Notas iniciais
Oi amores. Espero que gostem. Fui!

Devia ter se acostumado com o cheiro desagradável de mofo que os Anunciadores tinham, principalmente em viagens no tempo como a que estava, mas não tinha. A escuridão e o silêncio mórbido eram desconfortantes a longo prazo. Como havia dito a Lilly, a viagem poderia levar algumas horas, mas para ele podiam se tratar de dias, claro que o fato de saber para onde ir facilitava o percurso.

Suspirou pesadamente ao se recordar de sua namorada, o cheiro dela ainda estava em suas roupas o que lhe trazia algum conforto, estava fazendo isso por eles afinal, mas o fato de deixa-la sempre trazia à tona aquela sensação incomoda de perda. Seu corpo estava ali, mas sentia como se seu coração estivesse sempre com ela.

Percebeu que havia chegado ao seu destino mesmo através do véu cor chumbo da passagem, então, agitou as mãos de encontro ao Anunciador, fazendo-o se desfazer em fragmentos escuros no chão liberando assim sua passagem.

Cam deslizou cuidadosamente para fora afim de identificar se não haviam pessoas por perto, devia ser alvorada e logo o sol iria raiar, por sorte estava sozinho. Ele observou o Anunciador se desfazer e rastejar para longe.

Olhou a sua volta e imaginou que deveria se sentir nostálgico, talvez se fosse em uma outra época, mas essa lhe trazia amargas lembranças o que o colocava a milênios de distância do sentimento de nostalgia. Seu estomago parecia se contorcer, talvez devido a ansiedade que lhe invadia, mas decidiu que tinha que superar esse desconforto rapidamente.

Liberou suas asas e seguiu para o vilarejo. Conhecia bem o caminho e sabia que não estava longe, olhou novamente para o céu, tinha que se apressar para arrumar algumas roupas para se misturar.

(...)

Havia jogado uma túnica masculina escura um pouco curta por sobre sua própria roupa sem conseguir esconder seu coturno, teria de servir. Puxou as mangas por sobre suas pulseiras de couro preto, sua intenção era ao menos passar despercebido. Pelas bandeiras coloridas que tinha percebido durante o breve voo até ali, estaria a cerca de uma semana ou menos de seu casamento. Estava ali com uma motivação e iria se ater a ela, deveria procurar algo que justificasse os sonhos de sua namorada.

Logo estaria amanhecendo, então seguiu para a colina, sabia como aquelas pessoas tratavam estranhos, principalmente os que apareciam antes do sol nascer. Isso os fariam especular, e se descobrissem sobre ele, causariam um verdadeiro pandemônio. “Bando de intrometidos” constatou mentalmente.

Cam pousou sobre o cume da frondosa oliveira. Aquele lugar lhe trazia muitas lembranças, se recordava das muitas vezes em que ele e sua noiva ficavam a sombra das arvores aproveitando a tarde juntos.

“ Os cabelos cor de fogo dela estavam soltos e pareciam brincar com vento, o vestido branco com detalhes em vermelho marcava as curvas generosas e atraentes de sua noiva. Ele não evitava sorrir ao vê-la, e naquele momento não tinha sido diferente, o quadril dela se movia sensualmente enquanto ela caminhava até ele.

O casamento deles já estava marcado para dali à alguns meses, os pais dela aceitaram mais pelos bens que ele tinha a oferecer do que pela pessoa que era, mas isso não importava, eles se amavam e isso que lhe valia.

Sentia uma felicidade incontida sempre a via, era como se o sol brilhasse somente para ele, era isso, Lilith era o seu sol particular. Ele a enlaçou em um casto abraço assim que a alcançou e o aroma de flores dela lhe atingiu de maneira inebriante. Ela colocou os lábios delicadamente sobre os dele em um beijo casto, fazendo com que imaginasse se seria capaz de amar alguém como a amava? ”

O som da água se agitado dispersou sua mente de seus devaneios e não precisou de muito, para se identificar nadando a poucos metros dali com um semblante calmo e distraído, não havia nem sinal daquela áurea sombria e dolorosa que o cobriria durante muitos anos. Outro ruído o atraiu, era mais próximo e abafado como o da grama sendo pisada fazendo-o olhar para baixo. Era uma pessoa, contudo os galhos não permitiam que tivesse uma boa visão, mas pela silhueta delicada poderia ser uma mulher.

Ela estava de joelhos usando uma das mãos para cobrir a boca. Os olhos estavam cravados, “Nele”. Ela perecia acompanhar todos os movimentos do seu “eu” passado, ele não se lembrava de tê-la visto.

Daniel chegou algum tempo depois.

—Cam. – Daniel proferiu animado.

—Dani. – O Cam do passado deixou um amplo sorriso curvar seus lábios.

—Já estou escrevendo seu contrato de casamento.- Concluiu Dani lhe estendendo o pergaminho com o rascunho do contrato matrimonial.

—Daqui a poucos dias nos casaremos. – Respondeu o seu passado visivelmente feliz.

Ele se lembrava daquele dia, haviam conversado sobre as condições daquele contrato, Dani o alertará de que Lilith poderia não aceitar as condições impostas, mas o que poderia dar errado? Uma carranca se formou em seu belo rosto com aquela lembrança. O que poderia dar errado? Tudo.

“ Havia revisado cuidadosamente os itens do contrato matrimonial, sabia sobre a expectativa de sua noiva de se casar no Templo, mas aquilo seria impossível.

—Você devia contar a verdade Cam. – Dani soltou chamando a atenção do outro que lia o documento atento.

—Você sabe que não posso. – Disse simplesmente.

Não saberia numerar por quantas vezes havia tentado contar, mas em todas tinha se acovardado, pois o sentimento que nutria por ela era precioso o bastante para fazê-lo temer a perda. ”

O suspiro longo que ouviu o fez ter certeza sobre o sexo da pessoa aos pés da arvore, era uma mulher. Ela se ergueu lentamente e parecia trêmula mantendo uma das mãos sobre o coração.

—Ele, é o noivo da Lilith. – A voz dela saiu embarga e isso o atingiu.

A garota deu alguns passos seguindo pelo declive da colina oposta ao lago, e Cam continuou a acompanhando com o olhar, algo nela o atraia, então, ela se virou.

Cam sentiu seu coração atrasar uma batida antes de acelerar, seu estomago remexeu inquieto no mesmo instante em que um arrepio percorreu todo o seu corpo.

A jovem usava um vestido simples na cor ocre que marcava levemente suas curvas femininas, os longos cabelos escuros pendiam em duas tranças uma de cada lado, a pele bronzeada e lábios rosados pressionados em uma linha que expressava amargura, mas foi no olhar que ele se prendeu. Os olhos castanhos dela estavam marejados, mas mesmo assim Cam conseguiu ver que eles refletiam a mesma luz que via diversas vezes nos olhos de sua namorada, aquela garota, estava apaixonada, por ele.

Notas finais
Espero que tenham gostado, esse capitulo não ficou exatamente como queria, mas espero que não fiquem desapontados. Nos vemos no próximo. Beijos (^3^)