Notas iniciais
Oiii!
Apesar de eu não ter muita experiência a escrever romance, espero que a minha amiga secreta, Lya, goste deste miminho de natal!
Boa leitura.

Já era quase madrugada quando Bella decidiu que não conseguia dormir. Tirou as cobertas de cima de si mas não sentiu muito frio devido à salamandra acesa no centro da divisão. Com cuidado para não acordar nenhuma das suas irritantes companheiras de quarto, calçou os chinelos e vestiu o seu robe de seda negra antes de sair do salão comunal da sonserina, onde a temperatura era bem mais baixa em comparação com o seu dormitório. Ela passou a andar pelos corredores de Hogwarts às cegas e quase escorregou ao subir as escadas para a Torre da Astronomia mas continuou a subir, só que agarrada às paredes.

Assim que chegou ao topo suspirou em alívio. Nunca se tinha acostumado a subir todos aqueles lances de escadas. Ela olhou ao redor e logo os seus olhos prenderam-se no rapaz de cabelos negros e revoltos que lhe caíam pelos ombros. Bella queria voltar para trás com a intenção de evitar o seu primo mais velho Sirius que, naquele momento, observava as estrelas pelo grande telescópio, distraidamente. Bellatrix virou-se e tentou fazer o mínimo de barulho possível. Já começava a descer as escadas quando a voz grave do primo soou às suas costas, causando-lhe um arrepio inevitável.

— Não devias estar fora da cama a uma hora dessas, Bella. Se o Filch te apanha levas uma detenção até ao final do ano — disse ainda sem olhar para ela. Continuava com os olhos fixados contra o óculo do telescópio mas, mesmo assim, Bella viu o sorriso típico de Sirius Black. Aquele sorriso de alguém que sabia de algo valioso e estava pronto para fazer uma troca de informação se recebesse um bom pagamento em retorno. Mas Bella já sabia o que o primo queria em retorno e ela não queria dar o que ele desejava.

— O mesmo se aplica a você, Sirius — respondeu friamente sem sair do lugar onde estava, nas escadas, de costas para ele. Pelo menos ali ela teria uma chance de fuga rápida se ele tentasse algo.

— Sempre simpática, priminha. Mas fala, porque estás acordada tão cedo num sábado? — indagou Black, por fim afastando os olhos do instrumento para olhar Bella, ou melhor, as costas dela. Esta mexeu-se desconfortável mal notou as esferas negras de Sirius se atiraram contra o seu corpo pálido e magro, arrepiado de frio de outubro. Ou ela esperava que fosse do frio.

— Nada que seja do teu interesse, Black! — exclamou em irritação ao se lembrar da carta que tinha recebido na tarde anterior, no fim das aulas. Posto isto ela continuou a descer as escadas. Já colocava o pé no sétimo degrau quando uma mão quente e firme a segurou pelo pulso direito.

Bellatrix surpreendeu-se com a rapidez do primo em reagir a situações. Ela preferiu não se voltar por ter de encarar aqueles olhos negros desafiantes que conseguiam quase por milagre baixar as suas barreiras. O calor do corpo dele passou para o corpo frio de Bella quando Sirius se aproximou ainda mais até a sua boca estar bem perto do ouvido da prima. Ainda sem largar o pulso, Sirius falou num sussurro:

— O que se passa, Bella? Tu sabes que me podes contar.

O hálito quente dele provocou mais arrepius em Bella. Agora ela sabia que não era do frio. Aquela voz forte e sussurrada era demais para ela que, sem querer, soltou um suspiro assim que os lábios macios de Sirius começaram a se aventurar pelo seu pescoço. Bellatrix não conseguiu processar as palavras antes delas deixarem a sua boca em forma de sussurro também. A distância entre eles era praticamente nula, logo Sirius não teria qualquer problema em escutar.

— Recebi uma carta dos meus pais ontem á noite — disse, fechando os olhos quando as mãos de Sirius se acomodaram na sua cintura e começaram a brincar com o laço do robe.

— E? — falou Sirius sem parar de roçar os lábios pela pele leve da prima e, vez ou outra, depositava suaves beijos nas orelhas dela.

— Continuam a falar do mesmo… O meu noivado com Rodolphus — Bella suspirou cada vez mais profundamente quando os suaves beijos evoluíram para leves mordidas.

— O quê? Eles não planejam em te casar agora, certo? Tu só tens quinze anos! Ainda faltam dois anos para acabares a escola! — Sirius afastou-se irritado e Bella bufou também enervada porque ele se tinha ido embora levando o calor corporal consigo. Com resignação, ela teve de admitir que estava a gostar do ritmo das coisas até ali.

— Se dependesse só do meu pai, é provável que me casasse já amanhã. Mas porque essa irritação toda? Assim tu não terias de aguentar os meus insultos, como tu os consideras, aos teus amiguinhos grifinórios e sangues-ruins — ela cuspiu as últimas palavras como se estivessem a sujar a sua boca.

