Libertação (Cameron Briel)
59 General
Notas iniciais

O toque quente da mão dele, fazia com que a sensação de alivio sobressaísse ao espanto de vê-lo surgir feito um raio a sua frente. Seu coração ainda batia acelerado tentando controlar o terror que aquela mulher lhe causava. Era um sentimento estranho, como se algo dentro dela à alertasse sobre como aquela mulher era perigosa.
Lilly tentou alcançar os outros com o olhar.
Raquel diferia golpes violentos contra seus inimigos que apesar de assombrados com a chegado do Cam, se mantinham fieis a suas ordens e continuavam a atacar.
Roland parecia ser capaz de manipular chamas, pois tinha certeza de ter visto alguns dos seres esqueléticos serem consumidos por intensas chamas, enquanto outros eram atacados pelas asas douradas dele.
Voltou sua atenção a Adam a tempo de vê-lo arrancando a cabeça de um dos seres que antes o prendiam fortemente, provavelmente ele tinha aproveitado a distração para se desvencilhar. Era a segunda vez que se viam pessoalmente, e sempre que aqueles oceanos azuis penetrantes a fitavam como naquele momento, era como se repetisse a declaração que havia sido feita em seu sonho. Ele a amava, e estava disposto a arriscar sua vida por ela, e mesmo ciente de que não poderia corresponde-lo, Lilly sentia um aperto em seu peito sempre que ele era ferozmente atacado temendo por sua vida.
—Você não parece ter ideia do que fez, Alexia. – Lilly tremeu ao ouvir a voz de Cam sair como um rosnado furioso.
—Você é que parece não ter ideia do que está fazendo, General Cameron. – A mulher entonou a voz ao finalizar a frase, reforçado o termo “General”.
Era isso que o Cam era? Um General? Lilly se lembrava de Adam ter se referido a Cam da mesma maneira em algum momento, mas ela nunca parou para considerar o que isso poderia realmente significar.
Cam soltou sua mão colocado Lilly a suas costas de maneira protetora, com suas asas douradas levemente abertas. Fazendo com que ela sentisse um calor intenso que parecia emanar do corpo dele.
—Você não sabe o prazer que terei em te mutilar. – Cam vociferou.
Lilly percebeu o olhar da mulher se arregalar em espanto, talvez imaginando que aquilo não era um blefe, amenos não se parecia com um.
—Isso não é sobre você General Cameron, é sobre ela. – Alexia estreitou os olhos dourados em direção a Lilly que sentiu aquele mesmo calafrio de antes percorrer seu corpo.
—Tudo que for relacionado a ela, é, e sempre será do meu interesse. – Ele deu um passo à frente. – Por ela, eu enfrento o próprio Lúcifer se for preciso. – Desafiou ele estendendo as mãos.
No início algo parecido com uma nevoa escura parecia sair das mãos dele, e conforme se alastrava parecia mais espessa, escura, e quase sólida pois seguia pelo chão como se tivesse vida. A escuridão seguia se expandido contornando os seres que continuavam a surgir invocados por Alexia.
—Senhor General. – Uma voz grossa e praticamente inumana se pronunciou, e somente então Lilly avistou um ser escuro feito de sombra ajoelhado ao lado de Cam. Apesar de parecer feito de nevoa, a criatura possuía os cabelos negros lisos que tocavam o chão, devido a sua postura adotada. O físico era muito próximo de um ser humano, exceto pelos os olhos de um vermelho tão intenso feito rubis e os dedos longos com garras que pareciam afiadas.
— Temos uma breve batalha a travar, Salazar. – Cam parecia concentrado.
—Sim, meu General. – A voz grossa proferiu, e outros tão assustadores feito ele, surgiram espalhados por onde a nevoa negra tinha se formado. Os seres sombrios que surgiam, eram mais baixos do que os inimigos, porém mais robustos e visivelmente agressivos.
—Você não é mais poderoso que o nosso Senhor! – A mulher parecia descontrolada, e perdia a cada momento aquela superioridade de início.
—O poder pode ser um conceito limitador, mas você, conhece as minhas limitações, Alexia? – Ele deu alguns passos à frente. – Salazar. – Falou Cam como se desse uma ordem ao ser das sombras.
—Sim, General. – Salazar seguiu a ordem silenciosa que foi da mesma forma repassada aos seres que iniciaram seu ataque.
—Travar uma guerra temendo pela perda, é o mesmo que se entregar a derrota. Você sabe bem disso Cameron! – Alexia aumentou o tom de voz e indicando o embate ao redor. – Tudo isso está acontecendo, porque ela se tornou sua maior fraqueza. – Alexia apontou para Lilly com a lâmina dourada que mantinha em mãos. – Ela é uma mortal imprestável!!! Ela está te arrastando para destruição. Você não vê isso?!
—Cale-se! – Cam foi enérgico. – Você realmente é uma puta estupida, tanto que não consegue perceber as tolices que diz. – A voz dele vibrou feito um trovão. — Toda a guerra travada tem seu propósito, eu tenho os meus, e sei até onde eu vou por eles.
