Notas iniciais
Lembram do capitulo que disse que estava fora de ordem, bem é este e como já estava pronto, nada mais justo do postar né? Espero que apreciem a leitura.

“ O dia estava ensolarado o que era um bom presságio, hoje se uniria em matrimônio. Tudo estava correndo como o previsto, as tendas que abrigariam o banquete já estavam montadas, assim como o interior do templo que abrigaria a cerimônia matrimonial. Sentia seus lábios se curvarem em um sorriso com esse pensamento. Seu coração palpitava com tamanha alegria que não se conteve, deixando que sua voz suave se desprendesse de sua garganta em uma canção, as servas que já vestiam suas túnicas festivas coloridas e trançavam com maestria seus longos cabelos cor de fogo, a seguiram cantarolando.

Girava levemente o buquê de lírios brancos que a pouco repousava sobre seu colo “Como ela pode se casar com um ser como ele”, ouvia alguém murmurar do lado de fora da barraca em que estava, “Ele é um demônio”, ouviu novamente.

—Você está encantadora. – Uma de suas servas falou docemente enquanto finalizava o arranjo de flores em seu cabelo. Percebeu que a bela canção que a pouco cantarolavam já tinha morrido em sua garganta que agora parecia seca.

—Obrigada Lilian. – Respondeu sem entusiasmo.

—Se me permiti, poucas pessoas são prudentes o suficiente para saberem o momento de se calarem. Não os dê ouvidos. – Finalizou a serva abrindo um sorriso amplo e carinhoso. Imaginou que Lilian tinha ouvido o mesmo que ela.

Não conseguiu conter o sorriso em resposta, era isso o que devia fazer, não se afetar pelos boatos que pareciam correr pelos quatro cantos da sua aldeia “Demônio” eles murmuravam a suas costas, até mesmo seus familiares lhe alertavam que aquele casamento seria um erro até o momento em que ela própria se questionava sobre se era mesmo o correto.

Ela o amava?

O fato dele nunca participar das celebrações no templo, e a certeza de nunca o ter visto pôr os pés em seu interior, a incomodava. Ele sempre se mostrava evasivo sobre a religiosidade ou coisas do gênero, mas ainda assim iriam se casar.

Deixou a barraca agradecendo com um aceno de cabeça o apoio da serva, voltando a cantarolar baixinho. Seguiu para o rio e já na margem, lançou algumas pétalas de lírio branco na água admirando os pequenos círculos que se formavam quando o avistou. Cam estava recostado em uma oliveira próxima. Deixou-se seguir até lá, e logo que foi percebida sentiu o olhar carinhoso dele a acompanhar, e enroscou seus braços em torno de seu pescoço assim que o alcanço, e ele enroscou os dedos aos dela e ambos fecharam os olhos, “Vamos nos casar”.

Ela abriu os olhos assim que percebeu sons de passos se aproximando deles, demorou alguns segundos para que a silhueta que se aproximava contra a luz se tornasse completamente visível, era Daniel, que trazia consigo seu contrato de casamento.

—Como vai você, Dani? – Questionou suavemente, enquanto ele se ajoelhava juntos deles e desenrolava o pergaminho com cuidado. Correu os olhos pelo documento e algo lhe chamou a atenção – Esta parte aqui. — Indicou com o dedo indicador em reste. – Diz que seremos casados perto do rio. – Virou a cabeça para encontrar os olhos esmeraldas dele.- Mas você sabe que quero casar no templo, Cam.

Não poderia ser diferente, teriam que se casar no templo para que todo aquele murmurinho sobre ele acabasse, caso contrário, ela seria malvista.

—Meu amor. Eu já te disse que eu não posso. – Ela tinha imaginado que por estarem a menos de uma hora de se casarem, ele deixaria de bobagens e cederia a sua vontade.

—Você se recusa a se casar comigo sob os olhos de Deus? – Sentiu pequenos tremores pelo corpo causados pela fúria.- No único lugar onde minha família irá aprovar nossa união! Por quê? – Elevou a voz.

—Eu não vou pôr os pés lá dentro. – Ele apontou para o templo.

—Então você não me ama. – Imaginou que se a amasse realmente não hesitaria em fazer sua vontade.

—Eu amo você mais do que jamais imaginei ser possível, mas isso não muda nada. – Sentia um misto de emoções e uma vontade contida de saltar sobre ele e o estapear.

Sentiu seu corpo inflado pela raiva ao ponto de deixar um longo grito estridente fugir de sua garganta, enquanto mantinha os punhos cerrados e em seu ímpeto, agarrou com força os punhos de Cam que se manteve a sua mercê deixando-se encostar contra a árvore.

—Minha avó nunca gostou de você. – Sua voz ainda mais elevada, não aceitaria menos do que desejava. – Ela sempre dizia as coisas mais terríveis, e eu sempre defendi você. Agora eu o vejo. – Todos tinham razão, ele não era “Bom”, como poderia sê-lo se não se curvava a seu desejo? – Diga.

—Dizer o quê? – Cam parecia horrorizado, ela reteve o sorriso que ameaçou curvar seus lábios. Ele estava destruindo o que poderia ser um dos melhores dias de sua vida, nada mais justo do que leva-lo consigo para o buraco que cairia. Ela teria o estigma de ter sido abandonada praticamente no altar, o que poderia dificultar um futuro casamento, contudo, sua beleza avassaladora seria seu grande trunfo, mas ele carregaria amenos a culpa de tê-la deixado.

—Você é um homem mau. Você é um...eu sei o que você é. — Não sabia, mas isso não tinha mais importância, conseguia ver que o tinha atingido profundamente. Ele era perverso, caso contrário aceitaria se casarem no templo.

—Não sou nenhuma das coisas ruins que dizem que sou, Lilith. — Ele recusou, imaginou que ele não passaria de um mentiroso, caso contrário teria aceito. Ele não poderia amá-la, e naquele momento entendeu que talvez nem ela o amasse.

—Lilith- Ouviu a voz de Daniel suplicando enquanto ele afastava as mãos dela do pescoço de Cam, imaginou quando tinha chegado a isso. – Ele não é...- Prosseguiu Daniel

—Dani. – A voz de Cam saiu ríspida. – Nada que você diga poderá ajudar.

—É isso mesmo. Acabou. – Finalizou ela em um misto de ira e alivio, então pegou o pergaminho que seria seu contrato de casamento o arremessou no rio. — Eu espero viver mil anos e ter mil filhas de modo que sempre haverá uma mulher que poderá amaldiçoar seu nome. – Vociferou cuspindo no rosto dele e correndo de volta ao templo com o vestido branco esvoaçando com o vento.

Como tinha sido cega, os rumores eram verdadeiros e por sorte não o teria como esposo para amargar uma vida de sofrimentos ao seu lado. Continuou correndo, enquanto as poucas lágrimas que tinham escorrido por seu rosto, já tinham secado com o vento. ”

Abriu os olhos lentamente, o céu estava nublado mais a luz diurna a despertou, esfregou os olhos lentamente e se esticou na cama calmamente. Se sobressaltou ao perceber alguém sentado tranquilamente em uma poltrona em um canto, forçou a vista um pouco mais até reconhece-lo.

—Cam! – Deixou fugir de seus lábios assustada.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Beijos meus anjos. Ps.Bem a Lilly não é mesmo a reencarnação da Lilith (muita gente adorou saber disso kkk) Ps2. Não odeiem o Cam, pleause.