Lições da Estrada

4 Lealdade ao que lhe tocou o Coração


Muitas vezes me deparo com aqueles:
Que vivem às custas do que outros oferecem
Que não sabem dar valor à mão estendida
Que lutam inconsciente ou consciente pela desunião, pela dicotomia e o desamor
Que distorcem os mais nobres sentimentos, as mais nobres palavras e as mais nobres atitudes
Que entendem um conselho de reparação como um ataque pessoal
Que estão tão presos em seu próprio sofrimento que não conseguem perceber/ver/ouvir/sentir o que existe além
Que vivem pedindo por coisas boas mas desperdiçam e jogam fora tudo que recebem
Que querem tudo mas são incapazes de oferecer o que recebem ao seu próximo
Que desejam caminhos livres, abertos, floridos mas que não desejam necessariamente caminhar por eles
Que dificultam que outras pessoas alcancem seus objetivos terrenos.
Que cultivam deslealdade, ignorância, ingratidão, negatividade, mentiras, traições, roubos físicos, emocionais e espirituais

Para esses seres e essas situações à vida me pede um pouco de compaixão e boa vontade.
Quando fica difícil encontrar essa tal da compaixão e boa vontade, ela me pede para visitar a gratidão no passado, quando eu estava nessa condição de ser, nessas situações, e assim visualizar todas as vezes que eu recebi a compaixão, respeito, boa vontade, mão estendida, oportunidade de aprender e caminhar com meus próprios pés para que eu obtivesse a liberdade de escolher o caminho que desejava.

Lembro de todas as vezes em que eu estive nesses caminhos errantes, com muito sofrimento, e mesmo assim não fui abandonada na estrada. Inclusive nas horas em que eu achava ter sido abandonada — chorava e reclamava enquanto estava no colo, sendo carregada por alguém que estava me direcionando no caminho certo, enquanto eu não tinha clareza nem força para caminhar sob meus próprios pés.

Quando volto ao presente, volto recarregada dessa sabedoria, de todas as flores que caíram sobre mim e que de alguma forma foram o adubo que eu precisava para crescer e começar a florescer.

A Gratidão vem tomar um chá da tarde comigo e conversamos. Digo à ela o quanto me constrange ver o tanto de ajuda que recebi e pergunto: “Eu merecia tudo isso? Por que eu? Logo eu que só cometi erros, não fiz nada de útil, só chorei, só reclamei, só pedi por coisas boas mas não mexi um dedo para que isso acontecesse.
Então, com toda aquela calma e doçura, a Gratidão responde: “Você fez algo de útil, sim. Aprendeu a reconhecer o trabalho de quem te carregou nessas horas e hoje você pode trabalhar, se assim desejar, da mesma forma, ajudando muitas dores e sofrimentos encontrarem o caminho da alegria e felicidade que é onde você mora. Da mesma forma que você recebeu flores, aprendeu a desabrochar, agora vai merecer também poder oferecer suas flores para que as árvores que estão crescendo, aprendam a desabrochar. Uma flor recebida é uma flor oferecida.”

Encho-me de confiança e boa disposição com as palavras da Gratidão e ainda em questões de visita, recordo-me de um preto velho que me ensinou sobre a natureza e sua simplicidade, onde a Lealdade anda junto com a Gratidão. Não há lealdade se não sentir gratidão. Não há gratidão se não houver lealdade.

"Há uma espécie de árvore, que nascia nas matas da Bahia em sua época de escravo, denominada pau-pereira. Todas as árvores da mata costumavam dar sementes, muitas delas frutos e flores.
O pau-pereira, todavia, não florescia, nem dava frutos com regularidade.
Pai João usualmente compara esse tipo de planta a pessoas que não
produzem, não florescem nem se permitem ser felizes. Não adianta
somente ser árvore. É preciso florescer, enfim, dar frutos do investimento recebido." (Robson Pinheiro)

Das flores recebidas, ofereço as minhas para que todo caminhante perceba que o sagrado (aquilo que toca no coração), deve ser honrado e multiplicado. Mesmo em um deserto, há flores provindas das plantas que sentem o impulso se florescer. Não há ser humano que não tenha necessidade das cores, aromas e alegrias. E todos podem chegar à fase de florescimento e ofertar aquilo que de melhor possuem, a única coisa necessária é encontrar a gratidão, por tudo que já recebeu.


Honra a Raiz!


Você recebeu
Água
Tempo
Cuidado
Nutrição
Proteção


Assim
Cresceu
E agora
Qual sua
Retribuição?


Não vejo
Flores nem cores
Em sua copa


Quando vai florescer?
Quando vai oferecer
O que de melhor podes produzir?


Não nasceu
Para ser
Pau-pereira
Veja bem
Sua raiz
É de Paineira

Notas finais
Os poemas e versos foram escritor por: Lúcia Fernandes Bonito Se você gostou, pode compartilhar onde quiser: redes sociais, blogs.. mas por favor, não esqueça de colocar os devidos créditos da autora. Também não há necessidade de cópias, todos sabemos da sua capacidade de escrever coisas maravilhosas e únicas se assim desejar. Basta apenas confiar em si mesmo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.