Notas iniciais
Tudo bem galera? Espero que sim e que tenham aproveitado o feriado prolongado. Bem, o capitulo ficou um pouco grande mas espero que curtam. Desculpem pelos possiveis erros.

O sol morno acariciava seu rosto avisando que a manhã havia chegado, não queria abrir os olhos, seu desejo era reter a sensação que retornava ainda vívida. Sentia borboletas no estômago sempre que se recordava da noite anterior.

Assim que chegou a fundo da piscina seu primeiro pensamento foi de raiva, devia ter ido para dentro quando Raquel a tinha convidado e assim, não estaria retornando a superfície imaginando os rostos curiosos a fitando a caloura atrapalhada, mas ao contrário, percebeu alguns rapazes estendendo-lhe as mãos na intenção de ajuda-la. Sua atenção recaiu sobre uma em especial, no pulso haviam algumas pulseiras de tiras de couro discretamente expostas sob o punho de uma jaqueta de couro preta, escolheu aquela.

O toque era firme, macio e extremamente quente, ele era forte, pois a ergueu facilmente. Sentiu suas roupas grudadas no corpo, certamente sua camiseta estava transparente marcando até os pelos do corpo. Seu cabelo estava escorrido e gotejando, além de cobrir parte de seu rosto, mas tinha certeza que todos poderiam notar seu constrangimento.

Tentou liberar sua mão agradecendo entre os dentes, tão envergonhada que não consegui erguer o rosto para identificar seu salvador, mas como dizem que a pressa é inimiga da perfeição, tinha que tropeçar nos próprios pés. Antecipação em sua mente a cena de sua queda de cara no chão, o que para sua surpresa, não aconteceu, pois, tinha sido amparada novamente. Braços fortes a envolviam fazendo seus corpos se moldarem com perfeição. Sentia seus seios pressionados contra ele, e por Deus, ele tinha um cheiro maravilhoso. Sentia-se ofegante.

— Me desculpe – Sua voz saiu em um fio.

— Você está bem? – Naquele momento havia sentindo seu íntimo latejar ao som daquela voz levemente rouca.

Parecia que uma energia emanava dele, ou poderia ser deles?

Não importava naquele momento, ela sentia vontade de se aconchegar melhor contra ele, “loucura”, sua mente alertou. Percebeu quando ele se inclinou levemente e em reposta ergueu o rosto para enfim olhá-lo. Acabou por entreabrir os lábios assim que fitou os dele levemente vermelhos e por um segundo, desejou que ele a beijasse. Sentiu-se pulsar ainda mais quando o corpo dele reagiu a proximidade de seus corpos, o sentindo rijo contra ela. Lilly ergueu o rosto lentamente tentando controlar suas sensações até que cruzou com os orbes verdes esmeraldas dele.

Ele era lindo.

Claro que Raquel havia chegado feito uma maluca e quebrado em pedaços todo aquele clima, talvez apenas os dois tivessem sentindo aquilo ou somente ela, não importava, pois não tinha tido tempo de amenos perguntar o seu nome”

Pelo visto Raquel já tinha ido para a praia assim como mais da metade do Campus, exceto é claro, os que teriam aulas extras.

— Chega de sonhar acordada Srta. Grigori. – Se repreendeu seguindo até a janela apenas para constatar que o dia estava lindo. Se alongou espreguiçando-se e avançou para o banheiro para um banho.

Deixou o banheiro enrolada em uma toalha enquanto secava os cabelos com outra, escolheu uma roupa ainda em estado de letargia, tinha uma sensação tão agradável ao se recordar “dele” que era quase impossível se concentrar.

Havia escolhido um vestido evasê estampado de decote em canoa e que chegava a um palmo de seus joelhos, calçou as sandálias e examinou novamente o relógio preso a parede, teria tempo para uma ligação. Discou rapidamente e no segundo toque sua mãe atendeu.

— Alô – a voz de sua mãe era sempre tão suave.

— Bom dia mãe.

— Lilly querida. Quanta saudades, como você está?

— Estou bem – considerando o fato de estar encantada por um estranho que não conseguia tirar da cabeça, estava realmente tudo bem. – Daqui a pouco tenho aula, então achei melhor ligar agora pela manhã.

