Vai

Cola teus olhos nos meus

Chega

Mais perto

Encosta

Teu rosto ao meu

Perfuma

Meu ser

E sente

Que és meu querer

Intenso

Como café

Ah! O café, louvada seja tal droga...

Mais uma lágrima rola

Desagua

Sem fim

Buscando teu encontro...

Tão pura

E tola

Estupidamente inútil

Longe estás

Pensando em mim?

Talvez.

Cachoeira de pensamentos

Chove lá fora e também aqui dentro...

Cantigas de roda entoam o luar

Por onde andas, ó dama de mil sonhos?

Com qual pudor entoasse os cantos teus para meu feitiço?

Agora foges de mim, não que estivesses presente outrora

Mas apenas te quero

E me afogo

Não apenas nas dores deste peito

Ou na droga entoada no café

Maldito esse, me tira o sono e impões sofrimentos

E sim nas causas da inútil luta

Que por mim cavalga, bela donzela

A luta qual nunca vencerei

Embora nunca ei de desistir...

Em mesmo real vejo

A latente duvida de teu querer,

Andas pelos vales sozinha?

Ou ainda gritas minha pia por onde passas?

Respondei-me, ó ingrata!

Perdão, humilde senhora.

Mas o escurecer em mim abita, se não há a luz de teus olhos

E a face, cada vez mais escura firma

Vejo a luz

Mas não a tua

Entregar-me-ei

Para o além de ser

Para o além do ver

Para a nau que desemboca à vida..

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