Cam estava assustador, suas asas douradas se ampliaram afastando os demônios mais próximos enquanto seu corpo parecia tomado por uma áurea de chamas quase visíveis aos olhos de Lilly.
—Eu também. – Alexia concluiu com um tom estranho abrindo suas asas, e no mesmo segundo a marca no pescoço de Cam começou a tomar uma coloração de uma queimadura recente. As asas deles se retorceram e Cam deu um passo em falso, mas ainda se manteve de pé. – Até você tem que se dobrar a invocação do nosso senhor. – Continuou Alexia retomando a postura dominadora de antes e se aproximando de Cam que se mantinha imóvel com os punhos cerrados.
Lilly sentiu-se tonta e por alguns segundos o ar lhe faltou, aquela mulher estava com uma lâmina muito próxima a Cam que parecia sofrer por algum mal que ela não entendia. Ela deu um passo à frente tentando encurtar a distância entre eles, mas a mão de Salazar a freou.
—Se alguma coisa acontecer a você, a luta dele não terá valido a pena. – Dessa vez a voz dele soou baixa e tão normal como a de qualquer humano.
Cam não parecia conseguir de manter de pé, como se uma força imensa o pressionasse ao chão, então ele dobrou os joelhos diante daquela mulher e Lilly sentiu raiva por não ser capaz de enfrenta-la.
Cam rosnou em resposta a algo que Alexia sussurrou ao seu ouvido, enquanto Lilly viu a mulher se erguer triunfante cravando enfim seus olhos dourados em sua direção.
—Você vai morrer, e dessa vez será para sempre.
—Se afaste. – Adam se posicionou firme a frente de Lilly.
—Vocês ousam se voltar contra o nosso senhor? – Alexia vociferou a plenos pulmões.
—Não, nós servimos fielmente ao nosso. – Retrucou Salazar parecendo ter verbalizado o que os “Seus” diriam, pois, os demais seres sombrios pareciam concordar com aquela afirmação.
—Bao, Abner! – Ordenou Alexia. Lilly imaginou que os dois seriam os mais poderosos do grupo que os atacavam.
Lilly viu aqueles segundos como se decorressem em câmera lenta. Salazar e Adam foram atacados violentamente pelos agressores que surgiram de lados opostos, para que Alexia retomasse sua aproximação com a lâmina dourada empunhada.
—Seu erro sempre será o de subjugar seu oponente, Alexia. – Para espanto de todos Cam se erguia novamente, até mesmo Roland parecia surpreso, talvez o que ele fazia fosse algo impressionante, mas Lilly não saberia dizer.
—Fuja Lilly! –Adam gritou, porém tudo o que ela via eram os olhos esmeraldas de Cam presos aos dela quando ele se virou se erguendo.
—Eu vou me livrar de você, vadia! – Proferiu Alexia exaltada, prosseguindo seu ataque.
—Lilly! – Apelou Cam.
Foi a última coisa que ela ouviu antes de um zunido agudo atingir seus ouvidos, e seu corpo lhe trair. Não havia mais nada além da escuridão.
(...)
Cam não hesitou em convoca-los, e como previsto, eles atenderam seu chamado prontamente, seu exército das Sombras. Ele não permitiria que alguma coisa acontecesse com Lilly, não enquanto estivesse vivo.
—Senhor General. – Salazar era líder da tribo das Sombras e consequentemente o capitão de seu exército. Eles pertenciam a uma horda de demônios “inferiores”, mas que tinham algumas qualidades como lealdade e coragem.
— Temos uma breve batalha a travar Salazar. – Ele não se virou para Lilly, precisava manter-se concentrado.
—Sim, meu General. – Afirmou Salazar invocando mais alguns seres de seu exército, que foram surgindo próximos a cada oponente invocado por Alexia.
—Você não é mais poderoso que o nosso Senhor! – Alexia gritou descontrolada.
—O poder pode ser um conceito limitador, mas você, conhece as minhas limitações, Alexia? – Ele deu alguns passos à frente. – Salazar. – Cam sinalizou com o olhar a direção de Lilly, e prontamente seu Capitão entendeu suas ordens.
—Sim, General. – Salazar fez como o ordenado e se posicionou para proteger Lilly.
—Travar uma guerra temendo pela perda, é o mesmo que se entregar a derrota. Você sabe bem disso Cameron! – Alexia sinalizava os lados com a voz elevada. – Tudo isso está acontecendo, porque ela se tornou sua maior fraqueza. – Ela apontou para Lilly com aquela lâmina em mãos, e Cam sentiu seu queixo enrijecer e seus dentes trincarem com a Lembrança de Lilian. – Ela é uma mortal imprestável!!! Ela está te arrastando para destruição. Você não vê isso?!
—Cale-se! – Cam foi enérgico. – Você realmente é uma puta estupida, tanto que não consegue perceber as tolices que diz. – Esbravejou. — Toda a guerra travada tem seu propósito, eu tenho os meus e sei até onde eu vou por eles. – E ele faria o possível para não falhar. Ele ampliou suas asas e podia sentir as chamas se expandido de seu corpo.
