propósito sou Cameron Briel, mas pode me chamar de Cam. – Enfim um nome “Cam”, repetir aquele nome mentalmente a fez tremer levemente, devia ser esse o efeito de um mantra. Quanta bobagem. Tentou se concentrar, segurando a mão que ele lhe estendeu em um aperto firme.
— Prazer Cam, eu sou Lilly Grigori. – Abriu um sorriso realmente sincero, estava feliz em tê-lo reencontrado e enfim o conhecido. Notou um breve e pequeno suspiro deixando os lábios dele. – Pode me chamar de Lilly, como meus amigos. – Não mentiu nisso também, o queria como seu amigo, apesar que seus amigos não conseguiam causar todo aquele alvoroço em seu interior que ele conseguia.
— Lilly. – Não conseguiu conter o reflexo de lamber os lábios, ao ouvir seu nome sendo pronunciado por ele de uma maneira tão sensual.
— Bem Cam, estava indo guardar minhas coisas e depois pensei em comer alguma coisa, você me acompanha? – Indagou. “Aceita”, repetia mentalmente, podia não fazer o menor sentido, mas queria ficar perto dele por mais tempo — Seria uma ótima maneira de me desculpar. O que me diz?
— Claro. – Falou ele por fim, e ela teve de se esforçar para que um sorriso não se formasse.
— Já volto. – Seguiu para dentro do prédio tentando acalmar seu coração que estava em um ritmo frenético, sem contar as borboletas em seu estômago. Sabia que nunca alguém tinha causado esse efeito sobre ela. Não que nunca tivesse se interessado por outros garotos e tido alguns desses sintomas, contudo, sentia tudo tão intensamente que poderia ser comparado a uma avalanche.
Em seu quarto acomodou seu violino sobre a cama e correu até a janela, ele continuava lá, agora encostado em uma árvore com seu cabelo negro desalinhado e caindo um pouco no rosto, os braços cruzados sobre o peito olhando para o chão. Se perguntou quantas vezes mais ficaria repetindo mentalmente o quanto ele era lindo. Não era educado deixar alguém esperando, se lembrou do que sua mãe vivia repetindo. Correu para o espelho preso entre as duas camas e em uma breve avaliação constatou que não estava tão ruim, além do que, não era um encontro.
Desceu sem muita pressa para não chegar ofegante, caminhando até ele que permanecia do mesmo jeito que ela o havia visto pela janela. Ela chegou perto o suficiente antes de chama-lo, e sentiu-se entorpecer quando Cam lhe ergueu o olhar sem desfazer a postura e sorriu.
— Vamos. – Lilly o levou até uma lanchonete do outro lado da rua, escolhendo uma mesa ao fundo com vista para a janela para que pudessem conversar com mais tranquilidade
Cam pousou umas das mãos sobre os lábios apoiando o cotovelo sobre a mesa enquanto mantinha aquele olhar enigmático sobre ela. Lilly estava um pouco apreensiva apesar da sensação de que era tolice, de alguma forma, de uma bem estranha por sinal, sentia que podia confiar nele e imaginava o quanto isso poderia parecer estranho.
Ele mantinha seus olhos cravados em cada movimento dela até o momento que decidiu quebrar o silêncio.
— Você estuda aqui a muito tempo? – Parecia genuinamente interessado. – Pelo que percebi antes, você toca violino, não é isso?
— Na verdade há alguns meses, vim para estudar música. – Estava novamente animada por entrar em sua zona de conforto, se a intenção dele era deixa-la relaxada, conseguiu. –Você é bem observador Cam, realmente eu toco violino.- Correu rapidamente seu olhar pela camiseta preta com a estampada de alguma banda de rock que ele vestia e avistou um colar de couro, preso nele, havia uma palheta verde com o número 44 escrito. Imaginou que talvez ele tocasse guitarra ou poderia usá-la por achar legal, não teve como conter sua imaginação que lhe desenhava a cena dele com uma regata preta, os cabelos caindo pelo rosto enquanto tocava uma guitarra, deslizando seus dedos ágeis por ela em estado de frenesi enquanto dedilhava as notas com extrema precisão. Lilly piscou algumas vezes tentando retornar à realidade e se deparou com os orbes verde esmeralda lhe mirando com curiosidade. – Me desculpe. E você, toca? – Perguntou enfim apontando com o olhar a palheta.
