Levels
23 Get on my level
Notas iniciais
Me considerei devidamente vestida com um vestido leve de manga branco. Um copo de vitamina me esperava na cozinha.
— Ugh. — exclamei.
Nick me encarou.
— É gostoso e saudável.
— E verde.
Após seu olhar inquisitivo e dele dizer que só me levaria se eu tomasse, virei quase tudo de uma vez para não sentir o gosto direito, mas não consegui evitar uma careta.
— Na próxima vez eu faço o café da manhã.
Nick apenas sorriu em resposta. Fui buscar meu óculos de sol e aproveitei para escovar os dentes como se não houvesse amanhã.
— Vai mais não? — ouvi ele falar impaciente.
— Eu não perderia por nada.
— Por nada?
— Uhum, isso mesmo.
Ele botou as mãos na minha cintura, mas as segurei e puxei uma para finalmente saírmos. Observei sua cara feia me divertindo com aquela situação. Entramos no elevador e fui para um extremo, Nick ainda chegou perto mas botei a mão no seu peito mantendo uma distância entre nós.
— Come on…
— No.
— Por que?
— Ninguém mandou me dar vitamina. — brinquei.
— Você só tá bancando a difícil.
— Que eu saiba nunca fui fácil.
—Bem, pra mim…
Aproveitei que a porta abriu pra fazer um cara de desdém e sair andando para o meio do hall.
— To brincando, — tentei não ligar para o beijo dele no canto da boca. — vou pegar o carro.
Achei estranho, mas em alguns minutos um chevy branco estava parado na saída. Um dos carregadores de mala abriu a porta fazendo sinal de positivo claramente impressionado com o carro, agradeci com um sorriso amarelo.
— Então esse é o seu carro.
— O que eu dirijo sim.
— Okay.
— Acho que posso me dar o luxo já que sou uma estrela do pop e tal.
Revirei meus olhos ao ouvi-lo só para ver o sorrisinho de quem já sabia a minha reação e a provocava facilmente. Dei de ombros, fingindo não me importar, mas eu estava adorando o fato do carro não ser aberto, o vento bater de leve e a sombra das palmeiras estarem nos acompanhando. Além de que Nick ficaria ocupado.
— Mas vamos falar de você, — ele continuou- não tá reclamando por quê?
— Resolvi dar um tempo,já que você tá me levando. Sabe onde é o lugar que eu te disse, que já esqueci o nome?
— Sei. Tempo aparentemente de tudo, né?
Suspirei desistindo de desviar o assunto.
— Você quer saber realmente?
— Não, minta para mim, Jessica.
— Eu te odeio. — falei rindo. — e quero ficar longe de você.
— Isso esclarece tudo.
— Mas, sério. Estamos no começo, parece que sei lá, alguma coisa pode dar errado.
Fiquei olhando meu recém namorado em silêncio, achando estranho e frágil colocá-lo assim. Ele encostou do lado do calçadão na beira da praia. Saiu do mesmo jeito e abriu a porta para mim, eu pensava que continuaria distante, mas ele segurou meu queixo.
— Não posso te garantir nada, Jess. Somente o meu melhor. Então, por favor, não me afaste de novo.
— Não vou. — respondi automaticamente.
A verdade é que ele me tinha por completo naquele momento, sua expressão séria, o calor dos seus olhos negros, percebi tudo isso e simplesmente entreguei minha boca a dele.
— Eu me sinto tão estúpida por me sentir assim. — desabafei ainda no seu abraço.
— Eu entendo, mas só deixa pra lá.
Assenti.
— Acho que esse mar lindo vai me ajudar.
— Afe, vai logo. Qualquer coisa me liga.
Não me senti insegura como das outras vezes quando ele foi embora. Apenas fiquei desejando que aquela promessa não fosse vazia. Mas eu tinha um sol maravilhoso para me distrair e uma amiga maluca para encontrar.
Melody acenou quando me viu como se eu não tivesse avistado seu biquíni laranja fluorescente de longe. A abracei forte, mesmo com os óculos de sol espelhados consegui perceber que sua expressão não era das melhores.
— O que aconteceu?
— Pode sentar aqui do meu lado que o que a gente tem pra conversar vai render um bom bronzeado.
— Vai me queimar você quer dizer.
— Bronzeador serve pra que? — ela falou balançando a embalagem.
— Pra mim não serve, amiga.
— Ninguém mandou nascer mais branca que um urso polar.
Ignorei essa e estendi minha canga do lado dela e ficando só com meu biquíni preto.
— Agora você parece um panda. — Mel continuou.
— Quando você escolher um biquíni que não brilhe mais que o sol fale comigo.
— Ok, eu não vou revidar essa. — disse minha amiga parecendo orgulhosa do meu fora. — Mas você vai ter que explicar esse chupão no pescoço.
Imediatamente peguei meu celular e não tive que procurar muito, pois uma mancha roxo esverdeada gritante estava logo acima da minha clavícula.
— Não sei como não vi isso.
— Mas sentiu não?
Tive certeza que fiquei vermelha como ficaria se passasse tempo demais no sol.
— Mel!
— Calma, amiga. Eu não estou te julgando. — disse, mas suas sobrancelhas arqueadas indicavam outra coisa.
Deitei de bruços escondendo meu rosto.
— Hey, você não é a única que teve uma noite ótima.
— De novo? — tentei afastar a imagem dela e do Theo fazendo sabe-se lá o que.
— É um pouco difícil tirar minhas mãos dele quando ele fala tanta coisa fofa.
Gemi.
— Eu queria falar que isso é nojento, mas acho que te entendo.
— Você e o Nick, então!?
Assenti devagar.
— Eu sabia!
Meio que esperava uma explosão, mas não um grito tão alto nem areia voando e braços me apertando tão forte.
— Tá bom, Mel. Tá bom.
— To feliz por você.
— Obrigada. — sorri, eu amava aquela garota. — Também estou feliz por você.
— Vamos nos bronzear logo, antes que eu fique enjoada, ou pior — chore.
Finalmente relaxei sentindo o cheiro de maresia e me dando conta do lugar maravilhoso em que estava. Um horizonte azul me encarava e areia macia cobria meus pés.
Nem parecia que tudo iria virar um desastre depois.
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