Leãozinho
1 Único
Notas iniciais
Me inspirei com a música de Caetano Veloso, O Leãozinho.
Bem, espero que gostem, e obrigada desde já a todos que lerem.
Beijos,
Madison.
Os passinhos do pequeno leão eram tão rápidos que mal deixavam sua marca na areia molhada da praia que circundava o Santuário da Deusa Athena.
Sob o olhar atento de Aiolos, Aiolia — ainda em sua mais tenra infância — se divertia, pulando pequenas ondas e observando o mar de sua doce Grécia.
Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho
Os olhinhos verdes sorriram. Tudo ao seu redor constava de mágicas descobertas, seus dias eram encantados, divertidos.
Era uma estrela que ele via ali, caída do céu diretamente para suas mãozinhas?
— Oios. — chamou, ao pegar na areia uma estrela do mar e correr para onde o irmão estava sentado.
— Aiolia. O que tem aí?
— Estrela. — a mostrou para seu maior amigo.
O mais velho sorriu.
— Ela caiu? Caiu do céu? — perguntou o menino leão, olhando para o animal em vários ângulos, rodando-a e prestando atenção na curiosa parte de baixo, que mais parecia com algo feito de vários cabelinhos engraçados.
— Não, não. Essa — o Sagitariano a tocou e continuou falando com seu calmo tom rouco — é de um tipo que vive no mar. Não é igual as do firmamento que nos abençoam através das constelações.
— Ahhhhh! — Os olhinhos verdes do loirinho novamente brilharam a sorrir. Que incrível era conhecer todas aquelas coisas novas ao lado do Cavaleiro de Sagitário.
Bem verdade que ele não entendia muitas das coisas que o mais velho dizia, mas não precisava entender. Aiolos era seu ídolo, seu herói. SEU irmão maior, e tudo o que saía de sua boca era verdade-verdadeira e ele sabia.
Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho
Aiolos lhe bagunçou os cabelos, afundando gostoso a mão direita nos formosos cachinhos dourados.
O amava.
O amava acima de tudo.
Aiolia trazia calor e segurança ao seu coração grego que, sem nem mesmo ele entender o motivo, vivia apertado.
Mas aquele menino, o único parente que ele possuía, era seu pequeno sol e alegrava sua vida, sobremaneira.
— Leva ela de volta pra água. Ela deve estar com saudade das outras estrelas.
— Ela vai fazer constelação no mar?
— Vai sim.
Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um ímã
O meu coração é o sol, pai de toda cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu
Gosto de te ver ao sol, leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba
E enquanto o mais velho o observava, Aiolia levava a estrela de volta para a água quando pisou em falso em uma conchinha quebrada e furou o pé.
Abriu o berreiro, alto e forte.
Intensamente.
Aiolos balançou a cabeça e levantou-se, indo até ele e o tomando em seus braços.
— Tudo bem, tudo bem… — acariciava o pé gordinho do menino. — Já passou.
— Tá doendo! — a estrela ainda estava em sua mão e lá ficou, uma vez que ele a segurava fortemente.
— Foi só um arranhão, já passou... Além do mais, um futuro Cavaleiro não deve chorar.
— Tá doendo… — as lágrimas sentidas e a voz embargada o fizeram esquecer por um momento de quem eram.
Ali ele não era Sagitário.
Ali ele era apenas Aiolos, irmão de Aiolia, a quem abraçou carinhosamente, ao encher de afagos.
Gosto de ficar ao sol, leãozinho
De molhar minha juba
De estar perto de você e entrar numa
— Já passou...
E aquele abraço gostoso foi lhe acalmando aos pouquinhos, até que o menino cessou o choro.
— Vamos devolver ela pro mar? Ela precisa ir pra casa.
Um aceno em positivo foi dado, enquanto algumas últimas lágrimas caíam.
Aiolos se abaixou, apoiando um dos joelhos na areia e inclinou-se para frente, com o irmãozinho ainda no colo.
Aiolia devolveu a estrela, esticando o bracinho e a colocando na água.
— Diga tchau pra ela.
— Tchau estrelinha.
— Vamos voltar pro Santuário?
O menino agarrou-se em seu pescoço, afundando o rostinho no ombro forte do mais velho.
— Uhum. — respondeu por fim.
Aiolos sorriu e levantou-se, começando a caminhar de volta para o Santuário.
Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho
— Oios?
— Sim…
— Amo você.
— Eu também te amo, Aiolia.
Vinte anos depois e enquanto caminhava pela praia, Aioria olhou emocionado para uma pequena estrela do mar que encontrou pelo caminho, pois ela lhe remetia uma das mais queridas lembranças que possuía: Seu adorado irmão.
E enquanto a devolvia para a água disse, em um sussurro:
— Tchau estrela. Volta pro mar pra fazer constelação.
Fim
Notas finais
Acho muito fofo pensar no amor entre eles.
Link para a letra e vídeo da música que inspirou a shot: https://www.letras.com/caetano-veloso/43881/
Beijos e até a próxima!!!
Madison
Fale com o autor