Libertação (Cameron Briel)
61 Epilogo
Notas iniciais

Roland
Roland estava relaxado na espreguiçadeira a beira da piscina, admirando o nascer do sol. As últimas horas tinham sido extremamente tensas.
Ele havia levado algum tempo até perceber o que estava acontecendo a uma quadra dali, mas assim que se deu conta havia percorrido a pequena distância tão rápido, quanto suas asas permitiam. A vantagem em ser um demônio é que sempre se está pronto para uma luta.
Refez mentalmente muito do que tinha acontecido, e tinha que admitir, Cam o tinha surpreendido. O amigo tinha se mostrado muito mais poderoso, tanto que chegou a temer pela tênue linha que tinha sido riscada, separando os sentimentos de vingança de Lúcifer, das convicções amorosas de Cam.
—Ele confrontaria nosso senhor, sem hesitar. – Resmungou de maneia retorica.
“E talvez vencesse”, emendou mentalmente.
Estava satisfeito com como as coisas tinham se acomodado.
Cam estava enfim sentindo-se completo.
Certamente o equilíbrio não seria abalado novamente por alguma ação de Lúcifer contra o casal, e se algo assim acontecesse, ele não hesitaria em se juntar a eles como havia feito anteriormente. Eles eram seus amigos e não mereciam menos do que sua lealdade.
—Não tive a oportunidade de lhe agradecer. – Raquel e aquela mania que tinha adquirido de surgir na casa dele, sem aviso ou convite, mas isso não o incomodava. Ela devia saber disso.
—Não há de que. – Roland cruzou as mãos na nuca de maneira mais confortável, e sorriu de canto quando Raquel praticamente saltou animada na espreguiçadeira ao seu lado.
A encarou por algum tempo, e revirou os olhos com a careta engraçada que ela fez por algum motivo desconhecido. Ela era sempre animada de uma maneira juvenil, e isso acabava por diverti-lo. Contudo, durante a batalha, Raquel tinha revelado seu lado mais maduro e extremamente corajoso.
—O que foi? – Ela questionou afastando uma mecha dos cachos dourados que cobriram sua visão.
—Nada. – Concluiu.
Observou ela se acomodar melhor, aguardando para retomar o silêncio contemplador de antes, mesmo sabendo que isso seria impossível.
Não com Raquel ao seu lado.
Então, ele sorriu vencido voltando a observar o céu.
Adam
Assim que havia percebido as intenções de Alexia contra Lilly, sua primeira reação havia sido a de saltar pela janela de seu apartamento para seguir de encontro a sua amada.
“Sua” e “Amada”, duas palavras que não poderiam seguir juntas em se tratando dele e Lilly.
Ela poderia ser sua “Amada”, mas certamente nunca seria, “Sua”.
Mesmo ciente disso, ele havia seguido em um voou alucinado para salvá-la. Enfrentou aquela horda de demônios invocados por Alexia, e qualquer dúvida havia extinguido no momento em que viu o General a tomando nos braços desmaiada.
Ela pertencia ao General Cameron.
E mesmo que aquela constatação o ferisse, Adam sabia que o General a protegeria, e isso lhe trazia amenos a sensação de alivio.
“Adam ajeitou os cachos escuros com os dedos antes de suspirar profundamente.
—Estou sonhando não é mesmo. – Ele sentiu um arrepio percorrer seu corpo quando a voz doce de Lilly atingiu seus ouvidos.
Será que ela teria sempre esse poder sobre ele?
Será que ele teria sempre de controlar o desejo que tinha de jogá-la na cama, para fodê-la pelo tempo que fosse necessário até que ela o amasse?
O amor não poderia ser forçado, e Adam já tinha aprendido isso.
—Está. – Respondeu tentando esconder seus sentimentos sem muito sucesso. – Precisava me despedir.- Ele manteve-se de costas imaginando que assim seria mais fácil.
—Sei que se arriscou e que nunca serei capaz de compensá-lo por isso. Mesmo assim, muito obrigada, Adam.- Ponderou Lilly.