— Se você quer saber, arranho um pouco. – Lilly ficou sem graça pois sua mente estava pronta para brincar mais um pouco, ele realmente tocava, pronto, agora ficaria repetindo a cena de antes. Conseguiu bloquear esses pensamentos voltando sua atenção para os pedidos que tinham chegado a mesa. – Você veio para ficar? – Lilly repetiu sua pergunta mentalmente e se questionou o por que não conseguia conter seu interesse nele. Queria mesmo que ele ficasse?
— Bem. – Começou ele após dar um longo gole em seu refrigerante. – Sabe Lilly, eu vim inicialmente para rever um amigo, mas...– Estreitou o olhar e sorriu provavelmente percebendo o efeito que tinha sobre ela. – Vou ficar, tem coisas aqui que me interessam, e muito. – Ela pensou ter entendido aquela indireta, ou talvez estava tirando conclusões precipitadas.
— Entendo. – Concordou ela, bebericando seu chá gelado com limão, antes de ficar brincando com o canudo dentro do copo.
— E você Lilly, tem algo que lhe prende aqui além da faculdade? – Ele era direto e Lilly entendia perfeitamente, não era “o que” e sim “quem”.
— Não tenho namorado, se é o que quer saber. – Ele sorriu a fazendo duvidar se tinha dado a resposta certa.
— Fico feliz em saber. – Cam mantinha aquele olhar penetrante e um sorriso de canto, fazendo-a concluir que ele sabia bem o poder que aquela combinação sexy tinha, pois fazia muito uso dela.
Era curioso como a conversa e até mesmo o silêncio fluía de maneira natural, era como se fossem amigos que não se viam a algum tempo e passada aquela readaptação inicial, voltavam a ter aquela sintonia de outrora.
Isso seria realmente possível entre dois estranhos?
Ela podia afirmar que sim, pois quando olhou pela janela percebeu que a tarde já tinha se esvaído e a noite já estava caindo. Quanto tempo teriam ficado conversando? Cam pareceu tão surpreso quanto ela ao olhar pela janela, talvez houvesse chegado o momento de irem.
— Você me daria seu telefone? – Não conseguiu exprimir nenhuma palavra, então, acenou positivamente rabiscando em seguida os números em um guardanapo, que ele colocou seguramente em um bolso interno da jaqueta.
Após pagarem a conta, seguiram em silêncio até a entrada interna do dormitório. Caminhavam em silêncio lado a lado e pararam somente ao chegarem a porta.
— Então é isso. – Lilly percebeu que sua voz saiu em tom melancólico.
Como anteriormente viu-se calar com a súbita aproximação dele, Cam colocou uma das mãos na parede atrás dela ao lado de seu rosto e a outra enlaçou sua cintura a puxando para perto de si. Lilly instintivamente arqueou o corpo de encontro ao dele que se encaixaram perfeitamente. Ela se sentiu pulsar enquanto a mão quente dele se apartou um pouco mais entorno de sua cintura. O hálito quente e ofegante dele em seu rosto, o perfume maravilhoso dele que a inebriava, e aquele olhos, ela se perdeu naquele olhar que parecia faiscar.
Cam parecia ponderar sobre alguma coisa, mas seja lá o que tenha sido foi deixado de lado no momento em que ela entreabriu os lábios novamente, e não levou mais de um segundo para que ele colasse seus lábios ao dela. Sentiu-o enterrar a mão que estava na parede em seus cabelos, enquanto usava a língua para acariciar o lábio inferior dela pedindo passagem, que foi logo concedida entre um gemido baixo de contentamento dela, permitindo enfim o encaixe perfeito de suas bocas que pareciam de moldar.
Lilly alcançou a nuca dele com as duas mãos enterrando os dedos entre os cabelos negros e sedosos de Cam carinhosamente. Seu coração havia perdido o compasso já que batia freneticamente em seu peito, ele a puxou mais para perto de si e Lilly pôde sentir seus seios comprimidos contra o tórax dele assim como sua ereção roçar contra sua coxa fazendo um arrepio acompanhado de uma sensação pulsante que se depositou em seu baixo ventre.
Naquele momento o tempo parou.
Não havia som.
Não havia luz.
Não havia nada, somente ele, Cam.
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