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Notas iniciais
Por mais que eu quisesse não conseguir ficar bem depois de ver aquilo. Era só uma maldita notícia num site de fofoca. Ficava repetindo para mim mesma, mas não saia da minha mente de jeito nenhum.
Não foi á toa que minha cara de surpresa ao ver o carro do Nick estacionado na frente da saída do prédio do trabalho e ele mesmo escondido atrás de boné e óculos escuros não foi de tanta felicidade. Apenas o abracei rapidamente e entrei no carro logo.
— Precisamos conversar. — ele falou tirando seu “disfarce”.
— Iria falar a mesma coisa.
— Quem fala primeiro?
Suspirei, pela cara dele também não era uma boa conversa.
— Os dois? No três?
Nick assentiu.
— Um...dois... três: Desculpa.
— Eu odeio que você seja famoso ás vezes.
— Aparentemente estamos na mesma página.
— Aquela notícia era tão esdrúxula. — constatei.- Também sinto muito que você tenha que lidar com isso.
— Qual das? Porque me mostraram várias.
Pisquei os olhos tentando não parecer surpresa e falhando.
— A reunião ontem era sobre isso?
Foi a vez de Nick suspirar.
— Sim.
— E?
— Não querem que eu fale nada sobre isso.
Arqueei as sombrancelhas e ele pareceu ler a pergunta na minha expressão.
— Olivia e eu atraíamos muita publicidade quando estávamos juntos.
— Droga. — deixei sair, não sei se pela situação ou por ter que ouvi-lo se referir a ela.
— Ei, — Nick puxou meu queixo para encará-lo — quero que saiba que se você quiser eu nego tudo.
— Não, tá tudo bem. — falei também para mim mesma. — Não quero te trazer problemas.
— Você não me traz problemas. Ao contrário deles... — ele grunhiu parecendo bem irritado.
— Ei, que tal só ficarmos juntos hoje. Sinto que precisamos disso. — fiz carinho na nuca dele.
— Sim.
Juro que não pensei em besteira, mas ao ver seus lábios abrindo num suspiro pesado várias coisas passaram na minha cabeça.
— Pizza, então? — sugeri tentando me distrair. — Ouvi falar de um restaurante muito bom por aqui...
— Não acho que restaurante seja uma boa ideia.
—Ah, é.
Super ligada você, Jessica.
— Que tal irmos para casa e lá pedimos pizza?
Concordei imediatamente.
Admirei o por do sol de LA ao som de Lana del Rey na nossa pequena viagem, e a beleza de Nick também, é claro. Ele ficava tão bonitinho dirigindo concentrado. Não deixei de ficar surpresa ao ver o casarão no topo de uma das colinas, parecia ficar ainda mais bonita iluminada com os raios de sol alaranjados.
Certo alguém me tirou daquela admiração ao me beijar quando saímos do carro. E mesmo cansada demais para um começo de semana, saí correndo para a porta o provocando. Ele me puxou pela cintura e entramos. Deixei que ele me enconstasse na parede como naquela vez no apartamento e mordi os lábios com a lembrança. Nossas bocas logo se uniram, puxei seu lábio inferior e Nick puxou o meu superior. Suas mãos brincavam com a barra da minha blusa e quando ele finalmente inventou de levantar...
Minha barriga roncou em alto e bom som.
O som seguinte foi o da risada de Nick.
— Parece que a pizza é mais urgente. — ele segurou a barriga pegando seu celular e deitando no sofá.
— Paraa — supliquei sentando no seu lado.
— Só porque você está linda vermelha.
Botei as mãos nas bochechas como se pudesse apagar a cor delas. Eu não tinha comido nada o resto da tarde por causa da ansiedade com as fotos. Incrivelmente meu namorado, que há poucos minutos eu jurava que ficaria me zombando a noite toda, depois de telefonar para a pizzaria, ficou fazendo carinho na minha barriga faminta, até a comida finalmente chegar. Finalmente porque fiquei rezando para que meu estômago não se mexesse ou fizesse mais barulhos estranhos.
Duas pizzas grandes, uma de mussarela e outra de calabresa foram muito bem recebidas por nós, obrigada. Mesmo com a minha fome, só comi seis pedaços e o resto Nick tomou conta, mais rápido que eu.
Eu já estava deitada no sofá bem garota esperando que passássemos o resto da noite assistindo a um filme, quando vi duas taças na minha frente.
— Uau.
— Para termos pelo menos uma coisa romântica. — ele disse colocando vinho para mim.
— Não acho nada mais romântico que pizza, mas tudo bem. Vamos brindar a que?
— A como me sinto calmo com você, – Nick pegou minha mão – como se nada de ruim pudesse me atingir.
— Okay, isso foi extremamente romântico. Acho que me apaixonei.
Bebemos o vinho e depois sentimos o gosto de novo, um na boca do outro. Também me sentia relaxada como nunca, nada mais parecia importar do que o contato da minha pele na dele em todos lugares possíveis…
A maldita companhia tocou.
— Que inferno! — Nick expressou o que eu xinguei internamente.
Me recusei a tirar a mão do seu pescoço e ele me beijou uma, duas vezes antes de levantar para ver qual sem noção estava na porta a essa hora.
— Vamos comemorar?
Ouvi a voz feminina vir de lá e levantei a ponta de ver a cena mais ridícula. A ex dele de vestidinho curto segurando uma garrafa de champagne.
— Você tá zoando com a minha cara.
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