Notas iniciais
Oi amores, me desculpem pela demora. Aproveitando, o que acharam da nova capa que fiz? Não vou me alongar demais por aqui, mas nos vemos lá embaixo. Fui!

Acreditava que uma das coisas que a faziam importante era o fato de nunca questionar suas ordens, e sempre executá-las com excelência. Se orgulhava de ter sido uma das primeiras a tomarem o lado dele na Chamada, mas haviam muitos como ela, e mesmo assim, não eram dignos de confiança, amenos era o que acreditava.

“ Aquele lugar era deprimente. Os casebres feios feitos de pedras rusticas, cobertas por uma folhagem seca que faziam as vezes de um telhado. As casas estavam dispostas sem nenhuma simetria ao longo daquela rua de terra batida, que deixava a barra de seu vestido imundo.

Estalou a língua contra o céu da boca pensativa. Estava ali por um motivo simples, Lúcifer. Não tinham sido ordens expressadas em palavras, mas ela o conhecia o suficiente para que as entrelinhas lhe revelassem seus interesses, e estava ali por isso.

Seguiu pelas ruas para a parte sul do vilarejo até avistar uma grande casa, era feita de pedras perfeitamente alinhadas e polidas em uma coloração próxima ao branco. O telhado era reto e havia uma porta dupla de madeira delineada por um arco de pedras um pouco mais escuras que as paredes, assim como as janelas muito amplas que ficavam uma de cada lado da entrada principal. Era visivelmente a casa de uma família abastada, e muito provavelmente seria a família que estava procurando.

Bateu palmas e aguardou. Uma senhora de cabelos grisalhos esticou o pescoço por uma das janelas, e não escondeu o sorriso ao identificar a mulher parada a poucos passos da entrada.

—A quanto tempo menina. – A idosa não escondeu a alegria.

—Quem é vovó? – Perguntou uma ruiva se aproximando por trás da idosa na janela.

—Ela é uma amiga de sua falecida mãe, Lilith. O nome dela é, Alexia. – Concluiu acenando para que a mulher aguardasse.

(...)

20 dias depois

O mundo era muito pequeno, concluía isso enquanto caminhava tranquilamente pelas ruas ao lado daquela senhora de idade avançada que segurava seu braço, se apoiando ao caminhar. Havia chegado a poucos dias, e para sua surpresa, ficou sabendo que Cameron se uniria a neta daquela idosa ao seu lado, tinha até imaginado que teria que procurá-los.

Sorriu docemente quando a senhora lhe ergueu o olhar acinzentado provavelmente aguardando a resposta a sua indagação.

—Você acredita mesmo nisso, Alexia? – A idosa continuava a olhando preocupada.

—A senhora sabe que não haveria por que mentir, mas o conheci no vilarejo de onde vim, e bem. – Se calou procurando criar expectativa na idosa, e assim que percebeu o olhar da senhora se estreitar e os lábios se abrirem levemente, teve a certeza que tinha conseguido. – Ele tinha as mesmas atitudes duvidosas que tem apresentado aqui. – Voltaram a caminhar. — Eu juro que nunca o vi entrando em nosso Templo também, e alguns até afirmaram que o viram praticando algum tipo de magia do mal.

—Minha neta precisa entender isso, ele não é um homem do bem. – Constatou repousando o olhar em Lilith que estava a alguns metros próxima do rio na companhia de seu noivo.

—Eu diria que ela está prestes a se casar com um, demônio. – Alexia conseguiu esconder um sorriso de escárnio que ameaçou fugir de seus lábios. ”

Ela se ergueu lentamente da pedra na qual estava sentada alinhando o sobretudo feminino com as mãos delicadamente, em seguida, ajeitou os cabelos dourados olhando novamente para o céu que estava se tornando nublado.

—Se bem me lembro, ele seguirá para essa direção. – Proferiu para si tomando o caminho de alguns arbustos e arvores próximas.

“ Haviam tecidos coloridos e flores espalhados por todos os lados, acreditava que seu plano ainda tinha chance de se concretizar, se obtivesse sucesso, Lúcifer teria um novo aliado.

Contornou o Templo o suficiente para avistar a noiva seguindo para uma tenda para se arrumar e seguiu o mesmo caminho segundos depois, aguardando que as servas incumbidas dos preparativos entrassem.

Alexia as ouvia cantarolar uma música cansativa e assim que o silêncio pairou novamente no interior da tenda ouviu um murmurinho próximo.

—Como ela pode se casar com um ser como ele? – Falou alguém ali perto.

—Ele é um demônio. – Outro retrucou.

Alexia sorriu ao constatar que aquela velha mexeriqueira tinha tratado de espalhar pelos sete ventos aqueles boatos, agora, iria somente aguardar o desfecho de tudo. ”

Ouviu um farfalhar falho de asas, mas parecido com um pássaro ferido que lutava para se manter no ar e em seguida um baque surdo. Ele continuava imóvel e gemia hora ou outra tentando conter a dor que sentia. Suas asas brancas que pareciam reluzir feito diamantes estavam mescladas com algumas penas douradas com listras pretas em seu interior. As asas de Cameron se ergueram de uma forma retorcida fazendo-o gritar, mas logo caíram moles a seu lado.

Ele relaxou a face sobre o chão e continuou aquela lamúria irritante de dor que a estava incomodando, Alexia decidiu que iria se aproximar, mas um galope vindo do lado leste deles chamou sua atenção.

Era uma jovem de no máximo dezesseis ou talvez dezessete anos, ela usava um vestido verde água comprido com mangas que lhe cobriam metade dos braços, os cabelos escuros, que em algum momento estiveram presos em uma trança lateral estavam se soltando aos poucos.

Ela saltou de sua montaria afoita, e Alexia notou o rosto avermelhado da garota em um misto de choro e esforço, os lábios naturalmente rosados entreabertos facilitando a saída apressada do ar, mas o estranho é que ela parecia ter encontrado o que procurava.

A menina caminhou receosa para próximo do anjo caído e praticamente desacordado pela dor agoniante, e se ajoelhou ao lado dele tocando levemente sua face.

—Cambriel. – A garota sussurrou antes de deixar as lágrimas lavarem seu rosto.

Alexia continuou observando a cena absorta “Então era essa a garota”, constatou mentalmente retirando uma adaga dourada do bolso de seu casaco.

—Uma pena. – Proferiu deixando seu esconderijo.

Notas finais
Aproveitei o comentário de uma leitora que tenho em outro site, para tentar explicar o meu ponto de vista sobre o surgimento do boato contra Cambriel, eu tinha em mente outro personagem para espalhar a "Fofoca", mas acho que a Alexia veio bem a calhar. Espero que tenham gostado. Beijos meus anjos e nos vemos no próximo.