—Eu também. – Alexia concluiu com um tom estranho abrindo suas asas, e logo ele entendeu o motivo. Lúcifer o estava invocando. Sentiu um ardor intenso em sua marca e suas asas repuxaram descontroladas a procura de alivio, e seu corpo parecia irromper em um estado letárgico. – Até você tem que se dobrar a invocação do nosso senhor. – Concluiu Alexia em tom vitorioso. Ele cerrou os punhos irritado por ter sido subjugado daquela maneira, tanto que não conseguia se mover. E mesmo lutando contra a intensidade daquela invocação, Cam não conseguiu manter-se de pé e caiu de joelhos no chão.
—Espero que tenha fodido aquela puta o suficiente, por que eu vou matá-la. – Completou Alexia próximo ao ouvido dele, se erguendo seguindo na direção de Lilly. -Você vai morrer, e dessa vez será para sempre.
—Se afaste. – Aquele demônio que lutava ao lado de Roland e Raquel, vociferou se juntando a Salazar a frente de Lilly.
—Vocês ousam se voltar contra o nosso senhor? – Alexia questionou.
—Não, nós servimos fielmente ao nosso. – Retrucou Salazar. Cam conhecia a lealdade de seu exército.
—Bao, Abner! – Ordenou Alexia.
Cam ouviu o vulto daqueles dois demônios cortarem o ar saltando sobre Salazar e o outro demônio, permitindo que Alexia chegasse até Lilly.
“Não falharei”, pensou se concentrando.
“Não vou te perder novamente”, seu coração completou.
Cam sabia que se obedecesse ao chamado de Lúcifer, Alexia concluiria sua missão, e ele não tinha chegado tão longe para perder. Ele não iria perder. Ele salvaria Lilly.
Ele se concentrou lutando contra a vontade de seu corpo de atender ao chamado, afim de se livrar da dor que o afligia, e assim que se levantou, notou os olhares de assombro sobre si, mas naquele momento, Cam tinha contas a acertar.
—Seu erro sempre será o de subjugar seu oponente, Alexia. – Concluiu ignorando a dor que sentia.
—Fuja Lilly! – Gritou o demônio que lutava contra Abner, enquanto Salazar tinha sumido de seu campo de visão provavelmente lutando contra Bao.
—Eu vou me livrar de você, vadia! – Proferiu Alexia exaltada, prosseguindo seu ataque.
—Lilly! – Ele não a deixaria morrer, não assim.
Ele se moveu rapidamente, e antes que Alexia se aproximasse o suficiente para feri-la, Lilly tombou de joelhos levando as mãos sobre a cabeça fazendo com que Alexia parasse instintivamente o suficiente para que Cam a alcançasse.
Tudo parecia ter decorrido lentamente.
Cam tinha pulado sobre Alexia em um voo curto e rasante com os dois pés sobre as costas dela, prensando ela violentamente contra o chão.
—Me ajude! Abner! Bao! – Suplicou Alexia desesperada.
—Eles não podem mais ajuda-la. – Adam surgiu no campo de visão de Alexia, carregando a cabeça decapitada de Abner.
Cam apoiou um dos joelhos nas costas de Alexia se curvando para que ficasse próximo ao rosto dela.
—Você disse que ela era minha fraqueza, mas se engana. – E sem que Alexia assimilasse toda a frase, Cam incendiou uma das asas acobreadas dela e a torceu sob os gritos de dor.- Nela habita a minha força. – Ele puxou a asa com tamanha força que o som dos ossos se rompendo e a pele dilacerando pareceu ecoar quando ele arrancou uma das asas dela.
—Não me mate. – Suplicou Alexia em um fio de voz.
—Existem inimigos que precisamos manter próximos, e outros, que não devemos deixar que se ergam contra nós uma segunda vez. – Ele tirou do bolso interno de sua jaqueta uma Starshot, observando o olhar de desespero estampado no rosto dela. – E você, é um que não deixarei pelo caminho.
Nem um gemido, grito ou suplica, somente poeira.
Os demônios invocados por Alexia sumiram tão rapidamente quanto ela.
Adam jogou as cabeça decapitada que começou a tomar uma coloração enegrecida, se esfarelando e sumindo em seguida, e o mesmo aconteceu com os corpos dos demônios que haviam sido mortos.
Salazar se aproximou contornando Adam, e pelo sangue escuro em suas garras Bao certamente estava morto.
—Salazar. – Cam acenou a cabeça positivamente.
—General. – Salazar prestou uma reverência assim como os outros demônios do exército Sombrio e sumiram em seguida.
—Lilly. – Raquel precipitou em direção à amiga, contudo Cam chegou primeiro e se ajoelhou ao lado da namorada.
—Li, você está bem? — Questionou ele.
—É interessante como até os poderosos se dobram a uma mulher, não é mesmo, Cameron? – Cam conhecia bem aquela voz que soou a suas costas, acompanhada de um desconforto imediato.
—Lúcifer. – Concluiu Cam sem se virar.
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