Libertando minha alma.

1 Onze anos: A descoberta.


Quando eu tinha onze anos achava que sabia de tudo, achava que eu tinha tudo sobre controle e que era completamente diferente de todas as pessoas. Quão errada eu estava e nem sabia.

Minha primeira mudança de comportamento foi quando o menino mais bonito da escola entrou na minha sala, seu nome era Matheus e lhe digo já de cara...Que menino bonito. Por mais clichê que seja, eu era a menina mais diferente na sala. Eu jogava video game e futebol melhor do que muitos meninos, e por um bom tempo (até aquele dia) acreditava que jamais mudaria por causa de um menino, eu ia ser eu mesma até que alguém gostasse de mim por quem eu era.

Errada de novo.

Matheus sentava na minha frente mas nunca trocou uma palavra comigo até uma sexta-feira. Aquele grande dia que tudo muda pra você, como uma bola de neve me pegou sem eu perceber e depois desse dia eu nunca mais fui eu mesma. Aquela garota...simplesmente morreu. Mas o que pode ter acontecido?

* Notas da Ju atual: Eu não contei algo bem básico para vocês, eu sempre fui muito simpática e me dava bem com todo mundo da escola. Inclusive a garota mais popular da quinta-série — o que soa tão idiota agora, eu só tinha onze anos e já existia alguém popular — nome dela era Raphaela. Cabelo super liso, maquiagem já no rosto e até aquele maldito cachorro que era uma bolsa cor de rosa a menina tinha. A gente era super amiga, mas tudo que ela amava eu odiava e vice e versa, mas por algum motivo nós nos dávamos muito bem. Explicado esse pequeno detalhe vamos voltar para aquela sexta-feira. *

"Não acredito que você é Palmeirense e a gente nunca se falou," pela primeira vez Matheus olhou pra mim e pra te falar a verdade, nunca acreditei que aquilo ia ser possível. Os olhos dele eram tão verdes que eu fiquei impressionada de como as genéticas daquele menino era perfeita. Eu simplesmente sorri e disse "obviamente", era só aquilo que conseguiu sair da minha boca.

E ai veio a bomba. "Deveriamos ser amigos, ta aqui meu numero e meu msn, me manda mensagem e vamos conversar mais!" Oi? Eu? Você acabou de me entregar uma folha com o SEU número? Chorei por dentro fiquei vermelha igual um pimentão por fora.

O dia passou tão rápido com ele ali na minha frente, tudo era diferente. Era a minha primeira paixão platônica e que paixão...O mais legal era que ele realmente era uma pessoa boa, uma pessoa engraçada. Ele sabia que era bonito mas nunca iria excluir alguém por causa de popularidade e eu via isso nele. Eu via que ele tinha um coração bom.

Naquela mesma sexta-feira eu peguei a pirua e sai correndo pra minha casa e exatamente igual uma menina boba alegre digitei o e-mail dele e pedi para ser amiga dele no msn. Vou te falar, nunca tinha experimentado algo tão demorado quanto ficar encarando a tela do computador e esperar aquela notificação me dizendo "Matheus te adicionou como amigo". Pelo menos uma hora se passou mas aconteceu e não foi só aquela notificação...Foram duas notificações, foi como... um brinde surpresa que nem daqueles de kinder ovo.

"Sinceramente esperava que ia me ligar, e ai como você ta melhor amiga" Sim, 'melhor amiga' você não leu errado Ju. Ele acabou de te chamar de melhor amiga. A conversa durou o dia inteiro, e sem perceber acabou que eram já nove horas da noite e ainda estavamos conversando sobre como tinhamos muito em comum.

*Notas da Ju atual: não vou falar tudo o que conversamos porque simplesmente a história vai ficar gigante e a nossa amizade não é o foco da minha história*

Depois de mais ou menos dois mêses nós realmente nos tornamos melhores amigos. No momento atual, não consigo uma melhor quinta-série sem o Matheus. Nós éramos grudados desde o começo da aula até o final da sétima aula. Ligavámos um para o outro o tempo inteiro depois da escola e nos ajudávamos nas matérias. Eu era apaixonada por ele mas sabia que ele não era por mim, sempre soube. Porém isso nunca importou porque ele tinha dado um sentido a minha vida sem graça.

Por um tempo era eu e ele contra o mundo mas duas novas pessoas entraram no nosso grupo. Duas pessoas que eu também não vejo sentido no meu passado sem eles...Matheus tinha uma imensa paixonite pela Raphaela, e ele sabia que eu era melhor amiga dela e obviamente ela entrou no nosso grupo de amizade, a segunda pessoa era o Joao... O Joao era tambem a melhor pessoa que já existiu, ele via o mundo diferente...Ele era eu em versão masculina. E agora comparando, o Joao era como eu — não éramos populares mas nos davamos bem com todo mundo e tinhamos um melhor amigo popular — e o Matheus era a Raphaela em versao masculina — todos queriam ser eles ou namorar eles — talvez por isso o quarteto era inseperavel.

Com onze anos, tudo mudou. Eu comecei a passar maquiagem, usar aquela bendita bolsa que mencionei antes. Tudo por causa do Matheus, eu sabia que ele curtia a Rapha, e eu só queria ser igual a ela. E foi assim que começou, eu deixei me submeter as primeiras regras da sociedade. Precisava usar maquiagem para ser mais bonita, ir em matinês e claro: perder meu b.v.

Troquei o video-game por novas saias e camisetas mais femininas. Futebol? Somente quando estava com meu pai que foi a pessoa que me mostrou a ter amor pelo verdão. Troquei o rabo de cavalo por uma chapinha bem feita, e toda aquela pureza de onze anos foi jogada ao ralo. Tudo por causa de um par de olhos verdes.

Já que tudo dentro de mim estava mudando, resolvi mudar as coisas de fora também. Eu morava com a minha mãe e só via meu pai a cada quinze dias. Nos fins de semana que eu o via eu era um anjo, a princesinha do papai que brincava de boneca e fazia coisas de uma garota de onze anos deveria estar fazendo. Porém nos fins de semana que eu ficava com a minha mãe eu ia para as matinês, afinal se tudo tinha que mudar eu tinha que fazer da forma mais radical possível. Minha mãe, nunca foi tradicional, ela é super liberal então não se importava de eu sair para baladas com minhas amigas.

Matinês se tornaram uma realidade mais próxima do que eu pude imaginar, e meus onze anos se tornaram assim. De uma menina única eu virei uma menina como todas as outras, e como qualquer outra menina eu tinha que perder meu b.v. com um menino qualquer numa noite qualquer porque afinal de contas nem é tão importante assim.

Num sábado qualquer, fui num aniversário de um dos meus primos com o meu tio. Nessa festa de aniversário eu avistei um menino super bonitinho, e pensei. Porque não? Porque não fazer ele ser o meu primeiro beijo. E assim foi feito. Primeiro beijo: num estacionamento, só eu e ele. Foi péssimo, teve baralho e confusão e obviamente nunca mais falei com ele.

Agora, pergunta do capitulo: qual era o nome do menino? Isso mesmo meus amores, 'Matheus'. Meu primeiro beijo não foi com meu melhor amigo porém tinha o nome dele. Bom o suficiente né!?

Resumidamente: Esse foi meus onze anos. Porta de entrada para festas e a submissão de aceitar as regras da sociedade e ser como eles pedem para nós sermos e não como queremos.

Notas finais
Eu estou a dois anos em Orlando e nao escrevo muito em portugues, 99 por cento do que escrevi é a minha história real. Continuem lendo, vai ter uma vira volta muito boa aos meus dezoito anos. Cheguei a uma realizaçao tremenda
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.