Sirius afastou-se mais de Bellatrix e subiu os degraus para se sentar na varanda. Olhou para o céu enquanto o vento afastava o seu cabelo. O brilho das estrelas iluminava o rosto do seu parente. Aquela visão era simplesmente de tirar o fôlego a qualquer rapariga. E Bella não era exceção. Ela queria sair dali e voltar para o seu dormitório, mas os seus pés não se moveram. Como ela odiava aquele efeito que Sirius tinha sobre ela. Suspirou mais algumas vezes antes de voltar a subir os degraus. Por fim acomodou-se sentada ao lado do primo, a olhar para as estrelas.

Bellatrix achava patético perder tempo a olhar para aqueles pontinhos no céu. Ela gostava de ver a camada de negro sobre si. Claro que respeitava as estrelas. Mas só o fazia pois eram as estrelas que caracterizavam os Black. Nunca houve ninguém da sua família que não recebesse o nome de uma estrela. E Bella contentava-se com o facto de o primo ao menos ter gosto por aquela tradição de família, visto que, ele desprezava todas as outras.

— Não é nada disso, Bella. É verdade que eu fico muito irritado com os insultos que diriges aos meus amigos mas, mesmo assim, eu não vou conseguir me separar de ti nunca. Tu és uma droga que eu não consigo largar — falou Sirius após vários minutos em puro silêncio.

Aquelas palavras penetraram fundo em Bellatrix e ela podia afirmar que as suas pernas ficaram moles. Se ela não estivesse sentada era provável que teria despencado no chão. Sirius era realmente um caixinha de surpresas. Uma hora, estava irritado com ela e a chamar-lhe nomes como hipócrita, mesquinha… E outra hora, tratava-a com carinho e dizia que ela era uma droga que ele não conseguia largar. As únicas alturas em que eles se tratavam neutramente era quando faziam amor. Nessas horas não existia carinho, mas sim dominação. Não existia irritação, mas sim fogo. Fogo esse que queimava o sangue e corroía todo o corpo quando eles se fundiam. Bella corou ligeiramente com aqueles pensamentos mas tentou disfarçar com a sua próxima frase.

— Na carta, os meus pais disseram que planejam um jantar oficial. Para comprovar o noivado á frente da sociedade — Bellatrix citou o que estava escrito na carta, tentando não se lembrar da outra parte.

— E quando é esse jantar? — questionou Sirius sem rodeios. Aquela era uma característica que Bella adorava no primo. Ela não gostava quando as pessoas enrolavam para se expressar. Para ela tudo tinha de ser claro e objetivo. E com Sirius tudo era transparente.

— Vão aproveitar a interrupção do Natal para o fazer. Eles disseram que toda a família tem de estar presente, inclusive tu. Eles até querem que eu e Rodolphus nos beijemos! — exclamou com nojo só de pensar em beijar um homem que ela mal conhecia.

— O problema não está no ato em sim, mas na pessoa. Tu não tiveste nenhum nojo quando me beijaste a mim na semana passada, quando nós… — começou, provocadoramente.

— Cala-te Sirius! Não preciso que me digas o que fizemos na semana passada porque eu tenho bem a certeza. E foste tu quem me beijou em primeiro lugar — afirmou cruzando os braços em exasperação.

— Como queiras. Mas eu não quero ir nesse jantar. Não te quero ver a beijar o Rodolphus nem a selar noivado com ele. Eu é que devia estar no seu lugar… — Sirius falou a última parte num sussurro mas, mesmo por cima do vento, Bellatrix escutou todas as palavras e o seu coração acelerou.

— Eu também — disse sem pensar. As suas bochechas coraram mais um bocado e apenas pioraram quando os olhos negros do primo espreitaram bem fundo os seus.

— Então porque não o fazemos? Porque não deixas aquele idiota do Lestrange? — perguntou num tom de voz normal.

— Tu sabes que não podemos, Sirius! Nós somos primos, por amor de Merlin! — exasperou-se. Bella levantou-se e Sirius fez o mesmo. Ela já estava saturada daquela conversa e não queria continuar uma luta em que ambas as partes saiam magoadas e sem decisão alguma.

— Sim, pois somos. Mas o facto de sermos parentes não nos impediu de irmos para a cama! Seria melhor se contássemos toda a verdade antes do teu futuro marido a descobrir na noite de núpcias!

Bellatrix sabia que ele estava certo mas não o queria admitir. Ela não poderia contar aos pais que tinha dormido com o próprio primo. Aquela seria uma grande vergonha para a família e ela podia jurar que o pai a expulsaria de casa como quem deita o lixo fora. E isso ela não poderia se arriscar.

— Nós simplesmente não podemos — falou em voz baixa e virou-se para descer as escadas arrependida por ter vindo até ali em primeiro lugar. Mas ela não estava longe o suficiente para escutar as seguintes palavras do primo.

— Nós podemos tudo Bella, se estivermos juntos.