—Sabe, por milênios acreditei que seria imune a isso que chamam de amor. – Ele abandonou o canto em que estava, e pela primeira vez fincou seus orbes azuis aos dela. Ele sentia sua própria respiração acelerada assim como seu coração que batia em um ritmo descompassado. – Mas como em muitas coisas, eu me enganei. – Ele sustentou o olhar tentando decifrar os lindos olhos ametistas dela, e naquele instante teve certeza de ver, carinho, reluzir neles. — Me coração não permitiria que eu tivesse agido diferente. – Inteirou convicto.
—Eu entendo, e tenho muito a lhe agradecer por isso. – Ela mantinha o olhar marejado nos dele.
—O destino não conspirou ao meu favor. – Ele tocou o rosto dela carinhosamente e sentiu seu coração se aquecer, por ela não ter se afastado. Ao contrário, ela lhe lançou um olhar gentil. – Eu sinto por você, algo que sei que nunca mais voltarei a sentir com a mesma intensidade por alguém, mas não sou idiota. – Deixou um sorriso triste curvas seus lábios — Sei que o General habita em seu coração assim como você habita o meu, e isso nunca vai mudar.
—Eu sinto muito, Adam. – A voz dela estava carregada e ele sabia que Lilly estava sendo sincera.
—Eu sei. – Ele se aproximou um pouco mais.
—Você ficará bem? – Ela questionou o fazendo curvar os lindos lábios em um leve sorriso.
Como ela conseguia tocar o interior dele dessa maneira? Ele sentia seu coração inflar e se aquecer. Lilly estava preocupada com ele.
—Lúcifer não vai atrás de mim. Não sou tão valioso na hierarquia infernal, mas posso garantir que demonstrei meu valor. – Sorriu sem humor. Aquilo estava sendo mais difícil do que havia previsto. — Então, eu ficarei bem.
—Adam, eu... – Ele a interrompeu.
—Eu te amo, Lily.– A confissão saiu em um tom sereno, mas Adam sabia que seu olhar marejava. Ele fechou os olhos apreciando o afago de Lilly em seu rosto e tomou a mão dela levando para junto de seus lábios, depositando um beijo casto e demorado ali.
—Fique bem. – Ela sussurrou de maneira carinhosa.
Ele acenou com a cabeça sentindo uma lágrima correr por seu rosto.
—Ficarei. – Concluiu sem muita certeza permitindo que enfim ela despertasse. ”
Adam abriu os olhos lentamente sentindo as lágrimas teimosas que corriam por seu rosto.
—Assim espero. – Emendou, sentindo o coração se apertar em seu peito.
Lilly
Abriu os olhos lentamente ainda sentindo o coração apertado com aquela despedida. Adam a amava, e isso era tão claro quanto ao fato de que não podia corresponder aquele sentimento.
“Me perdoe”, seu coração suplicou.
—Como se sente? – Cam estava sentado em uma poltrona ao lado da cama a observando.
Os cabelos escuros dele estavam úmidos indicando que havia deixando o banho a pouco tempo. Seus olhos esmeraldas estavam mais claros e intensos. Ele estava sem camisa e usava uma calça jeans.
Lilly se recostou na cama observando ao redor, constatando que estavam na cabana de Cam.
—Bem, dentro do possível. Considerando que descobri que fui o pivô de uma batalha e que sou um anjo. Estou bem. – Ela proferiu expondo seu assombro.
—Não se preocupe, agora estou aqui. – Lilly sentiu se coração ser preenchido por uma sensação morna.
Cam estava ao seu lado, e isso era tudo que lhe bastava. Era tudo do que precisava. Ela alcançou a mão dele o puxando para mais perto.
O aroma delicioso dele a envolveu de maneira inebriante.
—Meu amor. – Murmurou dedilhando os músculos delineados do braço dele, até enterrar os dedos nos cabelos sedosos e úmidos de sua nuca, o trazendo ainda mais perto, pressionando levemente os lábios contra o ouvido dele. – Esse é exatamente o seu lugar. Comigo. Sempre.
—O meu lugar não e somente ao seu lado, Li.– Insinuou ele sensualmente, fazendo um arrepio percorrer todo o corpo dela que arfou, sentindo seu núcleo pulsar em expectativa. Cam tinha um poder sobre ela que nenhum outro teria.
Nunca.