— Entendo. Alguma novidade? – A verdade era que sua mãe estava curiosa quanto a vida amorosa da filha, Lilly era sempre tão reservada sobre esse assunto mesmo tendo uma vida social aceitável, Lucinda tinha conhecido somente um “quase” namorado da filha e pelo visto o relacionamento não havia engatado já que não ouviu mais nada sobre o rapaz. Daniel sempre afirmava para esposa que assim como tinha acontecido com eles, Lilly encontraria o amor no momento oportuno.

— Estou indo bem nas matérias, somente a Sra. Carter que é muito chata e adora dar aulas aos sábados. – Sorriu largamente se divertindo com o próprio comentário e escutou em resposta a risada cativante de sua mãe. Ela sabia muito bem do histórico escolar de sua mãe, não havia sido uma aluna acostumava a ficar enfiada em bibliotecas ou enfurnada no quarto estudando, mesmo assim, tirava boas notas.

—E o papai?

—Ele está lá atrás no estúdio pintando. – Seus olhos sempre brilhavam e um suspiro lhe fugia da garganta ao falar de seu marido, o sentimento que nutriam era tão intenso que Daniel sempre dizia que era porque eram almas gêmeas, e que ele cruzaria o universo para estar ao lado dela. Lucinda sabia que era verdade pois, ela iria tão ou mais além por ele se fosse preciso.

— Liguei somente para saber como vocês estão, não quero atrapalhar. Avisa que estou com muitas saudades, e que ligo de novo durante a semana ou marcamos para falarmos via Skype.

— Ele ficará chateado por não o ter chamado, mas darei seu recado. Se cuida meu anjo.

— Vocês também. – Olhou novamente para o relógio. — Preciso mesmo desligar mãe ou irei me atrasar. Amo vocês.

— Também te amamos, meu anjo.

Como se atrasar não estava em sua lista optou por realmente se apressar, apanhou seu estojo e seguiu pelos corredores vazios. Observou alguns alunos deitados na grama do jardim, conversando, dormindo, lendo ou mesmo aproveitando o dia agradável, adoraria poder aproveitar também.

Suas pernas à arrastaram até a sala de aula e por duas horas a Sra. Carter ressaltou o quanto estava dispersa, que estava demonstrando absurda inabilidade chegando próximo ao desastre total. “Chata”, sua mente repetia após cada comentário ácido da professora.

—Acho melhor pararmos por hoje, vocês estão muito abaixo do aceitável. – A Sra. Carter caminhava lentamente pela sala, lançando seu olhar de desaprovação a todos enquanto mantinha os braços cruzados sobre o peito. – Bem, podem ir.

Não precisou repetir, muitos já tinham guardado seus instrumentos ou já o estavam fazendo, Lilly tinha sido a terceira a deixar a sala resmungando educadamente um até logo que não deu tempo para que a Sra. Carter respondesse.

Ela adorava tocar, contudo, sua professora conseguia deixar as aulas maçantes resmungando a todo o tempo de tudo, e ainda tinham as aulas de sábado, que sinceramente achava desnecessária. Eles tinham aulas todos os dias da semana com a Sra. Carter que não abria mão de no mínimo uma hora e meia, como alguém podia ser tão exigente? Já imaginava como seriam as próximas semanas, considerando que haveria uma apresentação no teatro principal com a participação da maioria dos alunos de música, teatro e dança. A professora iria endoidar, com certeza.

Seguiu apressadamente pensando seriamente em comer alguma coisa e retornar para aproveitar o resto da tarde no jardim, não teria muitas escolhas mesmo. Raquel retornaria somente no dia seguinte e isso lhe deixava algumas horas de tédio até que fosse dormir.

Assim que virou uma esquina para seguir para o dormitório esbarrou em alguém que a apoiou rapidamente antes que caísse. Lily teve certeza que já tinha alcançado seu limite de tropeços e encontrões por uma semana, e lá estava ela novamente sendo amparada.

— Me desculpe eu estava distraída e ...- Sentiu sua voz morrer em sua garganta tomada pelo mais profundo e genuíno encantamento.

Era ele”.

Notas finais
Espero que tenham curtido. Fui (^.^)/