Podia sentir a ereção volumosa dele contra sua coxa, enquanto ele se acomodava sobre ela na cama. Lilly imaginou quem a tinha vestido somente com aquela camiseta, que permitiu que ele facilmente tocasse seu ponto mais sensível, fazendo-a se arquear em resposta.
Lilly segurou firme os cabelos dele, enquanto Cam habilmente se livrava de sua calça, para depois livrá-la da camiseta que vestia. Um arrepio percorreu todo seu corpo quando Cam se acomodou entre suas pernas, fazendo-a sentir seu membro pressionar sua entrada deliciosamente.
—Cam.- Ronronou sentindo-o deslizar lentamente para dentro dela, e protestou entre um gemido quando ele interrompeu o movimento.
—Dentro de você é o meu lugar. – Ele estocou entrando por completo dentro dela, fazendo com que Lilly se contorcesse de prazer, gemendo alto. – Meu amor. – Cam gemeu ao ouvido dela.
Cam iniciou o movimento rítmico, com estocadas profundas e intensas, e em cada movimento ela se sentia mais perto de se derreter de prazer. Seus corpos se encaixavam perfeitamente, e cada gesto, gemido ou respiração descompassada, parecia ditar um compasso perfeito.
Eles eram um do outro.
—E te amo tanto, Cambriel. – Articulou em extremo deleite. – E sempre vou amar. – Declamou sentindo seu corpo tremular, e seu núcleo convulsionar em torno do membro rijo de seu amado.
Cambriel
Não tinha conseguido se conter.
Não, quando ela sussurrou sensualmente que ao lado dela era seu lugar. Vê-la se remexer sob sua camiseta preta, que ele bem sabia ser a única peça que a cobria, e o aroma de jasmim que exalava dela, fez com que sentisse seu membro crescer e enrijecer de desejo.
Ela sempre teria esse poder sobre ele.
Sempre.
—O meu lugar não e somente ao seu lado, Li.– Insinuou sensualmente estreitando o olhar de maneira lasciva. Seu corpo clamava por ela.
Cam percebeu o reluzir da luxúria nos olhos ametistas dela e isso o excitou ainda mais. Se lembrou do primeiro beijo deles, em que havia se afastado amedrontado. Aquele momento parecia tão longínquo, agora que a tinha sob seu toque, a mercê de seus beijos e caricias.
Se acomodou sobre ela e começou a deslizar lentamente dentro dela, sentindo o quanto ela estava úmida, e antecipou a sensação maravilhosa de senti-la quente e apertada em torno dele.
—Dentro de você é o meu lugar. – Concluindo apreciando a sensação sublime de estar completamente dentro dela, sabendo que fomentava nela o mesmo sentimento.
Seus movimentos se tornavam mais ritmados, rápidos e firme. Estocava avidamente tentando saciar a sede que sentia de tê-la, de senti-la, de amá-la.
Seus ombros formigavam motivados por suas asas que clamavam para serem libertas, talvez devido a sensação indescritível que sentiu quando tocou as de Lilly com as suas. Não havia sido aquela eletricidade desconfortável e repelente de quando tocava as de Daniel, era algo diferente, como se estivesse completo.
A apertou melhor entre seus braços enquanto investia contra o seu quadril, fazendo o som de seus corpos se intensificarem, e a onda de sensações os dominarem.
Ele a amava.
Amava a forma como ela sorria encabulada, de como batucava com os dedos quando estava ansiosa, do jeito que o olhava, da forma como os lábios dela se curvavam em um sorriso, de como seus quadris se moviam quando ela andava, de como ela tocava seu violino de maneira intensa e concentrada e acima de tudo, amava amá-la.
Havia desejado com tamanha intensidade um amor pleno, resoluto e intenso. Que fosse capaz de transcender os milênios, que chegou a pensar que Lilith seria o símbolo desse amor. Contudo, teve de seguir para o passado para compreender, que somente uma pessoa seria capaz de libertá-lo da profunda solidão em que sua alma estava enterrada.
Ela.
Que era sua alma gêmea e sua libertação.
—Lilly. – Proclamou Cam em êxtase. – Minha Lilly.
♥♥ FIM ♥♥
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